O selo antituberculose, símbolo
da luta contra a tísica no mundo, teve a sua origem nos últimos anos do século
XIX e difundiu-se em mais de 60 países.
Em 1897, foram emitidos os mais
antigos em Nova Gales
do Sul e traziam a efígie da Rainha Vitória. Editados na ocasião do Jubileu de
Diamante da referida rainha, tiveram suas vendas destinadas aos tuberculosos de
Sidney. Os primeiros países do mundo a editarem selos foram: Nova Gales do Sul,
Portugal, Dinamarca, Suécia, Países Baixos, Áustria, Noruega, Baviera, Islândia
e Finlândia.
Os selos antituberculose difundiram-se
no mundo graças ao dinamarquês Einar Hollboel, funcionário dos correios, que,
em 1904, teve a iniciativa de criar todos os anos selos no natal. Logo foi
editado um selo com a efígie da Rainha dinamarquesa que era tuberculosa. Em
Portugal, a Assistência Nacional aos Tuberculosos (ANT), encampando a idéia,
lançou um selo com o retrato da Rainha Dona Amélia, que, também, era tísica, e
teve boa receptividade. A partir daí, disseminou-se em muitos países, inclusive
no Brasil, e outros países da América Latina.
A
Federação Brasileira das Sociedades de Tuberculose (FBST), a Sociedade
Brasileira de Tuberculose (SBT) e as Ligas: Pernambucana, Bahiana, Riograndense
do Sul e Paulista, entre 1927 e 1955, editaram selos, como instrumentos de
educação sanitária e como meio de obter recursos para a luta. Só a Liga
Paulista editou 14 campanhas. Os selos das três primeiras traziam as efígies de
três grandes tisiólogos fundadores da Liga Brasileira Contra a Tuberculose:
Azevedo Lima, Hilário de Gouveia e Cypriano de Freitas. Quase todos os selos
editados por Clemente Ferreira, pioneiro da luta contra a tuberculose no Brasil
e presidente da Liga Paulista contra a Tuberculose, traziam a seguinte frase:
“Pró-tuberculosos pobres”.
Os selos foram valiosos instrumentos de educação
sanitária e muitos foram usados para proteger a infância. As imagens de
crianças e das mães velando os filhos tuberculosos foram muito utilizadas, bem
como nas propagandas da vacina BCG. Muitos selos foram usados para homenagear
reis, rainhas e grandes vultos da medicina; alguns divulgaram dispensários e
sanatórios e outros foram emitidos com motivos de natal para campanhas editadas
todos os anos a fim de angariar recursos.
A partir da década de 1920, todos os
selos editados pelas associações filiadas à União Internacional contra a
Tuberculose (UICT) passaram a exibir a Cruz de Lorena, outro ícone na luta
contra a tísica. No inicio, de maneira discreta, posteriormente, tornou-se, em
muitas edições, um símbolo de grande significado. Segundo Rosemberg, a
Cruz de Lorena e o Selo Antituberculose erigiram-se em símbolos de maior curso
internacional de toda a história da medicina.
Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg
Texto originado de minha Dissertação de Mestrado em História Social - PUC-SP - 2008.
Guerra à peste branca
Clemente Ferreira e a “Liga
Paulista contra a Tuberculose” 1899 -1947.