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sábado, 26 de novembro de 2022
O SURGIMENTO DO COSMOS E DEUSES DA MITOLOGIA GREGA (1ª PARTE)
Publicado no Jornal do Médico.
Link, abaixo
https://jornaldomedico.com.br/2022/11/o-surgimento-do-cosmos-e-deuses-da-mitologia-grega-1a-parte/
Descrição Técnica
- Autor – Sandro Botticelli (1445-1510)
- Título – O Nascimento de Vênus
- Data – 1483/85
- Técnica – têmpera sobre tela
- Dimensões – 172,5 cm x 278,5 cm
- Localização – Galleria degli Uffizi – Florença-Itália
O SURGIMENTO DO COSMOS E DEUSES DA MITOLOGIA GREGA (1ª PARTE)
Antes
da criação do alfabeto, os “aedos” (cantores em grego antigo) sabiam de cor e
cantavam muitas canções da tradição oral. Reza a lenda que, por eles cultuarem
a deusa memória e as musas, recebiam delas o dom de compor canções, cantar e
tocar lira.
Com
o surgimento do alfabeto, essas canções foram escritas. Os gregos acreditavam
que Homero, um aedo da Jônia, na Ásia Menor, que viveu no século XVIII a.C.,
era o autor das canções da “Ilíada” e da “Odisseia”. Na mesma época de Homero,
o aedo Hesíodo, que viveu no norte da Grécia, na Beócia, escreveu canções, como
Homero, usando técnicas de composição oral, transmitidas de geração em geração
durante muitos séculos.
Em
uma de suas canções que chegou até nós com o nome de “Teogonia”, Hesíodo conta
a origem do mundo, dos deuses, seus amores e lutas.
Theosgonia,
que significa nascimento dos deuses, juntamente com os poemas do Homero (Ilíada
e Odisseia), era a cartilha usada pelos gregos para ler, entender o mundo e
reverenciar os deuses. Considerado o registro mais antigo sobre mitologia
grega, a Teogonia de Hesíodo descreve, além da criação dos deuses e deusas, a
criação da terra e do universo.
O
curioso é que Hesíodo se coloca dentro do poema como uma personagem que recebe
das musas o dom de cantar e a incumbência de contar a origem dos deuses e do
universo. Segundo seu canto, tudo começou com o nascimento do Caos (desordem)
que gerou três deuses: Gaia (terra), Tártaro (submundo) e Eros (amor). Esse
Eros não é o filho de Afrodite, que nasceu bem depois. O Caos gerou, ainda, a
Noite e a Escuridão. A Noite gerou o Dia.
Gaia pariu o Céu (Urano), não como
um filho, mas como um igual. Em seguida, o Céu passou a “cobrir”, engravidar e
sufocar Gaia. Eles geraram 18 filhos: doze titãs, três Ciclopes e três Hecatônquiros.
À
medida que Gaia paria os filhos, Urano os devolvia para o centro da Terra. Gaia gemia. Não suportando mais, ela tramou um
ardil: forjou uma grande foice e
perguntou qual dos filhos era capaz de decepar a genitália do pai. Cronos, o caçula, para libertar a mãe do
tormento, aceitou o desafio. Quando Urano se aproximou para “cobrir” Gaia, ele
agarrou as partes genitais de seu pai com a mão esquerda e com a direita
cortou-as. Urano, gemendo de dor, saiu de cima de Gaia e foi parar no céu.
Cronos jogou para trás o pênis decepado e jorrando sangue que fecundou a Terra.
Assim, nasceram as divindades da vingança: as cruéis Erínias, os gigantes
guerreiros e as ninfas.
O membro caiu no mar. Da espuma ejaculada formou-se uma
virgem, Afrodite (Vênus para os romanos), deusa do amor e da beleza. Quando ela
saiu das ondas, na ilha de Chipre, a relva floresceu. Boticelli eternizou este
momento em belíssima tela, intitulada: “O nascimento de Vênus”.
Ao
destronar Urano, Cronos passou a reinar sobre a Terra. Mas, até quando?
ana
margarida furtado arruda rosemberg
Fortaleza,
25 de novembro de 2022
quinta-feira, 24 de novembro de 2022
MESTRE ROSEMBERG - Por: Affonso Berardinelli Tarantino
MESTRE ROSEMBERG
Por: Affonso Berardinelli Tarantino
No dia 11 de junho de 2005, durante o V Congresso Brasileiro de Asma, realizado no Rio de Janeiro, saudei José Rosemberg ao entregar-lhe o Prêmio Excelência em Pneumologia, conferido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Esse prêmio é patrocinado pelo titular da disciplina de Pneumologia, Acadêmico Professor J. M. Jansen. Hoje, na semana de seu falecimento, reproduzo essa minha fala.
Mas para lembrar Rosemberg só mesmo a frase de W. Bernardinelli, que não me canso de repetir: "A terra mãe das árvores e das flores receberá teu corpo, mas teu cérebro não será cinza, será luz. Teu coração não será pó, será árvore que agasalha".
Tu que viveste repartindo bondade e saber, infinitamente repartindo, viverás nas flores, nos ventos e nas saudades - não morre quem nos outros viveu. Não morre quem nos outros vive.
Nas primeiras edições de nosso "Doenças Pulmonares", no capítulo sobre tuberculose, o nome Rosemberg vinha sempre após o nosso; nas edições sucessivas ele apareceu ao meu lado, nas últimas em primeiro lugar, nas futuras estará seguramente sozinho. Sempre me coloquei, junto dele, no lugar de honra, isto é, como vice. Ser segundo de Rosemberg é ganhar hoje o Nobel de amanhã. Sinto por José Rosemberg algo como um simulacro de inveja de mim mesmo. Não é fácil de explicar, é um sentimento bíblico, que não subtrai nada, mas acrescenta ternura e muita admiração.
Rosemberg é uma inteligência crônica com paroxismos de gênio: uma inteligência em estado de graça. Com relação aos incontáveis merecidos títulos na especialidade, recuso-me com veemência a enumerá-los, por serem por demais conhecidos, e respeito assim a qualidade precípua de um orador, a breviloqüência.
O Rosemberg, para quem não sabe, tem uma outra qualidade, é meu conterrâneo: nascemos em S. José dos Campos, no Vale do Paraíba... no doce vale deste rio sereno de ar tão puro quanto o sol ameno, passei meus dias da melhor idade, brinquei meus dias de maior saudade...
Ele previu, com mais de meio século de antecedência, o lugar que estaria reservado ao BCG, ele, o discípulo mais amado de Arlindo de Assis em companhia de São Maragão - por mim beatificado em vida e in pectore como tal. Ambos comportaram-se como dois cruzados numa guerra santa pelo BCG. Acompanhei essa batalha, muito embora mais como expectador. Rosemberg foi o inventor de outra guerra no continente, contra o tabagismo - basta ver os galardões que recebeu e vem recebendo como símbolo do antitabagismo no Brasil.
Queria não me sentir tão emocionado para contar-lhes mais sobre Rosemberg - não tão calmo, como o ministro Disraeli, que bocejou, por várias vezes, enquanto proferia um discurso em pleno parlamento inglês.
Na verdade, sinto-me hoje, aqui e agora, como se estivesse recebendo o Prêmio Mestre Aloysio de Paula pela segunda vez. Sentir-me-ia irremediavelmente frustrado caso não fosse eu que aqui estivesse para saudá-lo, meu querido! Mais uma vez devo essa honra ao particular amigo Jansen, título este que desde o começo do ano valoriza o meu currículo.
E sobre sua digníssima esposa, Professora Ana, você não vai fazer nenhuma menção? Vou sim. Numa das últimas vezes que o Rosemberg esteve em nossa casa, num arroubo de indiscrição, Neusa, minha mulher, saiu-se com esta: entre todos vocês, octagenários assumidos, o mais conservado é sem dúvida o Rosemberg. Olha que entre o grupo presente havia uns sexagenários "adolescentes". O casamento com a Doutora Ana acabara de realizar o milagre da eterna juventude.
E, para terminar, caso fosse necessário trazer o Rosemberg no colo até este local e me perguntassem "está pesado?", eu prontamente responderia: "não, ele é meu irmão".
Affonso Berardinelli Tarantino
Membro da Academia Nacional de Medicina
ROSE - 17 ANOS DE SAUDADE - 24.11.2005 / 24.11.2022
De Rose para Margô
MARGÔ, MINHA MEDIEVALISTA.
Tens a majestade daquelas góticas catedrais.
Sou teu fiel e submisso crente,
Sou teu servo como nos tempos medievais
E devoto de tua alma límpida e transparente,
Que reina soberanamente no meu coração,
E eu, como aqueles servos em submissão,
Anseio por teu amparo, teu condão.
És meu templo, meu soberano feudal,
A quem, como aqueles servos, juro fidelidade
E ser eternamente leal,
Porque amar-te é a suprema felicidade!
Rose
São Paulo,12 abril de 2004.
terça-feira, 22 de novembro de 2022
BREVE HISTÓRIA DA UROLOGIA - JORNAL DO MÉDICO
Publicado no Jornal do Médico, link abaixo.
file:///C:/Users/ana%20margarida/Downloads/RD%20novembro%202022%20app.pdf
Descrição:
Gerard DOU (1613-1665)
Dr. Examinando a urina de uma mulher
doente (1663)
Museu – Louvre-Paris
BREVE HISTÓRIA DA UROLOGIA
A urologia, tida como uma especialidade recente, tem raízes que remontam à Antiguidade. Nos papiros de Ebers e de Smith, do Antigo Egito, há descrições de doenças de cunho urológico. Hipócrates, no século V a.C., fez a seguinte referência: “Certamente não praticarei corte em homens que sofrem de pedra; Vou deixar esta operação para os especialistas”.
No século I, a “Escola de Alexandria” praticava litotomia com precários instrumentos cirúrgicos. Na Idade Média, a “Escola de Salerno” seguia os conceitos de Hipócrates e Galeno. No século XI, Avicena descreveu sondas uretrais em seu livro “Canône de Medicina”. A litotomia era praticada na Espanha, França e Alemanha.
Da Antiguidade até o século XVIII, os problemas urológicos ficavam a cargo dos barbeiros-cirurgiões que tentavam, algumas vezes com sucesso, remover cálculos do ureter e da bexiga. Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832), portador de doença do aparelho urinário, descreveu com sutileza suas mazelas.
Em 1877, Maximilian Carl Friedrich Nitze (1848 a 1906), na Alemanha, realizou a 1ª cistoscopia com aparelho de lâmpada incandescente. Em seguida, na França, Joaquín Albarrán (1860-1912), francês de origem cubana, desenvolveu um método experimental para explorar a função renal, mais tarde chamado de "teste de Albarrán"; aprimorou a cistoscopia inventando a alavanca que permite maior precisão nos movimentos do cistoscópio durante a cateterização do ureter.
Max Nitze e Albarrán são considerados “Pais da Urologia”.
A partir do final do século XIX, com os conhecimentos de anatomia e fisiologia do trato urinário e o advento da anestesia e práticas antissépticas, a urologia se firmou como especialidade. O RX, descoberto, em 1895, pelo alemão Wilhelm Conrad Röntgen (1845-1923) e o desenvolvido de vários instrumentos para melhor explorar a bexiga e fragmentar os cálculos deram impulso a especialidade. No século XX, as principais intervenções, como: a nefrectomia (remoção do rim) e a prostatectomia (remoção da próstata) floresceram.
A ultrassonografia permitiu que a
urologia realizasse um trabalho pioneiro no campo da cirurgia minimamente
invasiva. Em 1982, o advento do litotritor extracorpóreo, um dispositivo que
permite a fragmentação remota de cálculos, revolucionou o tratamento de cálculos
renais e ureterais.
No Brasil, em 13/05/1926, foi criada a Sociedade Brasileira de
Urologia, tendo como presidente o Dr. Agenor Edésio Estelita Lins (1890-1946).
O patrono da referida sociedade é o médico
urologista e ex-presidente do Brasil, Juscelino
Kubitschek (1902-1976).
ana margarida furtado arruda rosemberg
Fortaleza, 10 de novembro de 2022
REFERÊNCIAS
http://www.utb-chalon.fr/media/files/Documents_conferenciers/Paparel/UTB-Paparel-231013.pdf
https://smun.fr/petite-histoire-de-lurologie/
file:///C:/Users/ana%20margarida/Downloads/historia.pdf
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16952618/
segunda-feira, 21 de novembro de 2022
Como eram os deuses olimpianos da Mitologia Grega ?
Publicado no Jornal do Médico. Link, abaixo
https://jornaldomedico.com.br/2022/11/como-eram-os-deuses-e-deusas-da-mitologia-grega/
Por Nicolas-André Monsiau, em finais do século XVIII
Os primeiros habitantes da Península Balcânica, agricultores em
sua maioria, atribuíam a cada aspecto da natureza um “espírito”. Com o tempo, estes
espíritos assumiram a forma humana e entraram na mitologia local como deuses e
deusas.
Quando as tribos do norte invadiram a Península Balcânica, trazendo
um panteão de deuses e crenças ligadas à conquista, à força, à guerra, ao heroísmo,
houve a fusão com os deuses e deusas que povoavam a mente dos habitantes agrícolas
da região.
A
mitologia grega sofreu também influência das culturas de outros povos, como:
asiáticos e egípcios, mas preservando características próprias. Não havia
animais entre os deuses gregos, como acontece com os deuses da Índia e do Egito.
Segundo
o Professor Cláudio Moreno, os deuses gregos eram sempre humanos; não existia
deus do mal, podiam ser bons ou maus dependendo da situação; eram belíssimos; a
única exceção era o deus Hefesto (Vulcano para os romanos); as deusas eram
lindíssimas, como: Afrodite, Hera e Atena.
Diferente
de outras religiões, que os deuses são incriados, os deuses e deusas da
mitologia grega tinham pai e mãe, nasciam, cresciam até certa idade, viviam entre
os humanos e eram dotados dos mesmos sentimentos, como: amor, ódio, ciúme,
inveja, entre outros. Muitas vezes, eles se envolviam amorosamente com os
mortais e tinham filhos, os chamados semideuses. A grande diferença entre eles
era a imortalidade, privilégio dos deuses.
Homero
descreveu o Monte Olimpo, o ponto mais alto da Grécia, a morada celestial dos
deuses, com belos jardins, uma grande mesa de banquete com cadeiras, onde eles
passavam o dia inteiro em festa, conversando, rindo e ouvindo música. Como eram
imortais, não tinham necessidade de alimentos. Ingeriam, por prazer, ambrosia e
néctar.
Os
deuses que habitavam o Olimpo eram: Zeus, Hera, Poseidon, Atena, Ares,
Deméter, Apolo, Ártemis, Hefesto, Afrodite, Hermes e Dionísio. As deusas
tinham camas, tocadores, brincos, cosméticos, faziam sexo, tinham partos com
dores e amamentam.
Não
havia deuses e deusas oniscientes e onipotentes, que sabiam e podiam tudo. Muitas
vezes os deuses eram enganados pelos humanos. Porém, havia limites que não
podiam ser ultrapassados. Quando os humanos se comparavam aos deuses eram
duramente castigados. Não havia guerra por causa de religião e cada humano
podia cultuar o deus que quisesse.
Segundo
alguns mitólogos, os deuses criaram os homens para diversão. Mas o contrário também
era verdadeiro, pois os humanos se deleitavam com as encrencas deles. Ademais
os deuses tinham curiosidade de saber o que é viver consciente da finitude.
Isso eles não podiam saber e, por isso, invejam os humanos que valorizavam cada
minuto vivido.
ana margarida furtado arruda rosemberg
Fortaleza, 18 de novembro de 2022
sábado, 19 de novembro de 2022
domingo, 13 de novembro de 2022
O BECO DE BATMAN
Postado no Jornal do Médico. Link, abaixo.
https://jornaldomedico.com.br/2022/11/o-beco-do-batman/
O “Beco do Batman”, em
São Paulo, está localizado entre as ruas Gonçalo Afonso e Medeiros de
Albuquerque, na Vila Madalena, bairro boêmio da zona oeste da cidade.
Escondido entre as vielas
do bairro, o Beco do Batman, verdadeiro museu a céu aberto do Graffiti
paulistano, é um paraíso para os amantes da arte urbana.
A história do Beco teve
início nos anos de 1980, quando surgiu misteriosamente um desenho do Batman, o
famoso homem-morcego das revistas em quadrinhos, em uma de suas paredes. Esse
desenho chamou a atenção de estudantes de artes plásticas que começaram a fazer
desenhos psicodélicos e cubistas no beco.
Atualmente, os desenhos
são constantemente renovados e o próprio desenho do Batman, não mais existe.
Conhecido no Brasil e em muitos países, o local está repleto de galerias de
arte.
O Beco do Batman é ponto
turístico da cidade de São Paulo e parada obrigatória para os amantes da arte
urbana.
ana margarida furtado
arruda rosemberg
São Paulo, 6 de novembro
de 2022
segunda-feira, 7 de novembro de 2022
ROSA E AZUL - RENOIR
Postado no Jornal do Médico
Link, abaixo
https://jornaldomedico.com.br/2022/11/rosa-e-azul/
Descrição:
Pierre-Auguste Renoir (1841-1919)
Rosa e Azul - As Meninas Cahen d'Anvers (1881) – 119 x74 cm - MASP-SP-Brasil
Rosa e Azul, também intitulada “As Meninas Cahen d’Anvers”, é uma célebre pintura - óleo sobre tela - do artista impressionista francês Pierre-Auguste Renoir. Este quadro, um dos mais populares ícones da coleção do Museu de Arte de São Paulo (MASP), foi produzido em 1881, em Paris. Ele retrata as irmãs Alice e Elisabeth, filhas do banqueiro judeu Louis Raphael Cahen d’Anvers.
Renoir retratou as duas filhas: a loira Elisabeth, de seis anos, nascida em dezembro de 1874, e Alice, de cinco anos, nascida em fevereiro de 1876. Alice viveu até os 89 anos e morreu em Nice, em 1965. Elisabeth teve um destino trágico. Divorciada do primeiro marido, o diplomata e conde Jean de Forceville, casou-se com Alfred Émile Denfert Rochereau, de quem também se divorciou. Ela foi enviada para Auschwitz, devido à sua origem judaica, e morreu em um trem a caminho do referido campo de concentração, em março de 1944, aos 69 anos.
A tela “As meninas Cahen d’Anvers”, adquirida pelo Masp, em 7 de julho de 1952, angariou a simpatia dos visitantes do museu, tornando-se fonte de inspiração para muitos pintores. A magnífica pintura é excepcional pelo detalhe dos vestidos: relevo dos babados e reluzentes faixas de cetim.
Artistas contemporâneos como Washington Maguetas e Cirton Genaro, entre outros, produziram trabalhos baseados nesta tela. Em 1989, o quadrinista Maurício de Sousa fez uma reinterpretação de "As Meninas Cahen d’Anvers", intitulada Magali e Mônica de Rosa e Azul, onde as populares personagens dos quadrinhos infantis aparecem ocupando o lugar de Alice e Elisabeth na pintura.
ana margarida furtado arruda rosemberg
São Paulo, 03 de novembro de 2022
quinta-feira, 3 de novembro de 2022
Por: Gregório Duvivier - Receita pra lavar a alma
Postado na Folha de São Paulo
Link, abaixo
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/gregorioduvivier/2022/11/receita-pra-lavar-a-alma.shtml
Gregorio Duvivier
RECEITA PARA LAVAR A ALMA
Lava-se a alma quando se ganha, mas não basta ganhar pra lavar a alma
Taí uma das expressões mais bonitas da nossa língua: lavar a alma. E mais difíceis de traduzir também. Sobretudo pra mim, que não falo bem língua nenhuma. Mas uma amiga, tradutora e poliglota, me confirmou. Não se lava a alma noutras línguas, que ela saiba. Quer dizer, não do mesmo jeito. Pode-se ganhar "by a landslide" —ou de lavada. Mas ganhar lavando a alma não tem nada a ver com ganhar de lavada. A lavada não lava a alma —necessariamente. Ao contrário: é a vitória suada que costuma lavar melhor a alma.
Lava-se a alma quando se ganha, mas não basta ganhar pra lavar a alma. Ganhar de bandeja não lava a alma de ninguém. Uma vitória esperada não faz cosquinha na alma. Pior: uma alma com o hábito da vitória pode continuar cheirando a mofo, coitada.
A vitória injusta tampouco lava a alma. Dá um banho de água suja. Quando se ganha perdendo, a alma fica ainda mais fedida. Ganhar de um amigo querido, ou de um adversário honesto, tampouco serve pra lavar a alma.
A vitória precisa ter gosto de justiça. A alma precisa merecer o banho. Por isso a injustiça costuma anteceder a lavagem. E a dúvida, também: será que algum dia lavarei minh’alma?
Pra dar um bom banho n’alma, é preciso ter perdido batalhas. Mas não apenas uma vez só. É preciso ter perdido por meses, anos, décadas, quem sabe uma vida toda. É preciso ter esquecido o gosto da vitória. E enfrentado muita sujeira pelo caminho.
A alma precisa ter passado por algum deserto pra merecer o bom banho. E não só: a alma precisa ter botado o corpo pra jogo e amargado o sabor da derrota injusta. Quem lava as mãos não sabe o que é lavar a alma. Os cínicos tomam menos banho n’alma que os franceses no corpo. Os franceses, no entanto, lavaram a alma em 1789. Os haitianos lavaram a alma em 1791. Os russos lavaram a alma em 1917, os portugueses lavaram a alma em 1974, os sul-africanos lavaram a alma em 1994.
Já nós, brasileiros, quantas vezes não tentamos. Da Inconfidência às Diretas Já, nossa história foi uma longa sucessão de banhos n’alma interrompidos por falta d’água. Lavamos a alma nas copas, e faz tanto tempo.
Chegou o grande dia.
A vitória eleitoral da sociedade civil contra um projeto de autocracia
miliciana e fundamentalista não tem outro nome: lavamos a alma. Esse banho vai
ser demorado. Muita sujeira ainda precisa escorrer pelo ralo. Mas que delícia é
sentir a alma de um povo lavada inteira.
A ORIGEM DA GUERRA DE TROIA – O Julgamento de Páris
Texto postado no Jornal do Médico
Link, abaixo.
https://jornaldomedico.com.br/2022/10/a-origem-da-guerra-de-troia-o-julgamento-de-paris/
A ORIGEM DA GUERRA DE TROIA – O Julgamento de Páris
A Guerra de Troia, um
conflito lendário da mitologia grega, teve como motivação primordial um pedido de Gaia (Mãe-Terra) a Zeus,
para controlar a população sobre o planeta.
O momento propício escolhido por Zeus, para atender ao pedido de Gaia,
foi quando surgiu uma disputa entre as deusas: Hera, Atena e Afrodite, durante o casamento de Peleu e Tétis, os pais
de Aquilles.
Para a grande festa de matrimônio, todos os deuses, menos Éris, a deusa
da discórdia, foram convidados. Indignada por ter sido alijada e humilhada,
Éris lançou uma “Maçã de Ouro” (Pomo da Discórdia) com os dizeres: “À mais
bela”.
Deste modo, Éris instigou a competição entre as mulheres. Hera, Atena e Afrodite, as deusas mais belas, reivindicaram o
troféu, desencadeando uma tremenda confusão.
Zeus, para se livrar do espinhoso papel de
juiz, resolveu legar a Páris, um simples mortal, príncipe de Troia, que era
pastor e vivia feliz no campo, o difícil julgamento.
O deus Hérmes, conduziu as três divindades
até Páris que ficou surpreso e confuso. Ao
perceberam que ele titubeava, as deusas tentaram persuadi-lo, da seguinte
forma: Atena, a deusa da guerra e da sabedoria, ofereceu a Páris uma histórica
guerra vitoriosa; a poderosa Hera, esposa de Zeus, ofereceu
a glória dele ser o Rei de toda a Europa e Ásia; Afrodite, a deusa do amor e da
beleza, ofereceu o amor da mais bela mulher do mundo.
Sentindo-se seduzido pela oferta de ter o amor de Helena, a mais bela mulher
do mundo, Páris concedeu o troféu a deusa do amor e da beleza.
Cumprindo a promessa, Afrodite fez com que Helena e Páris se
apaixonassem loucamente. Helena era casada com o rei de Esparta, Menelau. Diante
desse óbice, o casal apaixonado fugiu para Troia e Menelau, o marido traído, furioso,
solicitou ajuda de seu irmão, o rei Agamenon, para persuadir todos os
governantes das cidades-estados da Grécia, inclusive Odisseu, rei da ilha de
Ítaca, a marcharem contra os troianos.
Assim, foi deflagrada a famosa Guerra de Troia.
ana margarida furtado arruda rosemberg
Fortaleza, 27 de outubro de 2022





