Eu tenho
lembranças inesquecíveis da minha tia Belizarina, porque a chegada dela
coincidiu com a morte da minha babá, de meningite. A minha tia Belizarina foi
um anjo para mim e para as minhas irmãs que nasceram em Portugal (Maria do
Livramento e Maria de Lourdes).
Como eu
era o mais velho, me lembro que minha mãe, às vezes, saía para fazer compras no
centro de Lisboa e me levava. Eu era muito voluntarioso. Lisboa tem a cidade
baixa e a cidade alta. Já naquele tempo tinha um elevador público que
transportava as pessoas da cidade baixa para alta e vice-versa. Mesmo que a
minha mãe não tivesse necessidade de andar no elevador ela me levava, porque eu
fazia tanto barulho, tanta exigência que ela acabava satisfazendo a minha
vontade.
Eu me lembro também que meu pai, naquela ocasião, como agente do seu irmão Jeremias Arruda em Lisboa, tinha um automóvel. Recordo-me que uma vez, no carnaval de 1925, minha mãe comprou para mim uma fantasia de pierrô e para a minha irmã Livramento uma fantasia de saloia, que é uma veste típica de Portugal.
A minha
fantasia de pierrô desapareceu, mas a de saloia durou muitos anos. Minha mãe a
conservava muito bem e, tantos anos depois, aqui em Baturité, em um desfile de
bonecas (meninas vestidas à moda regional de vários países) a minha filhinha
Maria de Fátima desfilou com esta fantasia que pertenceu a minha irmã
Livramento.
PS.: Crônica publicada no livro “Relembranças – Lampejos de minha memória” de Miguel Edgy Távora Arruda - pág. 106 e 107 - Expressão Gráfica, 2019 – Organizadora – ana margarida furtado arruda rosemberg.
Tanscrita de uma gravação feita em fita cassete, pelo autor, no dia 12.01.1992, em Baturité-CE.

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