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quinta-feira, 12 de abril de 2012

ANIVERSÁRIO DE CASAMENTO DE EDGY E ADELINA



Edgy & Adelina - Fortaleza, 12 de abril de 1944

Edgy & Adelina e filhos - Bodas de Ouro - 12 abril de 1994

Edgy & Adelina, filhos, genros , noras , netos e bisnetos - Bodas de Diamente - Fortaleza, 12 de março de 2004


Aquele 12 de março de 2004 amanheceu ensolarado, depois de uma semana de chuvas intensas que banharam, sem trégua, a capital alencarina. O sol, para prestigiar o auspicioso evento que estava por vir, enviou seus raios luminosos trazendo alegria e aquecendo os corações de todos que, naquela noite límpida e estrelada, iriam comemorar os 60 anos de união de Adelina e Edgy. Às 19h o Bouganville Buffet já estava trajado a rigor para receber os convidados. As mesas, vestidas de renda branca e verde claro e decoradas com lírios, foram pouco a pouco ocupadas pelos parentes e amigos do casal, que, ansiosos, aguardavam o inicio da grande festa de emoções. Um painel com fotos de nossos pais, logo na entrada, nos dizia que naquela noite iria se desenrolar uma rara celebração. Uma festa de bodas de diamante! Melodias românticas da mocidade de nossos pais invadiam o ambiente, com nostálgica ternura, enquanto um telão projetava nossas vidas, em diversas ocasiões especiais que meu pai perpetuou para a posteridade, com sua filmadora. Docinhos e outros petiscos, cuidadosamente arrumados em mesas de vidro, iluminadas com luzes especiais e decoradas com plantas verdes, davam um toque de glamour ao ambiente. O imenso bolo, artisticamente confeitado com flores brancas e folhagem verde, repousava majestoso no centro do salão, atraindo a atenção de todos. No fundo do jardim, uma enorme árvore genealógica, feita de balões brancos e verdes, aguardava o momento de subir aos céus, um a um, e brilhar ao lado da Maninha que de lá tudo assistia junto as estrelas do firmamento. A música “La Cumparcita” que nossa mãe tocava no piano, em sua mocidade, e que marcou o namoro de nossos pais, foi traduzida nas pontas dos pés de minha querida filha Liana, num magnífico ballet expressando um tango, sobre um tablado de vidro e sob uma chuva de papel prateado. A renovação do casamento, feita pelo padre Francisco, pedindo que Nossa Senhora continuasse abençoando e protegendo o casal, reproduziu a cerimônia ocorrida na Igreja do Patrocínio, há 60 anos e teve um instante sublime, quando Nívia, a mais nova bisneta, nos braços de Luan, o bisneto primogênito, adentraram conduzindo as alianças, ao som de Ave Maria de Gounod. Os acordes maviosos de: “Solamente una vez” e “Aqueles olhos verdes”, embalaram as imagens de um clip, projetado em um telão, cuidadosamente preparado para contar a história de amor de nossos pais e uma cascata de fogos de artifícios com os nomes, “Adelina e Edgy - 60 anos”, iluminou a noite explodindo a luz em mil cores, como um diamante, dando um toque de alegria a festa. Vários oradores com muita emoção reverenciaram e parabenizaram o casal, exaltando suas virtudes e agradeceram aos presentes e patrocinadores do evento. Todos os detalhes daquela maravilhosa festa foram carinhosamente preparados por nossas irmãs; Fátima e Teca que, com competência e ética profissional, não mediram esforços a fim de que tudo brilhasse naquela noite. Quero registrar a mais profunda gratidão, em nome de todos os descendentes de Miguel Edgy e Adelina, às nossas irmãs e à toda equipe que com dedicação e amor prepararam para todos nós a inesquecível bodas de diamante. A você, Fátima, um especial obrigada, por nos proporcionar momento de profunda emoção, quando nossos pais adentraram a festa, lindos em seus 60 anos de união, nos mostrando o quão sublime é o amor; pelo espetáculo de fogos, show e de músicas tão bem selecionadas que nos tocava fundo e nos fazia marejar os olhos a todo instante; por unir em um momento mágico de nossas vidas todos nós, filhos e filhas, genros e noras, netos e netas, bisnetos e bisneta aos nossos pais e a todos os nossos parentes e amigos que contagiados com nossa alegria e emoção reproduziram naquele dia, o histórico “Beijo de Lamourette” o qual, em 7 de Julho de 1792, na França, em plena Revolução, contagiou a assembléia em uma onda de fraternidade quando os deputados, deixando de lado suas diferenças, começaram a se abraçar e a se beijar exaltando um amor fraternal. Obrigada, enfim, pelo impecável cerimonial que nos fez viajantes no tempo do sublime sentimento do amor que uniu nossos pais durante 60 anos de suas vidas.

Ana Margarida F. Arruda Rosemberg
São Paulo, 03 de abril de 2004.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

DISCURSO PROFERIDO PELO PROF. LUIS ARRUDA FURTADO - 2ª PARTE


DISCURSO PROFERIDO PELO PROF.  LUIS ARRUDA FURTADO EM 21/08/1977 POR OCASIÃO DA FESTA COMEMORATIVA DO  CINQUENTENÁRIO  DE FUNDAÇÃO DA ESCOLA APOSTÓLICA DOS PADRES JESUITAS, EM BATURITÉ. 2ª PARTE

 
Prof. Luis Arruda Furtado
Aqui estão presentes os nossos dois primeiros diretores. O Pe. José Celestino, de porte imponente, mas de alma boníssima; o Pe. Luiz Baecher, que, embora sendo alemão, não possuia a altivez típica de seu povo; o Pe. Pinheiro, o ecônomo da casa; o nosso inesquecível e querido Pe. Teixeira, prefeito por muitos anos, o responsável por nossa formação, o nosso orientador, o sacerdote que permanecia continuamente entre nós, o que substituia o pai de cada um. Para tornar nossas férias mais amenas, lia-nos, como somente ele sabia ler, à sombra de frondosas árvores, livros como Tom Playfair, Percy Wynn, Fabíola e tantos outros; o Pe. Artur Redondo, nosso diretor espiritual e professor de inglês e francês, sacerdote reconhecidamente virtuoso, que exhalava de si um ar sobrenatural e em quem se podia notar uma auréola de santo a circundar-lhe a fronte; o nosso inolvidável e querido Pe. Alexandrino Monteiro, escritor, poeta, e compositor, que acompanhava ao harmônio os hinos religiosos. Foi nosso professor de português, latim e grego, sacerdote a quem muito devo e cujo método de ensino adotei, com absoluto êxito, durante 35 anos de magistério; o nosso primeiro Mestre de Noviços, o Pe. Charles Coppex, homem de uma cultura polimorfa e de profunda devoção ao Coração de Jesus. Costumava dizer que, para se ser feliz, era necessário se ter paz de consciência e sossego de espírito e acrescentava, e tino prático; o Pe. Pacheco, que ao ser transferido para Belém despediu-se de nós, que nos achávamos na Caridade, através do sinal Morse, transmitido por lâmpada elétrica; o Pe. Peixoto, nosso professor de latim e grego no segundo ano de Noviciado; o Pe. Veloso, o Pe. Pequito, o Pe. Cheseaux, o Pe. Viellendents, o Pe. Rocha e todos os que sucederam. Entre os irmãos coadjutores, o nosso enfermeiro, Irmão Bosco; o Irmão Fernandes, motorista e encarregado da carpintaria; o Irmão Rodrigues, porteiro e o Irmão  Oliveira, nosso cosinheiro. A todos o nosso preito de saudade e gratidão. Desejo fazer menção especial a dois Irmãos que ainda residem nesta Escola, o Irmão Silva e o Irmão Fibeiro, que foi meu colega de noviciado.

Continua na terceira parte. Aguardem...

sábado, 7 de abril de 2012

À MANINHA

José Rosemberg

          

                  
                                                            Por José Rosemberg

Vim de São Paulo ansioso,
Pra rever teu semblante radioso
E trazer minha mensagem de absoluta certeza
De teu restabelecimento com prestreza.
Chega de cama! Dessa vida horizontal!
Quero ver-te em pé de postura vertical,
Irradiando tua encantadora simpatia!
Esse pesadelo de agora é, felizmente, fugaz.
Logo, tua vida sorrirá plena de paz.
Tua fronte abençoar gostaria,
De agradecimento pela tua amizade.
Possuir amiga de tua esplêndida qualidade,
É raro privilégio que guardo com alegria.
Deixo aqui contigo o meu coração,
Confiante da tua completa recuperação,
Para encanto de todos que te querem bem.
Entre estes, está este teu amigo também.

José Rosemberg
Fortaleza, 22 de fevereiro de 2002.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

ATO DE AMOR DE MEU PAI



 Por Maria Goretti Arruda Bezerra


Maria Goretti
     

   F ilmes, registrando tempos idos...
        Á lbuns, com fotografias desbotadas...
     M omentos e estórias bem contadas,
         I nesquecíveis, na tua voz cadenciada.
      L embranças de nossos antepassados
    I nvadem nossa mente e o coração 
A h! Quanto amor e dedicação... 


A inda que hoje te quedas mudo
R essoa para sempre a tua voz
R esgatando, dignamente, este legado,
U m relato fiel para a posteridade.
D oaste aos teus, este presente inestimável, 
A  verdadeira estória de uma família unida.


              Maria Goretti Arruda Bezerra 
               Fortaleza, fevereiro de 2005.



quarta-feira, 4 de abril de 2012

MEU TIO EDGY



Núbia Maria
                                                                                              

                                                      Por Núbia Maria Arruda Bastos Cardoso

"NO DIA EM QUE O  CORAÇÃO  NÃO  FOR  MAIS  CAPAZ  DE  VIBRAR,  SERÁ  O  FIM "
(MUSSOLINI)

E foi essa vibração que testemunhei fazendo agora um inventário sentimental de minha infância.
Quando criança fui a sobrinha do capitão e depois a sobrinha do prefeito. Na época, não entendia o porquê do meu anonimato. Mas... muitas são as recordações que agora se justificam e se explicam.
Nos comícios, era o mais eloquente e por que não dizer, o mais apaixonado. (aí está a explicação de seu timbre de voz tão alto que, às vezes, me encantava e, paradoxalmente, me assustava.).
Como político, era um apaixonado pela sua terra e por seu povo. Há uma prova concreta ainda hoje - o jornal A VERDADE que consegue atravessar anos e anos apesar das crises.
Como pessoa, essa me impressionava... Seu gabinete vivia fechado. Agora entendo... Como se concentrar na música, na literatura, com crianças e mais crianças correndo por todos os vãos da casa da Rua 7? E ao redor da extensa mesa? Nas férias, o barulho aumentava. Eram os sobrinhos que estavam na casa da Vovó Noemy...
Era ele um amante da sétima arte. Muitas foram as sessões gratuitas de cinema no Beco do Félix.  Todas as ocasiões importantes seriam preservadas para o futuro e quantas vezes eu me vi na "tela do cinema?” Era um contentamento só e aguardávamos ansiosos o dia da "próxima sessão". Proprietário do "Cine Odeon", ele e tia Maria Adelina foram responsáveis pelo único divertimento de toda uma geração: dos seriados aos hoje, imaginem, chamados "clássicos do cinema".
Elegante, era uma presença marcante em todas as festas familiares.
Extrovertido tinha o dom da oratória. Com poucas palavras, expressava o muito.
Era o grande líder do Clã "Távora / Arruda". Como primeiro filho varão, serviu de exemplo para os que vieram depois.
Como pai, pude observar sua tranquilidade talvez até mal interpretada por alguns. Omissão? Talvez para os insensíveis que não entendem que há toda uma subjetividade a ser preservada na vida de cada um...
Tia Maria Adelina tem sido a grande companheira de sua caminhada. Em primeiro lugar, ele, e depois sua extensa prole de 15 filhos. Ela lhe deu a tranquilidade de que necessitava para os encaixes de tamanho ecletismo existencial.
Hoje, você já tem 80 anos! Numa rapidez espantosa, tudo me veio à memória. Você já é avô, bisavô e fico feliz em apresentá-lo com uma face talvez nova para muitos.
Olhando para mim, hoje, encontro muitas afinidades com você: o entusiasmo em tudo que faço, a amor ao cinema, à música e à literatura. Só não gosto de política! Talvez ela me tenha decepcionado ao longo dos anos...
Parabéns, tio!

                                        Núbia Maria Arruda Bastos Cardoso

                                                            Fortaleza, abril de 1999.  

terça-feira, 3 de abril de 2012

CARTA PARA A MANINHA



Hoje, dia 3 de abril de 2012, está completando 10 anos do falecimento da Maninha. Em sua homenagem, transcrevo uma carta que fiz na ocasião e que foi publicada no jornal "O POVO", em 27 de maio de 2002.
        
                                                                 
                                                                                                        Fortaleza, 09 abril de 2002.
      
   Maninha querida,                                                      

“Valeu a pena? Tudo vale a pena se a alma não é pequena”. E tua alma era imensa, tão grande quanto a vastidão do “Mar Portuguez”, cantado em versos por Fernando Pessoa, teu poeta preferido. Tua vontade de viver e servir a todos  foram ainda maiores. Tua vida, Maninha, valeu, sim, valeu a pena... Fizeste dela uma grande festa e atravessaste sorrindo, feliz, amando, doando-te e contagiando a todos com tua alegria, simpatia e bondade.  Eu tive o privilégio de compartilhá-la contigo e de conhecer profundamente tua alma generosa. Minhas amigas eram tuas, e as tuas, minhas também. Dessa forma, tivemos amigas duplicadas.
                  
Tua história foi rica. Foste uma filha exemplar. Adoravas o papai e a mamãe e era por eles que tu chamavas quando vivias teus últimos dias. Foste uma mãe e avó dedicada e desprendida. Dando tanto amor, recebeste também muito amor e dedicação dos teus filhos e neto. Sonhaste com uma filha e foste mãe de todas as tuas irmãs, cunhadas, sobrinhas e de tuas amigas mais íntimas. Teus filhos te deram noras que foram filhas, e minhas filhas, Maninha, foram tuas também. Teu coração foi tão generoso que foste mãe  dos teus irmãos, cunhados, sobrinhos e do teu maior amigo.

Como profissional, foste grande, competente, inteligente, responsável e extremamente ética. Espalhaste  o teu saber não só no Ceará, mas em muitos Estados do Brasil. Hoje, és reconhecida pela valiosa contribuição que deste ao Tribunal de Contas dos Municípios, onde angariaste inúmeros amigos. Recebeste dos Conselheiros a homenagem de um voto de pesar, um minuto de silêncio e o enaltecimento da grande municipalista que foste.

Tua ânsia de ajudar a todos extravasou-se na luta pela libertação das mulheres sufocadas pela opressão machista e pelos sistemas sociais retrógrados. Militamos juntas na União das Mulheres Cearense, participando dos movimentos políticos pela emancipação da mulher aguilhoada, objetivando elevá-la à condição  da dignidade humana.  Tu te irmanaste também, com todo o fervor,  em outra luta: a  da libertação dos sofredores das camadas economicamente desvalidas. Por isso, erigiste como teus ídolos aqueles que dedicaram a vida na luta contra as injustiças sociais, dentre eles Che Guevara.

Maninha, tu jamais tiveste preconceito de classe social, sexo, raça e religião, e dispensaste a mesma atenção a todos, convivendo em igualdade com tuas domésticas, os mais pobres e as minorias oprimidas. No entanto, Maninha, foste alvo de discriminação porque ousaste amar  acima dos preconceitos sociais, com todo o fogo da paixão. Foste transparente, autêntica e honesta.

Tive o privilégio de te acompanhar no teu lento sofrimento e constatar de perto teu heroísmo e tua capacidade de enfrentá-lo. Saiba Maninha, que ele não foi em vão; pois em nós ficou o teu exemplo de bravura. Em meio a tanta agonia, tiveste a felicidade de realizar um grande sonho: o de ser avó outra vez! Tiveste, também, a sorte de ser assistida e cuidada por um  médico abnegado, dedicado, extremamente competente e ético, que lutou heroicamente junt  à Clêide para salvar tua vida. Eu, Maninha, impotente para te curar, procurava de todas as maneiras amenizar a tua dor. As músicas do Chico Buarque foram um lenitivo. Lembras da década de 60 quando o conhecemos? Foi através de ti, dos teus discos, que passei a admirá-lo. Ambas, mergulhamos com a mesma profundidade  na alma desse poeta e atravessamos a vida embaladas por suas canções.

Por ti, agradeço à todas as pessoas que nos teus últimos  dias estiveram ao teu lado,  cuidando de ti,  acarinhando,  acalentando,  aliviando as tuas dores, orando e sofrendo contigo. Agradeço aos tios, primos, irmãos, amigos, sobrinhos, cunhados e cunhadas que te visitaram. A todos que por ti oraram. Agradeço, enfim, Maninha, aos que te velaram e aos que estão aqui presentes reverenciando a tua memória. Não morreste! Ficaste encantada, deixando um vazio imenso e uma saudade eterna. Para falar dessa saudade que sinto, te ofereço a canção daquele que julgaste gênio por sua obra e maestria:

“PEDAÇO DE MIM”
Chico Buarque
1977-1978

Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar

Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais

Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu

Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi

Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Leva os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus”

Adeus querida irmã e um beijo tão grande e carinhoso como o último que tu me deste.

                                                                                                                               Ana

AS SETE FACETAS DE MEU PAI

Miguel Edgy - Lisboa - Portugal - 1921

Edgy em Lisboa com seus pais e irmãs - 1924

Edgy  - primeira comunhão -  Pará - 1927

Edgy e Adelina - Fortaleza - Parque da Criança - 1943

Edgy - Capitão do Exército - 1945

Edgy - década de 1960

Edgy , esposa e filhos



 ESTE TEXTO FOI ESCRITO POR OCASIÃO DE SEU FALECIMENTO EM SET. DE 2010

Como um diamante que explode a luz em sete cores, meu pai, Capitão Edgy Távora Arruda, durante sua longa e profícua existência, irrompeu seu talento profissional em sete facetas. Foi militar, administrador público, historiador, professor, memorialista, jornalista e escritor.

Ao tentar falar sobre sua vida e seu grandioso legado em tão exíguo tempo, fico pensando quais das facetas devo abordar.

 O militar cumpridor de seus deveres? O competente administrador público de conduta ilibada? O historiador apaixonado? O professor brilhante e dedicado? O memorialista sonhador e empreendedor? O jornalista amante da verdade? O escritor singular?

 São tantas as facetas de meu pai que confesso a impossibilidade de abordá-lo em sua totalidade. Entretanto, sinto-me à vontade em apresentar sua faceta de historiador, por ter dele herdado, ao lado de seu neto, Luiz Gustavo, a paixão pela História.

Meu pai foi um historiador na mais completa acepção da palavra. Possuidor de uma inteligência privilegiada, uma memória invejável e, sobretudo, uma fantástica eloquência, difundiu seu saber na atmosfera das salas de aula.  Com simplicidade, sabedoria, entusiasmo e paixão, transmitiu seus vastos conhecimentos.

Além de professor de História, meu pai foi um pesquisador meticuloso, deixando um importante legado histórico. 

Evocando o pretérito, ele desvendou fatos que se desenrolaram outrora, nos velhos tempos, em Monte-Mor o Novo d’América, e que estavam recobertos pela pátina do tempo. Debruçou-se com determinação em documentos históricos, para subtrair a pátina e trazer à luz a história da cidade que tanto amou, Baturité.

A paixão foi o denominador comum de todos os atos de sua vida. Escondida aqui e ali por sua timidez nata, mas surgindo lá em uma atitude, numa ação desassombrada, na frase de um discurso, no desvelo com minha mãe e sua numerosa prole, na organização e registro das convenções da Família Arruda. 

Em todas essas ocasiões, ele foi movido, com a alma incendiada, pela paixão.

Sua existência não se restringiu apenas às noventa e uma voltas e meia que deu em torno do sol, mas a bilhões de voltas, por ter sido um historiador de amplos conhecimentos. 

Como tal, meu pai viu o alvorecer da Terra dentro de uma gigantesca nuvem de gás e poeira há, aproximadamente, cinco bilhões de anos. 

Viu os períodos pré-cambriano e cambriano, e as primeiras formas de vida brotarem nas águas quentes e serenas do mar.

Viu os dinossauros surgirem, dominarem a Terra durante cento e sessenta milhões de anos, e se extinguirem. 

 Viu, há dois e meio milhões de anos, os primeiros hominídeos fabricarem armas rudimentares de pau e pedra, dominarem o fogo e inventarem a roda. 

 Viu, na Mesopotâmia, berço de nossa civilização, surgirem a agricultura, a escrita, as primeiras cidades e o Código de Hamurabi. 

Viu em Ur, nascer Abraão, pai das religiões monoteístas, como o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. 

Viu Sumérios, Babilônicos, Assírios, Persas e Gregos. Viu as pirâmides do Egito erguerem-se imponentes pelo trabalho de milhares de escravos. 

Viu Tutankhamon, faraó do Egito Antigo, ser sepultado com seus tesouros. Viu Cleópatra, a última rainha egípcia, da dinastia de Ptolomeu, deixar-se picar por uma serpente. 

Viu a Grécia florescer com seus filósofos e Roma expandir seu Império com seus Césares.

  Viu Cristo ser crucificado por nos legar uma forte mensagem de paz e amor. Viu o Império Romano ruir e a Igreja Católica se firmar no Ocidente. 

Viu o feudalismo medieval, as pestes, o renascer das artes e a Revolução Francesa. Viu os reis de França, Louis XVI e Maria Antonieta, subirem ao cadafalso e Napoleão dominar a Europa. 

Viu a descoberta do Novo Mundo e o massacre impetrado pelos Europeus, ditos civilizados, aos índios da América. 

Viu o homem escravizar o próprio homem. Viu os negros africanos derramarem suor e sangue para fazer a riqueza do Brasil. 

Viu a abolição da nossa escravatura e a proclamação da República. Viu, na Inglaterra, o brotar da Revolução Industrial. Viu a Revolução Comunista e Nicolau II, o último Czar da Rússia, ser massacrado com toda a sua família. 

Viu a barbárie de duas guerras mundiais no Século XX, o holocausto dos judeus e a bomba atômica.

Viu muito mais, mas viu, principalmente, seus pais atravessarem a vida em uma perfeita união. 

Viu os oito irmãos, tios, avós, primos, sobrinhos, cunhados e cunhadas. Viu amigos fiéis e muitos admiradores.

 Viu, fascinado, minha mãe adentrar de branco a Igreja do Patrocínio, em sua pureza virginal, para com ele entrelaçar sua vida. Viu quinze filhos, trinta e quatro netos e treze bisnetos, além das noras e genros.

Finalmente, viu a concretização do seu sonho de historiador. O sonho de criar o Museu e a Fundação Comendador Ananias Arruda, e manter o jornal “A Verdade” em circulação.

Por tudo o que realizou, meu pai é merecedor da gratidão e admiração não só dos que aqui estão reverenciando sua memória, mas de todos os familiares e amigos que angariou durante sua longa jornada terrena.

A morte é uma fatalidade biológica, dizia Rosemberg. Devemos recebê-la estando quites com a vida pelas realizações que fizemos para enobrecê-la. 

Neste contexto, meu pai partiu com os maiores dividendos e, por isso, devemos cultuar sua memória e preservar o seu legado para a posteridade. Assim, ele não morrerá nunca, estará presente sempre, SEMPRE...

                             
          
    Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg 

                    Fortaleza-CE, 29 de setembro de 2010  


sábado, 24 de março de 2012

24 DE MARÇO - DIA MUNDIAL DE LUTA CONTRA A TUBERCULOSE

ROBERT KOCH (1843-1910)



Berlim, 24 de março de 1882. 
Em uma reunião mensal da Sociedade de Fisiologia, Robert Koch, então, com 38 anos, anunciou a descoberta do bacilo da tuberculose. 

Estavam presentes naquela tarde histórica: Helmholtz, Löffler, Ehrlich e outros trinta e três médicos. Löffler descreveu, depois, que koch iniciou o seu discurso com certa timidez, já que era a sua primeira apresentação diante de uma assembléia tão distinta, mas, logo, retomou a cadência, relatando suas experiências de maneira segura e serena. 

Quando Koch terminou, a plateia perplexa não o apladiu, porém seus ouvintes, certamente, sentiram o privilégio  de terem participado de uma reunião médica histórica. 

Filho de um engenheiro de minas, nasceu Robert Koch  no dia 11 de dezembro de 1843, em Clausthal na Alemanha. 

Iniciou os seus estudos médicos em 1862, na Universidade de Göttingen. 

Em 1866, colou grau em medicina com uma tese sobre o ácido succínico.

Trabalhou durante algum tempo como médico no distrito de  Rakwitz, porém, em 1871, durante a guerra franco-prussiana serviu ao exército alemão. 

Em 1872, trabalhou como médico no distrito de Wollheim. Foi ali que sua mulher lhe deu um microscópio de presente de aniversário. 

Montou um pequeno laboratório e começou a estudar as enfermidades infecciosas. 

Descreveu, em 1876, o ciclo vital do bacilo do antrax, demonstrando pela primeira vez que um microorganismo específico era a causa de uma enfermidade determinada. 

Em 1881, descobriu  o bacilo da tuberculose, mas só o apresentou à comunidade científica no dia 24 de março de 1882.

Em homenagem ao grande cientista, é que hoje comemora-se o DIA MUNDIAL DE LUTA CONTRA A TUBERCULOSE.

ana margarida furtado arruda rosemberg
Fortaleza, 24 de março de 2012