terça-feira, 26 de julho de 2022

A IGREJA DE SAINT-MÉDART EM PARIS

 Publicado no Jornal do Médico

https://jornaldomedico.com.br/2022/07/a-igreja-de-saint-medard-em-paris/


A Igreja de Saint-Médard (Église de Saint-Médard), localizada no número 141 da rue Mouffetard, na margem esquerda do Sena, é a igreja paroquial dos fiéis de parte do 5º arrondissement.

No século IX, após as invasões normandas, uma capela dedicada a São Médard (Saint-Médard) foi construída ao longo de uma estrada romana que ia de Lutèce a Lyon.

A atual igreja foi construída a partir de meados do século XV ao século XVIII.

Em 27.12.1561, houve o primeiro tumulto da história de Saint-Médard: o clero da igreja tocou seus sinos velozmente e perturbou o culto de huguenotes, que estava sendo realizado em um prédio próximo.  Como consequência, houve uma batalha campal na igreja; o segundo tumulto foi na década de 1720, no cemitério da igreja, hoje uma praça ao lado da mesma. Os convulsionários revigoraram a querela jansenista e apavoraram o clero e o poder régio.

Até a Revolução Francesa, o bairro da Igreja de Saint-Médard tinha o nome de Faubourg Saint-Marceau.  Várias igrejas neste bairro desapareceram completamente durante a turbulência revolucionária e com as transformações de Paris sob o Segundo Império.

Durante a Revolução, o clero da igreja prestou juramento à “Constituição Civil do Clero”. Em novembro de 1793, o culto foi abolido e a igreja fechada sendo devolvida ao clero em 1795.

No século XIX, participaram da vida da paróquia, entre outros, a Irmã Rosalie Rendu (1786-1856), chefe da casa das Filhas da Caridade São Vicente de Paulo, na rue de l'Épée-de-Bois. A Irmã Rosalie, beatificada pelo Papa João Paulo II em 2003, foi reconhecida pela sua devoção aos doentes, aos pobres e aos revolucionários de julho de 1830 e fevereiro de 1848.

Monumento histórico em 1906, a Igreja de Saint-Médard tem alguns vestígios de vitrais renascentistas, incluindo um belo telhado de vidro axial. Há também uma boa quantidade de obras de arte, incluindo pinturas do século XVI ao XIX. A complexa abóbada do seu ambulatório fará as delícias de quem aprecia a arquitetura religiosa.

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Paris, 21 de julho de 2022

 

 

domingo, 17 de julho de 2022

A LIVRARIA PARISIENSE SHAKESPEARE AND COMPANY

 


Publicado no Jornal do Médico

https://jornaldomedico.com.br/2022/07/a-livraria-parisiense-shakespeare-and-company/

A livraria “Shakespeare and Company” está localizada no 37, rue de la Bûcherie, no 5º arrondissement de Paris, pertinho da Catedral de Notre-Dame.

Especializada em literatura inglesa, funciona também como biblioteca e serve de refúgio para viajantes (“tumbleweeds”), que são acomodados em troca de algumas horas de trabalho diário.

O nome “Shakespeare and Company” foi o de uma livraria anterior, fundada e dirigida pela americana Sylvia Beach e que funcionou em dois endereços diferentes: no 8, rue Dupuytren (de 1919 a 1921); no 12, rue de l'Odéon (de maio de 1921 a 1941).

Durante o período entre guerras, a livraria era o centro da cultura anglo-americana, em Paris. Foi visitada por autores pertencentes à "Geração Perdida", como Ernest Hemingway, Ezra Pound, F. Scott Fitzgerald, Gertrude Stein e James Joyce.

Hemingway cita a livraria em seu livro autobiográfico “Paris é uma festa”, publicado em 1965, que nos faz mergulhar na vida do escritor na década de 1920, quando ele morou em Paris.

O livro “Ulysses” de James Joyce foi publicado integralmente, em 1922,  pela livraria “Sheakespeare and Company”,  com estrondoso sucesso. “Ulysses” foi lançado pela primeira vez como um seriado na revista americana “The Little Review”, entre março de 1918 e dezembro de 1920, antes de ser publicado em Paris pela referida livraria. Logo que foi publicado nos Estados Unidos, “Ulysses” suscitou polêmica, principalmente com a denúncia apresentada pela “New York Society for the Suppression of Vice”, considerando o livro obsceno. Por esta razão, o livro ficou proibido nos Estados Unidos até 1934.

A primeira “Shakespeare and Company” foi fechada em dezembro de 1941, devido à ocupação alemã durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1951, outra livraria de língua inglesa foi aberta, em Paris, pelo americano George Whitman, sob o nome de “Le Mistral”, no 37, rue de la Bûcherie. A loja rapidamente se tornou um centro de cultura literária. Em 1964, o nome desta segunda livraria foi alterado para “Shakespeare and Company”, no 400º aniversário do nascimento de William Shakespeare e em homenagem à livraria Sylvia Beach, que ele admirava.

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Paris, 15 de julho de 2022

terça-feira, 12 de julho de 2022

Vincent Van Gogh no Museu d’Orsay – Paris

Publicado no Jornal do Médico. Link, abaixo

https://jornaldomedico.com.br/2022/07/vincent-van-gogh-no-museu-dorsay-paris/ 

No Museu d’Orsay, em Paris, Vincent Van Gogh (1853-1890) se moveu do térreo para uma sala do 5º andar, quase o sótão da antiga estação, com as seguintes telas:  dois autorretratos; o quarto em Arles; dois buquês de flores de diferentes épocas que combinam perfeitamente; o retrato do dr. Gachet, um médico psiquiatra que cuidou de Van Gogh na fase mais aguda da sua doença e, também, a mais criativa; o jardim do dr. Gachet, a estonteante “Noite Estrelada”, que atrai os visitantes do museu e inspira emoções e canções; a “Igreja de Auvers-sur-Oise”, cidadezinha onde Van Gogh viveu seu último ano de vida.  A visita é uma imperdível viagem na arte desse gênio da pintura.  

La Nuit étoilée (Noite Estrelada), também conhecida como “Noite Estrelada sobre o rio Ródono”, um óleo sobre tela, de 73,0 x 92,0 cm, pintada em 1888, é estonteante. Quando Van Gogh chegou a Arles, em fevereiro de 1888, ele já pensava em representar na tela os efeitos noturnos. Em abril de 1888, escreveu a seu irmão Theo: "Preciso de uma noite estrelada com ciprestes ou, talvez, sobre um campo de trigo maduro".

Em junho, ele confidenciou ao pintor Emile Bernard: "Mas quando farei o Céu Estrelado, esta pintura que sempre me preocupa" e, em setembro, em carta à irmã, evoca o mesmo assunto: "Muitas vezes me parece que a noite é ainda mais ricamente colorida do que o dia". Neste mesmo mês de setembro, ele finalmente realiza seu projeto assombroso.

Van Gogh pintou pela primeira vez um canto do céu noturno, quando estava em Arles, em: “O Terraço de um Café na Place du Forum”. Depois, ele pintou a “Noite Estrelada sobre o rio Ródano” com as cores magníficas que ele percebeu no escuro. Há o predomínio dos tons azuis; os tons laranjas vemos nas luzes de gás da cidade refletidas na água e nas estrelas brilhando como pedras preciosas.

Poucos meses depois, quando acabava de ser internado, Van Gogh pintou outra versão do mesmo tema: o Starry Sky (Nova York, MoMA), no qual se expressa toda a violência de sua mente perturbada, com as árvores em forma de chamas e estrelas girando, dando uma visão cósmica.

Na tela, La Nuit étoilée, do Museu d’Orsay, a presença de um casal apaixonado evidencia uma atmosfera de paz, bem diferente da tela pintada quando esteve hospitalizado em Saint-Rémy. Em uma carta para o irmão Théo, Van Gogh descreveu a tela “Noite Estrelada sobre o rio Ródano”:

“Incluí um pequeno esboço de uma tela quadrada de 30, o céu estrelado finalmente é pintado à noite, mesmo sob um lampião de gaz. O céu é azul verde, a água é azul real e o chão é malva. A cidade é azul e violeta e a luz do lampião é amarela com reflexos dourados, descendo até o bronze esverdeado. Sobre o campo azul esverdeado do céu a ursa maior tem uma cintilação verde rosa, cuja palidez discreta contrasta com o dourado do brutal lampião. Duas figuras de namorados estão no primeiro plano... eu não ficaria surpreso se você gostasse da Noite Estrelada, é mais calma do que outras telas... se o trabalho andasse sempre assim eu teria menos inquietações com dinheiro, pois as pessoas veriam mais facilmente que a técnica continua a ser cada vez mais harmoniosa. Mas este maldito mistral é bem incômodo para eu dar pinceladas que se portem bem e se entrelacem com sentimento... me faz bem fazer qualquer coisa difícil, mas isso não muda de forma alguma a minha imensa necessidade de religião, então saio para o ar livre da noite e pinto as estrelas, sonhando sempre com a imagem de um grupo de figuras simpáticas e animadas.”

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Paris, 7 de julho de 2022


segunda-feira, 4 de julho de 2022

O JARDIM DE LUXEMBURGO - PARIS

Publicado no Jornal do Médico

 https://jornaldomedico.com.br/2022/07/o-jardim-de-luxemburgo-paris/

foto:  ana margarida furtado arruda rosemberg  - junho de 2022

O Jardim de Luxemburgo, um jardim parisiense localizado no 6º arrondissement, na margem esquerda do rio Sena, foi criado, em 1612, por Marie de Médicis (1575-1642), viúva de Henrique IV (1563-1610).

O jardim foi criado para o palácio, “Palais Médicis”, cujo nome não vingou e deu lugar ao nome atual, “Palais du Luxembourg” e “Jardin du Luxembourg”, herdados do nome, François de Piney-Luxembourg, dono da antiga mansão particular que lá havia.

Abrangendo uma área de 25 hectares, o jardim é dividido em uma parte de estilo francês e uma parte de estilo inglês. Entre os dois estende-se uma floresta geométrica e um grande lago. Há também um pomar, um apiário para aprender sobre apicultura, estufas com uma coleção de orquídeas de tirar o fôlego e um jardim de rosas. O jardim tem 106 estátuas espalhadas pelo parque, a monumental “Fontaine Médicis”, “l’Orangerie” e “Le Pavillon Davioud”. Há muitas atividades para as crianças, como: fantoches, carrosséis, escorregas etc.

Parisienses ou turistas jogam xadrez, tênis, bridge ou o barco com controle remoto. A programação cultural é marcada por exposições gratuitas de fotografias nos portões do jardim e por concertos no coreto.

A história do Jardim e do Palácio começa no início do século XVII. O bairro que se estendia no sopé da montanha de “Sainte-Geneviève” era pouco povoado e composto principalmente por seminários, conventos, colégios e mansões, incluindo a do Duque de Piney-Luxembourg.

Quando Marie de Médicis decidiu deixar o Palácio do Louvre, ela pensou nesta propriedade onde o jovem Luís XIII, seu filho, aprendeu a caçar.  Os oito hectares de terra que cercavam a residência permitiriam que ela construísse um vasto jardim florentino com o qual sonhava.

O palácio, inspirado no Palácio Pitti, em Florença, foi decorado por artistas italianos, franceses e flamengos. Em 1622, Pierre Paul Rubens (1577-1640) foi contratado pela Marie de Médicis para pintar vinte e quatro gravuras, retratando os principais episódios de sua vida. Apenas treze foram feitas e, atualmente, estão no Museu do Louvre-Paris, no segundo piso da Ala Richelieu.

Durante a Revolução Francesa, o jardim foi abandonado e o palácio foi transformado em prisão. Danton, Desmoulins, Fabre d'Églantine, David, entre oitocentos outros, lá estiveram detidos. Hoje, o antigo palácio é sede do senado da França. O Jardim de Luxemburgo, um verdadeiro oásis no centro de Paris, já foi frequentado por Sartre, Simone de Beauvoir, Ernest Hemingway, entre outros escritores e filósofos franceses.

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Paris, 29 de junho de 2022