Aglair, Pepê e Ana Margarida - Foto de outubro de 2006
IMAGENS DA TIA AGLAIR
Seu berço de
nascimento foi o coração da exuberante floresta tropical, cortada pelos rios
Solimões, Negro e Amazonas, com suas
centenas de igarapés e palafitas. Terceira, das cinco filhas de Maria e
Achilles, nasceu no dia 27 de maio de 1915 e foi moldada com a coragem e a
fibra dos caboclos seringueiros. Recebeu, na pia batismal, o nome de AGLAIR,
que significa, no mundo árabe, estrela que voa. Voou para Fortaleza. Aqui, um
jovem de porte esbelto e olhar sedutor encantou-se com sua postura elegante,
suas pernas bem torneadas, seus cabelos loiros, antes que seus olhos verdes,
espelhos de suas almas, se cruzassem e selassem seus destinos.
São muitas as
imagens da tia Aglair que ficaram gravadas em minha retina.
Tia Aglair “redoma”.
Os seios
fartos, o leite jorrando abundante para alimentar seus filhos: Achilles,
Marcos, Paulo e Níobe.
Tia Aglair “mãe”.
Leoa protegendo
as crias do sol, da chuva, do mundo, com seus zelos, desvelos, caldos,
compressas mornas, noite a dentro.
Tia Aglair “esposa”.
Companheira
fiel e apaixonada livrando o marido dos males do mundo.
Tia Aglair “costureira”.
O barulho
intermitente da máquina de pedal quebrava o silêncio da noite. Montando
camisolas, tia Aglair teceu uma rede de amizade com as bordadeiras, pessoas
simples e sinceras.
Tia Aglair “cozinheira”.
O cheiro de maracujá
dos bolos de tabuleiro, o cozido, o pirão, o frango assado, a farofa, a mesa
farta, o café das 3h.
Tia Aglair “caridosa”.
Das virtudes
teologais a caridade é a maior e a mais perfeita. Altruísta, tia Aglair amava o
próximo com benevolência e compaixão. Tinha, sempre, uma palavra amiga, um
olhar, um gesto, um prato de comida.
Tia Aglair “guerreira”.
Lutando bravamente,
ao lado do tio Luiz, para educar a prole.
Tia Aglair “vencedora”.
Os filhos
formados e realizados. Na parede, a galeria de fotos coroando todos os
sacrifícios.
Tia Aglair “sogra”.
Generosa,
abriu seu coração para abrigar suas noras e seu genro, como filhas e filho.
Tia Aglair “avó e bisavó”.
Desdobrando-se
em carinho e atenção com seus 10 netos e uma bisneta.
Tia Aglair “filha, irmã, cunhada, tia, prima, madrinha e amiga”.
Corajosa,
querida e bondosa.
A útima imagem
que fica em minha retina é a da tia Aglair “santificada e serena”. Cuidada com extremo desvelo pela Níobe,
Barbosa, equipe médica, cuidadoras dedicadas e cercada pelo carinho dos filhos,
noras, netos, parentes e amigos que
amealhou durante sua longa existência.
Vá tia Aglair!
Vá dormir o merecido
sono milenar ao lado de seu bem amado Luiz.
Vá tia Aglair!
Descansa em
paz, sua missão foi cumprida.
Obrigada pela
atenção!
ana margarida furtado arruda rosemberg
Palavras
proferidas na missa de Sétimo Dia de Aglair Ribeiro Furtado, em 30 de outubro de 2009, na Igreja das Missionárias,
às 18h, em Fortaleza-CE. Padre: Luiz Furtado. Cerimonial: Fátima e Tereza
Arruda.



