segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

A Adoração dos Pastores

 Postado no Jornal Médico . Link, abaixo

https://jornaldomedico.com.br/2022/12/a-adoracao-dos-pastores/



A Adoração dos Pastores (L'Adoration des bergers) é um óleo sobre tela (107 x 131 cm), de 1645, do pintor francês Georges de La Tour (1593-1652).

O tema é baseado no episódio do “Evangelho Segundo São Lucas”, em que os pastores, depois de receberem dos anjos a mensagem de que o Messias tinha nascido, foram à Belém presenteá-lo e reverenciá-lo.

Na cena retratada, os pastores, Maria e José cercam o Menino Jesus. Um cordeiro mastiga um raminho das folhas oferecidas ao Menino. Não há burro nem boi. A realista cena evidencia um crepúsculo causado pela luz de uma vela na mão de São José.

Ao fundo, o pastor e a pastora trazendo presentes são simétricos em relação à figura do pastor sorridente visto de frente, que segura uma flauta e leva a mão ao chapéu – um gesto e respeito para com Jesus. Em primeiro plano vemos: à direita a figura de São José; à esquerda a Virgem em oração, de mãos postas; no centro, a Criança enfaixada.

Os pastores estão com roupas contemporâneas do pintor; a virgem com um manto vermelho, como era comum ser retratada, e José carrega a luz, símbolo da verdade.

A adoração dos pastores é representada na História da arte por pintores famosos, como: Caravaggio (1571-1610), El Greco (1541-1614), Giorgione (1477-1510), entre outros.

Esta magnífica obra de arte pode ser apreciada na sala 912, da Ala Sully, do Museu Louvre-Paris

 

Fortaleza, 24 de dezembro de 2022

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sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

BREVE HISTÓRIA DA MEDICINA ESTÉSTICA

Publicado no Jornal do Médico -  dezembro de 2022



Descrição:

Busto de Nefertiti

Material: calcário e estuque

Data: 1345 a.C. (Egito Antigo)

Exposição: Museu de Berlim-Alemanha

 

A história da Medicina Estética remonta à origem das civilizações. Desde a Antiguidade, em todas as épocas, a preocupação com a aparência foi uma constante. 

Cerca de 2000 a.C., surgiram os tratamentos estéticos com a depilação. Os notáveis da Babilônia depilavam o queixo com pinças de bronze e usavam barba postiça, atributo dos deuses.  

Em túmulos egípcios foram encontrados objetos, como: pinças, navalhas, instrumentos (sondas, curetas, agulhas, bisturis). Isto evidencia a preocupação que os povos da Antiguidade tinham com a aparência.

A civilização egípcia perseguia a beleza para afirmar a boa saúde e a pureza da alma. As mulheres egípcias, de todos os estratos sociais, usavam óleo corporal, maquiagem refinada e a depilação era comum entre homens e mulheres.  

O “Busto de Nefertiti”, hoje exposto no Museu de Berlim, uma escultura de calcário, pintada no século XIV a.C., retrata uma mulher muito bem maquiada. Esposa de Akhenaton, faraó egípcio da XVIII dinastia, Nefertiti tornou-se um arquétipo da beleza feminina.

Na Grécia Antiga, a força e a beleza estavam presentes no pensamento grego. Não havia separação de remédios e cosméticos. Os cuidados com a depilação eram difundidos em todos os estratos da sociedade.

Na Roma Antiga, Galeno, século II d.C., considerado o pai dos farmacêuticos (La Galénique) criou os primeiros cremes para empalidecer o rosto. Galeno estava interessado na depilação, bem como no tratamento dos sinais de envelhecimento da pele e do cabelo.

Na Idade Média, no final das Cruzadas, generalizou-se a depilação, prática que reproduzia os usos emprestados das populações conquistadas.

No Renascimento, época marcada pelas grandes descobertas, houve o desenvolvimento dos cosméticos.

No século XVIII, século da sofisticação, os perfumes, sabonetes perfumados, maquiagem, uso da madeira para alargar os quadris e das cabeleiras enormes entraram na moda.

No século XIX, a medicina progrediu com o modelo anátomo-fisiológico. A cirurgia reconstrutiva tornou-se realidade com o cirurgião berlinense Dieffenbach (1792-1847), inventor da rinoplastia cirúrgica, com a colocação de uma placa na ponte nasal para corrigir narizes machucados pelas vítimas das guerras napoleônicas.

No século XX, após a Primeira Guerra Mundial, desenvolve-se a cirurgia estética. Houve, também, disseminação das técnicas de correção de rugas, com: silicones, injeções de gordura autóloga e ácido hialurônico. O laser depilatório desenvolveu-se a partir de 1970. No final dos anos 90, a toxina botulínica entrou na moda.

A Medicina Estética foi criada na década de 1970, na França, e, depois, organizada em vários cursos de pós-graduação, sendo o primeiro o Colégio Internacional de Medicina Estética (CIME Paris) e outro reconhecido pelo Conselho Nacional da Ordem dos Médicos: Morfológicos e Anti- Medicina do Envelhecimento.

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Fortaleza, 12 de dezembro de 2022

 

 

quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

NOITE DE AUTÓGRAFOS - JOSÉ MARIA BONFIM - OS TRAJANOS

Ocorreu ontem,14.12.2022, quarta-feira, às 19h30, na Clínica Trajano Almeida, em Fortaleza-CE, o lançamento do livro de José Maria Bonfim, "OS TRAJANOS - desatando auroras e mourejando saudades".
Editado pela Expressão Gráfica, o livro foi apresentado pelo Professor Dr. Welington Alves e Dr. João Martins (prefaciador da obra).

Abaixo, registro de momentos do evento em fotos e vídeos.

































quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

HERMAFRODITO

 Publicado no JM

https://jornaldomedico.com.br/2022/12/hermafrodito/

Descrição:
Hermaphrodite endormi – Hermafrodito dormindo 
Século II d.C.
Cópia da escultura grega atribuída a Polyclès (c. 150 a.C.).
Louvre-Paris

 HERMAFRODITO

Reza a mitologia grega que Hermafrodito, fruto do romance adúltero entre Hermes, deus mensageiro, e Afrodite, deusa do amor, herdou, além da beleza de sua mãe, a fusão dos nomes de seus pais.

Criado no monte Ida (Troade) pelas ninfas das florestas de Frígia, tornou-se um jovem de uma beleza exuberante. Com 15 anos, partiu para descobrir o mundo e seus passos levaram-no à Ásia Menor.  

Um dia, quando estava em Caria, descobriu uma bela fonte perto de Halicarnasso e resolveu banha-se. A ninfa Salmacis, a náiade da fonte, apaixonou-se por ele. Sem conter sua louca paixão, ela o abraçou, mas foi rejeitada.  Inconsolada, Salmacis implorou a Zeus que unisse seus corpos para sempre. Seu desejo foi atendido e os dois se tornam um único ser, bissexual, masculino e feminino, dotado de ambos os sexos.   

O mito de hermafrodito retrata a experiência de sermos, ao mesmo tempo, masculino e feminino, inteiros e completos; representa as polaridades dos opostos dentro de uma personalidade. A partir do nascimento, todos esses opostos lutam dentro de nós e moldam a nossa personalidade.  

Em “Metamorfoses”, Ovidio (43 a.C. 18 d.C.), poeta latino, descreve: 

“Linda criança, ela disse a ele, eu acredito que você é um mortal? você é deus Se fores, sem dúvida vejo o Amor, ou, se é a um mortal que deves o dia, ah! como sua mãe está feliz! que feliz seu irmão e sua irmã, se você tem uma irmã! feliz de novo a enfermeira que te deu o peito! mas feliz acima de tudo, e mil vezes feliz aquele a quem o casamento tornou seu companheiro, ou aquele que você achará digno desta felicidade! Se a sua escolha já está feita, ao menos permita que um pequeno furto seja o preço da minha chama; e se sua mão ainda puder se entregar, oh! deixe-me ser sua esposa e realizar todos os meus desejos!” (Metamorfoses IV, 310)

No Louvre-Paris há uma bela escultura do século II d.C., “Hermaphrodite endormi” – “Hermafrodito dormindo”.  Em 1619, Bernini esculpiu o colchão sobre o qual o mármore antigo é colocado. Há outra versão, em Roma, “Hermafrodito Borghese” cópia romana de uma estátua helenística restaurada, em 1619, por Bernini a pedido do Cardeal Borghese.

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Fortaleza, 9 de dezembro de 2022

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

O SURGIMENTO DO COSMOS E DEUSES DA MITOLOGIA GREGA (2ª PARTE)

 Publicado no Jornal do Médico

Link, abaixo

https://jornaldomedico.com.br/2022/12/o-surgimento-do-cosmos-e-deuses-da-mitologia-grega-2a-parte/

  1. Descrição Técnica            
  2. Autor –      Francisco de Goya (1746-1828)        
  3. Título - Saturno devorando um dos seus filhos
  4. Data – 1819/23
  5. Técnica – óleo sobre tela 
  6. Dimensões – 146 x 83 cm

       Localização Museu do Prado- Madrid

O SURGIMENTO DO COSMOS E DEUSES DA MITOLOGIA GREGA (2ª PARTE)

Após destronar Urano, ao decepar seus órgãos genitais e lançá-los ao mar, Cronos (Saturno na mitologia romana) libertou seus irmãos Titãs, que estavam aprisionados nos grotões da terra e lançou nas profundezas do Tártaro seus irmãos disformes, os Ciclopes e os Hecatônquiros.

Cronos, o mais jovem dos Titãs, pertencente a primeira geração de deuses, passou a reinar sobre a Terra; casou-se com sua irmã Reia e com ela gerou seis filhos: três mulheres: HéstiaDeméter e Hera e três homens: Hades, Poseidon e Zeus.

O reinado de Cronos foi tão tirânico quanto o de seu pai. Com medo de ser destronado por um de seus filhos, por causa da maldição de um oráculo, Cronos os engolia ao nascerem. A única exceção foi Zeus, salvo por sua mãe Reia com ajuda de sua avó Gaia. Ao parir Zeus, Reia deu ao Cronos uma pedra (a pedra de onfalo), enrolada em um pano, que ele engoliu sem perceber.   


Para Cronos não descobrir, Reia escondeu Zeus numa caverna no monte Ida, em Creta. Segundo uma das versões do mito, Zeus foi amamentado pela cabra Amalteia; em outra versão, ele foi criado pela ninfa Adamanteia e, ainda em  outra, ele foi criado por sua avó, Gaia.

Urano foi destronado pelo próprio filho, Cronos, que o emasculou na hora da cópula com Gaia, sua mãe. Cronos, por sua vez, foi destronado por seu filho, Zeus, com ajuda da Titânide Métis, que se tornaria sua primeira esposa. Ela deu a Cronos uma bebida emética que o fez regurgitar, primeiro a pedra e, depois, todas as crianças engolidas. Assim, Zeus conheceu seus irmãos, Hades e Poseidon, e suas irmãs: Héstia, Deméter e Hera (terceira e última esposa de Zeus).

Em seguida, Zeus libertou seus tios, os irmãos gigantes de Cronos: três Hecatônquiros e três Ciclopes, que estavam aprisionados nas profundezas do Tártaro. Com ajuda deles, Zeus iniciou uma guerra contra Cronos e os demais Titãs: a Titanomaquia (Primeira Guerra Mundial).

Após a vitoriosa batalha contra os Titãs, Zeus assumiu o trono de rei dos deuses e dividiu o mundo com seus irmãos mais velhos, Poseidon e Hades: Zeus ficou com o céu e o ar, Poseidon com as águas e Hades com o mundo dos mortos.

Zeus deu origem a geração dos deuses olímpicos e foi o deus mais poderoso do panteão grego.

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Fortaleza, 2 de dezembro de 202

sábado, 26 de novembro de 2022

MINICURSO - LITERATURA E ARTE - CONGRESSO BRASILEIRO SOBRAMES-CE

 https://www.youtube.com/watch?v=kjVmnfFVqjo

O SURGIMENTO DO COSMOS E DEUSES DA MITOLOGIA GREGA (1ª PARTE)

 Publicado no Jornal do Médico.   

 Link, abaixo

https://jornaldomedico.com.br/2022/11/o-surgimento-do-cosmos-e-deuses-da-mitologia-grega-1a-parte/

Descrição Técnica            

  1. Autor – Sandro Botticelli (1445-1510)             
  2. Título – O Nascimento de Vênus
  3. Data – 1483/85
  4. Técnica – têmpera sobre tela 
  5. Dimensões – 172,5 cm x 278,5 cm
  6. Localização Galleria degli Uffizi – Florença-Itália

O SURGIMENTO DO COSMOS E DEUSES DA MITOLOGIA GREGA (1ª PARTE)

Antes da criação do alfabeto, os “aedos” (cantores em grego antigo) sabiam de cor e cantavam muitas canções da tradição oral. Reza a lenda que, por eles cultuarem a deusa memória e as musas, recebiam delas o dom de compor canções, cantar e tocar lira. 

Com o surgimento do alfabeto, essas canções foram escritas. Os gregos acreditavam que Homero, um aedo da Jônia, na Ásia Menor, que viveu no século XVIII a.C., era o autor das canções da “Ilíada” e da “Odisseia”. Na mesma época de Homero, o aedo Hesíodo, que viveu no norte da Grécia, na Beócia, escreveu canções, como Homero, usando técnicas de composição oral, transmitidas de geração em geração durante muitos séculos.

Em uma de suas canções que chegou até nós com o nome de “Teogonia”, Hesíodo conta a origem do mundo, dos deuses, seus amores e lutas.

Theosgonia, que significa nascimento dos deuses, juntamente com os poemas do Homero (Ilíada e Odisseia), era a cartilha usada pelos gregos para ler, entender o mundo e reverenciar os deuses. Considerado o registro mais antigo sobre mitologia grega, a Teogonia de Hesíodo descreve, além da criação dos deuses e deusas, a criação da terra e do universo.

O curioso é que Hesíodo se coloca dentro do poema como uma personagem que recebe das musas o dom de cantar e a incumbência de contar a origem dos deuses e do universo. Segundo seu canto, tudo começou com o nascimento do Caos (desordem) que gerou três deuses: Gaia (terra), Tártaro (submundo) e Eros (amor). Esse Eros não é o filho de Afrodite, que nasceu bem depois. O Caos gerou, ainda, a Noite e a Escuridão. A Noite gerou o Dia.

Gaia pariu o Céu (Urano), não como um filho, mas como um igual. Em seguida, o Céu passou a “cobrir”, engravidar e sufocar Gaia. Eles geraram 18 filhos: doze titãs, três Ciclopes e três Hecatônquiros. 

À medida que Gaia paria os filhos, Urano os devolvia para o centro da Terra. Gaia gemia. Não suportando mais, ela tramou um ardil:  forjou uma grande foice e perguntou qual dos filhos era capaz de decepar a genitália do pai.  Cronos, o caçula, para libertar a mãe do tormento, aceitou o desafio. Quando Urano se aproximou para “cobrir” Gaia, ele agarrou as partes genitais de seu pai com a mão esquerda e com a direita cortou-as. Urano, gemendo de dor, saiu de cima de Gaia e foi parar no céu. Cronos jogou para trás o pênis decepado e jorrando sangue que fecundou a Terra. Assim, nasceram as divindades da vingança: as cruéis Erínias, os gigantes guerreiros e as ninfas. 

O membro caiu no mar. Da espuma ejaculada formou-se uma virgem, Afrodite (Vênus para os romanos), deusa do amor e da beleza. Quando ela saiu das ondas, na ilha de Chipre, a relva floresceu. Boticelli eternizou este momento em belíssima tela, intitulada: “O nascimento de Vênus”.

Ao destronar Urano, Cronos passou a reinar sobre a Terra. Mas, até quando?

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Fortaleza, 25 de novembro de 2022

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

MESTRE ROSEMBERG - Por: Affonso Berardinelli Tarantino

 


MESTRE ROSEMBERG 


Por: Affonso Berardinelli  Tarantino 


No dia 11 de junho de 2005, durante o V Congresso Brasileiro de Asma, realizado no Rio de Janeiro, saudei José Rosemberg ao entregar-lhe o Prêmio Excelência em Pneumologia, conferido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Esse prêmio é patrocinado pelo titular da disciplina de Pneumologia, Acadêmico Professor J. M. Jansen. Hoje, na semana de seu falecimento, reproduzo essa minha fala.


Mas para lembrar Rosemberg só mesmo a frase de W. Bernardinelli, que não me canso de repetir: "A terra mãe das árvores e das flores receberá teu corpo, mas teu cérebro não será cinza, será luz. Teu coração não será pó, será árvore que agasalha".


Tu que viveste repartindo bondade e saber, infinitamente repartindo, viverás nas flores, nos ventos e nas saudades - não morre quem nos outros viveu. Não morre quem nos outros vive.


Nas primeiras edições de nosso "Doenças Pulmonares", no capítulo sobre tuberculose, o nome Rosemberg vinha sempre após o nosso; nas edições sucessivas ele apareceu ao meu lado, nas últimas em primeiro lugar, nas futuras estará seguramente sozinho. Sempre me coloquei, junto dele, no lugar de honra, isto é, como vice. Ser segundo de Rosemberg é ganhar hoje o Nobel de amanhã. Sinto por José Rosemberg algo como um simulacro de inveja de mim mesmo. Não é fácil de explicar, é um sentimento bíblico, que não subtrai nada, mas acrescenta ternura e muita admiração.


Rosemberg é uma inteligência crônica com paroxismos de gênio: uma inteligência em estado de graça. Com relação aos incontáveis merecidos títulos na especialidade, recuso-me com veemência a enumerá-los, por serem por demais conhecidos, e respeito assim a qualidade precípua de um orador, a breviloqüência.


O Rosemberg, para quem não sabe, tem uma outra qualidade, é meu conterrâneo: nascemos em S. José dos Campos, no Vale do Paraíba... no doce vale deste rio sereno de ar tão puro quanto o sol ameno, passei meus dias da melhor idade, brinquei meus dias de maior saudade...

Ele previu, com mais de meio século de antecedência, o lugar que estaria reservado ao BCG, ele, o discípulo mais amado de Arlindo de Assis em companhia de São Maragão - por mim beatificado em vida e in pectore como tal. Ambos comportaram-se como dois cruzados numa guerra santa pelo BCG. Acompanhei essa batalha, muito embora mais como expectador. Rosemberg foi o inventor de outra guerra no continente, contra o tabagismo - basta ver os galardões que recebeu e vem recebendo como símbolo do antitabagismo no Brasil.


Queria não me sentir tão emocionado para contar-lhes mais sobre Rosemberg - não tão calmo, como o ministro Disraeli, que bocejou, por várias vezes, enquanto proferia um discurso em pleno parlamento inglês.

Na verdade, sinto-me hoje, aqui e agora, como se estivesse recebendo o Prêmio Mestre Aloysio de Paula pela segunda vez. Sentir-me-ia irremediavelmente frustrado caso não fosse eu que aqui estivesse para saudá-lo, meu querido! Mais uma vez devo essa honra ao particular amigo Jansen, título este que desde o começo do ano valoriza o meu currículo.


E sobre sua digníssima esposa, Professora Ana, você não vai fazer nenhuma menção? Vou sim. Numa das últimas vezes que o Rosemberg esteve em nossa casa, num arroubo de indiscrição, Neusa, minha mulher, saiu-se com esta: entre todos vocês, octagenários assumidos, o mais conservado é sem dúvida o Rosemberg. Olha que entre o grupo presente havia uns sexagenários "adolescentes". O casamento com a Doutora Ana acabara de realizar o milagre da eterna juventude.

E, para terminar, caso fosse necessário trazer o Rosemberg no colo até este local e me perguntassem "está pesado?", eu prontamente responderia: "não, ele é meu irmão".


Affonso Berardinelli Tarantino

Membro da Academia Nacional de Medicina

ROSE - 17 ANOS DE SAUDADE - 24.11.2005 / 24.11.2022



De Rose para Margô

 MARGÔ, MINHA MEDIEVALISTA.


Tens a majestade daquelas góticas catedrais.

Sou teu fiel e submisso crente,

Sou teu servo como nos tempos medievais

E devoto de tua alma límpida e transparente,

Que reina soberanamente no meu coração,

E eu, como aqueles servos em submissão,

Anseio por teu amparo, teu condão.

És meu templo, meu soberano feudal,

A quem, como aqueles servos, juro fidelidade

E ser eternamente leal,

Porque amar-te é a suprema felicidade!

Rose

São Paulo,12 abril de 2004.

terça-feira, 22 de novembro de 2022

BREVE HISTÓRIA DA UROLOGIA - JORNAL DO MÉDICO

Publicado no Jornal do Médico, link abaixo.

 file:///C:/Users/ana%20margarida/Downloads/RD%20novembro%202022%20app.pdf


Descrição:

Gerard DOU (1613-1665)

Dr. Examinando a urina de uma mulher doente (1663)

Museu – Louvre-Paris

BREVE HISTÓRIA DA UROLOGIA

A urologia, tida como uma especialidade recente, tem raízes que remontam à Antiguidade. Nos papiros de Ebers e de Smith, do Antigo Egito, há descrições de doenças de cunho urológico. Hipócrates, no século V a.C., fez a seguinte referência: “Certamente não praticarei corte em homens que sofrem de pedra; Vou deixar esta operação para os especialistas”.

No século I, a “Escola de Alexandria” praticava litotomia com precários instrumentos cirúrgicos. Na Idade Média, a “Escola de Salerno” seguia os conceitos de Hipócrates e Galeno. No século XI, Avicena descreveu sondas uretrais em seu livro “Canône de Medicina”. A litotomia era praticada na Espanha, França e Alemanha.

Da Antiguidade até o século XVIII, os problemas urológicos ficavam a cargo dos barbeiros-cirurgiões que tentavam, algumas vezes com sucesso, remover cálculos do ureter e da bexiga. Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832), portador de doença do aparelho urinário, descreveu com sutileza suas mazelas.

Em 1877, Maximilian Carl Friedrich Nitze (1848 a 1906), na Alemanha, realizou a 1ª cistoscopia com aparelho de lâmpada incandescente. Em seguida, na França, Joaquín Albarrán (1860-1912), francês de origem cubana, desenvolveu um método experimental para explorar a função renal, mais tarde chamado de "teste de Albarrán"; aprimorou a cistoscopia inventando a alavanca que permite maior precisão nos movimentos do cistoscópio durante a cateterização do ureter.

Max Nitze e Albarrán são considerados “Pais da Urologia”.

A partir do final do século XIX, com os conhecimentos de anatomia e fisiologia do trato urinário e o advento da anestesia e práticas antissépticas, a urologia se firmou como especialidade. O RX, descoberto, em 1895, pelo alemão Wilhelm Conrad Röntgen (1845-1923) e o desenvolvido de vários instrumentos para melhor explorar a bexiga e fragmentar os cálculos deram impulso a especialidade. No século XX, as principais intervenções, como: a nefrectomia (remoção do rim) e a prostatectomia (remoção da próstata) floresceram.

A ultrassonografia permitiu que a urologia realizasse um trabalho pioneiro no campo da cirurgia minimamente invasiva. Em 1982, o advento do litotritor extracorpóreo, um dispositivo que permite a fragmentação remota de cálculos, revolucionou o tratamento de cálculos renais e ureterais.

 

No Brasil, em 13/05/1926, foi criada a Sociedade Brasileira de Urologia, tendo como presidente o Dr. Agenor Edésio Estelita Lins (1890-1946). O patrono da referida sociedade é o médico urologista e ex-presidente do Brasil, Juscelino Kubitschek (1902-1976).

 

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Fortaleza, 10 de novembro de 2022

 

REFERÊNCIAS

https://www.chuv.ch/fr/urologie/uro-home/le-service-en-bref/historique-de-lurologie#:~:text=De%20l'Antiquit%C3%A9%20au%2018e%20si%C3%A8cle%2C%20l'urologie%20%C3%A9tait,vessie)%2C%20soit%20la%20vessie.

http://www.utb-chalon.fr/media/files/Documents_conferenciers/Paparel/UTB-Paparel-231013.pdf

https://smun.fr/petite-histoire-de-lurologie/

https://portaldaurologia.org.br/medicos/a-sbu/historia/#:~:text=No%20dia%203%20de%20maio,os%20trabalhos%20e%20a%20Sociedade.

file:///C:/Users/ana%20margarida/Downloads/historia.pdf

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16952618/



segunda-feira, 21 de novembro de 2022

Como eram os deuses olimpianos da Mitologia Grega ?

 Publicado no Jornal do Médico. Link, abaixo

https://jornaldomedico.com.br/2022/11/como-eram-os-deuses-e-deusas-da-mitologia-grega/


Os Doze Deuses Olímpicos
Por Nicolas-André Monsiau, em finais do século XVIII

Os primeiros habitantes da Península Balcânica, agricultores em sua maioria, atribuíam a cada aspecto da natureza um “espírito”. Com o tempo, estes espíritos assumiram a forma humana e entraram na mitologia local como deuses e deusas.  

Quando as tribos do norte invadiram a Península Balcânica, trazendo um panteão de deuses e crenças ligadas à conquista, à força, à guerra, ao heroísmo, houve a fusão com os deuses e deusas que povoavam a mente dos habitantes agrícolas da região.   

A mitologia grega sofreu também influência das culturas de outros povos, como: asiáticos e egípcios, mas preservando características próprias. Não havia animais entre os deuses gregos, como acontece com os deuses da Índia e do Egito.

Segundo o Professor Cláudio Moreno, os deuses gregos eram sempre humanos; não existia deus do mal, podiam ser bons ou maus dependendo da situação; eram belíssimos; a única exceção era o deus Hefesto (Vulcano para os romanos); as deusas eram lindíssimas, como: Afrodite, Hera e Atena.

Diferente de outras religiões, que os deuses são incriados, os deuses e deusas da mitologia grega tinham pai e mãe, nasciam, cresciam até certa idade, viviam entre os humanos e eram dotados dos mesmos sentimentos, como: amor, ódio, ciúme, inveja, entre outros. Muitas vezes, eles se envolviam amorosamente com os mortais e tinham filhos, os chamados semideuses. A grande diferença entre eles era a imortalidade, privilégio dos deuses.

Homero descreveu o Monte Olimpo, o ponto mais alto da Grécia, a morada celestial dos deuses, com belos jardins, uma grande mesa de banquete com cadeiras, onde eles passavam o dia inteiro em festa, conversando, rindo e ouvindo música. Como eram imortais, não tinham necessidade de alimentos. Ingeriam, por prazer, ambrosia e néctar.  

 Os deuses que habitavam o Olimpo eram: Zeus, Hera, Poseidon, Atena, Ares, Deméter, Apolo, Ártemis, Hefesto, Afrodite, Hermes e Dionísio. As deusas tinham camas, tocadores, brincos, cosméticos, faziam sexo, tinham partos com dores e amamentam.

            Não havia deuses e deusas oniscientes e onipotentes, que sabiam e podiam tudo. Muitas vezes os deuses eram enganados pelos humanos. Porém, havia limites que não podiam ser ultrapassados. Quando os humanos se comparavam aos deuses eram duramente castigados. Não havia guerra por causa de religião e cada humano podia cultuar o deus que quisesse.

Segundo alguns mitólogos, os deuses criaram os homens para diversão. Mas o contrário também era verdadeiro, pois os humanos se deleitavam com as encrencas deles. Ademais os deuses tinham curiosidade de saber o que é viver consciente da finitude. Isso eles não podiam saber e, por isso, invejam os humanos que valorizavam cada minuto vivido.

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Fortaleza, 18 de novembro de 2022