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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

UM DIA EM PARIS - Passeio nº. 2


Ana Margarida - Panthéon - Paris

Atendendo ao pedido da minha querida afilhada Danielle, estou postando mais um texto de Paris.

UM DIA EM PARIS - Passeio nº2
            Saímos do Jardin du Luxembourg, cruzamos o Boulevard Saint Michel e subimos a Rue Soufflot em direção ao majestoso Panthéon, nossa segunda parada.
            A história da Panthéon remonta a 1764, quando o rei Luís XV, após recuperar-se de uma grave doença, ordenou ao arquiteto Soufflot que construísse uma igreja em tributo a Santa Genoveva, padroeira de Paris. Concluída em 1790, a mesma foi transformada em Panteão Nacional, pelos revolucionários burgueses.
            Situado no alto do monte de Santa Genoveva, no 5º arrondissement, em pleno quartier latin, este monumento, em estilo neoclássico, tem 110 metros de comprimento e 84 de largura. Inspirado no panteão romano, sua fachada é decorada com 22 colunas de estilo coríntio e em seu frontão podemos ler a seguinte frase:Aux grands hommes, la patrie reconnaissante”. Acima, admiramos o baixo-relevo de David D’Angers que mostra a França, mãe pátria, concedendo lauréis a seus grandes homens.
            Aproveitamos para tirar fotos, inclusive, da prefeitura do arrondissement, que fica ao lado. Havia uma propaganda da mostra alusiva a Émile Zola, na entrada do Panthéon. Sem mais tempo para fotos, compramos os ingressos e adentramos o santuário.
            O interior do Panthéon tem quatro corredores em forma de cruz e no centro ergue-se a grande cúpula. A primeira coisa que nos chamou a atenção foi um imenso pêndulo, fixado na referida cúpula. O “Pêndulo de Foucault”, que leva este nome em homenagem ao físico, Jean Bernard Léon Foucault (1819-1868), está no Panthéon desde 1851. Ele foi concebido para demonstrar a rotação da terra.
            No altar principal admiramos a escultura que retrata a Convention  Nationale,  alusiva a Revolução Francesa. Depois de algumas fotos, e sem nos determos nas pinturas de artistas famosos, descemos até a cripta que ocupa toda  área sob o prédio.       
    Dividida em galerias, a mesma guarda os restos mortais de 70 personagens da história francesa como: cientistas, escritores, generais e políticos. Dentre os mais famosos estão: Voltaire, Jean Jacques Rousseau, Victor Hugo e Émile Zola. Em frente ao túmulo de Voltaire  vê-se uma estátua do mesmo. Tiramos fotos diante dela para homenagear um dos inspiradores da revolução francesa. François Marie Arouet (1694-1778), seu verdadeiro nome, foi escritor prolífico e filósofo iluminista. Severo crítico da Igreja católica, das instituições francesas e dos abusos do Antigo Regime, contribuiu com suas ideias, juntamente com John Locke, Thomas Hobbes e Rousseau  para o desencadeamento da Revolução Francesa.
            Caminhamos até a galeria principal para apreciar a mostra sobre Émile Zola (1840-1902). Recheada de fotos, cartazes, objetos pessoais, exemplar de sua obra “Germinal”, ela se mostrava atrativa. Infelizmente não tínhamos tempo para apreciar com calma aquela maravilha, mas vimos o artigo original, “J’accuse”, que tanta polêmica causou na França no finalzinho do século XIX.
            Saindo em defesa do judeu Alfred Dreyfus, que foi vítima de um processo fraudulento, Zola tornou-se uma importante figura libertária da França. Sua carta aberta, “J’accuse”, dirigida ao Presidente da França, publicada na primeira página do jornal L’Aurore, acusava o governo francês de anti-semitismo, por julgar e condenar por traição, sem provas, o capitão Alfred Dreyfus, em 1894.
            Na saída ainda tivemos tempo de admirar o túmulo de Rousseau, que fica em frente ao de Voltaire. Jean Jacques Rousseau (1712-1778), o meu iluminista preferido, foi filósofo, político, escritor e uma das figuras mais marcantes de sua época. A célebre frase “O homem nasce bom e a sociedade o corrompe", resume o pensamento deste grande filósofo.
            Saímos do Panthéon, quase meio dia e resolvemos almoçar em um dos restaurantes do quartier latin, mas antes era preciso ir à livraria “Gibert Jeune”, no Boulevard Saint Michel, a fim de comprar livros infantis para o meu neto, Pepê.      Lembrei-me que pertinho do Panthéon, ficava a Igreja Saint-Étienne-du-Mont, a biblioteca de Santa Genoveva e a Sorbonne, Universidade de Paris-I. Pensei no Rose e no nosso Hotel Sully-Saint-Germain, na Rue des Écoles, na mesma rua da Sorbonne, onde tantas vezes nos hospedamos. Como não tínhamos mais tempo, descemos pela Rue Soufflot, cruzamos a Rue Saint Jacques, a mais antiga de Paris, e viramos à direita no Boulevard Saint Michel, em direção à nossa terceira parada, a Catedral de Notre Dame.  

Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg
SAMPA, 11 de outubro de 2008

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A ESCOLA APOSTÓLICA DOS PADRES JESUÍTAS DE BATURITÉ

                                                    
 
fachada do mosteiro dos jesuítas  -  foto: ana margarida arruda rosemberg
fachada lateral do mosteiro dos jesuítas  -  foto : ana margarida arruda rosemberg


foto da internet

                    A ESCOLA APOSTÓLICA DOS PADRES JESUÍTAS DE BATURITÉ
           
            Desde a mais tenra idade, acostumei-me a vê-la imponente e majestosa, encravada no cimo da serra, envolta em suas palmeiras imperiais. 

Era o cartão postal da cidade! 

Aquela imensa construção de três andares com seus blocos de pedras me encantava, pois estava sempre lá, repousando no pico da serra, aparentemente tão perto, mas ao mesmo tempo longe e inacessível. 

Finalmente, naquele sábado, iria conhecê-la.

Acordamos cedinho e fomos (eu, Goretti, Lúcia, Maninha e Edna) com Dona Noemi, Sr. Edmundo e as filhas: Maria, Vanda, Ceição e Fafá, subir a serra em uma aventura inesquecível. 

Dona Noemi e Sr. Edmundo visitavam freqüentemente os filhos, Edmundo e Titico, que lá estudavam e resolveram, daquela vez, levar-nos também.
 
Que felicidade!

Subimos a rua 7 de Setembro, a Av. Proença e chegamos à praça da Matriz quando os seus sinos repicavam chamando os fiéis para a Santa Missa. 

Dobramos à esquerda na rua atrás da Igreja e novamente à direita. Logo estávamos em frente à Via Sacra. Desta vez não escalamos, como de costume, seus 365 degraus e a pé fomos galgando a estreita estrada lateral, de pedras, que dava acesso aos Jesuítas, como era conhecida a Escola Apostólica.

Dona Noemi sempre cuidadosa comigo e com a Goretti, pois éramos as menores do grupo, amarrou em nossas cabeças um lenço para nos proteger da friagem. 

Aos poucos, fomos subindo aquela fantástica serra verdejante e admirando a cidadezinha lá embaixo, que cada vez mais se distanciava de nós. 

Identificávamos nossa rua 7 de Setembro, a rua 15 de Novembro, a Matriz, a Prefeitura, a Cadeia Pública, o Cemitério, a Igreja Santa Luzia, as pracinhas e tudo mais que nossa vista alcançasse.

Felizes e em perfeita harmonia com a natureza, íamos descobrindo com nossa curiosidade infantil os encantos daquela serra. 

O cheiro de terra molhada, a mata virgem, a fragrância que emanava das flores silvestres, o orvalho nas folhas qual lágrimas brilhantes, o friozinho da serra, as borboletas coloridas, os passarinhos, o ar puro, a água límpida e fresquinha que descia entre as pedras nos chamados “olhos d’água”.

Com uma concha, feita com nossas mãos, bebíamos aquela água reconfortante e pura matando nossa sede. 

As mangueiras carregadas eram uma atração com seus galhos pendentes repletos de mangas quase beijando o chão de tão pesados. 

Íamos catando as que encontrávamos e solvendo seu néctar adocicado. 

Aqui e acolá: cajueiros, pitombeiras, goiabeiras, bananeiras e sirigueleiras.

O cantar das águas e o gorjear dos pássaros prediziam a aproximação da cachoeira e do poço da moça com sua lenda. 

Da margem da estrada admirávamos fascinadas a queda d’água e procurávamos desvendar os mistérios daquele poço encantado. 

De repente, a visão gigantesca do Colégio Jesuítas, por entre as copas das árvores, que a cada curva aumentava de tamanho

Prosseguindo chegamos à ponte.  Enfim, o rio! Lá paramos para um descanso e para admirar o rolar das águas que desciam da serra por entre as pedras de tamanhos variados. 

Olhando pra cima admirávamos a imponente construção se agigantando diante de nossos olhos e sabíamos que estávamos bem perto de alcançá-la. 

Mais algumas voltas e fomos recompensadas pela visão esplendorosa daquele imenso prédio de pedras envolto por palmeiras imperiais, da casa de hóspedes onde iríamos pernoitar e da vista magnífica que se descortinava do alto da serra.

No sopé, Baturité entre outras serras azuladas. No horizonte, Aracoiaba, a Serra do Tamanco e a Pedra Aguda. 

A gruta onde as meninas diziam que havia a Branca de Neve e os sete anões completava o fascínio daquele lugar. 

Depois de nos alojarmos na casa de hóspedes fomos conhecer a Escola e visitar o Titico e Edmundo. 

A entrada principal ficava na lateral, ao lado da capela.
Subimos correndo as escadarias que davam acesso à uma saleta (parlatório) com suas cadeiras de palhinha, uma mesinha com uma quartinha de água fresca e uma caneca. 

A porta de madeira talhada e pesada que separava o parlatório do interior da Escola tinha uma portinhola na parte superior que nos proporcionava uma visão limitada do pátio interno. 

Fazíamos fila para olhar através dela. A Vanda e a Maria nos colocaram (eu e a Goretti) em seus braços para que também, como elas, vislumbrássemos o claustro com seu jardim, seu roseiral multicolorido e perfumado e a fonte com uma imagem de Nossa Senhora. 

Era tudo o que podíamos ver, pois a clausura vetava às mulheres o acesso interno. Somente os homens podiam adentrar o magnífico colégio.

A capela!  

Uma escadaria dava acesso à mesma. Seus afrescos retratando o naufrágio de um navio com os padres jesuítas morrendo afogados, mas com suas almas conduzidas ao paraíso, impressionavam. 

À direita havia o altar privilegiado que abrigava a pedra d’ara com relíquias de mártires.   

Podia-se conseguir indulgências rezando nesse altar e todas nós, de joelhos, rezamos para recebê-las.

Desvendamos, em seguida, todos os recantos em torno do Colégio. A barragem Tijuquinha do rio Aracoiaba que abastecia a cidade e que havia sido inaugurada pelo governador Raul Barbosa, em 19 de Março de 1954, na administração do então prefeito, Miguel Edgy Távora Arruda; a imensa piscina de cimento, atrás da Escola; o campo de futebol; o bananal; o bambusal; as trilhas e as casas dos moradores.

A Casa de Retiros Fechados São José, no sítio Caridade, no alto da serra, era totalmente inacessível e jamais fomos lá. 

Somente os padres e alunos tinham esse privilégio. O almoço fornecido pelos jesuítas e compartilhado por todos, inclusive pelos Titico e Edmundo tinha um sabor de piquenique. 

À noite, em nossas redes, dormimos cansadas da caminhada, mas completamente felizes. 

ana margarida arruda rosemberg