terça-feira, 28 de junho de 2022

LA BELLE FERRONNIÈRE - LEONARDO DA VINCI

 Publicado no Jornal do Médico

https://jornaldomedico.com.br/2022/06/la-belle-ferronniere-de-leonardo-da-vinci/


                              Foto: ana margarida furtado arruda rosemberg

La Belle Ferronnière, uma tela de Leonardo da Vinci, de 62 × 44 cm, pintada entre 1495 e 1497, em um painel de madeira, exibida no Museu do Louvre-Paris, é uma das obras primas desse gênio da arte.

A pintura mostra o busto de uma bela mulher, com a cabeça voltada para o espectador e o olhar desviado. Ela usa uma “scuffia”, um gorro na parte de trás da cabeça, um “ferronnière”, uma faixa cingindo a testa, adornada com um camafeu ou uma pedra preciosa (um adorno da moda na Lombardia).

Sua identidade é polêmica. É certo que a pintura data do primeiro período milanês de Leonardo da Vinci. A modelo, pela riqueza dos ornamentos, deve ser da corte de Ludovic Sforza.  Béghin propõe que seja Béatrice d'Este (1475-1497), a esposa de Ludovic Sforza, por causa da semelhança entre La Belle Ferronnière e o busto de Béatrice d'Este, de Cristoforo Romano.

Karl Morgenstern (1813) e outros críticos acharam algumas semelhanças com o desenho número 209 da Galeria Uffizi, executado em lápis e aquarela, um retrato de Beatrice d'Este, atribuído a Leonardo da Vinci.

A hipótese mais difundida é a de Lucrezia Crivelli, que se tornou amante de Ludovico Sforza a partir de 1495, quando deu à luz a um filho dele.

A pintura levantou muitas questões. Alguns especialistas preferiram ver o trabalho de Giovanni Antonio Boltraffio ou Francesco Melzi, em vez de Leonardo.

Hoje, podemos dizer com certeza que a pintura vem da oficina de Leonardo da Vinci. As análises mostraram que a “Dame à l'Hermine” e a “Belle Ferronnière” vêm do mesmo tronco de árvore. Além disso, o exame de raios-X mostrou grandes analogias com a Mona Lisa, apesar de inúmeras repinturas (o cocar originalmente não cobria as orelhas, a mandíbula direita foi retocada).

O Museu do Louvre a descreve assim:

Léonard de VINCI

Vinci (près de Florence), 1457, Amboise (France), 1519

Portrait d’une dame de la cour de Milan, dit à tort La Belle Ferronnière

L’identification traditionnelle du modele à Lucrezia Crivelle, maîtresse de Ludovico Sforza, duc de Milan, n’est pas avérée. Certains Y reconnaissent Béatrice d’Este, l’épouse de Ludovico, ou Isabelle d’Aragon. L’appellation de “Belle Ferrorièrre” vien d’une confusion avec um autre Portrait.

Traduzindo

Leonardo De Vinci

Vinci (perto de Florença), 1457, Amboise (França), 1519

Retrato de uma senhora da corte de Milão, erroneamente chamada La Belle Ferronnière

A tradicional identificação da modelo com Lucrezia Crivelle, amante de Ludovico Sforza, duque de Milão, não está comprovada. Alguns reconhecem Béatrice d'Este, a esposa de Ludovico, ou Isabel de Aragão. O nome de “Belle Ferrorièrre” vem de uma confusão com outro Retrato.


ana margarida furtado arruda rosemberg

Paris, 21 de junho de 2022


quinta-feira, 23 de junho de 2022

Por: Adélia Prado - O QUE A MEMÓRIA AMA, FICA ETERNO

                     Foto: Internet                           Adélia Prado

“O que a memória ama, fica eterno”.

Quando eu era pequena, não entendia o choro solto da minha mãe ao assistir a um filme, ouvir uma música ou ler um livro. O que eu não sabia é que minha mãe não chorava pelas coisas visíveis. Ela chorava pela eternidade que vivia dentro dela e que eu, na minha meninice, era incapaz de compreender. O tempo passou e hoje me emociono diante das mesmas coisas, tocada por pequenos milagres do cotidiano.

É que a memória é contrária ao tempo. Enquanto o tempo leva a vida embora como vento, a memória traz de volta o que realmente importa, eternizando momentos. Crianças têm o tempo a seu favor e a memória ainda é muito recente. Para elas, um filme é só um filme; uma melodia, só uma melodia. Ignoram o quanto a infância é impregnada de eternidade.

Diante do tempo envelhecemos, nossos filhos crescem, muita gente parte. Porém, para a memória ainda somos jovens, atletas, amantes insaciáveis. Nossos filhos são crianças, nossos amigos estão perto, nossos pais ainda vivem.

Quanto mais vivemos, mais eternidades criamos dentro da gente. Quando nos damos conta, nossos baús secretos – porque a memória é dada a segredos – estão recheados daquilo que amamos, do que deixou saudade, do que doeu além da conta, do que permaneceu além do tempo.

A capacidade de se emocionar vem daí: quando nossos compartimentos são escancarados de alguma maneira. Um dia você liga o rádio do carro e toca uma música qualquer, ninguém nota, mas aquela música já fez parte de você – foi o fundo musical de um amor, ou a trilha sonora de uma fossa – e mesmo que tenham se passado anos, sua memória afetiva não obedece a calendários, não caminha com as estações; alguma parte de você volta no tempo e lembra aquela pessoa, aquele momento, àquela época…

Amigos verdadeiros têm a capacidade de se eternizar dentro da gente. É comum ver amigos da juventude se reencontrando depois de anos – já adultos ou até idosos – e voltando a se comportar como adolescentes bobos e imaturos. Encontros de turma são especiais por isso, resgatam as pessoas que fomos, garotos cheios de alegria, engraçadinhos, capazes de atitudes infantis e debilóides, como éramos há 20 ou 30 anos. Descobrimos que o tempo não passa para a memória. Ela eterniza amigos, brincadeiras, apelidos… mesmo que por fora restem cabelos brancos, artroses e rugas.

A memória não permite que sejamos adultos perto de nossos pais. Nem eles percebem que crescemos. Seremos sempre “as crianças”, não importa se já temos 30, 40 ou 50 anos. Prá eles a lembrança da casa cheia, das brigas entre irmãos, das estórias contadas ao cair da noite… ainda são muito recentes, pois a memória amou, e aquilo se eternizou.

Por isso é tão difícil despedir-se de um amor ou alguém especial que por algum motivo deixou de fazer parte de nossas vidas. Dizem que o tempo cura tudo, mas não é simples assim. Ele acalma os sentidos, apara as arestas, coloca um band-aid na dor. Mas aquilo que amamos tem vocação para emergir das profundezas, romper os cadeados e assombrar de vez em quando. Somos a soma de nossos afetos, e aquilo que amamos pode ser facilmente reativado por novos gatilhos: somos traídos pelo enredo de um filme, uma música antiga, um lugar especial.

Do mesmo modo, somos memórias vivas na vida de nossos filhos, cônjuges, ex-amores, amigos, irmãos. E mesmo que o tempo nos leve, daqui seremos eternamente lembrados por aqueles que um dia nos amaram.

A DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DO HOMEM E DO CIDADÃO DE 1789

                    Foto: ana margarida rosemberg
Publicado no Jornal do Médico. 

        No Museu Carnavalet de Paris podemos apreciar uma pintura (óleo sobre madeira), de 1789, atribuída a Jean-Jacques-François Le Barbier (1738-1826). Trata-se de uma composição alegórica da “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão” elaborada durante a Revolução Francesa de 1789. Ao lado da mesma, vemos um painel com a explicação da alegoria, a saber:  

1.     Figura alada representando a Nação (ou a Liberdade), segurando na mão direta o cetro da soberania e apontando o dedo indicador para a declaração.

2.     O “Olho da Providência”, no alto da composição, colocado dentro de um triângulo equilátero, representando a igualdade das três ordens. Os raios fazem referência a sabedoria dos iluministas.

3.     A forma evoca as “Tábuas da Lei” de Moisés no Monte Sinai com os 10 mandamentos de Deus.

4.     A serpente mordendo o rabo representa a eternidade.

5.     O “Boné Frígio” é uma referência aos escravos da antiguidade e simboliza a liberdade.

6.     A coroa de louros representa o poder e a glória da declaração.

7.     O pique significa a força da lei; emprestados da antiguidade romana, o “fasces lictoris” simboliza a união e força dos cidadãos franceses.

8.     As nuvens e sombras acumuladas na parte inferior se esvaem progressivamente para dar lugar a um céu limpo na parte superior.

9.     A mulher representa a França monarquista. A coroa e as flores de lis são os símbolos da realeza. Ela quebra as correntes do despotismo.

Todas as representações cercam o preâmbulo e os dezessete artigos da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Estas assumem aqui um aspecto de solenidade religiosa. Esta pintura sobre madeira pertenceu a Georges Clemenceau antes de entrar nas coleções do museu.

A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão nasceu no verão de 1789, a partir do projeto da Assembleia Constituinte, formada pela reunião dos Estados Gerais, durante a Revolução Francesa.

Em 26 de agosto de 1789, a Assembleia Nacional votou a Declaração que proclamava que os direitos do homem e do cidadão são naturais, inalienáveis ​​e sagrados. Todos os homens nascem livres e iguais em direitos. As distinções sociais só podem ser baseadas no mérito e a segurança e a propriedade são sagradas.

O texto lança as bases para uma reforma do sistema judiciário e afirma a obrigação, para o Estado, de garantir a aplicação das leis e a defesa da coisa pública.

ana margarida furtado arruda rosemberg

Paris, 15 de junho de 2022

terça-feira, 14 de junho de 2022

A ROSA DE OURO DO MUSEU CLUNY

Publicado no Jornal do Médico. Link, abaixo

https://jornaldomedico.com.br/2022/06/a-rosa-de-ouro-do-museu-cluny/

A "Rosa de Ouro", uma obra de arte em ouro maciço, é ofertada pela Igreja Católica Apostólica Romana, como símbolo de reverência e estima, a personalidades, igrejas, governos e governantes que tenham demonstrado lealdade para com a Santa Sé. 

A flor dourada brilhante simboliza a majestade de Cristo, uma alusão aos profetas que diziam ser o Messias “a flor do campo e o lírio dos vales”. Seu perfume, segundo o Papa Leão XIII, mostra o odor de Cristo. Os espinhos relembram a sua paixão. 

A "Rosa de Ouro" surgiu na Idade Média, em data não precisa. Em uma Bula do Papa Leão IX, de 1049, encontra-se uma alusão à mesma. O referido Papa isentou o convento de Santa Cruz de Woffenhein, na Alsacia, com a condição da abadessa enviar todos os anos uma rosa de ouro à Santa Sé. 

A "Rosa de Ouro" mais antiga enviada que se conhece foi ofertada pelo Papa Urbano II a Fulque IV de Anjou, em 1096.

No Museu da Idade Média de Paris, Musée Cluny, podemos apreciar o exemplar mais antigo que ainda subsiste: uma rosa trabalhada com grande delicadeza: as hastes, fitas estreitas dobradas sobre si mesmas, e as flores, feitas de corolas sobrepostas, são cortadas em finas folhas de ouro.

 Ela foi encomendada pelo Papa João XXII a Minucchio de Sena, na cidade de Avignon, durante o período em que a referida cidade foi sede do papado (1309 a 1411), a mesma foi ofertada a Rodolfo III de Nidau, em 1330. 

A maior parte das "Rosas de Ouro" antigas foram fundidas com fins monetários. Os poucos exemplares que subsistem podem ser vistos na Catedral de Benevento, na Basílica de São João de Latão, no Museu Sacro da Biblioteca do Vaticano, no Palácio da Comuna de Sena e no Palácio Imperial de Hofburg, em Viena. Porém, como já citei, o exemplar mais antigo está no Museu Cluny, em Paris.

O Brasil abriga quatro "Rosas de Ouro". A primeira foi ofertada pelo Papa Leão XIII à princesa Isabel pela abolição dos escravos e encontra-se no Museu de Arte Sacra do Rio de Janeiro.

A segunda foi ofertada pelo Papa Paulo VI, em 1967, por ocasião das comemorações dos 250 anos da descoberta da imagem de Nossa Senhora Aparecida, pelos pescadores, no rio Paraibuna.

A terceira foi ofertada, em 12 de maio de 2007, pelo papa Bento XVI ao Santuário Nacional de Aparecida, durante a V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe. A quarta foi ofertada pelo Papa Francisco, em 2017.

As rosas ofertadas por Paulo VI, Bento XVI e Francisco à Basílica de Aparecida podem ser apreciadas no Museu Nossa Senhora Aparecida, na Torre da Basílica. 

Paris, 10 junho de 2022

ana margarida furtado arruda rosemberg

sexta-feira, 10 de junho de 2022

O CARLINHOS PARTIU!

 



Ao Carlos Eurico, irmão poeta que partiu deixando como alento seus poemas, s
audades eternas. 

ana margarida 07.06.2022




AO MEU PAI

MIGUEL EDGY TÁVORA ARRUDA

Pai
um pássaro em voo rasante
conseguiu ultrapassar as fronteiras
as muralhas existem
as fronteiras são reais
da anunciação do outro lado do homem
os limites do seu diálogo interno
do presente do poeta guerreiro
feiticeiro e filho da paz
pai
o pássaro sou eu
sou a águia
no ápice montanhoso da imensidão do cosmos
pai
o pai és tu
o espírito inquieto de alma calada
o santo figurante no grande teatro da vida
e também grande
em tuas lágrimas
e sorrisos eternos
e lindo também
em teus brilhos de luzes coloridas
em tua bondade e força gigantes
e eu sou teu filho
o menino bonito de asa quebrada
que ao teu olhar alça voo
à liberdade
e tu és meu pai
o velho homem e moço de asas abertas
que me acolhe nos braços
à liberdade real

Carlos Eurico Furtado de Arruda       

Fortaleza-CE,17 de novembro de 2001.

 










































segunda-feira, 6 de junho de 2022

HÔTEL BARBETTE – MARAIS - PARIS

 

Publicado no Jornal do Médico, link abaoxo.
https://jornaldomedico.com.br/2022/06/hotel-harbette-marais-paris/

Por volta de 1300, Étienne Barbette (1250-1321), tesoureiro e conselheiro financeiro do rei Philippe IV le Bel (1268-1314), construiu uma casa emCourtille Barbette”, uma propriedade agrícola que ocupava um quadrilátero formado pelas atuais: rue Vieille-du-Temple, rue des Francs-Bourgeois, rue Payenne e rue du Parc-Royal, no atual 3º arrondissement de Paris.

A casa foi equipada por Étienne, no início do século XIV, para se tornar uma residência de descanso fora da cidade. Após ser ampliada e embelezada, a simples casa de campo tornou-se um verdadeiro palácio.

Em 1306, a multidão revoltada com a valorização da moeda decidida por Philippe le Bel atacou as propriedades de Etienne Barbette, considerado responsável por esta situação.

Em 16 de dezembro, os desordeiros foram ao “Hôtel Barbette”, derrubaram as árvores e a casa foi saqueada. Em retaliação, em 28 de dezembro, o rei enforcou 26 desordeiros e seus corpos foram expostos em todos os portões da cidade.

Quando Etienne Barbette morreu, em 1321, o “Hôtel Barbette” e a propriedade, La Courtille-Barbette, foram vendidos.

A casa tornou-se uma das residências principescas mais populares nos séculos XIV e XV e foi ocupada pela rainha da França, Isabel da Baviera (1370-1435), e no século seguinte por Diane de Poitiers (1500-1566).

 

Isabel da Baviera mudou-se para o “Hôtel Barbette”, adquirido, por volta de 1401, de Jean de Montagu (1363-1409), para escapar dos ataques de loucura de seu marido Carlos VI (1368-1422), que residia em seu vizinho palácio de Saint-Pol.

Transcrevo, abaixo, um trecho da famosa “Carta de Paris”, feita pelo Professor Rosemberg ao Dr. Tarantino, em 18 de junho de 1988,  que fala no Hôtel Barbette.

Este outro hotel é o Barbette, internamente todo forrado de cetim roxo e foi de Isabeau da Baviera (tem seu túmulo na Igreja de St. Denis, onde já estivemos). Essa ardente rainha lançou a moda dos bailes de máscaras, os quais logo conquistaram os foros da maior suruba da paróquia. Aqui está o H. d’Abert; é o mais discreto dos que vimos, tem, porém, bela fachada barroca; sua inquilina foi a fogosa viúva do escritor Scarron. Fez amizade com Mme. Montespan do “entourage” de Luis XIV, sendo por este recebida tornando-se governanta de seus filhos bastardos. Rapidamente virou marquesa de Maintenon pela regra geral vigente: abrir as pernas para o Rei e acordar marquesa.

 

ana margarida furtado arruda rosemberg

Paris, 2 de junho de 2022

 

domingo, 5 de junho de 2022

HOMENAGENS À ROSA FONSÊCA QUE PARTIU DIA 1º.06.2022

 


À valorosa família Fonseca minha solidariedade pessoal e a de toda a família Uchôa, nesse momento de dor profunda.  Tempos difíceis os que estamos a viver, em que o povo perdeu e continua perdendo tantas vidas pela pandemia ou pela violência endêmica, e nós, socialistas, pela perda de tantos companheiros e companheiras como a extraordinária combatente Rosa da Fonseca, que ontem nos deixou. Ficamos mais pobres e mais fracos, é verdade, mas honraremos a memória desses bravos camaradas, e quando conquistarmos a vitória, consagrala-emos a esses heróis e mártires que colocaram suas vidas na trincheira da difícil luta por liberdade, contra o fascismo e todas as formas de exploração humana, por um mundo de solidariedade, prosperidade e de paz para todas e todos. Camarada Rosa da Fonseca, você estará presente em todas as lutas que travarmos em defesa da democracia e do socialismo, sempre!

Inocêncio Uchôa 


Querida Rosa da Fonseca, quando a hora do seu descanso  final chegou, todas as mulheres e homens que conheceram a sua trajetória de vida,  quedaram-se desolados.

    Era difícil acreditar que você tinha partido para outro plano. 

    O que nos alentou foi o exemplo de coragem, resistência e revolta contra as injustiças sociais, que a nossa querida Rosa da Fonseca nos legou e que nunca será esquecido.

    Talvez não hajam palavras que consigam definir todo o seu percurso de mulher guerreira, que marcou a vida de quem a conheceu!

 Até sempre, companheira! 

Coletivo Feminista Mulheres do Ceará com Dilma

sexta-feira, 3 de junho de 2022

ROSA FONSÊCA VIVE!

 



             Rosa Fonsêca VIVE!
Rosa Fonsêca, Rosa da Fonsêca, Rosinha, Professora Rosa, Rosa Maria, Maria Rosa, Rosa das lutas, Rosa inspiração de poemas, de exemplo de vida, Rosa nossa guerreira VIVE!
Com o lema: pensar o impensável, fazer o impossível, Rosa semeava afeto, amor, solidariedade, sonhos emancipatórios, libertários, abrindo horizontes em terra árida, nessa sociedade da barbárie! Nesse chão semeado, Rosa VIVE!
                                                                                  
Nas cantigas  de  roda,  na  dança  da vida,  no  grito  da  resistência  das  mulheres,  do  povo  oprimido, Rosa VIVE!
 
Rosa ousadia, valentia, corajosa rebeldia, leveza, sorriso aberto, afeto, alegria, marcava presença nas ruas, passeatas, manifestações, nas praças, no abraço cotidiano na defesa da vida, moradia, saúde, educação, direitos humanos, das mulheres, das minorias, abrindo horizontes na perspectiva de um novo DEVIR para a humanidade e o planeta! Nesses caminhos trilhados Rosa VIVE!
 
Rosa resistência, lutou contra a ditadura, foi presa, torturada! Ao sair da prisão, logo abraçou a luta pela anistia, em defesa da liberdade, pela punição dos torturadores! Nas lutas pela anistia, nas conquistas alcançadas, Rosa  VIVE!
 
Em 2021, Rosa enfrentou um câncer. Lutou com coragem e determinação pela vida! Fez quimioterapia, radioterapia, acordando nas madrugadas para realização do tratamento. Tudo o que era orientado pelos profissionais de saúde Rosa fazia!
 
Mesmo em tratamento, inúmeras vezes participou de reuniões, manifestações. Sua voz mais frágil, seu corpo abatido, mas os sonhos e compromissos emancipatórios, contra o capitalismo que destrói vidas e o planeta, firmes e inabaláveis! No embalar desses sonhos Rosa VIVE!
 
Em 2022, as sequelas do tratamento atingem nossa Rosa! Algo sangrava por dentro do seu corpo, fazendo sangrar o coração e mente! Rosa resistiu bravamente, com todas as suas forças! Seu corpo não resistiu! Nesse exemplo de resiliência Rosa VIVE!
 
O Ceará e o Brasil estavam muito pequenos para a grandeza universal das aspirações, sonhos, ideias, práxis de vida emancipatórias da nossa Rosa, andarilha da liberdade! Imaginem um leito num hospital! Foi, então, que nossa guerreira abraçou o lema que levava no peito: onde não há caminhos traçados, nós voamos! Rosa resolveu voar nesse 1° de junho de 2022!
 
Rosa voa alto, permeia no planeta, nas galáxias, no universo, nos espaços desconhecidos, a liberar e semear energias que toquem corações e mentes para a caminhada da emancipação humana! Rosa VIVE!
 
Rosa, presença marcante na família de sangue, berço de sua existência. Rosa presente nas festas, aniversários, nos momentos de dores, desafios! Lá estava Rosa, com sua força, ombro amigo, determinação, solidariedade incondicional. Rosa VIVE em cada um de nós!
 
Rosa, Ma-Rosa, Mana Rosa, como dói esse seu voo repentino para o infinito! A dor e a saudade levam nossa alma! Rosa, Roseira, Ma-Rosa  você VIVE e viverá sempre em nossos corações e mentes! Te amamos!
 
Com amor eterno, admiração profunda, nosso abraço, nosso até logo, nossa gratidão! Quanta honra e orgulho de ser sua irmã,  de compartilhar a vida em tantos momentos e andanças nesse chão terreno!
Cristina Fonsêca (irmã, comadre, companheira de lutas)
 
Fortaleza, 2 de junho de 2022
 
Saudação a Rosa Fonseca, Guerreira da Liberdade, por seus familiares:
- Sandra Helena e familiares;
- Manoel Carlos, Rocilda e Eduardo, Maiara e Heloisa, Helenira e Leandro, Marcos, Mateus e Maria Sofia, Geová e Mariana;
- Lúcia Helena, Lúcio e Veridiana, Lucas e Letícia, Manuela e Júlio, Arthur, Marcela,
- Francidalba, Fábio e Jaina, Pedro, Theo e Carolina, Luciana e Leonardo e Luciano, Adriana;
- Manoel Fonseca, Iracema Serra Azul, Ernesto, Luciani e Catarina, Andreia, Marlos, Victor e Álvaro, Maíra, Júnior, Henrique e Eduardo;
- Plácida, Aninha, Junior, e Andrea, João Victor, João Paulo, Christianno, Ítalo e Yasmin, Juliana, Alexandre e Enzo;
- Teresa Cristina, Daniel, Carol e Lis, Cristiane e Leandro, Lara e Davi;
- Imaculada, Raquel, Bruno e Alice, Rafael e Raquel, Marcos Vinícius e João Vitor;
  - Beta e  e Edson, Belle Belle, Tiago e Roberta, Camila e Hermínio.

     

A ROSA PARTIU - 1 de junho de 2022

Rosa Fonsêca partiu para outro plano, dia 1 de junho de 2022, depois de uma luta hercúlea contra uma pertinaz doença: câncer de ovário. Partiu deixando na orfandade seus seguidores mais fieis.  

Conheci a Rosa nos idos de 1980 quando ela, Maria Luzia Fontenele, Célia Zanette, Jorge Paiva, dentre outros,  lutavam pela anistia no Brasil, que saía de uma ditadura ferrenha de 21 anos. 

Participei com esse grupo da criação do primeiro movimento feminista do Ceará: "União das Mulheres Cearenses". Durante 10 anos fui ativista do movimento pela emancipação das mulheres em nosso meio. Descobri uma luta muita maior do grupo, contra um sistema opressor, o capitalismo, que oprime a todos.

Encontrei na Rosa uma batalhadora FIRME, mas ao mesmo tempo meiga e doce, pela emancipação da humanidade.

 Ao lado do Jorge, Célia, Maria formavam o que denominei de: "Quarteto de Aço".

Eles arrastavam centenas de seguidores lutando dia e noite pela nobre causa, o nascimento  de um ser humano novo.

Sua morte deixa uma grande lacuna, mas as sementes plantadas brotarão fortes e sempre...