Publicado no Jornal do Médico. Link, abaixo.
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Descrição da Tela: André Brouillet (1857-1914), A Lição Clínica do Doutor Charcot (Une leçon clinique à la Salpêtrière), 1887, óleo sobre tela,
290 × 430 cm
Localização
– Museu de História da Medicina (Paris) - Universidade Paris Descartes
(Musée d'histoire de
Medecine (Paris) - Université Paris Descartes)
1 – Victor CORNIL, 2 - Philippe BURTY, 3 – Maurice
DEBOVE, 4 – Mathias DUVAL, 5 - Jean-Baptiste CHARCOT, 6 – Alix JOFFROY, 7
- Jean-Martin CHARCOT, 8 - Joseph BABINSKI, 9 – Théodule RIBOT, 10 - Georges
GUINON, 11 - Albert
GOMBAULT, 12 – Paul ARÈRE, 13 – Alfred
NAQUET, 14 - Désire-Magloire
BOURNEVILLE, 15 – Gilbert BALLET, 16 – Paul Adrien BERBEZ, 17 – Édouard BRISSAUD, 18 – Pierre-Marie-Félix JANET, 19 - Charles FÉRÉ,
20 - Paul RICHER, 21 - Blanche WITTMAN, 22 - Marguerite BOTTARD, 23 - Mll Écary, 24 – Edouard LELORRAIN, 25 – Albert LONDE, 26 – Léon LE BAS, 27 – Jules
CLARÉTIE, 28 – Henry BERBEZ, 29 – Henry
PARINAUD, 30 – Romain VIGOUROUX, 31 - Gilles de LA TOURETTE
JEAN-MARTIN
CHARCOT – Pai da Neurologia
Jean-Martin
CHARCOT, filho primogênito de Simon-Pierre CHARCOT, construtor de carruagens, e
Jeanne-Georgette SOUSSIER, nasceu em Paris no dia 29 de novembro de 1825 e
faleceu em Montsauche-les-Settons (comuna francesa), no dia 16 de agosto de
1893, aos 67 anos.
Em
1939, aos 14 anos, ficou órfão de mãe. Em 1844, depois de completar os estudos
secundários no Lycée Bonaparte (atual Lycée Condorcet) e planejar
ir para a Escola de Belas Artes, mudou de ideia e se matriculou na Escola de
Medicina. Aluno brilhante, foi, em 1848, sucessivamente recebido como interno
nos hospitais de Paris.
Durante
mais de 30 anos (1860-1893), Charcot foi professor de Anatomia Patológica na
Universidade de Paris. Em 1862, ao mesmo tempo que ensinava na Universidade,
foi nomeado, juntamente com seu colega Alfred Vulpian (1826-1887), para chefiar
os departamentos de Medicina Geral do Salpêtrière, icônico hospital parisiense,
conhecido, desde 1837, como: Hospice de la Vieillesse-Femmes (silo para
mulheres idosas), com cerca de cinco mil pacientes.
Em
31 de março de 1864, aos 39 anos, Charcot casou-se com Augustine-Victoire
Durvis (1834-1899), uma rica viúva dez anos mais nova que ele e mãe de uma
menina de 10 anos, Marie Charlotte Thérèse Durvis (1854-1936), de seu primeiro
casamento. De sua união com Augustine nasceram: Jeanne Marie Claudine Amelie
Charcot (1865- 1940), e Jean-Baptiste Charcot (1867-1936). Jean seguiu a mesma
profissão de seu pai. Depois da morte de seu genitor, ele abandonou a carreira
de médico neurologista e tornou-se um famoso oceanógrafo, conhecido
mundialmente como “Comandante Charcot”.
A
partir de 1866, Charcot deu aulas públicas no Salpêtrière atraindo
alunos de diversas nacionalidades. Em 1868, descreveu, com seu colega Vulpian, a Esclerose Múltipla, diferenciando-a da
Doença de Parkinson e no ano seguinte a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA),
uma doença degenerativa.
Em
1873, tornou-se membro da Académie Nacionale de Médecine. Charcot
publicou muitos trabalhos sobre: Esclerose Múltipla, Atrofia Muscular
Progressiva, Siringomielia, Doença de Menière, danos neurológicos por sífilis
ou tabes e alcoolismo. Para tanto, ele contou com a colaboração de vários
colegas médicos.
Em
1878, foi eleito membro honorário da British Medical Association. A
partir de então, abordou o estudo da histeria. Ele testou todas as técnicas
experimentais da época, como: hipnose, eletroterapia, hidroterapia, magnetismo,
metaloterapia, técnicas de suspensão, entre outras. Ao encenar essas técnicas
combinadas, ele provocou “neuroses experimentais”, destacando as quatro fases
da “grande histeria”.
Em
março de 1881, durante uma viagem a Moscou e São Petersburgo, Charcot foi
aclamado e celebrado por seus pares. Em agosto do mesmo ano, conheceu a
consagração no “Congresso Internacional de Medicina em Londres”.
Em
1882, foi inaugurada a primeira cadeira de neurologia do mundo, quando Charcot
tornou-se titular da “Cátedra de Doenças do Sistema Nervoso” do Hospital Salpêtrière,
o maior centro clínico neurológico da Europa.
Orador
nato, Charcot teve brilhante influência sobre seus alunos e colaboradores da École
de la Salpêtrière. como:
Jean-Baptiste Charcot (1867-1936), Paul Richer (1849-1933), Joseph Babinski (1857-1932), Georges Gilles de La
Tourette (1857-1904), Albert Regnard (1836-1903), Gilbert Ballet (1853-1916),
Désiré-Magloire Bourneville (1840-1909), Benjamin Ball (1833-1893), Valentin Magnan
(1835-1916), Albert Pitres (1848-1928), Charles Féré (1852-1907), Alfred Binet
(1857-1911), Édouard Brissaud (1852-1909, que atuará como interino na morte do
mestre.
Em
1887, o famoso pintor francês, André Brouillet, plasmou: “Une leçon clinique à la Salpêtrière”. Pintura icônica da História da Medicina, o quadro retrata uma aula
sobre histeria, ministrada por Charcot no hospital Salpêtriere. Dentre os 30 espectadores, alunos e professores, há
somente três mulheres: a paciente, uma supervisora e uma enfermeira. Charcot induz, sob hipnose, em sua paciente,
Blanche Wittman (1859-1913), os sintomas associados ao quarto estágio do ataque
de histeria, demonstrando que há uma grande diferença
entre uma crise convulsiva e um quadro de histeria.
Muitos
médicos estrangeiros estagiaram com Charcot. O mais famoso deles, o Pai de
Psicanálise - Sigmund Freud (1856-1939), estagiou de outubro de 1885 a
fevereiro de 1886 e traduziu para o alemão algumas obras do mestre.
Considerado
o Pai da Neurologia, Charcot foi
pioneiro em diversos assuntos ligados ao sistema nervoso, como: doenças,
anatomia, fisiologia e patologia. Sua expertise
anatomopatológica aliada a observação foi fundamental para a delimitação da
nosologia de várias doenças neurológicas, como: histeria, epilepsia, esclerose múltipla,
esclerose lateral amiotrófica, doença de Parkinson, entre outras.
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Fortaleza, 31 de janeiro de 2023
