segunda-feira, 11 de maio de 2026

ARTE & MEDICINA - 100. La Cortisone

 

100.  La Cortisone (A Cortisona) — 1951


Ficha Técnica

Autor: Raoul Dufy (1877-1953)

Título:  La Cortisone (A Cortisona)

Ano:1951

Técnica: litografia colorida

Dimensões:18 x 23 cm

Crédito da Imagem: Domínio público

A CORTISONA: arte, ciência e esperança terapêutica

“A medicina cura o corpo; a arte cura a alma.”
Provérbio atribuído à tradição humanista europeia

A obra La Cortisone foi criada em 1951 pelo artista francês Raoul Dufy e relaciona-se diretamente à experiência pessoal do pintor com a doença e os avanços terapêuticos da medicina moderna. Conhecido por suas composições luminosas, coloridas e vibrantes, Dufy produziu esta litografia em um contexto de intenso sofrimento físico causado pela Artrite Reumatoide, enfermidade crônica que acometeu suas articulações durante os últimos anos de vida. A doença provocava dores severas, deformidades progressivas e limitações motoras importantes, afetando inclusive sua capacidade de pintar.

A descoberta e introdução clínica da cortisona, no final da década de 1940, representaram grande esperança para pacientes acometidos por doenças inflamatórias incapacitantes. Dufy submeteu-se ao tratamento com cortisona nos Estados Unidos e experimentou significativa melhora dos sintomas, fato que lhe permitiu retomar parcialmente sua atividade artística.

A litografia celebra simbolicamente esse avanço médico. Embora mantenha o estilo leve e espontâneo característico do artista, a obra possui forte valor histórico por representar um momento em que a medicina moderna começava a transformar radicalmente o tratamento das doenças inflamatórias crônicas. No contexto da arte e medicina, La Cortisone evidencia o impacto dos avanços farmacológicos na vida dos artistas e na experiência humana da doença. A obra traduz visualmente a esperança terapêutica proporcionada pela ciência médica em meados do século XX.

Breve Biografia de Raoul Dufy (1877–1953)

Raoul Dufy nasceu em 3 de junho de 1877 em Le Havre, França, e faleceu em 1953. Foi um dos mais importantes pintores franceses do século XX, associado inicialmente ao fauvismo e posteriormente reconhecido por seu estilo decorativo, luminoso e elegante.

Estudou na Escola de Belas Artes de Paris e recebeu influência de artistas como Henri Matisse e Paul Cézanne. Suas obras frequentemente retratavam regatas, concertos, paisagens mediterrâneas, corridas de cavalos e cenas festivas, utilizando cores intensas e linhas fluidas. Na década de 1930, Dufy desenvolveu grave Artrite Reumatoide, enfermidade que comprometeu progressivamente suas mãos e articulações. Apesar da intensa dor e das limitações físicas, continuou produzindo arte.

Em 1950, submeteu-se ao tratamento experimental com cortisona nos Estados Unidos, experiência considerada revolucionária na época. A melhora clínica obtida inspirou a criação de La Cortisone, tornando a obra importante símbolo do encontro entre arte, sofrimento e inovação terapêutica.

Raoul Dufy nos legou uma vasta produção artística marcada pela luminosidade, leveza e celebração da vida, mesmo diante da doença crônica.


Referências

Raoul Dufy. Mes Ateliers. Paris: Flammarion, 1952.

Cogniat, Raymond. Raoul Dufy. Paris: Éditions Flammarion, 1958.

La Cortisone. 1951. Litografia colorida.

Scliar, Moacyr. A Paixão Transformada: História da Medicina na Literatura. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.

Porter, Roy. The Greatest Benefit to Mankind: A Medical History of Humanity. New York: W. W. Norton, 1997.

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