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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

FOTOS HISTÓRICAS DE BATURITÉ

FOTOS DO ACERVO DO MUSEU COMENDADOR ANANIAS ARRUDA

O Comendador Ananias Arruda legou à cidade de Baturité um extraordinário acervo de fotos que registram a história de Baturité em seus momentos mais relevantes. 
Além de três Colégios, Jesuítas, Salesiano Domingos Sávio e Salesiana Nossa Senhora Auxiliadora, hospitais, Circulo Operário, Via Sacra etc, Ananias Arruda deixou, também, a história de Baturité registrada no Jornal “A VERDADE”.

Reverencio a memória de ANANIAS ARRUDA, o maior benfeitor de Baturité.

Ana Margarida F. Arruda Rosemberg



























terça-feira, 17 de abril de 2012

HONROSA EXCEÇÃO

MIGUEL EDGY TÁVORA ARRUDA
                                                                                                                 Por: Luis Sucupira

A cidade de Baturité foi administrada nos últimos quatro anos pelo Capitão Miguel Edgy Távora Arruda, que acaba de publicar a prestação de contas, apresentada à Câmara Municipal, referentes ao ano de 1954, com um retrospécto relativo aos anteriores exercícios de sua gestão, a começar de 1951. 

É um trabalho digno de admiração e de aplausos, êsse magnífico relatório do ex-edil baturiteense, e pode servir tão profícuo e meticuloso documento como padrão para todos os demais gestores dos negócios municipais do Estado. 

Encontrando as rendas públicas na quota dos 850 contos, entregou-as ao seu sucessor no limite de 2.200 contos, por ano, o que é bem um admirável recorde. 

Mas o que ressalta na prestação de contas do digno administrador é a preocupação que o anima de não deixar sem explicação um só centavo gasto no seu governo e tudo isso documentada e pormenorizadamente, fazendo ainda acompanhar o folheto, de 50 páginas, de numerosas fotografias das obras realizadas e que foram de grande monta, a começar pelos serviços de água, esgotos e iluminação pública, não ficando esquecidos os referentes à educação, pavimentação e estradas de rodagem. 

Também é de suma importância o capítulo em que o Capitão Edgy Távora Arruda  põe à vista de todos a sua situação financeira, com a declaração dos bens que possuia no inicio e no final de sua gestão. 

Edifica ver como o homem pobre e probo que assumiu o poder municipal há quatro anos, dele saiu com mãos limpas e bolsos mais limpos ainda. 

Não possui depósitos bancários nem quaisquer outros valores, voltando, assim, para as suas atividades normais, de que foi afastado, apenas com mais idade e mais esfalfado, por ter dado ao povo  que dirigia todo o seu esforço, toda a sua dedicação e todo o seu tempo. 

Parcela por parcela, alinha ele os gastos feitos com a chamada “cota de imposto de renda”, podendo, assim, ser apresentado como, ao que se sabe, o único Prefeito que, até agora, prestou contas realmente desse manancial com que se beneficiaram as municipalidades de todo o País. 

E, para seu gáudio, a Câmara de Baturité, em Resolução unânime de 12 de março deste ano, aprovou-lhe as contas de 1954, como já tinha aprovado as dos demais exercícios. 

Eis aí um exemplo que merece ser apontado aos demais gestores dos municípios  em nosso Estado. 

É uma honrosa exceção, que, por isso, merece ser destacada, apoiada e aplaudida. 

Luis Sucupira       
  Fortaleza, 9 de abril de 1955.

 OBS: Extraido da Coluna “Fato do Dia” do Jornal “O Nordeste” de  9 de abril de 1955.


LUIS SUCUPIRA


            QUEM FOI LUIS SUCUPIRA?


Os Membros da Academia Cearense de Letras de ontem
Luis Sucupira
Por José Murilo Martins
in POETAS DA ACADEMIA CEARENSE DE LETRAS

LUÍS SUCUPIRA
Luís Cavalcante Sucupira nasceu em Fortaleza em 11 de maio de 1901 e faleceu na mesma cidade no dia 11 de julho de 1997, aos 96 anos de idade.

Fez seus estudos no Colégio Cearense do Sagrado Coração e o curso madureza no Liceu do Ceará. Após concurso, foi funcionário da Fazenda Federal por muitos anos exercendo importantes funções no nosso e em outros estados do Brasil.

Exerceu o magistério como professor de vários colégios de Fortaleza e do Rio de Janeiro, entre os quais, Cearense, Imaculada Conceição, Dorotéias e Sacré Couer de Marie; fundador e mestre da Faculdade Católica de Filosofia de Fortaleza, diretor do Curso de Jornalismo e professor da Faculdade de Ciências Econômicas, da UFC e do Instituto Católico de Estudos Superiores, do Rio de Janeiro.

Foi deputado federal, secretário de governo e interventor federal interino do estado do Ceará.

Publicou aos dezessete anos de idade um pequeno livro de poesias intitulado Equatoriais, usando o pseudônimo de Rubens Bráulio. 

Olavo Bilac escreveu-lhe uma carta com o seguinte comentário: “Você é poeta. Poeta de raça e alma. Estude e pratique e o futuro cercará de triunfo a brilhante promessa dos seus 17 anos” (apud Sucupira, R. P., Luís Sucupira. O comendador).

Exerceu intensa atividade jornalística como redator-chefe e diretor de O Nordeste. 

Foi também dos jornais O Estado, de Pernambuco e A União e A Ordem, do Rio de Janeiro.

Obras: Equatoriais, 1917; Curso de ação católica, 1934; Programa de Economia Política, 1941; “Ozanan” a juventude em ação, 1970.

Honrarias: Comendador da Ordem de São Gregório Magno da Santa Fé; Doutor Honoris Causa das Faculdades Integradas de Campo Grande, Rio de Janeiro; Medalhas da Abolição e Justiniano de Serpa, do governo do estado do Ceará; Medalha Clóvis Beviláqua, do Ministério de Educação; Medalha do Pacificador, do Ministério do Exército; Medalha Barão de Studart, do Instituto do Ceará; e a Sereia de Ouro, da Televisão Verdes Mares.

Ingressou na Academia Cearense de Letras no dia 21 de maio de 1930, ocupando a cadeira número 3, cujo patrono era Álvaro Martins, tendo sido transferido para a 2, após a reorganização de 1951.

Foi representante do sodalício na Federação das Academias de Letras, no Rio de Janeiro, membro do Instituto do Ceará e presidente da Associação Cearense de Imprensa.

 Fonte:http://www.ceara.pro.br/ACL/Academicosanteriores/LuisSucupira.html

domingo, 15 de abril de 2012

TODOS JUNTOS SOMOS FORTES




SOMOS UNIDOS, SOMOS GRANDES, SOMOS MUITOS E SOMOS FORTES.


ONTEM, DIA 14 DE ABRIL DE 2012, ÀS 17h, ACONTECEU MAIS UMA REUNIÃO DA FUNDAÇÃO COMENDADOR ANANIAS ARRUDA, NO APARTAMENTO DA EDNA, PARA AVALIAÇÃO DO V BINGO DA AMIZADE.


APÓS A MESMA, ANALISAMOS OS ÚLTIMOS ACONTECIMENTOS OCORRIDOS NA POLÍTICA DE BATURITÉ E TODOS DECIDIMOS OFERTAR APOIO IRRESTRITO AO NOSSO PRIMO ASSIS ARRUDA QUE ESTÁ SENDO VÍTIMA, AO LADO DA FAMÍLIA, DE UMA CAMPANHA DIFAMATÓRIA SÓRDIDA, ATRAVÉS DE CARTAS ANÔNIMAS.


QUEM SE ESCONDE DESTA MANEIRA PARA DIFAMAR NÃO MERECE NENHUMA CREDIBILIDADE E SÓ DEMONSTRA DESESPERO DIANTE DA CANDIDATURA DE ASSIS ARRUDA A PREFEITO DE BATURITÉ.


O POVO DE BATURITÉ, CERTAMENTE, NÃO DARÁ IMPORTÂNCIA A TAMANHA CAMPANHA DIFAMATÓRIA, POIS CONHECE BEM O PASSADO DA FAMÍLIA ARRUDA, A INTEGRIDADE DE SEUS MEMBROS, PRINCIPALMENTE A DE ASSIS ARRUDA, UM HOMEM ÍNTEGRO E DE CONDUTA ILIBADA.
O POVO DE BATURITÉ CONHECE BEM O QUE A FAMÍLIA ARRUDA  REPRESENTOU PARA A CIDADE.


AVISO AOS NAVEGANTES: TODOS NÓS QUE FAZEMOS PARTE DA FAMÍLIA ARRUDA REPUDIAMOS VEEMENTEMENTE ESTA MANEIRA COVARDE DE FAZER POLÍTICA.


VÁ EM FRENTE ASSIS!


AGORA, MAIS DO QUE NUNCA, LUTAREMOS PARA ELEGÊ-LO PREFEITO DE BATURITÉ.

Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg
Fortaleza, 15 de abril de 2012

quarta-feira, 11 de abril de 2012

DISCURSO PROFERIDO PELO PROF. LUIS ARRUDA FURTADO - 3ª PARTE


Luis Arruda Furtado

Cinco fomos os baturiteenses fundadores da Escola. Os números foram dados por ordem de idade. Daniel Franco, nº 1; Luis Dória, nº 2; Job Saraiva Furtado, nº 3; José Saraiva Furtado, nº 4; e Luis Arruda Furtado, nº 5. O José Furtado morreu nesta Escola, vítima de um acidente, em 1930, aos 15 anos; Luis Dória, alguns anos depois, em Fortaleza e Daniel Franco há dois ou três anos, em Baturité. Aos companheiros desaparecidos, a nossa saudade. Vivos, somente Job Saraiva Furtado, aqui presente, e eu. Meus amigos, há uma bela imagem empregada pelo Pe. Aloisio Furtado, nosso contemporâneo e que infelizmente se encontra enfermo nesta Escola, a quem desejo completo restabelecimento, no seu livro “Se o grão não morre”, contando que: “Homero, o imortal autor da Ilíada, velho, cego, tacteante, procurando reconstituir os sítios de determinada cidade e ferindo as pedras com o bastão, teria exclamado: Il linc Troia, alí foi Tróia. E voltou Homero para a estrada de Ítaca, chorando a eterna Ílion de seus sonhos destruida.” Olhando-se para o passado e vendo-se a nossa Escola no presente, poderia compará-la àquela florescente cidade, outrora dominadora da África, a rainha do Mediterrâneo, a lendária e esplendorosa cidade de Aníbal, a Cartago púnica e romana, destruida e nunca mais reedificada. Poderia compará-la também a Pompéia, não devastada pelas lavas incadecentes do Vesúvio, mas subjugada, contra gosto, pelos imperativos e injuções do século em que vivemos. Poderia compará-la ainda a Jerusalém, em que não ficou pedra sobre pedra, derruida, derrocada, ante o impacto das forças imbatíveis das legiões romanas. Dada, porém, a minha formação clássica, aqui obtida, prefiro compará-la à Troia. Todos nós somos testemunhas do apogeu, dos tempos áureos desta Escola. Eu mesmo vi muitas destas paredes subirem e quantas destas pedras, ainda mornas pela explosão de dinamite em uma pedreira aqui ao lado, eu as tive em minhas mãos de adolescente; essas pedras são testemunhas mudas de que aqui foi Troia. Na nossa capelinha, de tão gratas recordações para os mais antigos, já não se oficiam os atos religiosos. Naquele páteo, que nenhum de nós jamais esquecerá, não se jogam mais foot-ball, basket-ball e outros jogos. Nesses corredores não se ouvem mais a algazarra, a gritaria e a alegria palpitante de vida dos apostólicos. Essa velha escada já não sente mais o pisar ritmado, nem em tempo de férias, a correria desenfreiada que tantos dissabores causava ao Pe. Teixeira. Esse velho corrimão, já não sente mais o deslisar de mãos finas de meninos e adolescentes. Nesses vastos salões já não se realizam mais as academias e sessões lítero-musicais, nem as prédicas e aulas de nossos mestres. Quem não se lembra daquele trecho de nosso livro de português “Última corrida de touros em Salvaterra”? Quem já terá esquecido o nosso livro de inglês “Estrada Suave”? Quem não se lembra da admirável gramática portuguesa de Eduardo Carlos Pereira, da incomparável gramática latina de Lobera, de nosso livro grego de Ragón? Quem não se lembra do “De bello Gallico”, de Júlio César? Do “De viris illustribus”, de Cornélio Nepote? Das Fábulas de Fedro? Das Metamorfoses, de Ovídeo? Das Odes, de Horácio? Das Églogas e de Eneida, de Virgílio? Das cartas e orações, de Cícero? Será possivel que vocês já esqueceram do nosso primeiro livro de latim? Desse latim que nos foi transmitido com pronuncia lusitana, que ainda mantenho como recordação de nossos mestres; desse latim que o Ministério da Educação retirou do currículo escolar brasileiro; latim que a Igreja católica manteve vivo por quase dois mil anos; latim que acompanhava a vida do católico, do berço ao túmulo, do “Ego te baptismo” ao “Ego te Absolvo” da extrema-unção; latim que deu o nome continente inteiro, qual seja o Continente Latino-Americano. Lingua flexiva indo-europeu itálica, fonte e mãe, segundo um grande gramático, das nais belas linguas faladas pelos povos modernos. Quem já esqueceu a “Seletina”, “Deus creavit coelum et terram intra sex dies”?  Qual de vocês não volta ao passado e se reencoantra num desses salões, ao ouvir emocionado a primeira estrofe de Eneida de Virgílio, o expoente máximo da literatura latina na poesia? Quem não se emociona –
“Arma virumque cano: Troiae que primus ab oris
Italiam, fato profugus, Lavinaque venit
Littora, multum ille e terris jactatus at alto
Vi Superum, saevae memorem lunonis ob iram”?
Quantas vezsa não lemos, analisamos e decoramos trechos daquele outro monumental poema , “os Lusíadas”, em que Camões canta a epopéia e os feitos da gente lusitana, o qual, à semelhança de virgílio, começou:
“As armas e os barões assinalados,
Que da ocidental praia lusitana,
Por mares nunca dantes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana”.
Quem já esqueceu o grande Marco Túlio Cícero, o maior orador do Império Romano, o qual, dizia o Pe. Alexandrino Monteiro, teria sido santo se tivesse vivido no Cristianismo? Quem já esqueceu a mundialmente conhecida Primeira Catilinária:
“Quousque tandem abutere, Catilina, patientia nostra?
Quamdiu etiam furor iste tuus nos eludet?
Quem ad sese effrenta jactabit audacia?
Oh tempora, oh mores, oh tempos, oh costumes, dizia o grande Cícero

Continua,  aguardem...

segunda-feira, 9 de abril de 2012

DISCURSO PROFERIDO PELO PROF. LUIS ARRUDA FURTADO - 2ª PARTE


DISCURSO PROFERIDO PELO PROF.  LUIS ARRUDA FURTADO EM 21/08/1977 POR OCASIÃO DA FESTA COMEMORATIVA DO  CINQUENTENÁRIO  DE FUNDAÇÃO DA ESCOLA APOSTÓLICA DOS PADRES JESUITAS, EM BATURITÉ. 2ª PARTE

 
Prof. Luis Arruda Furtado
Aqui estão presentes os nossos dois primeiros diretores. O Pe. José Celestino, de porte imponente, mas de alma boníssima; o Pe. Luiz Baecher, que, embora sendo alemão, não possuia a altivez típica de seu povo; o Pe. Pinheiro, o ecônomo da casa; o nosso inesquecível e querido Pe. Teixeira, prefeito por muitos anos, o responsável por nossa formação, o nosso orientador, o sacerdote que permanecia continuamente entre nós, o que substituia o pai de cada um. Para tornar nossas férias mais amenas, lia-nos, como somente ele sabia ler, à sombra de frondosas árvores, livros como Tom Playfair, Percy Wynn, Fabíola e tantos outros; o Pe. Artur Redondo, nosso diretor espiritual e professor de inglês e francês, sacerdote reconhecidamente virtuoso, que exhalava de si um ar sobrenatural e em quem se podia notar uma auréola de santo a circundar-lhe a fronte; o nosso inolvidável e querido Pe. Alexandrino Monteiro, escritor, poeta, e compositor, que acompanhava ao harmônio os hinos religiosos. Foi nosso professor de português, latim e grego, sacerdote a quem muito devo e cujo método de ensino adotei, com absoluto êxito, durante 35 anos de magistério; o nosso primeiro Mestre de Noviços, o Pe. Charles Coppex, homem de uma cultura polimorfa e de profunda devoção ao Coração de Jesus. Costumava dizer que, para se ser feliz, era necessário se ter paz de consciência e sossego de espírito e acrescentava, e tino prático; o Pe. Pacheco, que ao ser transferido para Belém despediu-se de nós, que nos achávamos na Caridade, através do sinal Morse, transmitido por lâmpada elétrica; o Pe. Peixoto, nosso professor de latim e grego no segundo ano de Noviciado; o Pe. Veloso, o Pe. Pequito, o Pe. Cheseaux, o Pe. Viellendents, o Pe. Rocha e todos os que sucederam. Entre os irmãos coadjutores, o nosso enfermeiro, Irmão Bosco; o Irmão Fernandes, motorista e encarregado da carpintaria; o Irmão Rodrigues, porteiro e o Irmão  Oliveira, nosso cosinheiro. A todos o nosso preito de saudade e gratidão. Desejo fazer menção especial a dois Irmãos que ainda residem nesta Escola, o Irmão Silva e o Irmão Fibeiro, que foi meu colega de noviciado.

Continua na terceira parte. Aguardem...

domingo, 8 de abril de 2012

DISCURSO PROFERIDO PELO PROF. LUIS ARRUDA FURTADO - 1ª PARTE

Luis Arruda Furtado é o primeiro da frente da Esquerda pra Direita. Foto tirada na Escola Apostólica dos padres Jesuitas, em Baturité, em 1927.

Prof. Luis Arruda Furtado



DISCURSO PROFERIDO PELO PROF.  LUIS ARRUDA FURTADO EM 21/08/1977 POR OCASIÃO DA FESTA COMEMORATIVA DO  CINQUENTENÁRIO  DE FUNDAÇÃO DA ESCOLA APOSTÓLICA DOS PADRES JESUITAS, EM BATURITÉ.

Revmo. Pe. Hugo Furtado                                                                                                     
DD Diretor desta Escola                                                                                        
Revmo. Pe. José Teles Arruda                                                                                  
Meus senhores                                                                                                             
Minhas senhoras                                                                                                           
Caros Ex-Apostólicos


Ao ser convidado a falar nesta solenidade comemorativa do cinquentenário de fundação de nossa querida Escola Apostólica, vieram-me à mente as primeiras palavras do poema dedicado à Nossa Senhora e escrito pelo Pe. José de Anchieta nas areias de Iperoíg: “Eloquar an Sileam?” Seria aconselhável tomar a segunda opção, de vez que aqui se encontram muitos ex-apostólicos que, melhor do que eu, poderiam se desempenhar desta incumbência. Mas, como fui um dos cinco baturiteenses que fundaram esta Escola, em agosto de 1927, não me ficaria bem recusar tão amável convite.  
Minhas palavras são dirigidas especialmente aos ex-apostólicos e, de modo particular, àqueles que foram meus contemporâneos de 18 de agosto de 1927 a 23 de setembro de 1933. Não usarei o tratamento convencional dos discursos, mas o tratamento amistoso de “você”, com que nos tratávamos aqui antigamente.
Esta festa é para mim, mais de recordações e de nostalgia, do que propriamente de alegria. Aqui passei a minha adolescência e parte de minha meninice, e não estou bem seguro de mim de poder continuar falando, porque eu sinto uma grande, uma enorme, uma vasta saudade a devastar-me a alma.
Ainda há pouco, quando passei por entre as duas palmeiras imperiais que ladeiam a entrada deste prédio, denominadas pelo Pe. Alexandrino Monteiro de São Pedro e São Paulo, as Sentinelas de Escola, senti, não sei se foi ilusão minha ou excesso de emoção de minhalma agradecida, senti como se elas me reconhecessem e vissem em mim o menino que há cinquenta anos passou entre elas – na época também pequenas – com a alma imbuida dos melhores propósitos para dar entrada nesta casa.
Pela crença na comunhão dos Santos, acredito, estar presente aqui o extraordinário Pe. Antônio Pinto, idealizador, propugnador e fundador desta Escola, sacerdote, que percorreu o Brasil inteiro e alguns países de Europa à cata de donativos para a construção deste prédio. O Comendador Ananias Arruda, com seus 91 anos bem vividos, e que muito contribuiu para esta Escola, é testemunha do esforço, do trabalho, do sacrifício  e das dificuldades superadas para que esta casa se tornasse realidade. 

Continua na segunda parte...

sexta-feira, 23 de março de 2012

O INSTITUTO N. S. AUXILIADORA – SEGUNDA PARTE: maio, mês de Maria.

Ana , R. Luiz e Goretti
Ana e R. Luiz
Atrás da E. pra D.: Edna, Maninha e Lúcia. Na frente: Ana e Goretti


Em 1958, já alfabetizada, passei para o 1º ano primário do Instituto Nossa Senhora Auxiliadora, em Baturité.  A Goretti, que era um ano mais nova do que eu, entrou para a alfabetização. Juntas, passamos a bisbilhotar o colégio. Desvendamos a clausura no 3º andar que era vedada para nós, alunas, pois lá ficavam os aposentos das freiras. Um dia, subimos escondidas, entramos no dormitório e vimos uma fila de camas com cortinados.
No 2º andar ficava o dormitório da alunas internas, além da sala de estudos e outras salas de aulas.  As alunas internas usavam um macacão para tomar banho, pois as freiras não permitiam que o corpo, templo do Espírito Santo, fosse tocado. Será que elas tomavam banho assim? Para trocar a roupa era necessário cobrir o corpo com um lençol. Via-se pecado em tudo, até nas unhas pintadas.
Todos os anos, no mês de maio, mês de Maria, havia a coroação de Nossa Senhora Auxiliadora, pelos anjinhos. Tudo era muito fascinante: a roupa de cetim colorida, as asas transparentes com algodão nas pontas, a aureola e as mãos postas. Lúcia, Maninha, Edna, eu e a Goretti éramos anjinhos. No dia 31 de maio, lindo mês da Mãe do Céu, as festividades encerravam-se com a coroação de Maria. O altar era armado e ornamentado com os anjinhos. Um deles coroava a nossa Senhora, sob aplausos e cânticos.
Sempre tive boa memória e, por isso, as freiras me ensinavam musiquetas para eu cantar no palco, nas mais diversas comemorações. Ainda hoje me lembro de uma, em francês:

Où vas-tu Basile sur ton blanc cheval perché?
Je vais à la ville le vendre au marché
Ton cheval claudique mais vois-tu pour t’obliger
Contre une vache magnifique je peux l’échanger

Refrain:
Sitôt dit sitôt fait bonne affaire se dit Basile
Sitôt fait sitôt dit Basile est un dégourdi.

Où vas-tu Basile avec cette vache à lait?
Je vais à la ville la vendre au marche
Ta vache a la fievre la vendre est bien compliqué
Contre ma plus belle chèvre veux-tu la troquer.
Refrain:

Embalando uma bonequinha, lembro-me que eu cantava em italiano.

L’altro gorno mia cara ninna
Mi promessa la bambina  nuova
Oh! Como e bella la bambina mia
Quase quase é piu bella de me.

Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg
São Paulo, 2004.

segunda-feira, 19 de março de 2012

O INSTITUTO N. S. AUXILIADORA – PRIMEIRA PARTE: alfabetização


Instituto N. S. Auxiliadora das irmãs Salesianas, em Baturité, década de 1950

Instituto N. S. Auxiliadora das irmãs Salesianas, em Baturité, década de 1950

Instituto N. S. Auxiliadora das irmãs Salesianas, em Baturité, década de 1950

Comendador Ananias Arruda, freiras e alunas salesianas.

Alunas salesianas


Era o inicio de 1957. Eu tinha seis anos e, finalmente, ia estudar. Os meus irmãos: Lúcia, Maninha, Edna e Raimundo Luiz já freqüentavam a escola. Vestir aquela farda e ir para o Colégio das Irmãs Salesianas era um sonho muito desejado. Queria aprender as letras e descobrir o mundo maravilhoso dos livros.
Acordei cedinho e ansiosa para estrear a saia azul marinho pregueada, a blusa branca de mangas compridas, a gravata, o sapato preto e as meias brancas que vinham até aos joelhos.  Cartilha, caderno, tabuada, lápis, borracha, caixa de lápis de cor (com as cores do arco íris), dentro da bolsa nova me fascinavam. Ia cursar a alfabetização, pois nos idos de 1950 não existia o pré-escolar. O papai e a mamãe foram, de jipe, nos deixar na porta da escola.
Quando entrei no colégio o coração disparou. Uma freira me deu a mão e levou-me até a sala de aula. As carteirinhas, a lousa (quadro negro), o apagador e o giz. Dentre as coleguinhas, a Tetê, filha da d. Neila, minha primeira amiguinha.  Irmã Lízia, a primeira professora.  Na hora do recreio, o pátio, a merenda, a capela. Aos poucos fui descobrindo todos os recantos e encantos daquele colégio imenso.
O dever de casa era feito com prazer e, logo, logo, aprendi, o ABC. Juntando as letrinhas fui aprendendo a ler. Abriu-se, assim, um mundo encantado, o mundo do saber. Não podia imaginar que esse mundo era infinito e que me daria tanto prazer.
O local do colégio mais marcante era o auditório, pois lá, todos os dias, íamos cantar. Uma das primeiras músicas ensinadas foi o hino nacional. Uma freira, Irmã Nazaré Teixeira, tocava no piano e a gente cantava:
Ouviram do Ipiranga às margens plácidas.
De um povo heróico o brado retumbante...
Para mim essa música, tão diferente das de roda, era muito difícil de compreender e quando chegava a estrofe:
Do que a terra mais garrida,
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores...
Eu entendia:
Do que a terra Margarida,
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores ...
Aí, meu coração disparava de emoção por ouvir meu nome assim cantado com tanta melodia, por todas, no hino de meu país.
Outra música que cantávamos com 3 vozes era:
Frère Jacques
Frère Jacques
Dormez-vous?
Dormez-vous?
Sonnez les matines!
Sonnez les matines!
Ding, ding, dong!
Ding, ding, dong!
Mesmo sem nada entender, pois a letra era em francês, a atração foi instantânea pela língua que, ao longo da vida, aprendi a amar e que hoje me dá tanto prazer.

Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg
São Paulo, 2004

sexta-feira, 16 de março de 2012

A CASA DE MEUS PAIS – QUINTA PARTE: as travessuras


Filhos do casal Edgy e Adelina, com primos, primas e amigos, em Baturité.

Lucia, Maninha e Edna com amigas

Filhos da casal Edgy e Adelina com primos e primas, em Baturité.


Na rua 15 de Novembro, em Baturité, na década de 1950, tinha uma casa abandonada  que  para nós era mal-assombrada e nos causava grande pavor. Sempre que por lá passávamos,  metíamos o pé em desembalada carreira com medo das almas do outro mundo. A respiração ficava ofegante e o coração quase saia pela boca até virarmos o beco do cine, quando desacelerávamos aliviadas.  Em compensação existiam outras casas que nos acolhiam como se nossas fossem. As opções eram muitas. Recordo-me bem das seguintes: vovó Noemy, tio Ananias, Tiinhas, dona Noemy e seu Edmundo, Laurenice, dona Neila, Mirian, Ângela Brito, Márcia e Mércia, Helena Elba, Roberto Lucena e muitas outras. As portas não tinham trancas. Por isso, em todas elas brincávamos como na casa de nossos pais.
A Lúcia, além do piano, tocava acordeon. A Maninha imitava, mas quase nada tocava. A Edna era a dançarina que sonhava ser um dia uma grande bailarina. E tanto ela pelejou que na ponta dos pés dançou.
O Raimundo Luiz, o mais levado, arranhou com a agulha da radiola do meu pai, um disco raro. Foi um Deus nos acuda quando o papai chegou. Certa vez, ele fugiu do colégio e fez muitas travessuras. Com aqueles olhos verdes, herdados da minha mãe, seduzia qualquer um e era o queridinho da tia Luizinha, tia Rosinha e tio Ananias.
Lembro-me que em um dia resolvemos quebrar a rotina e fomos até a maternidade, eu a Goretti e o Raimundo Luiz, só para bisbilhotar. Como ninguém nos barrou fomos entrando em todos os lugares. De repente, uma visão de tirar o fôlego: uma mulher parindo. Gravei na retina, para sempre, aquela mulher com as pernas abertas pintadas de mercúrio cromo. Uma freira correu e fechou a porta em nossa cara. Ficamos apavorados e com muito medo. Não sei como, mas a mamãe soube da travessura, pois quando chegamos em casa ganhamos uns bolos nas duas mãos. Também, às vezes, brigávamos e nos agarrávamos pelos cabelos, arranhando-nos com as unhas, mas eram brigas de irmãos que logo, logo se resolviam.
Um dia, eu e a Goretti matamos a curiosidade de ver uma mulher nua, olhando pela brecha da porta do banheiro, uma de nossas empregadas tomando banho. Os seios fartos, o sexo cabeludo, a descoberta, o pecado. Nossa consciência pesou e fomos contar ao padre. Para nós tudo era pecado!  
No quintal tinha um tanque grande, pintinhos, galinhas e os pombinhos da Goretti.  No tanque tomávamos banhos inesquecíveis, num canto do quintal fazíamos o guisado em panelinhas de barro. O portão de lado com uma pesada tranca dava saída para o cine beco. Quando chovia mais forte corríamos pra tomar banho de bica. Que banhos maravilhosos! Os barquinhos de papel descendo pelas coxias atiçavam a nossa imaginação. Tudo era festa, alegria e fantasia!
            À noite, depois do jantar, íamos brincar na calçada.  Nas noites de lua cheia contávamos as estrelas, os carneirinhos de nuvens e espiávamos a estrela d’Alva. Depois, começavam as brincadeiras: quem é que tem o anel? Tínhamos que adivinhar. Além dessa, tinha a do grilo. Cadê o grilo? Está lá atrás. Porém, a melhor de todas era a do general. Cada um de nós recebia uma denominação: generalíssimo, general de divisão, general de brigada, coronel, tenente coronel, major, capitão, tenente, sargento, cabo e rapadura melada.
 Generalíssimo passou em revista as suas tropas e sentiu falta do capitão.
-O capitão não falta, quem falta é o coronel.
-O coronel não falta, quem falta é o major.
-O major não falta, quem falta é o general de brigada.
-O general de brigada não falta, quem falta é o tenente coronel.
E assim a noite passava até a hora de deitar.
Tudo era fantasia na nossa infância. Um tempo feliz que permanecerá para sempre, indelével, em  minha memória.

Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg
São Paulo, 2002.

PS: Os dizeres da brincadeira do generalíssimo foram alterados porque a Lúcia e a Edna lembraram-se das expressões usadas na época.