sábado, 6 de junho de 2026

58. Arte & Medicina - Marat assassiné (A Morte de Marat) — 1794

 58. Marat assassiné (A Morte de Marat) — 1794


Ficha Técnica

Artista: Jacques-Louis David (1748–1825)

Título original: Marat assassiné

Título em português: A morte de Marat

Data: 1794

Técnica: Óleo sobre tela

Dimensões: 162,5 × 130 cm

Movimento/Estilo: Neoclassicismo

Localização atual: Museu do Louvre, Paris, França

Crédito da imagem: Fotografia da autora, acervo pessoal

A ESTÉTICA DO SACRIFÍCIO: Marat entre a história e a pintura


“Para ser útil à pátria, é preciso ousar tudo.”

Jean-Paul Marat

A tela, Marat assassine, mostra o corpo de Marat agonizante em sua banheira, destacando-se contra um fundo marrom-esverdeado. A cabeça, inclinada para o lado, está envolta em um turbante branco. Sua mão direita, pendendo para baixo, segura uma pena. O braço esquerdo repousa sobre uma prancha coberta com um pano verde, e a mão segura uma folha manuscrita com o texto:

«Du 13 juillet 1793. Marie Anne Charlotte Corday au citoyen Marat. Il suffit que je sois bien malheureuse pour avoir droit à votre bienveillance.»

(13 de julho de 1793. Marie Anne Charlotte Corday ao cidadão Marat. Basta que eu seja muito infeliz para ter direito à sua benevolência.)

O corpo está coberto por um lençol branco manchado de sangue. No chão, encontra-se uma faca de cabo branco, também manchada de sangue, de tamanho semelhante ao da pena. À direita, há um bloco de madeira com um tinteiro, uma pena e outra folha manuscrita com o texto:

«Vous donnerez cet assignat à cette mère de cinq enfants, dont le mari est mort pour la défense de la patrie.»

(Você dará este assignat a esta mãe de cinco filhos, cujo marido morreu pela defesa da pátria.)

Na parte inferior do bloco, a obra está assinada:

«À Marat, David. — L’an deux.» (À Marat, David. — Ano II.)

O “Ano II” refere-se ao novo calendário revolucionário instituído durante a Revolução Francesa.

Existem quatro cópias desta obra em museus: o Louvre (Paris), o Museu de Belas Artes de Dijon, o Museu de Belas Artes de Reims e o Palácio de Versalhes. Para David, essa pintura idealizada, que guarda semelhança com a imagem de Cristo morto na Pietà de Michelangelo e no Sepultamento de Cristo de Caravaggio, foi concebida como um monumento ao amigo Marat, apresentado como herói e mártir da Revolução.

Em 13 de julho de 1793, o revolucionário Jean-Paul Marat (1743–1793) foi assassinado. A pedido da Convenção, David pintou uma de suas telas mais famosas e emblemáticas, retratando Marat agonizando na banheira. Ele também cuidou do funeral, precedido de um cortejo fúnebre no dia 16 de julho, na igreja dos Cordeliers.

Marat, apelidado de “amigo do povo” (l’ami du peuple), médico, filósofo, cientista e revolucionário radical, era portador de uma doença de pele, provavelmente dermatite seborreica, que o obrigava a permanecer horas dentro de uma banheira de cobre, tomando banhos curativos de enxofre. Dessa banheira, equipada com uma espécie de escrivaninha, Marat, com a cabeça envolta em um lenço embebido em vinagre para aliviar as enxaquecas, enviava cartas à Convenção. No contexto da Revolução Francesa, ele representava os montanheses (Montagnards), grupo político contrário aos girondinos.

Charlotte Corday (1768–1793), simpatizante dos girondinos, entrou nos aposentos de Marat com o pretexto de entregar-lhe uma lista de supostos traidores da Revolução e cravou-lhe uma faca no peito, assassinando-o enquanto ele estava na banheira. Sem demonstrar arrependimento, Corday foi julgada e guilhotinada quatro dias depois.

Breve biografia de Jacques-Louis David

Jacques-Louis David, pintor francês considerado o líder do movimento neoclássico, nasceu em Paris, em 1748, e morreu em Bruxelas, em 1825, aos 77 anos. Rompeu com o estilo galante e libertino da pintura rococó do século XVIII e reivindicou a herança do classicismo de Nicolas Poussin e dos ideais estéticos gregos e romanos, após uma estada em Roma, de 1774 a 1780.

Em 1784, com sua tela O Juramento dos Horácios, tornou-se famoso. Durante a Revolução Francesa (1789–1799), engajou-se na política, tornou-se membro da Convenção, apoiou Robespierre e organizou vários festivais revolucionários.

Quando Napoleão Bonaparte (1769–1821) chegou ao poder, David tornou-se seu pintor oficial e produziu sua maior composição, Le Sacre de Napoléon Ier (A Coroação de Napoleão). Sob a Restauração, foi exilado por seu passado como revolucionário regicida e artista imperial. Refugiou-se em Bruxelas, onde continuou sua atividade artística até sua morte, em 1825.


61. ARTE & MEDICINA - Bonaparte visitant les pestiférés de Jaffa (Bonaparte visitando os pestíferos de Jaffa) — 1804

 Bonaparte visitant les pestiférés de Jaffa (Bonaparte visitando os pestíferos de Jaffa) — 1804

Ficha Técnica

Artista: Antoine-Jean Gros (1771–1835)

Título original: Bonaparte visitant les pestiférés de Jaffa

Título em português: Bonaparte visitando os pestíferos de Jaffa

Data: 1804

Técnica: Óleo sobre tela

Dimensões: 523 × 715 cm

Movimento/Estilo: Neoclassicismo

Localização atual: Museu do Louvre, Paris, França

Crédito da imagem: Fotografia da autora, acervo pessoal

ENTRE A CURA E O PODER: medicina, propaganda e heroísmo em Bonaparte

“As doenças são o resultado não apenas de causas naturais, mas também das condições sociais.”

 Rudolf Virchow

A cena representa um episódio ocorrido durante a campanha do Egito e da Síria (1798–1801), quando as tropas francesas foram atingidas por um surto de peste bubônica na cidade de Jaffa, atual território de Israel. A pintura retrata Napoleão Bonaparte visitando soldados doentes em um hospital improvisado, instalado em um antigo convento. Ao centro da composição, o general toca com a mão o corpo de um enfermo, gesto carregado de simbolismo, que remete tanto à tradição dos reis taumaturgos, supostamente capazes de curar doenças pelo toque, quanto à construção de sua imagem como líder corajoso e compassivo.

Entretanto, a pintura também pode ser interpretada como instrumento de propaganda. Há registros históricos de que, diante da impossibilidade de tratar adequadamente os infectados e do risco de disseminação da doença, teria sido cogitada a administração de substâncias letais aos soldados mais gravemente enfermos, fato que contrasta com a imagem humanitária construída por Gros. Assim, a obra não apenas documenta um episódio, mas também o ressignifica, transformando-o em um discurso visual de poder e legitimidade.

Do ponto de vista artístico, a composição apresenta forte contraste de luz e sombra, cores intensas e expressividade nas figuras, elementos que distanciam Gros do rigor clássico de seu mestre David. Os corpos dos doentes, expostos em diferentes estágios da enfermidade, evocam uma estética do sofrimento que aproxima a pintura de temas religiosos, como as representações de Cristo entre os enfermos, estabelecendo um paralelo simbólico entre Napoleão e figuras sagradas.

Do ponto de vista médico, a obra revela aspectos importantes sobre a percepção e o manejo das doenças epidêmicas no final do século XVIII. A peste bubônica, causada pela bactéria Yersinia pestis, era associada ao contágio e à morte quase inevitável, gerando medo generalizado. A presença de médicos e auxiliares na cena, alguns cobrindo o rosto ou evitando contato direto com os doentes, contrasta com a atitude de Bonaparte, que se expõe ao risco ao tocar o paciente, reforçando a narrativa heroica.

Inserida no diálogo entre arte e medicina, a obra evidencia como a representação da doença pode servir a múltiplos propósitos: registro histórico, reflexão sobre a condição humana e instrumento de construção política. Em Bonaparte visitando os pestíferos de Jaffa, a enfermidade não é apenas um evento biológico, mas também um elemento narrativo que reforça ideologias e consolida mitos.

Breve biografia de Antoine-Jean Gros (1771–1835)

Antoine-Jean Gros foi um pintor francês nascido em Paris, em 16 de março de 1771, e falecido em 25 de junho de 1835, em Meudon. Discípulo de Jacques-Louis David, Gros iniciou sua formação dentro dos princípios do neoclassicismo, mas sua obra evoluiu para uma linguagem mais dramática e emocional, aproximando-se do romantismo. Durante as guerras napoleônicas, tornou-se o principal pintor das campanhas de Napoleão Bonaparte, acompanhando-o em algumas expedições e registrando visualmente episódios marcantes de sua trajetória. Foi nesse contexto que produziu algumas de suas obras mais conhecidas, nas quais combina a grandiosidade histórica com uma atenção inédita ao sofrimento humano.

Gros foi um dos primeiros artistas a introduzir maior realismo e dramaticidade nas cenas históricas, afastando-se da idealização rígida do neoclassicismo. Sua obra influenciou profundamente pintores românticos como Eugène Delacroix, especialmente na valorização da cor, da emoção e do movimento.

Apesar do reconhecimento em vida, enfrentou dificuldades no final de sua carreira, marcado por conflitos artísticos e pessoais. Sua trajetória encerra-se de forma trágica, mas sua obra permanece como elo fundamental entre o neoclassicismo e o romantismo, além de constituir um marco na representação artística da doença, do sofrimento e do corpo em situações extremas.


62. ARTE & MEDICINA- Le Radeau de la Méduse (A Balsa da Medusa) — 1819

 A BALSA DA MEDUSA 


Ficha Técnica

Artista: Théodore Géricault (1791–1824)

Título original: Le Radeau de la Méduse

Título em português: A balsa da Medusa

Data: 1819

Técnica: Óleo sobre tela

Dimensões: 491 × 716 cm

Movimento/Estilo: Romantismo

Localização atual: Museu do Louvre, Paris, França

Crédito da imagem: Fotografia da autora, acervo pessoal

ENTRE O DESESPERO E A SOBREVIVENCIA: corpo, doença e desigualdade em A BALSA DA MEDUSA

“O homem é, ao mesmo tempo, o mais resistente e o mais vulnerável dos seres.”

Michel Foucault

O quadro Le Radeau de la Méduse (A Balsa da Medusa) retrata o trágico naufrágio da fragata francesa Méduse, ocorrido em 2 de julho de 1816, quando a embarcação encalhou em um banco de areia a cerca de 60 km da costa da atual Mauritânia. A bordo estavam aproximadamente 400 pessoas, e, diante da escassez de botes salva-vidas, foi improvisada uma jangada destinada a 147 indivíduos, em sua maioria pertencentes às camadas hierárquicas inferiores.

Durante treze dias, esses sobreviventes permaneceram à deriva em condições extremas, enfrentando fome, desidratação, delírio e episódios de canibalismo. Ao final, apenas quinze foram resgatados, em 17 de julho de 1816, pelo navio L’Argus, sendo que alguns ainda morreram pouco depois de chegarem a Saint-Louis, no Senegal. O episódio causou grande escândalo na França, sobretudo pela responsabilidade atribuída ao capitão, cuja nomeação estava ligada à monarquia recentemente restaurada. A tragédia expôs não apenas falhas técnicas, mas também profundas desigualdades sociais e políticas.

Sensibilizado pelo acontecimento, Théodore Géricault realizou uma investigação minuciosa: entrevistou sobreviventes, estudou cadáveres e produziu inúmeros esboços preparatórios. O resultado foi uma composição monumental que captura o instante em que os náufragos avistam, ao longe, o navio L’Argus, fazendo emergir uma tênue esperança em meio ao desespero. Sob a perspectiva da medicina, a obra é particularmente significativa. Ela evidencia os limites do corpo humano diante de condições extremas, revelando estados de exaustão, desnutrição, sofrimento psíquico e colapso fisiológico. Ao mesmo tempo, antecipa reflexões modernas sobre trauma, sobrevivência e vulnerabilidade humana.

A força expressiva da pintura transcende o episódio histórico e convida à reflexão sobre a condição humana. Pode-se estabelecer uma analogia com a própria trajetória da humanidade: enquanto alguns atravessam a existência em condições privilegiadas, outros enfrentam privações que comprometem sua saúde, dignidade e sobrevivência. Nesse sentido, A Balsa da Medusa permanece como uma poderosa metáfora das desigualdades e da fragilidade da vida.

Breve biografia de Théodore Géricault (1791–1824)

Théodore Géricault nasceu em Rouen, França, em 26 de setembro de 1791, e morreu precocemente em Paris, em 26 de janeiro de 1824, aos 32 anos. Foi um dos principais precursores do romantismo francês, rompendo com o rigor idealizado do neoclassicismo e introduzindo na pintura uma intensidade emocional inédita.

Formado no ateliê de Pierre-Narcisse Guérin, Géricault também foi influenciado pela obra de Jacques-Louis David, embora tenha rapidamente desenvolvido uma linguagem própria, marcada pelo dinamismo, pelo realismo cru e pelo interesse pelos extremos da condição humana. Para realizar sua obra mais célebre, Le Radeau de la Méduse (1819), o artista conduziu uma pesquisa quase científica: entrevistou sobreviventes, construiu maquetes da embarcação e estudou cadáveres em hospitais e necrotérios, buscando representar com precisão o sofrimento, a decomposição e a luta pela sobrevivência.

Géricault também se dedicou a estudos sobre a doença mental, produzindo uma série de retratos de pacientes psiquiátricos, conhecidos como “monomaníacos”, nos quais captou, com notável sensibilidade, as expressões da alienação e do sofrimento psíquico. Sua obra, breve, porém intensa, influenciou profundamente artistas como Eugène Delacroix e marcou uma virada decisiva na arte ocidental: a passagem para uma pintura comprometida com a realidade, a emoção e a vulnerabilidade humana. Em Géricault, o corpo deixa de ser ideal e torna-se testemunho da dor, da morte e da resistência.


sexta-feira, 5 de junho de 2026

11. Arte & Medicina - Imhotep

 



Ficha Técnica

Autor: desconhecido

Título original: Imhotep assis tenant un rouleau de papyrus

Título em português: Imhotep sentado segurando um rolo de papiro

Data: Período Tardio do Egito Antigo (664–332 a.C.)

Tipologia: Estatueta votiva

Material: Liga de cobre

Técnica: Escultura em metal fundido, com detalhes gravados/incisos em relevo

Inscrições: Escrita hieroglífica

Dimensões: 12,5 × 3,7 × 5,8 cm (altura × largura × profundidade)

Representação: Imhotep sentado, segurando um rolo de papiro sobre os joelhos

Localização atual: Museu do Louvre, Paris — Departamento de Antiguidades Egípcias, sala 336.

Crédito da imagem: Fotografia da autora,  acervo pessoal. 

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IMHOTEP: O Sábio entre a Arte e a Cura

“O primeiro médico cujo nome a história preservou foi Imhotep.”

 William Osler

Imhotep apresenta a cabeça raspada e veste um saiote egípcio (pagne). Está sentado em um bloco cúbico, segurando sobre o colo um rolo de papiro aberto, atributo associado aos escribas e ao saber. No papiro tem uma dedicatória votiva:

“Que a água do cálice de cada escriba seja oferecida em libação ao teu ka, Imhotep.”

No encontro entre arte, ciência e espiritualidade emerge a figura enigmática de Imhotep, um dos nomes mais notáveis do Egito Antigo. Viveu por volta de 2650 a.C., e tornou-se uma lenda que atravessou milênios. Imhotep foi arquiteto, sacerdote, escriba, astrônomo e, sobretudo, é considerado o primeiro médico conhecido da história. Além disso, Imhotep foi um alto funcionário do reinado do faraó Djoser (III Dinastia, c. 2650 a.C.). Tradicionalmente identificado como arquiteto da Pirâmide Escalonada de Saqqara. Séculos após sua morte, foi divinizado como patrono da medicina e da sabedoria no Egito. Muitos historiadores da medicina o consideram o primeiro médico cujo nome foi preservado pela história, sendo citado nesse sentido por William Osler em seus estudos sobre a evolução da medicina.

Entre as representações que sobreviveram ao tempo, destaca-se a pequena estatueta de Imhotep hoje preservada no Museu do Louvre. Sentado em postura serena, ele sustenta um papiro aberto sobre o colo, símbolo do saber, do estudo e da transmissão do conhecimento. A simplicidade da escultura contrasta com a profundidade de seu significado: o homem que transformou o conhecimento em cura e o raciocínio em arte. Seu semblante calmo e introspectivo sugere a união entre a sabedoria sacerdotal e a racionalidade médica, dimensões inseparáveis na concepção egípcia de saúde.

Imhotep acreditava que corpo, espírito e cosmos estavam interligados — uma visão que ecoa, ainda hoje, em concepções holísticas da medicina. Seu nome, frequentemente interpretado como “Aquele que vem em paz”, tornou-se símbolo de equilíbrio e harmonia. Séculos após sua morte, foi divinizado como deus da medicina e da sabedoria, sendo venerado em templos onde os enfermos buscavam cura por meio de sonhos e rituais, muito antes do nascimento de Hipócrates na Grécia.

A presença de Imhotep no Louvre não representa apenas um testemunho arqueológico: constitui um elo simbólico entre arte e medicina, entre o gesto do escultor e a prática do curador. Sua imagem, silenciosa e contemplativa, continua a inspirar gerações de artistas e médicos, recordando que curar é, em essência, também uma forma de arte.


quinta-feira, 4 de junho de 2026

Arte & Medicina - Sumário

 ARTE & MEDICINA

Anatomia da dor e da beleza ao longo dos séculos

PARTE I — O NASCIMENTO DO CORPO NA ARTE

Pré-história (até 4000 a.C.)

Capítulo 1 — O corpo primordial: entre o sagrado e o instinto

1. Venus von Willendorf (Vênus de Willendorf) — c. 28.000–25.000 a.C.

Autor: desconhecido

2. Scène du Puits, Grotte de Lascaux (Cena do Poço da Gruta de Lascaux) — c. 17.000 a.C.

Autor: desconhecido

3. Le Chamane dansant, Grotte des Trois-Frères (O Xamã Dançante) — c. 13.000 a.C.

Autor: desconhecido

4. O Beijo (Serra da Capivara) (O Beijo) — c. 12.000–6.000 a.C.

Autor: desconhecido

5. Cueva de las Manos (Caverna das Mãos) — c. 9.000 a.C.

Autor: desconhecido

6. Seated Woman of Çatalhöyük (Mulher Sentada de Çatalhöyük) — c. 6.000 a.C.

Autor: desconhecido

PARTE II — ENTRE DEUSES E HOMENS

Antiguidade (4000 a.C. – 476 d.C.)

Capítulo 2 — Medicina, religião e eternidade

7. Code de Hammurabi (Código de Hamurabi) — c. 1750 a.C.

Autor: desconhecido

8. Vase avec le symbole de l’œil d’Horus (Vaso com o símbolo do Olho de Hórus) — c. 1425–1353 a.C.

Autor: desconhecido

9. Papyrus of Hunefer (Papiro de Hunefer) — c. 1275 a.C.

Autor: desconhecido

10. Quatre vases canopes d’Horemsaf (Quatro vasos canopos de Horemsaf) — c. 664–332 a.C.

Autor: desconhecido

11. Imhotep (assis, tenant un rouleau de papyrus) (Imhotep sentado com papiro) — c. 664–332 a.C.

Autor: desconhecido

12. Cratère des Niobides (Cratera dos Nióbidas) — c. 460–450 a.C.

Autor: Pintor dos Nióbidas

13. Asclépios (Esculápio) — c. 350 a.C.

Autor: desconhecido

14. Hermaphrodite endormi (Hermafrodito adormecido) — séc. II d.C.

Autor: desconhecido

15. Moche Valley Ceramics (Cerâmicas do Vale do Moche) — c. 100–800 d.C.

Autor: desconhecido

PARTE III — O CORPO SAGRADO

Idade Média

Capítulo 3 — Entre a salvação e o sofrimento

16. Schöpfung und der Kosmische Mensch (Criação com o Homem Cósmico) — c. 1165–1170

Autora: Hildegard von Bingen (1098–1179)

17. Pietà de Villeneuve-lès-Avignon (Pietá de Villeneuve-lès-Avignon) — c. 1455

Autor: Enguerrand Quarton (c. 1415–1466)

18. Vierge allaitant l’Enfant Jésus entourée d’anges (Virgem amamentando o Menino Jesus cercada por anjos) — c. 1480–1500

Autor: atribuído ao Maître de la Madone au lait

19. La Circoncision de l’Enfant Jésus (A Circuncisão do Menino Jesus) — c. 1480–1520

Autor: Maître de Saint-Séverin

20. La Dame à la Licorne (A Dama e o Unicórnio) — c. 1484

Autor: desconhecido

PARTE IV — O CORPO REVELADO

Idade Moderna

Capítulo 4 — O nascimento do olhar anatômico

21. Ritratto di un vecchio con il nipote (Retrato de um velho com seu neto) — c. 1490

Autor: Domenico Ghirlandaio (1448–1494)

22. Uomo Vitruviano (Homem Vitruviano) — c. 1490

Autor: Leonardo da Vinci (1452–1519)

23. Studi anatomici sul coito (Estudos anatômicos do coito) — c. 1492–1493

Autor: Leonardo da Vinci (1452–1519)

24. Ritratto di Tommaso Inghirami (Retrato de Tommaso Inghirami) — 1509

Autor: Rafael Sanzio (1483–1520)

25. Studi del feto nel grembo (Estudos do feto no útero) — c. 1510–1513

Autor: Leonardo da Vinci (1452–1519)

26. Schiavo morente (Escravo moribundo) — c. 1513–1516

Autor: Michelangelo (1475–1564)

27. La Trasfigurazione (A Transfiguração) — 1516–1520

Autor: Rafael Sanzio (1483–1520)

28. De humani corporis fabrica libri septem (Sobre a estrutura do corpo humano) — 1543

Autor: Andreas Vesalius (1514–1564)

29. De Triomf van de Dood (O Triunfo da Morte) — c. 1562

Autor: Pieter Bruegel, o Velho (c. 1525–1569)

30. Le Flûtiste borgne (Retrato de um flautista caolho) — 1566

Autor: atribuído a Marc Duval (c. 1530–1581)

PARTE IV — O CORPO REVELADO (continuação)

Capítulo 5 — O corpo investigado: ciência e representação

31. De Kreupelen (Os Mendigos) — 1568

Autor: Pieter Bruegel, o Velho (c. 1525–1569)

32. Bacchino malato (Baco Doente) — c. 1593–1594

Autor: Caravaggio (1571–1610)

33. Ritratto di Antonietta Gonzales (Retrato de Antonietta Gonzales) — c. 1595

Autora: Lavinia Fontana (1552–1614)

34. Narciso (Narciso) — c. 1597–1599

Autor: Caravaggio (1571–1610)

35. Incredulità di San Tommaso (A Incredulidade de São Tomé) — c. 1601–1602

Autor: Caravaggio (1571–1610)

36. La morte della Vergine (A Morte da Virgem) — 1606

Autor: Caravaggio (1571–1610)

37. Giuditta che decapita Oloferne (Judite decapitando Holofernes) — c. 1612–1613

Autora: Artemisia Gentileschi (1593–1653)

38. De Mirakelen van Sint-Ignatius van Loyola (Os Milagres de Santo Inácio) — c. 1617–1618

Autor: Peter Paul Rubens (1577–1640)

PARTE V — O OLHAR MÉDICO

Capítulo 6 — O corpo ferido: dor, milagre e realidade

39. Sileno ebrio (Sileno Bêbado) — c. 1626

Autor: Jusepe de Ribera (1591–1652)

40. Les Fumeurs (Os Fumantes) — 1626

Autor: Simon de Vos (1603–1676)

41. La peste d’Asdod (A Peste de Asdode) — 1630–1631

Autor: Nicolas Poussin (1594–1665)

42. De Tandentrekker (O Extrator de Dentes) — c. 1630–1635

      Autor: Gerard Dou (1613–1675

43. Saint Jérome penitent (São Jerônimo penitente) – c.1630 Autor: Georges de La Tour (1593- 1652)

44. La mujer barbuda (A Mulher Barbada) — 1631

Autor: Jusepe de Ribera (1591–1652)

45. El príncipe Baltasar Carlos con un enano (Príncipe Baltasar Carlos com um anão) — c. 1631

Autor: Diego Velázquez (1599–1660)

46. De anatomische les van Dr. Nicolaes Tulp (A Lição de Anatomia do Dr. Tulp) — 1632

Autor: Rembrandt (1606–1669)

Capítulo 7 — O corpo em cena: poder, diferença e representação

47. El pie varo (O Pé Torto) — 1642

Autor: Jusepe de Ribera (1591–1652)

48. La Madeleine à la veilleuse (Madalena com a Candeia) – c. 1642-1644 Autor: Georges de La Tour (1593- 1652) tulo: Madeleine à la

49. La tabagie (A Tabacaria) — 1643

Autores: Louis Le Nain (c. 1593–1648) e Antoine Le Nain (c. 1600–1648)

50. Le Christ guérissant l’aveugle (Cristo curando o cego) — c. 1650

Autor: Nicolas Poussin (1594–1665)

51. L’Estasi di Santa Teresa (O Êxtase de Santa Teresa) — 1647–1652

Autor: Gian Lorenzo Bernini (1598–1680)

52. Las Meninas (As Meninas) — 1656

Autor: Diego Velázquez (1599–1660)

53. De anatomische les van Dr. Deijman (A Lição de Anatomia do Dr. Deijman) — 1656

Autor: Rembrandt (1606–1669)

54. De dokter die de urine onderzoekt (O Médico examinando a urina) — 1663

Autor: Gerard Dou (1613–1675)

55. La Visite du Médecin (A Visita do Médico) — 1665

Autor: Quirijn van Brekelenkam (1622–1668)

56. La Monstrua (A Monstrua) — c. 1680

Autor: Juan Carreño de Miranda (1614–1685)

57. El Garrotillo (O Garrotillo) — c. 1780

Autor: Francisco de Goya (1746–1828)

PARTE VI — MEDICINA, EMOÇÃO E REPRESENTAÇÃO

Capítulo 8 — Entre a dor e a grandeza

58. La Mort de Marat (A Morte de Marat) — 1794

Autor: Jacques-Louis David (1748–1825)

59. Chinese doctor taking the pulse (Médico examinando o pulso) — séc. XVIII–XIX

Autor: desconhecido

60. Ayurvedic physician treating a patient (Médico ayurvédico tratando paciente) — séc. XVIII–XIX

Autor: desconhecido

61. Bonaparte visitant les pestiférés de Jaffa (Bonaparte visitando os pestíferos de Jaffa) — 1804

Autor: Antoine-Jean Gros (1771–1835)

62. Le Radeau de la Méduse (A Balsa da Medusa) — 1819

Autor: Théodore Géricault (1791–1824)

63. La folle monomane de jeu (A Louca do Jogo) — 1819–1822

Autor: Théodore Géricault (1791–1824)

64. Étude d’homme nu, dit Le Polonais (Estudo do Homem Nu — O Polonês) — 1821–1822

Autor: Eugène Delacroix (1798–1863)

Capítulo 9 — O teatro da ciência

65. La Mort de Géricault (A Morte de Géricault) — 1824

Autor: Ary Scheffer (1795–1858)

66. Portrait de Frédéric Chopin (Retrato de Chopin) — 1838

Autor: Eugène Delacroix (1798–1863)

67. Sōma no furudairi (Takiyasha e o espectro do esqueleto) — 1844–1847

Autor: Utagawa Kuniyoshi (1798–1861)

68. Le Bain turc (O Banho Turco) — 1862

Autor: Jean-Auguste-Dominique Ingres (1780–1867)

69. L’Origine du monde (A Origem do Mundo) — 1866

Autor: Gustave Courbet (1819–1877)

70. The Gross Clinic (A Clínica do Dr. Gross) — 1875

Autor: Thomas Eakins (1844–1916)

71. Philippe Pinel délivrant les aliénés (Pinel libertando os alienados) — 1876

Autor: Tony Robert-Fleury (1837–1911)

72. Edward Jenner performing vaccination (Dr. Jenner e a vacinação) — 1879

Autor: Gaston Mélingue (1839–1914)

Capítulo 10 — A experiência do sofrimento: intimidade e vulnerabilidade

73. Den syke piken (A Menina Doente) — 1881

Autor: Christian Krohg (1852–1925)

74. First operation under ether (Primeira cirurgia sob éter) — 1882

Autor: Robert Hinckley (1853–1941)

75. Kop van een skelet met brandende sigaret (Caveira com cigarro aceso) — 1885–1886

Autor: Vincent van Gogh (1853–1890)

76. Det syke barn (A Criança Doente) — 1885–1886

Autor: Edvard Munch (1863–1944)

77. La miseria (A Miséria) — 1886

Autor: Cristóbal Rojas (1857–1890)

78. Une leçon clinique à la Salpêtrière (Uma lição clínica na Salpêtrière) — 1887

Autor: André Brouillet (1857–1914)

79. La primera y última comunión (A Primeira e Última Comunhão) — 1888

Autor: Cristóbal Rojas (1857–1890)

80. The Agnew Clinic (A Clínica do Dr. Agnew) — 1889

Autor: Thomas Eakins (1844–1916)

PARTE VII — O CORPO COLETIVO: MEDICINA, SOCIEDADE E EXISTÊNCIA

Capítulo 11 — A medicina que organiza a sociedade

81. Autoportrait à l’oreille bandée (Autorretrato com a orelha enfaixada) — 1889

Autor: Vincent van Gogh (1853–1890)

82. Portrait du Dr. Gachet (Retrato do Dr. Gachet) — 1890

Autor: Vincent van Gogh (1853–1890)

83. La goutte de lait (Gota de Leite) — 1890

Autor: Jean Geoffroy (1853–1924)

84. The Doctor (O Doutor) — 1891

Autor: Samuel Luke Fildes (1843–1927)

85. L’Ambulance de la Comédie-Française (A Ambulância da Comédie-Française) — 1891

Autor: André Brouillet (1857–1914)

86. Transfusion de sang de chèvre (Transfusão de sangue de cabra) — 1892

Autor: Jules Adler (1865–1952)

87. Skrik (O Grito) — 1893

Autor: Edvard Munch (1863–1944)

88. The Sick Child (A Criança Doente) - 1893

Autor: John Bond Francisco (1863-1931)

89. Ciencia y Caridad (Ciência e Caridade) — 1897

Autor: Pablo Picasso (1881–1973)

90. La Celestina (A Celestina) — 1904

Autor: Pablo Picasso (1881–1973)

Capítulo 12 — O corpo que sofre: identidade, dor e existência

91. Hygieia (Hígia) — c. 1907

Autor: Gustav Klimt (1862–1918)

92. Der Kuss (O Beijo) — c. 1907

Autor: Gustav Klimt (1862–1918)

93. Os Bêbados ou Festejando o São Martinho (Os Bêbados) -1907 Autor: José Malhoa (1855-1933)

94. A Boba (A Boba) — c. 1915

Autora: Anita Malfatti (1889–1964)

95. Tuberculosis (Tuberculose)–1934 Autor: Fidélio Ponce de León (1895-1949)

96. Las dos Fridas (As Duas Fridas) — 1939

Autora: Frida Kahlo (1907–1954)

97. La columna rota (A Coluna Partida) - 1944

Autora: Frida Kahlo (1907–1954)

98. Retirantes (Os Retirantes) — 1944

Autor: Candido Portinari (1903–1962)

99. Criança morta (Criança Morta) — 1944

Autor: Candido Portinari (1903–1962)

100. La Cortisone (A Cortisona) — 1951

Autor: Raoul Dufy (1877–1953)


segunda-feira, 25 de maio de 2026

Arte & Medicina - Os fumadores - 1626

 40. Portraits de trois artistes en buveurs et fumeur (Simon de Vos, Jan Cossiers, Johann Geerlof). Autre titre : Les Fumeurs (Retratos de três artistas que bebiam e fumavam (Simon de Vos, Jan Cossiers, Johann Geerlof). Outro título: Os Fumantes) — 1626



Ficha Técnica

Artista: Simon de Vos (1603–1676)
Título original: Portraits de trois artistes en buveurs et fumeurs (Simon de Vos, Jan Cossiers, Johann Geerlof)
Título em português: Retratos de três artistas como bebedores e fumantes
Outro título: Les Fumeurs (Os Fumantes)
Data: 1626
Técnica: Óleo sobre tela
Dimensões: 63 × 93 cm
Localização atual: Musée du Louvre, Paris, França
Crédito da imagem:
Fotografia da autora, acervo pessoal

 

O COTIDIANO EM CENA: Entre o Vinho e a Fumaça

 

“A amizade, como a arte, ilumina até os detalhes mais sombrios da vida.”

Autor desconhecido

Esta tela, um retrato triplo de 1626, mostra Simon de Vos entre dois amigos artistas, Jan Cossiers (1600–1671) e Johan Geerlof, em Aix-en-Provence-França, onde residiam diversos artistas dos Países Baixos.

A obra utiliza a técnica do chiaroscuro, inspirada no Caravagismo de Utreque (artistas barrocos influenciados por Caravaggio). O quadro retrata os três jovens fumando cachimbo e bebendo, em uma composição intimista. As figuras apresentam traços característicos das primeiras pinturas de Simon de Vos: rostos robustos, olhos levemente afastados. Uma inscrição intrigante do pintor diz: “Fecit Simon Cossiers Geerlof Anno 1626”. A frase pode ser interpretada como um trocadilho ou como uma homenagem aos dois amigos artistas.

A paleta utilizada combina tons escuros com detalhes de renda branca, criando contraste e luminosidade. Os rostos, iluminados a partir do lado esquerdo da tela, se destacam sobre um fundo neutro. A posição das cabeças, três quartos, fullface e perfil, transmite diferentes facetas de uma única amizade, conferindo à obra profundidade psicológica e equilíbrio formal.

Embora a pintura não trate de questões médicas diretamente, ela documenta o consumo de álcool e tabaco no século XVII. Esses hábitos, comuns entre artistas e elites urbanas, eram vistos como sociabilidade e lazer. Hoje, sabemos que o álcool e o tabaco têm efeitos adversos à saúde, incluindo doenças cardiovasculares, respiratórias e transtornos por uso de substâncias. A obra funciona, assim, como um registro histórico das práticas cotidianas antes da medicalização moderna do comportamento humano.

Biografia resumida Simon de Vos (1603-1676)

Simon de Vos nasceu em 1603, em Antuérpia-Bélgica, e faleceu em 1676, aos 72 anos, na mesma cidade. Durante sua carreira, fez uma estadia em Roma, onde entrou em contato com as tendências barrocas italianas. Até 1640, seu estilo se assemelhava ao de seus contemporâneos Dirck Hals e Pieter Codde.

Após 1640, sob a influência de Peter Paul Rubens e Antoine van Dyck, passou a dedicar-se a obras históricas e religiosas de grandes dimensões. Entre suas realizações destacam-se: Série de doze pinturas sobre a Criação, descrita no Gênesis (1635–1644), parcialmente na Catedral de Sevilha; A Adoração dos Magos (1643); O Martírio de São Pedro (1648). Em 1626, Simon de Vos casou-se com a irmã do pintor Adriaen van Utrecht, estabelecendo-se em seu estúdio em Antuérpia, onde passou a maior parte de sua vida.

 


segunda-feira, 11 de maio de 2026

ARTE & MEDICINA - 96. As Duas Fridas — 1939

 

96. Las dos Fridas (As Duas Fridas) — 1939


Descrição Técnica

Autora: Frida Kahlo (1907-1954)

Título: Las dos Fridas (As Duas Fridas)

Ano: 1939

Técnica: óleo sobre tela

Dimensões: 173 x 173,5 cm

Localização atual : Museu de Arte Moderna do México, Cidade do México

Crédito da Imagem: Domínio público

 

AS DUAS FRIDAS: dor, identidade e anatomia emocional

“Pinto a mim mesma porque sou sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor.”
Frida Kahlo
   

Na tela “As duas Fridas”, em primeiro plano, vemos duas mulheres sentadas, sobre um banco verde, de mãos dadas. São duas representações da própria Frida Kahlo.  A da direita está vestida com saia longa e blusa de mangas curtas, de cores fortes, como as roupas das índias mexicanas Tehuanas, segurando um talismã com um retrato de Diego criança; a figura da esquerda está vestida como uma europeia: saia longa branca, bordada com flores vermelhas, e uma blusa branca de renda, com gola alta e mangas bufantes.

Os corações das duas estão expostos e ligados por veias braquiocefálicas. O da Frida mexicana está intacto e o da europeia está aberto, dilacerado, com as estruturas internas (válvulas, músculos papilares e cordas tendíneas) visíveis.  A veia subclávia direita da Frida europeia está partida, gotejando e presa por uma pinça cirúrgica que ela controla para estancar, ou não, a hemorragia. Os detalhes das mãos e dos corações, mostram que a Frida mexicana apoia e mantém viva a Frida europeia. Ao fundo, um céu tempestuoso e carregado de nuvens reforça a atmosfera de sofrimento emocional e instabilidade psicológica que permeia a obra. A pintura foi realizada em 1939, período em que Frida enfrentava a dolorosa separação de Diego Rivera, fato que influenciou profundamente o conteúdo simbólico da tela.

Em 1950, onze anos após pintar a obra, Frida registrou em seu diário uma lembrança da infância relacionada à dualidade presente na pintura:

“ORIGEM DAS DUAS FRIDAS = Lembranças. Eu devia ter 6 anos quando vivi intensamente a amizade imaginária com uma menina mais ou menos da mesma idade. Não me lembro de sua imagem e nem de sua cor. Mas sei que era alegre. Ela ria muito. Sem sons. Era ágil e dançava como se não tivesse peso algum. Eu a seguia em todos os seus movimentos e enquanto ela dançava eu lhe contava meus problemas secretos. Quais? Não me lembro. Mas ela sabia pela minha voz todas as minhas coisas (…)”

A dualidade do quadro “As duas Fridas” nos remete, também, à Frida e a sua amiga imaginária de infância, que dançava alegremente, enquanto ela sofria com as sequelas da poliomielite, que havia sido acometida.

Em 1947, Instituto Nacional de Belas Artes da Cidade do México adquiriu “As duas Fridas” por 4.000 pesos. Uma reprodução  deste quadro está no Museu Frida-Kahlo (Casa Azul), em Coyoacán, no México, maravilhando os visitantes.

 

Breve Biografia de Frida Kahlo (1907–1954)

Magdalena Carmen Frida Kahlo Calderón nasceu em Coyoacán, no México, em 6 de julho de 1907. Filha do fotógrafo alemão naturalizado mexicano Guillermo Kahlo e de Matilde Calderón y González, de ascendência indígena e espanhola, Frida tornou-se uma das artistas mais importantes da história da arte latino-americana.

Aos seis anos de idade, contraiu Poliomielite, enfermidade que deixou sequelas permanentes em sua perna direita, levando-a a usar saias longas durante toda a vida. Posteriormente, enfrentou inúmeros problemas de saúde e foi submetida a mais de trinta cirurgias. Em 1925, aos dezoito anos, sofreu um grave acidente quando o ônibus em que viajava colidiu com um bonde. O impacto provocou múltiplas fraturas na coluna vertebral, na pelve e na perna direita, além de ferimentos internos severos causados por uma barra de ferro que atravessou seu corpo. Durante o longo período de recuperação, começou a pintar autorretratos, transformando a dor física e emocional em expressão artística. Em 1928, ingressou no Partido Comunista Mexicano, ocasião em que conheceu Diego Rivera, com quem se casou no ano seguinte. O relacionamento foi intenso e conturbado, marcado por separações, reconciliações e infidelidades. O divórcio ocorreu em 1939, seguido de um novo casamento em 1940.

A produção artística de Frida Kahlo é profundamente autobiográfica e marcada pela representação do corpo ferido, da dor, da maternidade frustrada e da identidade feminina. Em suas pinturas, anatomia, sofrimento e emoção fundem-se em imagens simbólicas que aproximam arte e medicina. Frida Kahlo faleceu em 13 de julho de 1954, em Coyoacán, aos 47 anos, vítima de embolia pulmonar. Sua obra permanece como um dos maiores testemunhos visuais da relação entre sofrimento físico, identidade e criação artística.

Referências

Frida Kahlo. Diário de Frida Kahlo: Um íntimo autorretrato. Rio de Janeiro: José Olympio, 1995.

Herrera, Hayden. Frida: A Biografia de Frida Kahlo. São Paulo: Globo Livros, 2011.

Tibol, Raquel. Frida Kahlo: Uma Vida Aberta. São Paulo: Paz e Terra, 1999.

As duas Fridas. 1939. Óleo sobre tela. Acervo do Museo de Arte Moderno.

Jamis, Rauda. Frida Kahlo. São Paulo: Martins Fontes, 1990.

ARTE & MEDICINA - 97. A Coluna Partida - Frida Kahlo

 

97.  La columna rota (A Coluna Partida) - 1944

Descrição Técnica

Artista: Frida Kahlo (1907-1954)

Título: La columna rota (A Coluna Partida)

Ano: 1944

Técnica: óleo sobre masonita

Dimensões: 39,8 x 30,7 cm

Localização: Museo Dolores Olmedo Xochimilco, Cidade do México, México

Crédito da Imagem: Domínio público

A COLUNA PARTIDA: dor crônica, corpo fragmentado e resistência

“Pés, para que os quero, se tenho asas para voar?”
Frida Kahlo

Na tela La columna rota, a dor física e emocional constitui o tema central da composição. Em primeiro plano, Frida Kahlo aparece em pé, com o tronco nu envolto por um espartilho metálico que sustenta uma coluna jônica fraturada no lugar de sua coluna vertebral. A imagem transforma o corpo da artista em metáfora visual do sofrimento e da fragilidade humana.

Frida segura um tecido branco que cobre parcialmente a parte inferior de seu corpo, conferindo delicada sensualidade à figura, apesar da evidente condição de sofrimento. Seu rosto, banhado por lágrimas, mantém expressão firme e olhar intenso, revelando postura estoica diante da dor crônica que marcou sua existência. Inúmeros pregos espalhados pelo corpo simbolizam as dores lancinantes e constantes que a artista suportava diariamente. Ao fundo, uma paisagem árida e rachada prolonga visualmente a ideia de ruptura e devastação física. O horizonte desolado e o mar distante reforçam a sensação de isolamento, solidão e vulnerabilidade emocional vivida por Frida Kahlo.

A pintura foi realizada em 1944, após uma delicada cirurgia na coluna vertebral. Durante o difícil pós-operatório, Frida permaneceu longos períodos acamada e obrigada a utilizar coletes ortopédicos metálicos para sustentar o corpo e aliviar parcialmente as dores. Nesse contexto, a obra converte-se em poderoso testemunho autobiográfico da experiência da dor crônica.

O médico geriatra Desmond O'Neill publicou, em 7 de maio de 2011, no British Medical Journal, um estudo destacando a importância da obra de Frida Kahlo para a compreensão da dor em pacientes. Segundo O’Neill, a artista possui extraordinária capacidade de representar visualmente o sofrimento físico e emocional, tornando-se símbolo de identificação para pessoas acometidas por dores crônicas.

Diversos estudiosos também estabelecem paralelos entre La columna rota e o martírio de São Sebastião, frequentemente representado transpassado por flechas. Assim como o santo, Frida converte o sofrimento corporal em expressão simbólica de resistência, transcendência e sobrevivência. No contexto da arte e medicina, a obra representa um dos mais impactantes registros visuais da experiência subjetiva da dor, evidenciando como a arte pode traduzir aspectos emocionais e existenciais frequentemente inacessíveis aos discursos médicos tradicionais.

Breve Biografia de Frida Kahlo (1907–1954)

Magdalena Carmen Frida Kahlo Calderón nasceu em Coyoacán, México, em 6 de julho de 1907, e faleceu na mesma cidade, em 13 de julho de 1954, aos 47 anos, vítima de embolia pulmonar. Filha do fotógrafo Guillermo Kahlo e de Matilde Calderón y González, Frida tornou-se uma das artistas mais importantes da arte latino-americana do século XX. Aos seis anos de idade, contraiu Poliomielite, enfermidade que deixou sequelas permanentes em sua perna direita. Além das limitações físicas decorrentes da doença, enfrentou diversos problemas de saúde ao longo da vida.

Em 1925, aos dezoito anos, sofreu um grave acidente de trânsito quando o ônibus em que viajava colidiu com um bonde. O impacto provocou múltiplas fraturas na coluna vertebral, na pelve e na perna direita, além de severas lesões internas causadas por uma barra metálica que atravessou seu corpo. Em decorrência dessas lesões, foi submetida a mais de trinta cirurgias. Em 1929, casou-se com o muralista Diego Rivera. O relacionamento intenso e conturbado foi marcado por separações, reconciliações e um divórcio em 1939, seguido de novo casamento no ano seguinte.

Grande parte da produção artística de Frida Kahlo é autobiográfica e centrada no corpo ferido, na dor, na identidade feminina e na experiência emocional do sofrimento. Em 1944, após mais uma cirurgia na coluna e durante um doloroso período de recuperação, pintou La columna rota, transformando sua experiência física em uma das imagens mais emblemáticas da relação entre arte e medicina.

Referências

Frida Kahlo. Diário de Frida Kahlo: Um íntimo autorretrato. Rio de Janeiro: José Olympio, 1995.

Herrera, Hayden. Frida: A Biografia de Frida Kahlo. São Paulo: Globo Livros, 2011.

Tibol, Raquel. Frida Kahlo: Uma Vida Aberta. São Paulo: Paz e Terra, 1999.

Desmond O'Neill. “Frida Kahlo’s Art as a Representation of Pain”. British Medical Journal, 2011.

La columna rota. 1944. Óleo sobre masonita. Acervo do Museo Dolores Olmedo.

Sontag, Susan. A Doença como Metáfora. Rio de Janeiro: Graal, 1984. 

ARTE & MEDICINA 98. Retirantes (Retirantes)

 

98.  Retirantes (Retirantes) — 1944


Ficha Técnica

Autor: Cândido Portinari (1903-1962)

Título: Retirantes (Os Retirantes)

Ano:1944

Técnica: óleo sobre tela

Dimensões:190 x 180 cm

Localização atual:  Museu de Arte de São Paulo (MASP) – Brasil

Crédito da Imagem:

OS RETIRANTES: fome, doença e exclusão social

“Os retirantes vêm vindo com trouxas e embrulhos /
Vêm das terras secas e escuras; pedregulhos /
Doloridos como fagulhas de carvão aceso.”
Cândido Portinari

Na tela Retirantes, integrante da série composta também pelas obras Criança Morta e Enterro na Rede, Cândido Portinari retrata uma família anônima de retirantes nordestinos, composta por nove pessoas: três adultos, uma adolescente e cinco crianças. A composição apresenta dois planos distintos: o primeiro plano e o plano de fundo. No primeiro plano, observam-se duas unidades compositivas. À esquerda, uma unidade menor formada por um velho apoiado em um cajado e uma adolescente segurando uma criança nos braços. À direita, uma unidade maior reúne uma mulher com uma trouxa sobre a cabeça e um recém-nascido nos braços, além de um homem acompanhado de três crianças. No plano de fundo, a tela divide-se em duas áreas principais. A porção superior, ocupando aproximadamente dois terços da composição, apresenta um degradê de azul que vai do tom escuro ao branco. Na região mais clara observam-se esboços de montanhas e, no canto superior direito, a lua. O terço inferior exibe tonalidades marrons repletas de pedras e carcaças de animais, enfatizando a devastação provocada pela seca.

As personagens aparecem desnutridas e fragilizadas, vítimas da fome e das condições extremas do sertão nordestino. A pele ressequida e castigada pelo sol reforça a dramaticidade da cena. A paisagem árida, construída com tons acinzentados, azulados e escuros, produz atmosfera fúnebre, intensificada pelos urubus que sobrevoam o grupo, sugerindo a proximidade constante da morte. A mulher, carregando um recém-nascido envolto em tecido branco, apresenta expressão marcada pela angústia e pelo sofrimento. O homem, maltrapilho e de olhar assustado, usa chapéu de palha, leva uma trouxa ao ombro e conduz uma criança pela mão. O menino localizado à frente apresenta abdome distendido, característica associada popularmente à “barriga d’água”, manifestação frequentemente relacionada à Esquistossomose causada pelo verme Schistosoma mansoni. À esquerda, o velho apoiado no cajado revela sinais evidentes de desnutrição e expressão de horror. A adolescente sustenta uma criança extremamente magra e debilitada.

Todos os personagens demonstram sofrimento profundo, traduzido pelas expressões faciais e pela debilidade física. A obra retrata o drama histórico da migração de famílias nordestinas que abandonavam suas terras assoladas pela seca em busca de sobrevivência nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. Utilizando elementos do expressionismo e do cubismo, Portinari transforma a pintura em denúncia social da fome, da miséria e das desigualdades brasileiras. No contexto da arte e medicina, a obra constitui poderoso documento visual sobre desnutrição, doenças parasitárias, pobreza extrema e sofrimento humano coletivo.

Biografia de Cândido Portinari (1903-1962)

Filho de imigrantes italianos, Giovan Battista Portinari e Domenica Torquato, Cândido Portinari nasceu em 30 de dezembro de 1903, na Fazenda Santa Rosa, próxima à cidade de Brodowski, interior de São Paulo e faleceu, em 1962, no Rio de Janeiro.  De origem humilde, tornou-se um dos maiores artistas brasileiros do século XX. Ainda criança demonstrou talento para o desenho e, em 1918, participou da restauração da igreja de Brodowski, auxiliando pintores e escultores italianos itinerantes. Em 1920, mudou-se para o Rio de Janeiro e ingressou na Escola Nacional de Belas Artes.

Em 1928, conquistou a Medalha de Ouro do Salão Nacional de Belas Artes com a obra Retrato de Olegário Mariano, recebendo prêmio de viagem à Europa. Durante os dois anos que passou em Paris, Portinari teve contato com importantes artistas, frequentou museus e conheceu sua futura mulher, a uruguaia Maria Martinelli (1912-2006). Em Paris, vendo sua terra à distância, escreveu: “Vou pintar aquela gente com aquela roupa e com aquela cor...”

Em 1931, Portinari retornou ao Brasil casado com Maria, que foi seu esteio, suporte e âncora, por proporcionar-lhe total e exclusiva dedicação à pintura.  Em 1935, com a obra “Café”, importante marco de sua pintura social, Portinari conquistou menção honrosa e inúmeros elogios de críticos americanos, na Exposição Internacional de Arte Moderna do Instituto Carnegie, em Nova Iorque.

Portinari retratou a história e a cultura do povo, revelando, assim, a alma do brasileiro. Sensível ao sofrimento de sua gente, mostrou, em cores fortes, os plantadores de café, os trabalhadores, a dor e a miséria dos retirantes nordestinos. Sua faceta lírica o fez pintar os meninos de Brodowski, com suas brincadeiras, danças e cantos.

Em 1939, nasceu João Candido, filho único do casal Portinari.  João se dedica, desde 1979, ao “Projeto Portinari” e define o seu pai com a palavra “Amor”, pois em sua obra a luta por valores humanos e socais é permanente.

Portinari realizou exposição individual em Nova Iorque e em Paris, entre outras cidades; pintou os murais da Biblioteca do Congresso Americano, em Washington; do Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro; decorou a Igreja de São Francisco de Assis da Pampulha, em Belo Horizonte, com os murais “São Francisco” e “Via Sacra”; pintou os painéis: “Tiradentes”, “A Primeira Missa no Brasil” e os da Igreja Matriz de Batatais-SP;  pintou, entre outras séries, “Meninos de Brodowski” e “Os Retirantes”(Criança Morta, Enterro na Rede e Retirantes) onde denuncia a profunda desigualdade social do Brasil.

Em 1941, demonstrando singelo amor por sua avó paterna Pellegrina, que doente não podia se locomover para ir à Igreja rezar, Portinari pintou, em um dos cômodos da residência da família, em Brodowski, a “Capela da Nonna”.  Para a decoração, Portinari pintou os santos prediletos de sua avó, em tamanho natural, usando como modelos os familiares e amigos.

Portinari foi um dos maiores pintores brasileiros de todos os tempos, deixando um legado de mais de cinco mil obras de arte. Participou de exposições em vários países do mundo. Foi consagrado em São Paulo, Rio de Janeiro, Paris, Nova Iorque, Montevidéu, Varsóvia, entre outras cidades. O governo francês o condecorou com a medalha “Legião de Honra” (1946).

Já doente, intoxicado pelo chumbo das tintas, aceitou, em 1952, a incumbência de pintar dois painéis para a ONU, “Guerra e Paz”, de 10 x 14 m cada, concluindo-os, em 1956. O tema da guerra foi inspirado por “Quatros Cavaleiros do Apocalipse”, da bíblia, e o da Paz, pela tragédia grega Eumênides, de Esquilo, em visão livre.         

O artista Enrico Bianco disse que "Guerra e Paz" são as duas grandes páginas da emocionante comunicação, que o pintor entrega à humanidade. Segundo seu filho, João Candido, esta grandiosa obra universal é um diálogo entre o trágico e o lírico, entre a fúria e a ternura, entre o drama e a poesia.

Sua faceta de poeta o levou a escrever poemas, com temas sociais, traduzindo poeticamente sua obra plástica. Em um texto, Portinari escreveu:

"Impressionavam-me os pés dos trabalhadores das fazendas de café. Pés disformes. Pés que podem contar uma história. Confundiam-se com as pedras e os espinhos. Pés sofridos com muito e muitos quilômetros de marcha. Pés que só os santos têm. Sobre a terra, difícil era distingui-los. Os pés e a terra tinham a mesma moldagem variada. Raros tinham dez dedos, pelo menos dez unhas. Pés que inspiravam piedade e respeito. Agarrados ao solo eram como os alicerces, muitas vezes suportavam apenas um corpo franzino e doente. Pés cheio de nós que expressavam alguma coisa de força, terríveis e pacientes."

Portinari ilustrou, através da “Sociedade dos Cem Bibliófilos do Brasil”, as obras literárias: “Memórias Póstumas de Brás Cubas” (1944) e “O Alienista” (1948).

Atuante no movimento político-partidário, Portinari candidatou-se pelo Partido Comunista do Brasil (PCB) a deputado federal (1945) e a senador (1947) sem conseguir eleger-se. Perseguido no Brasil, por ser comunista, exilou-se durante algum tempo, no Paraguai. Portinari nunca se afastou de suas convicções ideológicas. Sua militância política é absolutamente fiel e coerente com sua pintura. Ironicamente, Portinari foi proibido de participar da inauguração dos painéis “Guerra e Paz”, ao ter o visto de entrada nos EEUU negado, por pertencer ao PCB, e faleceu sem vê-los expostos na ONU.

Em 1960, quando nasceu sua neta Denise, ele escreveu: “Minha neta me libertará da solidão”. Denise foi retratada pelo avô inúmeras vezes, em telas líricas.

Portinari faleceu no dia 6 de fevereiro de 1962, aos 58 anos, intoxicado pelo chumbo das tintas (saturnismo). Presentes no velório: Juscelino Kubitschek; Hermes Lima, representando o Presidente João Goulart; os líderes comunistas na clandestinidade, Luís Carlos Prestes e Carlos Marighela; o líder anticomunista e governador do Estado da Guanabara, Carlos Lacerda. A Presidência da República emitiu nota de pesar e foi decretado luto oficial de três dias no Estado da Guanabara. Portinari, ícone do modernismo brasileiro, ao colocar o homem como tema central de sua arte, nos lega uma mensagem de humanismo universal.

Referências

Cândido Portinari. Portinari Poeta. Rio de Janeiro: Projeto Portinari, 1990.

Fabris, Annateresa. Cândido Portinari. São Paulo: Edusp, 1996.

Projeto Portinari. Acervo e documentação histórica de Cândido Portinari.

Retirantes. 1944. Óleo sobre tela. Acervo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand.

Schwarz, Roberto. Sequências Brasileiras. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

Scliar, Moacyr. A Paixão Transformada: História da Medicina na Literatura. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.

Abril Cultural. Gênios da Pintura: Portinari. São Paulo: Abril Cultural, n. 6, 1967.