Publicado no Revista da Santa Casa de Misericórdia de Fortaleza
Os Peregrinos de Emaús (Les
Pèlerins d’Emmaüs)
O quadro “Os Peregrinos
de Emaús”, em francês: Les Pèlerins d’Emmaüs, do italiano Paolo Veronese
(1528-1588), é um óleo sobre tela, de 241cm de altura e 415cm de largura, de
1559/60. Pertence ao acervo do Museu do Louvre e encontra-se na Ala Denon, nivel
1, na sala 711, ao lado da Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, e da maior tela do
Louvre,
"As Bodas de Caná", de Veronese.
O quadro retrata uma
passagem bíblica descrita por São Lucas no capítulo 24 de seu Evangelho: Três
dias após a paixão e morte de Jesus Cristo, dois de seus discípulos, um deles
chamado Cléofas, caminham de Jerusalém para Emaús. Eles falam com tristeza do
julgamento e morte de Jesus. Um estranho se aproxima e os conforta ao saber a
causa de dor. A pedido dos viajantes, o
estranho fica na estalagem para compartilhar a refeição da noite. No momento em
que o estranho parte o pão, os dois peregrinos reconhecem Jesus Cristo
ressuscitado.
Ao representar esse
momento crucial, Veronese dá uma versão pueril. A estalagem se transforma em um
luxuoso palácio clássico; os três protagonistas são cercados por um grupo de
pessoas elegantes e duas meninas vestidas com rico brocado, indiferentes ao que
está acontecendo acima delas, brincam com um cachorro, assim como o menino um
pouco mais adiante.
Para que a cena se
tornasse legível, Veronese enfatiza os três protagonistas: Jesus aureolado
ergue os olhos para o céu e os dois peregrinos demostram surpresa. As cabeças dos três homens e os braços dos
dois peregrinos formam um oval, com o pão e o vinho, no centro.
O rompimento na paisagem
à esquerda dá profundidade à pintura. Sobre um fundo de ruínas antigas e uma
cidade ao pé de uma montanha, caminham os dois peregrinos. Veronese reproduz a
ação que antecede o acontecimento que constitui o tema da pintura.
Veronese usa em algumas
de suas telas passagens bíblicas para encenar banquetes suntuosos, mostrando a
vida da alta sociedade do século XVI. A “Ceia
em Emaús” (Louvre-Paris), a “Ceia na Casa de Simão” (Galleria Sabauda-Turim) e
as “Bodas de Caná” (Louvre-Paris) são exemplos.
As autoridades religiosas
não ficaram indiferentes a estratégia de Veronese e ele foi intimado pela
Inquisição.
Defendeu-se reivindicando
a liberdade do artista: "Nós, os pintores, tomamos as mesmas licenças que
os poetas ou os loucos..."
ana margarida furtado
arruda rosemberg
Paris, 7 de julho de 2023
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