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sexta-feira, 27 de abril de 2018
segunda-feira, 16 de abril de 2018
sábado, 7 de abril de 2018
NÃO À PRISÃO DE LULA
Imagens do Sindicato dos Metalúrgicos, ontem, 06.04.2018, em São Bernardo - São Paulo
EDITORIAL DO JORNAL DO BRASIL 06.04.2018
JORNAL DO BRASIL - EDITORIAL 06/04/2018
O Brasil não merece esse Brasil
O Brasil não merece esse Brasil
Hoje, amanhecemos em um dos dias
mais tristes do Brasil. A prisão de um ex-presidente da República, fato que não
encontra similar em qualquer página de nossa História, mesmo nos momentos de
conturbação intestina. Dia triste, independentemente de termos ou não simpatia
por esse metalúrgico pernambucano, que chegou à alta magistratura do
país, e, estando lá, deixou contribuição para nossa projeção no exterior.
Triste, mais ainda, pelo fato de que, antes de se tratar de um presidente, foi
um cidadão condenado, por crimes que sempre negou, sem que os tribunais lhe
dessem a oportunidade de ir às últimas instâncias para defender-se. Nisso a
Constituição também sai machucada. Ora, se esse é um direito que lhe é negado,
por obra de filigranas jurídicas, imaginemos o que pode ocorrer com qualquer
outra pessoa alvejada pelo martelo de um juiz na segunda fase de
julgamento.
Presidentes houve que tiveram de enfrentar quadras
de doloroso constrangimento. Alguns apeados do poder por força de armas;
outros, sob pressão político-partidária ou reféns, sem que tenham faltado
aqueles que caíram, por não cederem a interesses inconfessáveis. Vargas,
protagonista da tragédia maior, decretou sua própria morte. Mas nenhum preso, o
que fez desta sexta-feira um dia melancólico, tanto para qualquer um de nós,
que amanhecemos com ele, mas, se a História tem alma, também para ela, que
haverá de dobrar essa página com imenso pesar. Ela, talvez mais ainda, porque
estará guardando para o futuro uma sentença prolatada quando o julgamento ainda
caminha, à procura de provas, não circunstanciais, mas consistentes. Lula está
no centro dessa tragédia, cujo lance mais chocante, com sinais de exagero, foi
a fixação da hora para se apresentar ao carcereiro.
Neste mesmo espaço, cedendo a compromissos que
supõe inarredáveis, este jornal levantou-se para afirmar que Lula precisava,
como ainda precisa, ser tomado na conta de vítima privilegiada de uma estrutura
política que se deixou dominar por vícios que, de tão poderosos, são capazes de
ditar ao presidente concessões ou arbítrios que ele, em sã consciência, não
toleraria. A reflexão ainda faz sentido hoje, porque a estrutura asfixiante
sobrevive e vai sobreviver. Além do mais, é permitido denunciar que falta
alguém no banco dos réus em que Lula se sentou. Quem? Os patriarcas das
oligarquias que se elegem e se reelegem infinitamente, e na prática desse crime
são capazes de fazer tanto, ou mais, do que se atribui ao ex-presidente. O juiz
Moro devia dar assento nesse banco aos que armam esquemas milionários para
fazer a estreia de seus filhos e dos cônjuges na política, sem faltar espaço
para os amigos do poder, que descobrem em pizzaria malas de muitos milhares de
dólares. E os senadores, que se subornam, mas afirmam que se trata apenas de
empréstimo pessoal e amigável. Em que celas o douro Moro mandaria que se
hospedem os autores desse velhaco fundo partidário, onde vão beber os sedentos
de sempre? Lula, solitário, por ser acusado de receber, de prêmio, um tríplex,
o que é grave, mas depende de comprovação. E os que serviam fielmente a
governos anteriores e hoje têm trânsito livre no gabinete presidencial, ou
quem, ironicamente ministro da Justiça na gestão Fernando Henrique, pratica, à
vista de todos, acrobacia entre as dezenas de processo em que se
indiciou.
O mundo desaba nas costas do metalúrgico, sob o
olhar indiferente de gente impune. Que dia triste!
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