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BREVE HISTÓRIA DA CIRURGIA PLÁSTICA
O marinheiro britânico Willie Vicarage teve seu
rosto desfigurado por um tiro durante a Batalha de Jutlândia (1916), na
Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Foi submetido às intervenções cirúrgicas de
Gilles
Créditos: acervo Sir Harold Delf
Por volta do segundo milênio a.C., na Índia e na
China, as amputações nasais, auriculares e genitais dos povos vencidos, feitas
por muitas tribos, proporcionaram um campo fértil para o desenvolvimento de
cirurgias reparadoras.
No “Código de Hamurabi”, o primeiro código de leis
da história das civilizações, formulado pelo rei Hamurabi da Suméria, por volta
de 1750 a.C., na Mesopotâmia, a atividade médica era regulamentada com castigos
que variavam desde lesões corporais até a morte do cirurgião que não obtivesse
êxito.
O papiro de Edwin Smith, c. 2.500 a.C., no Egito
Antigo, faz referências a tratamentos cirúrgicos de fraturas mandibulares,
nasais e cranianas.
No século V a.C. os novos conceitos religiosos e
filosóficos de Buda na Índia, Lao Tse e Confúcio na China, preconizando a
preservação do corpo para a vida pós-morte, causaram o declínio da cirurgia.
Na Grécia Antiga, a dissecação de cadáveres era
proibida, mas dissecavam-se animais. Hipócrates, século V a.C., descreveu
procedimentos relativos à cirurgia.
Ptolomeu Soter que, após a morte de Alexandre
Magno, governou o Egito, permitia a dissecção humana “in vitro” nos condenados
à morte. Assim, houve avanço no estudo da anatomia e fisiologia. O anatomista
Erasístrato de Chio (310 a.C. – 250 a.C.), Pai da fisiologia, fundou com
Herófilo a Escola de Anatomia de Alexandria que teve a cirurgia bem
desenvolvida.
Aulus
Cornelius Celsus (c. 25 a.C. - c. 50 d.C) em seu livro “De Medicina” fez
referências à cirurgia plástica. Galeno, século II d.C., realizou cirurgias
reconstrutivas.
Com a queda do Império Romano do Ocidente (476
d.C.), agravada pelas invasões bárbaras, surgiram os feudos cercados de
muralhas. A religião assumiu o poder e houve um retrocesso na medicina. Durante 10 séculos o pensamento científico
ficou resguardado nos mosteiros.
Na Península Ibérica, dominada pelos árabes durante
700 anos, houve a preservação e enriquecimento dos conceitos de Hipócrates e
Galeno, mas a cirurgia era proibida.
No século IX, surgiram as escolas médicas de
Salermo e Montpelier e, depois, as Universidades de Bologna e Pádua. O Papa
Sixto V, em meados do século XVI, autorizou as dissecções anatômicas que já
aconteciam de maneira sigilosa. Com o renascimento e a invenção da imprensa,
houve avanço da medicina.
O primeiro Tratado de cirurgia plástica
foi escrito pelo médico italiano Gaspare Tagliacozzi (1546-1599), “De curtorum
Chirurgia per incitionem”, no qual ele descreve várias operações, em particular
seu método de rinoplastia.
Com o uso crescente da arma de fogo, houve necessidade
da cirurgia reparadora.
Em 1838, surgiu o termo “cirurgia plástica”
quando Eduard Zeis intitulou seu livro de: “Handbuch der plastischenirurgie”
No
século XIX, a cirurgia plástica teve um desenvolvimento considerável, graças à
criatividade de cirurgiões como Dieffenbach.
O médico britânico Joseph Constantine
Carpue (1764-1846) realizou em Londres, em 14 de janeiro de 1815, a primeira
operação de cirurgia reconstrutiva no Ocidente. A operação envolveu um reparo
do nariz com pedaços de pele da testa e uma prótese de cera inspirada nas
práticas indianas.
Entretanto,
a história da cirurgia estética está ligada à do século XX. As primeiras
intervenções autorizadas são a correção de orelhas em abano por Ely, depois a
rinoplastia endonasal por Roe.
A “Primeira Guerra Mundial” está na
origem da criação de unidades de cirurgia maxilofacial, necessária devido ao
número espantoso de feridos na face.
Nessas unidades atuaram grandes cirurgiões
como: Blair, Davis, Dufourmentel, Virenque e principalmente Morestin e Gillies.
Na França, vários cirurgiões: Noël,
Passot, Bourguet, Dartigues mostraram grande criatividade e descreveram
técnicas que inspiraram intervenções modernas.
Após a “Segunda Guerra Mundial”, as sociedades
nacionais e internacionais de cirurgia plástica se multiplicaram.
Com a vinda para o Brasil da família real
portuguesa, em 1807, D. João VI criou, estimulado pelo cirurgião-mor do reino
José Maria Picanço, em fevereiro e em abril de 1808, as Escolas de Cirurgia,
respectivamente a primeira na Bahia e a segunda no Rio de Janeiro.
Os
primeiros trabalhos relativos à cirurgia plástica datam de 1842. Alguns
trabalhos produzidos e publicados sobre cirurgia plástica, são: “Considerações
sobre o lábio leporino”, Joaquim Januário Carneiro (1842); “Considerações sobre
rinoplastia”, João Baptista Lacerda (1843), “Diferentes causas de destruição
dos lábios e paredes laterais da boca”, Pedro A. Vieira da Costa (1852), “Do
princípio nervoso da queiloplastia e genoplastia”, Alexandre Mendes Calasa
(1853), “Operações que reclamam as lesões dos lábios”, José Soriano de Souza
(1860).
Sobre queimaduras há muitas publicações como as de Joaquim Manoel
de Almeida Vieira (1868); Paulino Pires da Costa Chastine (1869); João Telles
de Menezes (1870); Casemiro Francisco Borges (1871); Francisco Dias César
(1871); José Antonio Ribeiro de Araújo (1873); José Maria Velho Silva Junior
(1873); Laurindo P. de Almeida Franco (1878); Antonio Calmon Oliveira Mendes
(1878).
No começo do século XX, novas
Faculdades de Medicina surgiram em: Porto Alegre, RS (1899); Belo Horizonte, MG
(1911); Curitiba, PR (1912); São Paulo, SP (1913) e Belém, PA (1919) e,
posteriormente, outras faculdades se espraiaram pelo Brasil dando impulso em
todo o território nacional a Cirurgia Plástica.
ana
margarida furtado arruda rosemberg
Fortaleza,
15 de dezembro de 2021
REFERÊNCIAS
https://www.sbhmhistoriadamedicina.com/historia-das-especialidades-medicas
https://www.em-consulte.com/article/66961/histoire-de-la-chirurgie-plastique
https://fr.wikipedia.org/wiki/Chirurgie_plastique
https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0294126003000888
https://www.chirurgie-esthetique-france.fr/scialytique/histoire-de-la-chirurgie-plastique/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Eras%C3%ADstrato