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| MIGUEL EDGY TÁVORA ARRUDA |
A
cidade de Baturité foi administrada nos últimos quatro anos pelo Capitão Miguel
Edgy Távora Arruda, que acaba de publicar a prestação de contas, apresentada à
Câmara Municipal, referentes ao ano de 1954, com um retrospécto relativo aos
anteriores exercícios de sua gestão, a começar de 1951.
É um trabalho digno de
admiração e de aplausos, êsse magnífico relatório do ex-edil baturiteense, e
pode servir tão profícuo e meticuloso documento como padrão para todos os
demais gestores dos negócios municipais do Estado.
Encontrando as rendas
públicas na quota dos 850 contos, entregou-as ao seu sucessor no limite de
2.200 contos, por ano, o que é bem um admirável recorde.
Mas o que ressalta na
prestação de contas do digno administrador é a preocupação que o anima de não
deixar sem explicação um só centavo gasto no seu governo e tudo isso
documentada e pormenorizadamente, fazendo ainda acompanhar o folheto, de 50
páginas, de numerosas fotografias das obras realizadas e que foram de grande
monta, a começar pelos serviços de água, esgotos e iluminação pública, não
ficando esquecidos os referentes à educação, pavimentação e estradas de
rodagem.
Também é de suma importância o capítulo em que o Capitão Edgy Távora
Arruda põe à vista de todos a sua
situação financeira, com a declaração dos bens que possuia no inicio e no final
de sua gestão.
Edifica ver como o homem pobre e probo que assumiu o poder
municipal há quatro anos, dele saiu com mãos limpas e bolsos mais limpos ainda.
Não possui depósitos bancários nem quaisquer outros valores, voltando, assim,
para as suas atividades normais, de que foi afastado, apenas com mais idade e
mais esfalfado, por ter dado ao povo que
dirigia todo o seu esforço, toda a sua dedicação e todo o seu tempo.
Parcela
por parcela, alinha ele os gastos feitos com a chamada “cota de imposto de
renda”, podendo, assim, ser apresentado como, ao que se sabe, o único Prefeito
que, até agora, prestou contas realmente desse manancial com que se
beneficiaram as municipalidades de todo o País.
E, para seu gáudio, a Câmara de
Baturité, em Resolução unânime de 12 de março deste ano, aprovou-lhe as contas
de 1954, como já tinha aprovado as dos demais exercícios.
Eis aí um exemplo que
merece ser apontado aos demais gestores dos municípios em nosso Estado.
É uma honrosa exceção, que,
por isso, merece ser destacada, apoiada e aplaudida.
Luis Sucupira
Fortaleza, 9 de abril de 1955.
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| LUIS SUCUPIRA |
QUEM FOI LUIS SUCUPIRA?
Os Membros da Academia Cearense de Letras de ontem
Luis Sucupira
Luis Sucupira
Por José Murilo Martins
in POETAS DA ACADEMIA CEARENSE DE LETRAS
in POETAS DA ACADEMIA CEARENSE DE LETRAS
LUÍS SUCUPIRA
Luís
Cavalcante Sucupira nasceu em Fortaleza em 11 de maio de 1901 e faleceu
na mesma cidade no dia 11 de julho de 1997, aos 96 anos de idade.
Fez seus estudos no
Colégio Cearense do Sagrado Coração e o curso madureza no Liceu do
Ceará. Após concurso, foi funcionário da Fazenda Federal por muitos anos
exercendo importantes funções no nosso e em outros estados do Brasil.
Exerceu o magistério
como professor de vários colégios de Fortaleza e do Rio de Janeiro,
entre os quais, Cearense, Imaculada Conceição, Dorotéias e Sacré Couer
de Marie; fundador e mestre da Faculdade Católica de Filosofia de
Fortaleza, diretor do Curso de Jornalismo e professor da Faculdade de
Ciências Econômicas, da UFC e do Instituto Católico de Estudos
Superiores, do Rio de Janeiro.
Foi deputado federal, secretário de governo e interventor federal interino do estado do Ceará.
Publicou aos dezessete
anos de idade um pequeno livro de poesias intitulado Equatoriais, usando
o pseudônimo de Rubens Bráulio.
Olavo Bilac escreveu-lhe uma carta com o
seguinte comentário: “Você é poeta. Poeta de raça e alma. Estude e
pratique e o futuro cercará de triunfo a brilhante promessa dos seus 17
anos” (apud Sucupira, R. P., Luís Sucupira. O comendador).
Exerceu intensa atividade
jornalística como redator-chefe e diretor de O Nordeste.
Foi também dos
jornais O Estado, de Pernambuco e A União e A Ordem, do Rio de Janeiro.
Obras: Equatoriais,
1917; Curso de ação católica, 1934; Programa de Economia Política, 1941;
“Ozanan” a juventude em ação, 1970.
Honrarias: Comendador da
Ordem de São Gregório Magno da Santa Fé; Doutor Honoris Causa das
Faculdades Integradas de Campo Grande, Rio de Janeiro; Medalhas da
Abolição e Justiniano de Serpa, do governo do estado do Ceará; Medalha
Clóvis Beviláqua, do Ministério de Educação; Medalha do Pacificador, do
Ministério do Exército; Medalha Barão de Studart, do Instituto do Ceará;
e a Sereia de Ouro, da Televisão Verdes Mares.
Ingressou na Academia Cearense de Letras no dia 21 de maio de 1930, ocupando a cadeira número 3, cujo patrono era Álvaro Martins, tendo sido transferido para a 2, após a reorganização de 1951.
Foi representante do
sodalício na Federação das Academias de Letras, no Rio de Janeiro,
membro do Instituto do Ceará e presidente da Associação Cearense de
Imprensa.
Fonte:http://www.ceara.pro.br/ACL/Academicosanteriores/LuisSucupira.html

