terça-feira, 31 de agosto de 2021

XXVIII Congresso Brasileiro da Sobrames de 4 a 7 de setembro de 2021 on-line



 https://sobramesceara.com.br/congresso/


XXVIII Congresso Brasileiro de Médicos Escritores acontece online, entre 4 e 7 de setembro, com prêmios literários, cursos, homenagens e lançamentos de livros

 

O congresso tem inscrições abertas, para médicos, estudantes de Medicina, outros profissionais de saúde e para interessados em literatura e artes em geral. Evento acontece online, com cursos, conferências, sessões de temas livres, lançamento de livros, homenagens póstumas, prêmios literários, apresentações de textos e shows musicais. A direção é do médico cearense Arruda Bastos, presidente nacional e da regional da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores - Sobrames

 

O XXVIII Congresso Brasileiro de Médicos Escritores acontece de forma online, entre os dias 4 e 7 de setembro, sediado de forma simbólica no Ceará, estado da comissão organizadora, e aberto online a participantes em todo o País. Fortaleza transmitirá o evento de forma virtual, através de uma plataforma especial, a Softaliza, garantindo toda a qualidade de áudio e vídeo, além de recursos para uma experiência diferenciada.

 

A abertura do evento, sábado, 04/09, às 19h40, contará com palestra magna do prof. dr. Antônio Carlos Secchin, integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL), falando sobre "Casa Grande & Senzala em João Cabral de Melo Neto".

 

Médicos e médicas que se dedicam à literatura, além de estudantes de medicina, outros profissionais de saúde e do público em geral interessado em conto, crônica, poesia, romance e outros gêneros literários participarão do evento, que conta com palestras, cursos, performances, concursos literários, apresentações musicais. As inscrições estão abertas no site oficial: sobramesceara.com.br/congresso

 

Seria a terceira vez que Fortaleza sediaria presencialmente o congresso, não fosse a necessidade dos devidos cuidados diante da nova realidade que vivemos desde março de 2020, com a pandemia. Em 1996 e em 2008 a capital cearense recebeu o encontro. Já a edição mais recente aconteceu em São Luís-MA, em 2018. O congresso tem apoio do Governo do Estado do Ceará, através do edital de eventos da Casa Civil, e da Unichristus.

 

"Estamos trabalhando arduamente para que o evento nacional promovido pela Regional da Sobrames da Terra da Luz possa representar um marco para a entidade. A previsão inicial é de aproximadamente 600 inscritos do Brasil e também muitos do exterior", destaca o dr. Arruda Bastos, presidente nacional da Sobrames, da Regional do Ceará e do XXVIII Congresso Brasileiro de Médicos Escritores.

 

Juntamente com o evento nacional, o congresso incorpora também encontros regionais ligados à literatura e o lançamento de vários livros, bem como dos anais do congresso e da antologia de 2021 da Sobrames Regional do Ceará. De forma inédita acontece também a I Jornada Literária de Estudantes de Medicina do Ceará, como parte da programação do Congresso.

 

"Estamos de braços 'escancarados' para receber todos de forma virtual e transformar o evento no polo da literatura brasileira no período da sua realização", destaca Arruda Bastos, citando ainda o compartilhamento, com todos os participantes, de uma crônica sobre o "cearensês" e de um dicionário das expressões que dele fazem parte.

 

O XXVIII Congresso Brasileiro de Médicos Escritores tem realização da Sobrames nacional e da Sobrames Regional Ceará. Apoio: Jornal do Médico, Unichristus, Governo do Estado do Ceará, Organização: Bureau Evento e Argollo.

 

Inscrições abertas

 

As inscrições estão abertas, com taxa de R$ 400,00 para os integrantes da Sobrames ("sobramistas") e de R$ 500,00 para médicos escritores, escritores e interessados em geral. Estudantes contam com valor especial para inscrição: R$ 180,00.

 

As inscrições podem ser feitas de forma rápida e prática no site oficial do evento: sobramesceara.com.br/congresso

 

Programação - Solenidade de abertura - Sábado, 04/09

19h às 19h15 - Apresentação cultural

19h15 às 19h40 - Mensagem do presidente do evento e do presidente de honra do XXVIII Congresso

19h40 às 20h30 - Palestra Magna: Antônio Carlos Secchin, integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL)

20h30 às 21h30 – Encerramento

 

Programação de cursos

Cursos Pré-Congresso. Sábado, 04/09

 

Auditório José de Alencar (sala virtual)

8h às 12h15 – Curso Pré-congresso 1: Tema: Literatura e Arte. Facilitadora: Dra. Ana Margarida Arruda Rosemberg (Sobrames/CE)

 

Auditório Rachel de Queiroz (sala virtual)

8h às 12h15 – Cursos Pré-congresso 2: Projeto ELAM, Estudo da Literatura e Arte na Medicina. Facilitadores: Dr. Arruda Bastos, Dra. Melissa Medeiros e Dra. Dulce Barreto

 

Auditório José de Alencar (sala virtual)

14h às 18h – Curso Pré-Congresso 3: Descomplicando o Marketing Digital e as Redes Sociais. Facilitador: Argollo (Sobrames/CE)

 

Auditório Rachel de Queiroz (sala virtual):

14h às 18h – Curso Pré-Congresso 4: Literatura Esquecida. Facilitador: Dr. André Gurgel (Sobrames/CE)

 

A programação continua até a terça-feira, 07/07, e está disponível na íntegra no site sobramesceara.com.br/congresso.


domingo, 29 de agosto de 2021

A Bíblia: livro de fé e obra literária

 

Moisés, considerado o autor do Pentateuco. Pintura de Philippe de Champaigne (1602-1674)


A Bíblia: livro de fé e obra literária

Segundo José Tolentino Mendonça, pesquisador e poeta português, a Bíblia é um grande clássico da literatura mundial e deve ser vista como uma biblioteca inteira. Ele frisa que a Bíblia não é apenas um livro de fé e que qualquer pessoa, crente ou não crente, deve conhecê-la para sua formação cultural. O livro “Guia Literário da Bíblia”, de Robert Alter e Frank Kermode, se propõe a abordar o aspecto literário do texto bíblico.

Escritos há 12 séculos, primeiro em hebraico e, depois, em grego, os textos bíblicos foram produzidos em uma pequena faixa de terra, no litoral leste do mediterrâneo, e se difundiram como “verdade revelada”.

A Bíblia, composta do “Antigo Testamento” e “Novo Testamento”, pode ser vista de diferentes formas: relato da atuação de Deus na História, texto fundador de religiões, guia para a ética e registro de povos e sociedades remotas. 

O “Antigo Testamento”, também chamado de “Velho Testamento” ou “Bíblia dos Hebreus”  é composto por: 46 livros na versão católica, 39 livros na versão protestante e 24 na versão hebraica. O “Novo Testamento” é um compilado de 27 livros. 

 Os cinco primeiros livros da Bíblia, chamados de “Pentateuco” pelos cristãos e de “Torá” pelos judeus, apresentam a história do povo de Israel desde a criação do Mundo até a morte de Moisés. A tradição atribui a paternidade desse conjunto de livros a Moisés, mas a exegese moderna concorda que é fruto de múltiplas camadas editoriais.

No final da década de 1990, pesquisadores aventaram a ideia de que a maioria dos textos do “Pentateuco” e dos livros, como “Josué” ou “Juízes”, foram, provavelmente, compilados, isto é, foram reunidos por escribas. O referido livro explica a criação do homem, da terra, do universo e é fundamento das religiões como: judaísmo, cristianismo e islamismo.

 A tradição religiosa assegura que cada livro bíblico foi escrito por um autor diferente, mas, hoje, a maioria dos estudiosos acredita que a “Bíblia” é fruto de um trabalho coletivo.

As histórias da Bíblia derivam de lendas surgidas na chamada “Terra de Canaã”, que hoje corresponde a Líbano, Palestina, Israel, parte da Jordânia, do Egito e da Síria.  Segundo descobertas arqueológicas, Canaã foi uma terra habitada por diversos povos.  Os hebreus eram apenas uma das tribos que habitaram a região.

Entre os séculos X e IX a.C. os escritores hebreus começaram a colocar essas histórias multiculturais no papiro. Isso aconteceu após o reinado de Davi, que teria unificado as tribos hebraicas num pequeno e frágil reino, por volta do ano 1000 a.C.

As raízes das histórias bíblicas remontam aos sumérios, antigos habitantes do atual Iraque, que escreveram a “Epopeia de Gilgamesh”, 12 séculos antes dos textos bíblicos.

Na Epopeia, considerada a mais antiga obra literária da humanidade, o rei e semi-deus da cidade de Uruk, Gilgamesh, busca a imortalidade concedida pelos deuses a Utnapishtim, que, como Noé, fora avisado de uma enchente que devastaria o Mundo.

Utnapishtim, assim como Noé, construiu um barco onde abrigou sua mulher e um par de cada animal que existia sobre a Terra. A semelhança com o dilúvio bíblico não é mera coincidência. Segundo Anderson Zalewsky Varga, especialista em História Antiga, “A Bíblia era uma obra aberta, com influências de muitas culturas”.

 

ana margarida furtado arruda rosemberg

Fortaleza, 27/08/2021

REFERÊNCIAS 

https://super.abril.com.br/historia/quem-escreveu-a-biblia/

https://fr.wikipedia.org/wiki/Pentateuque

https://pt.wikipedia.org/wiki/Epopeia_de_Gilgam%C3%A9s#Hist%C3%B3ria

https://pt.wikipedia.org/wiki/Israelitas

https://www.youtube.com/watch?v=bJMwWydw7I4

https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2015/08/24/interna_diversao_arte,495815/biblia-e-um-grande-classico-da-literatura-mundial.shtml

 

Epopeia de Gilgamesh e mitos gregos - Prof. Clóvis de Barros Filho - Profa. Katia Paim Pozzer e






 






quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Crônica diária de Nirez - MIGUEL EDGY TÁVORA ARRUDA

Esse pequeno  vídeo foi postado pelo Pedro Sávio,  em junho de 2025. Acrescentei à essa antiga  postagem,  pois tem tudo a ver com a crônica  do Nirez


 TRANSCRITO DO FACEBOOK

                            Miguel Nirez Azevêdo

CRÔNICA DIÁRIA DE NIREZ

MIGUEL EDGY TÁVORA – 04nov2020

Apareceu-me nos anos 1980 no Departamento de Pesquisa do jornal O Povo o pesquisador Miguel Edgy, de família tradicional de Baturité onde foi prefeito por duas legislaturas.

Seu nome completo era Miguel Edgy Távora Arruda, parente dos Arrudas quase “donos” de Baturité.

Ele era oficial reformado do Exército Brasileiro, historiador, fundador e presidente da Fundação Comendador Ananias Arruda e dirigia também o Museu Comendador Ananias Arruda e era ainda diretor há vários anos do jornal “A Verdade”, de Baturité, que saía mensalmente.

Ele fazia um trabalho importante e altamente organizado no Museu que dirigia dispondo didaticamente dos objetos do acervo do museu para um melhor entendimento dos visitantes.

Ele me procurou exatamente porque eu publicava fotos antigas no jornal semanalmente e ele me levou algumas fotos históricas das quais tirei cópias e fui publicando sob sua orientação.

Miguel Edgy Távora já estava idoso e sofria de deficiência auditiva e só falava gritando e para se falar com ele tínhamos que falar pausadamente e bem alto senão ele não captava.

Às vezes ele ia ao meu setor, conversava bastante e ao sair, havia esquecido algo a gritava lá do balcão a todo pulmão: - Aliás!, assustando a todos os funcionários e a mim também.

São pessoas que ficam em nossa mente por suas ações, por suas maneiras de ser, desinteressado, podendo já estar deitado de pijama em sua casa na espreguiçadeira mas não, estava sempre em atividade.

Ele faleceu em setembro de 2010 aqui em Fortaleza, sendo seu corpo velado no dia seguinte ao falecimento na Funerária Ternura, na Rua Padre Valdivino nº 2255, na esquina com a Rua Tibúrcio Cavalcante, onde realiza-se missa de corpo presente e em seguida foi sepultado no Cemitério São João Batista.

domingo, 22 de agosto de 2021

OS PERÍODOS DA ARTE GREGA: Arcaico, Clássico e Helenístico.

 

A dama d'Auxerre - Louvre-Paris

Vênus de Milo - Louvre-Paris

      


OS PERÍODOS DA ARTE GREGA: Arcaico, Clássico e Helenístico.

 

            “Os mestres gregos foram à escola com os egípcios”.

                                                            E. H. Gombrich

 

Segundo o Prof. José Leonardo do Nascimento, Unesp de São Paulo, os gregos tinham grande admiração pelos egípcios e beberam de sua da arte, mas colocaram seu próprio tempero, ou seja, a chamada “síntese grega”.

Na arquitetura e na escultura a arte grega está dividida em 3 períodos: arcaico (650 - 480 a.C.), clássico (480 – 323 a.C.) e helenístico (323 a.C. – 31 d.C.). 

No período Arcaico, século VII a.C., a arte grega estava próxima dos cânones egípcios, ligados ao regime de proporcionalidade. Os egípcios usavam regras rígidas para fazer suas esculturas e os gregos, inicialmente, copiaram essas regras. Do período arcaico, a mais antiga escultura que tem uma certa escala é a “dama d’Auxerre” (650-640 a.C.). Trata-se de uma pequena estátua de 65 cm. É o mais perfeito exemplar do "estilo dedálico", que caracterizou a escultura grega no século VII a.C.

A "dama d'Auxerre" é uma "koré", nome dado às esculturas de jovens vestidas feitas para ornar os templos. Os "Kouros", eram jovens desnudos que tinham a mesma finalidade de ornar os templos, ao lado das "Korés". A "dama d'Auxerre", Koré em Peplos, pertence ao acervo do museu do Louvre, foi encontrada no sul da França. Tal fato é explicado porque houve um período em que as cidades naquela região pertenciam a “Magna Grécia”, eram cidades-estados gregas. 

O período clássico (480 – 323 a.C.) tem início em 480 a.C., quando os gregos derrotaram os persas que haviam invadido a Península Grega. Os grandes inimigos dos gregos foram os persas que anexaram várias vezes as cidades gregas da Ásia Menor. Essa data é importante e é utilizada para definir o período clássico que vai se estender até 323 a.C. (morte de Alexandre Magno), filho de Felipe, rei da Macedônia. A Grécia perde sua autonomia política e passa para o domínio da Macedônia. Alexandre morre e o poder passa para um dos seus generais. Depois a Grécia passa a ser incorporada pelo Império Romano. Nesse período surge a “síntese grega”.

No período Helenístico (323 a.C. – 31 d.C.) período do Império Romano, a arte grega alcançou seu apogeu. Infelizmente, quase toda a produção artística escultural e pictórica grega se perdeu. O que chamamos de coleções gregas nos grandes museus não são originais, com algumas exceções, são cópias romanas em pedra de originais gregos feitos em bronze. Os gregos raramente usavam a pedra. Quando a usavam, eles pintavam-na. O Parthenon era pintado com cores fortes. Duas exceções da arte escultural grega esculpidas em mármore, estão no Louvre-Paris: Vênus de Milo e Vitória de Samotrácia.

Na cerâmica, pintura sobre os vasos, a arte grega está intacta. O grande historiador da arte, Hauser, que escreveu o livro “História Social da Arte e da Literatura”, disse: “A terracota é a matéria prima da civilização grega”. Por ser uma argila com muito óxido de ferro, a terracota é extremamente resistente. Há vasos gregos do século X a.C. O museu do Louvre-Paris tem uma coleção excepcional de vasos gregos. Se querem conhecer a Grécia, vejam os vasos gregos, frisou Hauser.  

ana margarida furtado arruda rosemberg    

 Fortaleza, 20.08.2021  

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

A Epopeia de Gilgamesh - em homenagem ao Dia do Historiador




A 11ª tabuleta da Epopeia de Gilgamesh descreve como os deuses enviaram uma inundação para destruir o mundo (12 séculos mais antigo do que o texto bíblico).

Como Noé, Utnapishtim foi avisado e construiu uma arca para abrigar e preservar os seres vivos. 




A Epopeia de Gilgamesh – primeira obra literária da História

A Epopeia de Gilgamesh, poema épico escrito em acádio, cerca de 18 séculos a. C, de um valor histórico e literário inestimável, é considerada a mais antiga obra da humanidade. O tema principal é a amizade entre dois homens, duas figuras masculinas potentes, Gilgamesh e seu duplo Enkidu.

 Acredita-se que Gilgamesh teve existência histórica. Ele foi rei da primeira dinastia de Uruk, centro urbano importante no Sul da Mesopotâmia, próximo ao Golfo Pérsico, no período proto-dinástico, por volta de 2750 a 2600 a. C.

O nome de Gilgamesh aparece, grafado, em uma lista de reis sumérios, precedido de um sinal cuneiforme que significa divindade. Desde o princípio da realeza há a busca de legitimidade política através da relação com o divino. Na “Epopeia”, Gilgamesh, filho de um rei e de uma deusa, é apresentado como o maior dos reis, sendo 1/3 divino e 2/3 humano. 

Além do tema da amizade o outro tema da “Epopeia” é o da morte. Gilgamesh enfrenta o drama da morte ao perder seu grande amigo, Enkidu.

A “Epopeia’ não tem título e segue a regra da literatura oriental, sobretudo a da Mesopotâmia, que é a inexistência de títulos. O título foi dado pelos estudiosos posteriormente.

Uma das versões da “Epopeia’ foi encontrada nas escavações da cidade de Nínive, antiga capital do Império Assírio, no período de Assurbanipal, 613 a. C. Foram encontrados 11 tabletes cuneiformes, com 2500 a 3000 versos. Esta versão é atribuída a Sin-léqi-unnínni (séc. XIII a.C.).

Na tradução do assiriólogo francês, Jean Botérro, os primeiros versos dos poemas dizem assim:

“Vou apresentar ao mundo aquele que tudo viu, conheceu a terra inteira, penetrou todas as coisas e tudo explorou. Tudo que estava escondido”.

O escriba da versão de Nínive não foi o autor do texto. Há evidências de que o poema é muito mais antigo. Foram encontradas fontes sumérias de 3000 a. C., fontes babilônicas, entre outras bem antigas, em vários sítios arqueológicos.

Na antiguidade a “Epopeia” conheceu traduções para outras línguas como: a língua hitita, falada pelos habitantes da Anatólia, hoje Turquia. Existem outras versões. Uma delas na língua falada pelos povos Urato, do nordeste da Mesopotâmia, outras encontradas em sítios arqueológicos na Palestina.

O texto mais completo é uma montagem de um enorme quebra cabeça. O trabalho de reconstituição foi feito por dois grandes assiriólogos: Samuel Noa Cramer, norte-americano, e Jean Bottéro, francês.

 

As fontes babilônicas deram a possibilidade de recuperar a maior parte dessa composição literária. Os tabletes que hoje estão conservados na universidade da Filadélfia são os mais completos. Três fragmentos são conservados no “Museu de Bagdá”, no Iraque. Há também pequenos fragmentos no “Instituto Oriental de Chicago”. O “Museu do Pérgamo”, em Berlim, e o ‘Museu Britânico”, em Londres possuem alguns. Os textos estrangeiros estão na Síria e na Palestina.  

A tradução da obra é atribuída ao trabalho realizado por Henry Rawlinson e George Smith, que se dedicaram ao estudo e deciframento da antiga obra suméria. Esse trabalho de tradução somente foi possível graças à descoberta da Inscrição de Dario, que transcrevia caracteres cuneiformes para três idiomas: o persa, o babilônio e o elamita.

A versão mais completa, ditada pelo escriba Sin-léqi-unnínni, tem cerca de 2 mil linhas organizadas em 11 tabletes cuneiformes e conta a seguinte narrativa: Gilgamesh e Enkidu passam por diversas missões e descontentam os deuses; vão às “Montanhas do Cedro’ e derrotam o monstro Humbaba; matam o ‘Touro dos Céus”, que a deusa Istar havia mandado para punir Gilgamesh por não ceder às suas investidas amorosas.

 A parte final do épico mostra a reação de Gilgamesh diante da morte de Enquidu. Gilgamesh busca a imortalidade e faz uma longa e perigosa jornada para descobrir o segredo da vida eterna. Para isso, ele consulta Utnapistim, o herói imortal do dilúvio.

 

Depois de ouvir Gilgamesh, o sábio diz:

 

 "A vida que você procura nunca encontrará. Quando os deuses criaram o homem, reservaram-lhe a morte, porém mantiveram a vida para sua própria posse.”

 

ana margarida furtado arruda rosemberg

Fortaleza, 13 de agosto de 2021

 

Referências

BOTTERO, J. LfEpopee de Gilgamesh. Le grand homme qui ne voulaitpas mourir. Traduit de I'akkadien et presente par Jean Bottero. Paris: Gallimard.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Epopeia_de_Gilgam%C3%A9s#CITEREFChamplin1991

https://pt.wikipedia.org/wiki/Epopeia_de_Gilgam%C3%A9s

https://www.100milarvores.pt/2013/08/a-jornada-ao-bosque-da-epopeia-de-gilgamesh.html

https://castbox.fm/episode/7.-A-Epopeia-de-Gilgamesh-(Entrevista-com-Katia-Pozzer)-id2826611-id264827388?country=br

https://www.youtube.com/watch?v=ydRafBXEhuM

https://seguindopassoshistoria.blogspot.com/2010/08/epopeia-de-gilgamesh.html?m=0

https://pt.wikipedia.org/wiki/Epopeia_de_Gilgam%C3%A9s#Hist%C3%B3ria

 

 

 

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Por: Ana Margarida Arruda Rosemberg - Apresentação do Dicionário Biográfico - Família Arruda de Assis Arruda

 

  APRESENTAÇÃO


“Meu enleio vem de que um tapete é feito de tantos fios que não posso me resignar a seguir um fio só: meu enredamento vem de que uma história é feita de muitas histórias. E nem todas posso contar.”

Clarice Lispector

 

 (Clarice Lispector: nas entrelinhas da Escritura

Edgar Cézar Nolasco - 2001)

 

É missão das mais honrosas apresentar o livro “Dicionário Biográfico da Família Arruda”, de autoria do genealogista Francisco de Assis Vasconcelos Arruda. Para mim, é, também, motivo de alegria e de prazer tecer considerações sobre esta vultosa e relevante obra, de valor inestimável para as presentes e futuras gerações da família Arruda e afins, bem como para os pesquisadores de nossa História.

Um dicionário biográfico é uma obra que narra histórias de vida; é complemento de genealogia, um dos ramos das ciências históricas que estuda a origem, evolução e disseminação das famílias com seus nomes, sobrenomes e parentescos.

Se a História é um movimento, a genealogia é o movimento vivo da História, de impossível atualização, por deparar-se a todo instante, com nascimentos, casamentos e falecimentos constantes. Daí ser árduo, difícil e desafiante o trabalho do genealogista. Entretanto, é apaixonante, pois reverencia e preserva a memória dos antepassados.  Para José Valdivino de Carvalho

 

 A genealogia é uma das facetas do pensamento humano, um gesto de renovação da vida dos que andaram nesse mundo, e, por laços eternos de família continuam, como que juntos de nós.

 

Ao apresentar a obra “Dicionário Biográfico da Família Arruda”, mostrarei alguns aspectos da vida de seu criador, pois, para compreendê-la em sua profundidade, é preciso conhecer Assis Arruda. 

Francisco de Assis Vasconcelos Arruda é engenheiro agrônomo, especialista em Bioclimatologia pela USP; Mestre em Nutrição Animal pela UFC e Doutor pela Escuela Técnica Superior de Ingenieros Agrónomos da Universidad Politécnica de Madrid – Espanha. Marido de Silvéria; pai de Cinthia, Juliana e Renata; avô de Luna, Liana e Samuel e tetraneto do casal, Amaro e Ana, que deram origem aos Arrudas evidenciados nesta obra.

Além de tudo isso, é um genealogista apaixonado. Há mais de 40 anos, movido por esta paixão, ele se debruça em pesquisas genealógicas para subtrair a pátina do tempo e desvendar a vida dos antepassados de importantes famílias sobralenses. Vindas de Portugal em séculos findos, essas famílias colonizaram a Ribeira do Acaraú, na região norte do Ceará, mais precisamente no município de Sobral. A saber: Ferreira da Ponte, Gomes Parente, Linhares, Arruda, entre outras.

Batalhador incansável, Assis Arruda nos surpreende e nos encanta com sua monumental obra “GENEALOGIA SOBRALENSE”, uma coletânea de 40 livros em 10 volumes. Da referida coletânea, ele já publicou 9 livros.

Referente aos Arrudas, o autor publicou: “OS ARRUDAS”, em 1980, sua primeira obra de genealogia; “Genealogia Sobralense – OS ARRUDAS”, vol. III, 2ª edição, em 1988, e, em breve, publicará “Genealogia Sobralense – OS ARRUDAS”, vol. III   3ª edição, em quatro tomos com cerca de duas mil páginas. 

Assis já publicou “Dicionário Biográfico da Família Gomes Parente”. Agora, vem a lume sua mais nova obra, “Dicionário Biográfico da Família Arruda”. Trata-se de biografias dos descendentes de Amaro José de Arruda e Ana Maria da Conceição, mas também de outras famílias que se entrelaçaram entre si como fios de um imenso tapete.

 Segundo o historiador Capitão Miguel Edgy Távora Arruda, em sua monografia “Os Arrudas de Baturité”, não há dúvida de que os Arrudas do Ceará descendem de Amaro José de Arruda, conhecido como "O patriarca de Oiticará". Amaro era português, natural da Ilha de São Miguel, no arquipélago dos Açores, filho de Pedro de Viveiros e Francisca dos Anjos.

No entanto, segundo Assis Arruda, os Arrudas do Ceará descendem, também, de um outro moço açoriano chamado José Francisco de Arruda, provavelmente parente próximo de Amaro José de Arruda, pois era natural da mesma Ilha dos Açores. O moço José, que aqui chegou com esposa e três filhos, radicou-se em Pacatuba. 

Este dicionário biográfico, como já frisado, traz somente as biografias de descendentes do Amaro José de Arruda, o jovem lusitano que aportou em nossas plagas, no final do século XVIII, com sua esposa dona Ana Maria da Conceição, brasileira de Mamanguape, na Paraíba, filha do Capitão José Ferreira da Costa e de dona Maria da Silva.

O casal instalou-se na Fazenda Oiticará, às margens do rio Contendas, Ribeira do Acaraú, Freguesia de Sant’Ana, município de Sobral, e criou raízes e ramos.

Como disse o poeta Dr. Francisco José Ramos Ferreira Gomes:

 

 Os ramos se espalharam pelos sopés da Meruoca, Rosário, Ibiapaba, indo aos sertões de Crateús, abeberando-se em Sobral e encantos da Fortaleza, penetrando nos sertões da Ribeira do Aracati-Açú, aboletando-se na doçura que se desprende do maçiço de Baturité, das terras do Jaibaras, penetrando na Amazônia, na terra sedura das mangueiras de Belém do Grão Pará. Os galhos se estenderam a todos os recantos da pátria comum.

 

Ananias Arruda, Comendador da Santa Sé, bisneto do casal Amaro e Ana, neto de João José e Maria Quitéria e filho de Miguel Arcanjo e Maria do Livramento construiu, em 1949, em Oiticará, às margens do rio Contendas, um cruzeiro. É um Monumento Histórico que marca o centenário de nascimento de seu pai e serve de local de memória dos Arrudas. 

Neste Dicionário Biográfico podemos avaliar, através de centenas de biografias, as contribuições que os descendentes do casal pioneiro de Oiticará legaram e legam para o desenvolvimento do Estado do Ceará e de outros Estados do Brasil.

O Patriarca e a Matriarca de Oiticará geraram oito filhos: Manoel, Francisco, Amaro, Pedro, Alexandre, João José, Tereza e Joaquina. Por terem sido justos, como o Pai Abraão, foram abençoados e seus filhos geraram netos, que geraram bisnetos, que geraram trinetos, que geraram tetranetos, que geraram pentanetos, que geram  hexanetos. Multiplicar-se-ão, desta maneira, pelos séculos vindouros e serão tantos quanto as estrelas do Universo. 

Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg

 Historiadora e Médica

          Fortaleza, 19 de abril de 2014