José Rosemberg, filho de Emanuel Rosemberg e Eugenia
Rosemberg, nasceu em Londres, Inglaterra, em 19 de setembro de 1909 e aos seis
anos de idade veio com os pais morar no Brasil – São Paulo.
Em 1928, graduou-se em farmácia e, em 1934, em medicina,
pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi Professor Titular de
Tuberculose e Doenças Pulmonares durante mais de quatro décadas e diretor da
Faculdade de Ciências Médicas da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
Rosemberg tinha um reconhecimento nacional e
internacional no controle da tuberculose, quando, na década de 1970, com mais
de 60 anos de idade, entrou de forma corajosa em um tema novo – TABAGISMO – que
não tinha nenhuma base nacional.
Uma das primeiras vozes a colocar o tema tabagismo, ele
veio a público, falou com a imprensa, ensinou seus alunos, escreveu livros,
cruzou o Brasil desfraldando a bandeira de luta contra o tabaco sendo,
portanto, iniciador de uma massa crítica brasileira no combate ao fumo.
Foi
Presidente do I Congresso Brasileiro sobre Tabagismo, realizado no Rio de
Janeiro, em 1994, e Presidente de Honra dos quatro congressos seguintes,
ocorridos, respectivamente, em: Fortaleza (1996), Porto Alegre (2000), Brasília
(2002) e Belo Horizonte (2004).
Em
sua luta contra o tabagismo, Rosemberg foi membro do Grupo Assessor do
Ministério da Saúde para o Controle do Tabagismo no Brasil, de 1985 a 1993;
presidente do Comitê Coordenador do Controle do Tabagismo no Brasil, de 1987 a
2005; membro da Câmara Técnica de Tabagismo do Programa Nacional de Controle do
Tabagismo do INCA-MS, de 1993 a 2005; assessor técnico em tabagismo da
Secretaria de Saúde do Estado do Ceará, de 1999 a 2001.
Foram
muitas as condecorações e os títulos honoríficos que lhe foram outorgados por
instituições governamentais e ONGs. Citaremos apenas algumas: a OMS
conferiu-lhe a Medalha “Tabaco e Saúde” pelas pesquisas e luta contra o tabaco
no Brasil, em 10 de novembro de 1991; o Comitê Latino Americano Coordenador do
Controle de Tabagismo o proclamou Presidente Honorário, em 25 de janeiro de
1995, na Cidade do México; a Secretaria Nacional Antidrogas da Presidência da
República, em 19 de junho de 2002, conferiu-lhe o diploma “Mérito pela
Valorização da Vida”; a Secretaria de Justiça e Defesa do Cidadão do Estado de
São Paulo, em 26 de junho de 2002, conferiu-lhe um diploma por sua luta antidrogas.
Rosemberg
publicou quatorze livros e mais de duzentos artigos científicos em revistas
médicas nacionais e estrangeiras. Dentre os livros relacionados ao tabagismo
citaremos: "Tabagismo: Fisiopatologia e Epidemiologia", publicado
pela Pontifícia Universidade Católica do Estado de São Paulo, 1977;
"Tabagismo: Sério Problema de Saúde Pública’, publicado pela editora
Almed-Edusp - São Paulo, 1981 - obra foi
laureada pela Academia Nacional de Medicina; "Métodos para deixar de
fumar", com a colaboração de Vera Luíza da Costa e Silva, publicado pelo
Instituto Nacional de Câncer, Rio de Janeiro, 1986; "Tabagismo e
Câncer", publicado pelo CEBRAF, Senado Federal, Brasília, 1991;
"Informações Básicas sobre o Tabagismo", publicado pela Secretaria de
Saúde do Estado de São Paulo, 1996; "Cartilha sobre Tabagismo",
publicado pela Secretaria de Saúde do Estado do Ceará, 1997; "Temas sobre
o Tabagismo", publicado pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo,
1998; "Nicotina", publicado pelo Colegio Medico del Peru, Colcit,
Lima, 1999; "Pandemia do Tabagismo. Enfoques Históricos e Atuais",
publicado pela Secretaria do Estado da Saúde de São Paulo, 2002 e
"Nicotina: Droga Universal", com a minha colaboração (ana margarida
furtado arruda rosemberg) e a de Marco Antonio de Moraes, publicado pelo
INCA-MS e pela SES/CVE, São Paulo, 2003.
As
repercussões científicas e práticas de seu trabalho, exemplificadas por
suas pesquisas sobre a vacinação BCG indiscriminada (direct vaccination),
a proteção anti-leprótica pelo BCG e o tabagismo e seus malefícios à saúde,
alçaram-no ao umbral das grandes personalidades médicas do século XX.
Rosemberg
faleceu em São Paulo, em 24 de novembro de 2005, deixando um legado e um vazio
incomensuráveis. Hoje,
24/11/2023, no 18º ano de sua partida, reafirmo meu amor e minha fidelidade,
como na Roma Antiga, dizendo:
La Femme Hidropique, 1663 - Gerard Dou (1613-1665) - Musée du Louvre -
BREVE
HISTÓRIA DA UROLOGIA
“O Médico que só
sabe Medicina, nem Medicina sabe”.
Abel Salazar
(1889-1946)
A urologia, como
especialidade, é recente, mas suas raízes remontam à Antiguidade e sua história
se perde nas noites do tempo. Textos escritos nas mais antigas civilizações
evidenciam que a especialidade era praticada há milênios. As primeiras
descrições datam de mais de 4.000 anos antes da nossa era.
Da Antiguidade até o
século XVIII, a urologia era prerrogativa dos cirurgiões-barbeiros que
procuravam aliviar seus pacientes de doenças, como: pedras ou cascalhos que
bloqueavam a bexiga e/ou ureter, com precárias cirurgias que, na maioria das
vezes, eram seguidas de sepses com altas taxas de mortalidade.
No século XII,
Pierre-Gilles de Corbeil (1140-1224), médico do rei francês Philippe Auguste,
escreveu em latim o primeiro documento francês sobre urologia: “Carmina de
urinarum judiciis” (ou “Poema da urina”). Em seu trabalho ele destaca a
importância crucial dos exames de urina.
Corbeil é autor do grande
“Poema de Medicina”, composto por vários livros, que serviu de modelo de ensino
na Faculdade de Medicina de Paris, até o século XV.
No século XIV, o médico
francês Guy de Chauliac (1300-1368), considerado o “Pai da Cirurgia Médica”,
até então profissão reservada aos barbeiros, escreveu, em 1343, um “inventoryium
sivecollectium partes chirurgicalis medicinae” que colocava a urologia em
condições cirúrgicas.
Chauliac foi médico dos
Papas Clemente VI, Inocêncio VI e Urbano V e publicou obras valiosas, como:
“Chirurgia Magna” e “Orientação da Prática Cirúrgica”, que foi uma verdadeira
referência para estudantes de cirurgia até ao século XVIII.
No século XVI, Ambroise
Paré (c.1510-1590) deixou importante contribuição para urologia. Publicou
vários livros sendo três deles centrados na urologia, a saber: livro VIII (sobre água quente), livro IX
(sobre pedras) e livro X (sobre retenção de urina).
No século XVIII, François
Auguste Chopart (1743-1795) escreveu um tratado sobre doenças do trato urinário
e colaborou com Pierre-Joseph Desault e John Hunter, ambos também médicos, para
desenvolver o conhecimento do sistema urinário.
Foi no século XIX que a urologia se modernizou. Ela teve expressivo desenvolvimento com: a
ascensão dos conhecimentos de anatomia e fisiologia, o surgimento de medidas
antissépticas e a descoberta da anestesia. O surgimento de novos instrumentos
foi fundamental para a exploração da bexiga e até mesmo para quebrar cálculos
urinários.
Jean Casimir Félix Guyon
(1831-1920) e outros urologistas da Europa, EEUU e América doSul
fundaram a “Association
Internationale d'Urologie”, em 1907.
O cubano Joaquín Maria
Albarrán Y Dominguez (1860 – 1912), um dos pioneiros da cirurgia urológica,
autor de inúmeras publicações científicas, como: Tumores de Bexiga (1892);
Tumores Renais (1903); Exploração das Funções Renais (1905); Tratado de
Medicina Operatória das Vias Urinárias (1909), foi considerado pelo urologista
alemão Leopold Casper (1859-1949) um verdadeiro "tesouro".
Albarrán desenvolveu um
método experimental para explorar a função renal, mais tarde denominado “teste
de Albarrán”. Foi o primeiro, na França, a realizar o cateterismo do ureter;
aprimorou a cistoscopia ao inventar a alavanca conhecida como Albarrán, que
permite maior precisão nos movimentos do cistoscópio durante o cateterismo do
ureter.
No século XX, século das
inovações, marcado pela maior qualidade dos sistemas ópticos, pelo surgimento
da endoscopia, pelo desenvolvimento das técnicas de imagem ultrassonográfica, a
urologia conseguiu reinventar-se. Graças à estas ferramentas, a cirurgia
tornou-se minimamente invasiva. Em 1982,
surgiu o litotritor extracorpóreo que permitiu a fragmentação remota dos
cálculos, uma verdadeira revolução; a assistência cirúrgica robótica e os
sistemas de laparoscopia, considerados uma técnica cirúrgica minimamente
invasiva, também estão entre as grandes inovações da urologia.
Em 1926, nascia a
Sociedade Brasileira de Urologia tendo a frente o Dr. Agenor Estelitta Lins.
A Urologia continuou seu
desenvolvimento até se destacar em: transplante renal (no qual a França é
considerada pioneira); cirurgia reparadora e restauradora da via excretora
urinária; cirurgia endoscópica estritamente urológica; o manejo da oncologia
urológica e a neuro-urologia.
No museu Louvre-Paris, na
Ala da Mesopotâmia, tem uma sala com as esculturas e painéis que ornamentavam o
palácio de Sargão II, um dos reis do Império Neoassírio. O Palácio ficava em
uma cidade perto de Nínive, que se tornou a capital do império, depois de
Sargão II, e ficou famosa por sua biblioteca com milhares de tabuletas de
argila, em escrita cuneiforme. Inclusive, as 11 tabuletas que contam a história
de GILGAMESH.
Uma das esculturas nessa sala do
Louvre representa GILGAMESH. Tem, também, touros alados com tiaras divinas, que
ficavam na entrada do Palácio. Tem um painel, entre outros, que representa
Sagão II e um dignitário.
O referido palácio ficava em
"Dur Sarruquim", cidade da Assíria que foi capital do país, em 706
a.C. No local, encontra-se, atualmente, o vilarejo de Corsabade (Khorsabad), e
fica a 15 km de Moçul e a 20 km de Nínive.
Em 1843/44, o diplomata e arqueólogo
francês, Paul-Émile Botta, descobriu em Khorsabad, o palácio de Sargão II. No início
ele pensou que eram as ruínas de Nínive. Com trezentos trabalhadores, ele
limpou 14 salas e três pátios. As esculturas e relevos mais bem preservados
foram carregados em jangadas e transportados para criar o primeiro museu
assírio na Europa, em Paris, em 1847. Agora, são mantidos no Museu do
Louvre-Paris.
O curtinho vídeo, 👇 abaixo, feito por mim, dá uma ideia da grandeza do
Palácio.
Tenho sido
um crítico ferrenho do governo de Netanyahu; de suas políticas em relação à
ocupação, aos assentamentos e à forma como não tentou sequer buscar a paz com
os palestinos, adotando, francamente, ideias racistas de supremacia judaica. Não
haverá paz para ninguém, incluindo os israelenses, a menos que milhões de
palestinos que vivem sob ocupação israelense ou em condições terríveis na Faixa
de Gaza tenham um futuro para esperar com todos os direitos que os israelenses
desfrutam.
Yuval Noah Harari
historiador judeu
autor do best-seller - Sapiens
Em março de
2003, escrevi um texto intitulado “Resistência Imponderável”, no qual fazia uma
análise da “Guerra do Iraque”. Não sou pitonisa, mas previ, em parte, as causas
e consequências da referida guerra.
Hoje, 20
anos depois, sou impelida a escrever um segundo texto, com o mesmo título,
sobre a guerra (Israel x Hamas), que ora se desenrola no Oriente Médio.
Para
entender todo o contexto dessa guerra é preciso puxar o fio da História.
Refiro-me às origens dos povos: judeu e palestino, mas isso ficará para outra
ocasião. Nesse texto vou me ater ao movimento “Sionismo”, causa mais direta do conflito.
O “Sionismo”, cujo termo se origina de “Sião” (uma das colinas que cercam a Terra Santa), surgiu na
Europa Central e Oriental na segunda metade do século XIX, diante da
perseguição milenar sofrida pelos judeus e visava a formação de uma pátria para
o povo judeu na Terra de Israel – Palestina – correspondendo aproximadamente a
Canaã (Terra Santa).
Moses Hess (1812-1875), alemão, filósofo e socialista,
próximo de Karl Marx e Friedrich Engels, é considerado um dos fundadores do
“Sionismo”, trinta e três anos antes de Theodor Herzl (1860-1904), judeu
austríaco, ter publicado o livro “Der Judenstaat” (O Estado Judeu,
1895). Herzl articulou o sionismo político e, por isso, é considerado o “Pai do
Sionismo”.
Em agosto de 1897, na Basileia, foi realizado o
primeiro dos vinte e dois congressos sionistas (1897-1945) e criada a “Organização
Sionista Mundial”, sob a presidência de Herzl. O movimento popularizou-se
graças a consciência dos judeus que viviam sob as perseguições e
massacres provocados pelo antissemitismo crônico que grassava na Europa,
desde a “Segunda Diáspora”, 70 d.C., quando os judeus foram expulsos da
Palestina, pelo Império Romano.
A crença de que os judeus foram os algozes de
Jesus Cristo, foi uma das causas do antissemitismo que se disseminou na Europa
cristã, durante a Idade Média. A hostilidade
contra os judeus como um grupo étnico, religioso ou racial - manifestado como expressões
individuais de ódios e/ou ataques organizados, tem, historicamente, um leque de
exemplos, como: o massacre de Judeus em Granada, em 1066; o massacre, em 1096,
de Worms-Alemanha, um dos
vários ataques contra as comunidades judaicas perpetrados durante a Primeira Cruzada (1096–1099); o Édito de expulsão de
todos os judeus da Inglaterra, em 1290; os massacres dos judeus espanhóis, em 1391;as perseguições aos judeus durante as Inquisições
Portuguesa e Espanhola; a expulsão dos judeus
da Espanha, em 1492; a expulsão dos judeus de
Portugal, em 1497; o massacre de judeus
de Lisboa, em 1506; os massacres de
judeus pelos Cossacos, na Ucrânia, de 1648 a 1657; os diversos “pogroms”
no Império Russo, entre 1821 e 1906; o “Caso Dreyfus” na
França, de 1894 a 1906; políticas
soviéticas antijudaicas sob Stalin e o “Holocausto” perpetrado
pela Alemanha Nazista, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), quando
seis milhões de judeus foram dizimados cruelmente, nos campos de concentração.
Em 1917, a “Declaração
Balfour”, uma carta do então Secretário Britânico de Assuntos Estrangeiros,
Arthur James Balfour (1848-1930), endereçada ao Lionel Walter Rothschild
(1868-1937), líder da “Comunidade Judaica do Reino Unido”, deu ao movimento sionista
a forma concreta de realizar a criação do Estado Judaico.
A carta demonstrava a
intenção do governo britânico de facilitar o estabelecimento do “Lar Nacional
Judeu na Palestina”, caso a Inglaterra conseguisse
derrotar o Império Otomano, que, até então, dominava aquela região. A França e
a Itália,
aliadas de Londres na Primeira
Guerra Mundial, ratificaram a “Declaração
Balfour”.O apoio de muitos
antissemitas, que queriam se livrar dos judeus em seus países, foi importante
para a concretização do sonho sionista.
Por outro lado, Thomas
Woodrow Wilson (1856-1942),
presidente dos EEUU (1913 a 1921), pregava a autodeterminação de povos subjugados pelo Império
Otomano e Edward House, seu conselheiro de política externa vaticinou
sobre a “Declaração Balfour”:
"Tudo é ruim e eu avisei a Balfour sobre isso.
Estão criando um criadouro para guerras no futuro."
A grande adesão dos judeus ao “Sionismo” foi
consequência do forte apelo religioso, baseado na redenção do Povo de Israel
(Povo Eleito) na “Terra Prometida”. Por outro lado, os judeus ortodoxos e
ultraortodoxos, por não conceberem o retorno dos judeus antes da chegada do
Messias, reprovavam o Sionismo, dizendo que a redenção deveria vir de Deus e
não de ações políticas. Essas visões, entretanto, foram minoritárias e não
prevaleceram.
No começo do século XX, a Palestina era ocupada,
majoritariamente, por árabes mulçumanos. Dos 644 mil habitantes, somente 56 mil
eram judeus. Em1920, após a Primeira Guerra Mundial
(1914-1918), o Oriente Médio foi fatiado entre britânicos e franceses, como
resultado do “Acordo Sykes-Picot”. O Reino Unido passou a controlar a Palestina
(Protetorado Britânico) e a milionária família Rothschild doou somas imensas de
dinheiro para a compra de terras dos proprietários árabes da região.
Houve, portanto, aumento da imigração
judaica, principalmente de jovens judeus da Europa Oriental que foram colonizar
as terras da Palestina e adotar como língua o velho idioma hebraico.
A partir de então, atos de violência,
cometidos por grupos paramilitares judeus, considerados terroristas, como: Irgun, Lehi, Haganah e Palmach, foram
perpetrados contra autoridades britânicas e árabes palestinos, visando o
aumento da imigração, a expansão dos assentamentos sionistas e o controle da
Palestina.
Entre 1920
e 1948, o Haganah (termo que significa defesa em hebraico), foi a organização
sionista mais importante na Palestina. Serviu de espinha dorsal, com o Palmach,
para a criação do exército israelense, por David Ben-Gurion (Primeiro
Presidente de Israel).
Os
sionistas, como já foi referido, buscavam, desde o século XIX, uma saída étnico
nacional e colonial contra o antissemitismo. Eles se apropriaram do Holocausto
para implantar o plano de limpeza étnica contra os árabes que viviam na região da
Palestina.
Quem
ficasse contra essa solução seria taxado de antissemita. Muitos grupos judaicos
acreditavam que a inserção dos judeus nas comunidades onde viviam seria a
melhor solução. Mas a grande narrativa dos sionistas - O Povo Eleito para a
Terra Prometida – encontrou eco e a divisão da Palestina foi concretizada.
A “Declaração Balfour”, o “Antissemitismo”, e, principalmente,
o “Holocausto” foram decisivos para se criar um consenso mundial favorável
a criação do Estado Judeu. Finalmente,
em 1947, a Organização
das Nações Unidas (ONU) aprovou o “Plano de Partilha da Palestina” - Resolução
181 da ONU - que consistia na divisão da Palestina em dois estados: um judeu e
outro árabe, ficando as áreas de Jerusalém e Belém sob controle internacional.
Porém, essa partilha não foi aceita pelos árabes
palestinos e nem pelos Estados Árabes, pois 53% das terras ficariam com os
700 mil judeus, e 47% com os 1 milhão e 400 mil árabes.
Por outro lado, os judeus
aceitaram-na e, em 14 de maio de 1948, foi declarada a criação do Estado de
Israel, desencadeando uma guerra civil entre judeus e palestinos, com o apoio
dos países árabes (Egito, Síria, Libano, Iraque e Jordânia).
A referida guerra, “Primeira Guerra Árabe-Israelense” ocorreu, entre maio de 1948
e janeiro de 1949, e foi vencida porIsrael que ampliou seu domínio por uma área de 20 mil km² (75% da
superfície da Palestina). A Jordania anexou a Cisjordânia e o Egito a Faixa de
Gaza.
No final da
guerra, 900 mil palestinos foram expulsos de suas terras e ficaram dispersos
pelo Oriente. O êxodo palestino ficou conhecido como “Nakba” (catástrofe). A ONU
estima, atualmente, que cerca de 5 milhões de pessoas descendentes de “Nakba”
não podem retornar à Palestina.
Em 1964, com o apoio da “Liga
Árabe”, foi criada a OLP (Organização para a Libertação da Palestina), uma entidade
política e militar laica com a participação de vários grupos políticos,
inclusive o Fatah, representando o povo palestino.
O Fatah – Movimento de
Libertação Nacional Palestino – foi criado em 1959, por ativistas da diáspora,
como Yasser Arafat. Inicialmente, o Fatah optou pela via armada para combater o
governo israelense, mas, aos poucos, começou a buscar vias diplomáticas o que o
levou aos “Acordos de Oslo”, negociados entre 1993 e 2000, que propunha o fim
dos conflitos com o estabelecimento de dois Estados. O Acordo de Oslo não saiu do papel e, por isso, fomentou a violência
O Hamas – organização palestina
nacionalista e islamista – criada em 1987 - tem como objetivo libertar o povo
palestino através da luta armada. Inicialmente, o Hamas era uma instituição de
caridade religiosa associada a Irmandade Muçulmana Egípcia e não se envolvia com
o conflito israelense-palestino.
O Estado
de Israel, para enfraquecer a OLP e fragmentar a resistência palestina,
investiu no Hamas. Entretanto, diferentemente do que Israel esperava, o Hamas passou
a envolver-se com a política e a combater Israel por meio da violência. O Hamas
surgiu no contexto da Primeira Intifada e, diferentemente do Fatah, não
reconhece o Estado de Israel.
Muitas guerras entre judeus e
palestinos foram travadas, como: Crise de Suez; Guerra dos Seis Dias; Guerra de
Yom Kippur; Primeira Intifada; Segunda Intifada.
Os conflitos seguem em
curso, com pequenos intervalos de paz. Israel possui uma das forças militares
mais poderosas do mundo e a Palestina não possui reconhecimento internacional
nem mesmo um território estabelecido.
Ilan Pappé (1954- ),israelense, professor de história na
Universidade de Exeter, no Reino Unido, um dos novos historiadores que
reexaminaram criticamente a História
de Israel e do Sionismo, publicou
o livro The Ethnic Cleansing of Palestine(A Limpeza
Étnica da Palestina), no qual faz uma profunda análise dos acontecimentos que
levaram acriação do Estado de Israel,
em 1948.
Pappé
defende a tese de que houve uma limpeza étnica - expulsão
deliberada da população civil árabe da Palestina - operada pela Haganah,
pelo Irgun e outras milíciassionistas, que
formariam a base do Tzahal -
segundo um plano elaborado bem antes de 1948.
Pappé
afirma que a criação do Estado de Israel é causa de instabilidade e impossibilita
a paz no Oriente Médio. Afirma,
também, que o “Sionismo” tem sido historicamente mais perigoso do que o islamismo extremista.
Ilan Pappé, defensor de um único Estado para
palestinos e israelenses, entrou em conflito com seus colegas da Universidade
de Haifa, principalmente com Yoav Gelber.
A “Questão Palestina” é a
luta do povo palestino pelo reconhecimento internacional enquanto nação. Muitos
observadores apontam que os palestinos são mantidos em um regime de apartheid
por Israel. As condições de vida impostas aos palestinos na Faixa de Gaza são
cada vez piores, e bombardeios israelenses na região são comuns. Isto, além da
dificuldade de acesso ao básico na região, como alimento, remédios, energia
elétrica e água potável. Na Cisjordânia, existe uma progressiva ocupação do
território por israelenses.
O Hamas, o grupo radical
islâmico, como já exposto, que governa a Faixa de Gaza, considerado terrorista
pelos EEUU e União Europeia, perpetrou um ataque cruel e inimaginável contra
Israel, no dia 07.10.2023, resultando em milhares de vítimas fatais e no
sequestro de mais de 240 pessoas.
Em resposta, o premiê
israelense Binyamin Netanyahu, com o apoio incondicional da maior potência bélica do mundo, os EEUU, e paises da Europa, declarou guerra, iniciando uma grande investida
em Gaza para erradicar o Hamas.
Hoje, 07.11.2023, a guerra contabiliza: 10.569
mortos na Faixa de Gaza e 1.430 no território israelense. O total de crianças
mortas é quase 5 mil.
O historiador Pappé, diante da
escalada da guerra de Israel em Gaza e sobre um documento do Ministério da
Inteligência de Israel que sugere a expulsão permanente de toda a população de
Gaza, mais de 2 milhões de pessoas, para o deserto do Sinai, no Egito, disse: “Esta
é uma operação massiva de matança, de limpeza étnica, de despovoamento”.
Pappé disse, ainda, que a única forma de
garantir a libertação dos mais de 200 reféns detidos pelo Hamas é concordar com
uma troca das pessoas sequestradas pelos milhares de presos políticos palestinos
detidos por Israel, incluindo muitas mulheres, crianças e idosos.
Há um impasse de difícil solução.
Os palestinos irão resistir?
Eis a questão.
ana margarida furtado arruda rosemberg
Fortaleza, 7 de novembro de 2023
Abaixo, o link para o texto, RESISTÊNCIA IMPONDERÁVEL, de 2003