sábado, 26 de outubro de 2024

Mestre Rosemberg - por: Affonso Berardinelli Tarantino

Affonso Berardinelli Tarantino 

MESTRE ROSEMBERG

MASTER ROSEMBERG

No dia 11 de junho de 2005, durante o V Congresso Brasileiro de Asma, realizado no Rio de Janeiro, saudei José Rosemberg ao entregar-lhe o Prêmio Excelência em Pneumologia, conferido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Esse prêmio é patrocinado pelo titular da disciplina de Pneumologia, Acadêmico Professor J. M. Jansen. Hoje, na semana de seu falecimento, reproduzo essa minha fala.

Mas para lembrar Rosemberg só mesmo a frase de W. Bernardinelli, que não me canso de repetir: "A terra mãe das árvores e das flores receberá teu corpo, mas teu cérebro não será cinza, será luz. Teu coração não será pó, será árvore que agasalha. Tu que viveste repartindo bondade e saber, infinitamente repartindo, viverás nas flores, nos ventos e nas saudades não morre quem nos outros viveu. 

Não morre quem nos outros vive. 

Nas primeiras edições de nosso "Doenças Pulmonares", no capítulo sobre tuberculose, o nome Rosemberg vinha sempre após o nosso; nas edições sucessivas ele apareceu ao meu lado, nas últimas em primeiro lugar, nas futuras estará seguramente sozinho. Sempre me coloquei, junto dele, no lugar de honra, isto é, como vice. Ser segundo de Rosemberg é ganhar hoje o Nobel de amanhã. Sinto por José Rosemberg algo como um simulacro de inveja de mim mesmo. Não é fácil de explicar, é um sentimento bíblico, que não subtrai nada, mas acrescenta ternura e muita admiração.

Rosemberg é uma inteligência crônica com paroxismos de gênio: uma inteligência em estado de graça. Com relação aos incontáveis merecidos títulos na especialidade, recuso-me com veemência a enumerá-los, por serem por demais conhecidos, respeito assim a qualidade precípua de um orador, breviloqüência.

Rosemberg, para quem não sabe, tem uma outra qualidade, é meu conterrâneo: nascemos em S. José dos Campos, no Vale do Paraíba, no doce vale deste rio sereno de ar tào puro quanto o sol ameno, passei meus dias da melhor idade, brinquei meus dias de maior saudade...

Ele previu, com mais de meio século de antecedência, o lugar que estaria reservado ao BCG. ele, discípulo mais amado de Arlindo de Assis em companhia de São Maragão - por mim beatificado em vida e in pectore como tal. Ambos se comportaram como dois cruzados numa guerra santa pelo BCG.

Acompanhei essa batalha, muito embora mais como expectador. Rosemberg foi o inventor de outra guerra no continente, contra o tabagismo - basta ver os galardões que recebeu e vem recebendo como símbolo do antitabagismo no Brasil.

Queria não me sentir tào emocionado para contar-lhes mais sobre Rosemberg - não tão calmo, como o ministro Disraeli, que bocejou, por várias vezes, enquanto proferia um discurso em pleno parlamento inglês.

Na verdade, sinto-me hoje, aqui e agora, como se estivesse recebendo Prêmio Mestre Aloysio de Paula pela segunda vez. Sentir-me-ia irremediavelmente frustrado caso não fosse eu que aqui estivesse para saudá-lo, meu querido! Mais uma vez devo essa honra ao particular amigo Jansen, título este que desde o começo do ano valoriza o meu currículo.

E sobre sua digníssima esposa, Professora Ana, você não vai fazer nenhuma menção? Vou sim. Numa das últimas vezes que o Rosemberg esteve em nossa casa, num arroubo de indiscrição, Neusa, minha mulher, saiu-se com esta: entre todos vocês, octogenários assumidos, o mais conservado é sem dúvida o Rosemberg. Olha que entre o grupo presente havia uns sexagenários "adolescentes". 0 casamento com a Doutora Ana acabara de realizar o milagre da eterna juventude:

E, para terminar, caso fosse necessário trazer Rosemberg no colo até este local e me perguntassem "está pesado?", eu prontamente responderia:

"não, ele é meu irmão”


AFFONSO BERARDINELLI TARANTINO

Membro da Academia Nacional de Medicina




José Rosemberg  e Ana Margarida 


Editorial - Jornal Brasileiro de Pneumologia 

32 (1) Fev 2006

https://doi.org/10.1590/S1806-37132006000100001 


sexta-feira, 18 de outubro de 2024

HOMENAGEM A JEAN-ANTOINE VILLEMIN NO DIA DO MÉDICO 18.10.2024



HOMENAGEM  A  JEAN-ANTOINE VILLEMIN  NO DIA DO MÉDICO 

Por: ana margarida 

Jean-Antoine Villemin nasceu em 25.01.1827, em Prey (Vosges), e faleceu em  06.10.1892, em Paris. 

Foi um médico militar, higienista e epidemiologista francês.

Na década de 1860, percebeu que os soldados confinados em quartéis eram mais afetados pela tuberculose do que os que estavam no campo. 

Levantou a hipótese de que a tuberculose  era transmissível  e, em 1865, demonstrou  que sua hipótese  estava certa ao  inocular material contaminado  em coelhos de laboratório. 

Ele publicou sua pesquisa em um trabalho intitulado  Etudes sur la Tuberculosis, (Estudos  sobre Tuberculose), onde descreveu a transmissão da tuberculose de humanos para coelhos, de bovinos para coelhos e entre coelhos.  

Infelizmente, suas descobertas foram ignoradas pela comunidade científica da época.

O grande  feito de Villemin só  foi reconhecido  anos depois, quando, em 1882, Robert Koch descobriu o agente causal da tuberculose, um bacilo.

Villemin recebeu homenagens póstumas, mas em vida não  teve o reconhecimento merecido.

Em 1951, o Comitê Nacional de Defesa contra a Tuberculose emitiu um adesivo com sua imagem.

Um hospital militar parisiense, localizado perto da Gare de l'Est, hoje em desuso, ostenta seu nome.

Em Paris, um jardim público é denominado Jardin Villemin.

Em 1894, a cidade de Bruyères, na França, ergueu um monumento em sua homenagem, na Place Stanislas.

Place Stanislas  - Bruyères 

Uma placa foi colocada em sua casa parisiense, 31 rue de Bellechasse .

Nossa homenagem  hoje, 18.10.2024, Dia do Médico, vai para Villemin  e inúmeros outros médicos anônimos  que não  são  reconhecidos por suas contribuições  à  medicina. 

ana margarida furtado arruda rosemberg 

Fortaleza,  18.10.2024

terça-feira, 15 de outubro de 2024

ÍNDICE BIBLIOGRÁFICO BRASILEIRO SOBRE TABAGISMO - 2003

No Índice Bibliográfico Brasileiro sobre Tabagismo - 2003, a maior  produção  científica é a de José Rosemberg.

Com 77 publicações,  equivalente a 22% do total, Rosemberg deixa uma inestimável produção científica para os ativistas e pesquisadores da chamada "Praga do Século  XX" (tabagismo). 

Abaixo, a relação do número de publicações de alguns citados no Índice Bibliográfico Brasileiro sobre Tabagismo - 2003. 

Publicações 

José Rosemberg  - 77 

Pedro Mirra -13

Aluísio Achutti - 13

Mario Albanese - 13

Vera luiza da Costa e Silva  - 11 

Mario Rigatto - 10

Edmundo Blundi - 9

Hisbelo Campos  - 7

L C Campana - 6

Carlos Gottschall - 4

Marco Antonio Moraes - 4

Josias Sampaio Cavalcante - 3

Ulisses Coelho - 2

Margareth Dalcolmo - 2

Dom Ivo Lorscheiter - 1

Ana Margarida - 1

e outros 

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PARABÉNS, CARLINHOS! Feliz Aniversário!

Carlos Eurico Furtado de Arruda
 
Para homenagear o Carlinhos que, se vivo fosse, completaria 61 anos hoje, 15.10.2024,  compartilho poesias de seu livro. 

                  O GOZO SIDERAL  DOS DEUSES







segunda-feira, 14 de outubro de 2024

PINCELADAS DA VIDA DE JOSÉ ROSEMBERG (1909-2005)

Prof. Dr. José Rosemberg  
Rose

Por: ana margarida furtado arruda rosemberg 

José Rosemberg é seu nome completo. Nasceu em Londres, Inglaterra, em 19 de setembro de 1909, naturalizando-se brasileiro. Filho único de pais judeus, Emanuel Rosenberg, nascido em 22 de agosto de 1883, na Áustria, e Sisel Neyberg (Eugenia) nascida em 21 de junho de 1890, na Polônia.

Em 1911, seu pai, acometido de tuberculose e aconselhado por médicos ingleses, migrou com a família para América do Sul a procura de clima tropical a fim de curar-se. A climatoterapia era preconizada para o tratamento da tuberculose naquela época, quando ainda não existiam os quimioterápicos específicos.

A família aportou, inicialmente, em Buenos Aires, onde residiu por aproximadamente três anos. Em 1915, os Rosenberg mudaram-se para a cidade de São Paulo. 

Na capital, onde Rosemberg iniciou seus primeiros estudos, seu pai trabalhou como alfaiate. Algum tempo depois, fixou residência em São José dos Campos-SP, cidade conhecida como estância climatérica para o tratamento da tuberculose pulmonar. Vale ressaltar que a tuberculose de Emanuel Rosenberg cronificou-se e ele faleceu com idade de 86 anos.

Em São José dos Campos, seus pais foram donos de uma pensão para doentes tuberculosos. Aliás, a cidade, uma verdadeira tisiópolis, tinha vários sanatórios e inúmeras pensões. 

O nome original de Rosemberg era “Joe Aron Rosenberg”, como consta na sua certidão de nascimento feita em Londres. Aqui no Brasil, seu pai mudou para José Rosemberg. A troca da letra “n” pela letra “m” na palavra “Rosemberg” aconteceu quando, no curso primário, ao escrever seu nome, a professora falou: - Menino, antes de “p” e “b’ só se escreve “m”. A partir de então, ele mudou a grafia.

Rosemberg passou parte da adolescência em São José dos Campos, ao lado do amigo Affonso Berardinelli Tarantino, que lá residia com sua mãe. Tarantino, como Rosemberg, tornou-se médico renomado. Os dois cultivaram uma bela amizade durante toda a vida e tratavam-se por “fratello”.

Em 22 de dezembro de 1926, com 17 anos de idade, Rosemberg colou grau em farmácia. Este feito só foi possível porque seu pai alterou sua data de nascimento para 1907. Por isso, em sua documentação oficial, consta, 19/09/1907, sua data de nascimento. Entretanto, sua certidão de Londres mostra 19/09/1909.

Após algum tempo como farmacêutico, percebeu sua vocação para medicina e ingressou na Faculdade Fluminense de Medicina, no Rio de Janeiro, colando grau em 29 de dezembro de 1934.

Rosemberg sofreu grande influência política de seu pai, que era um homem liberal e a favor dos movimentos de esquerda no Mundo. Em 1905, seu pai fez parte da Revolução Russa quando foi preso e anistiado e de onde partiu para a Inglaterra e de lá para América do Sul.

Durante o curso médico, Rosemberg participou da “Juventude Comunista”. Posteriormente, engajou-se na Aliança Nacional Libertadora, em São José dos Campos, durante a Intentona Comunista de 1935.

Herdou de seu pai um profundo gosto pela cultura francesa. Dedicou-se também ao conhecimento da cultura germânica e aprendeu a falar alemão com seu pai que era austríaco. Com sua mãe aprendeu a falar ídiche, uma língua da família indo-europeia adotada por judeus da Europa Central e Oriental.

Durante sua formação universitária, as culturas francesa e alemã predominavam nas ciências. Os livros de medicina eram editados, em sua grande maioria, em língua francesa, mas havia muitos em alemão.

Rosemberg amealhou uma cultura invejável. Transitou por várias áreas do conhecimento humano: literatura, história, artes, filosofia, ciências e medicina. Era um apaixonado por artes plásticas, música clássica e astrofísica. Conheceu inúmeros museus da Europa e descrevia com propriedade sobre cada obra de arte que apreciava.

Dominava várias línguas. Foi um apaixonado pela língua francesa, bem como pela história e cultura da França. Apreciava a Itália com seus museus e sua arte renascentista.

Tinha um gosto especial pela obra de Beethoven e Johann Sebastian Bach, que conhecia em profundidade. Nos anos da faculdade, participou como figurante em muitas peças no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Frequentou o famoso “Café Nice” e conviveu com boêmios como: Noel Rosa, Almirante, Manuel Bandeira, entre outros.

Conheceu Chiquinha Gonzaga e recebeu de Noel Rosa uma partitura da música “Fita amarela”, com dedicatória. Seu apurado gosto pela literatura universal o levou, segundo o Dr. Tarantino, a formar uma respeitável biblioteca, ainda como estudante de medicina.

No final de sua vida, era detentor de uma invejável e eclética biblioteca, que cultivou com esmero, durante sua trajetória terrena. Seu interesse pela linguagem teatral o fez dirigir peças de teatros com os tuberculosos em São José dos Campos, para onde retornou depois de formado em medicina.

Comentava que, ao dirigir a peça “A dama das Camélias”, encontrava dificuldade em selecionar uma paciente para fazer o papel da célebre prostituta. Todas recusavam este papel principal. Talvez, por causa do fim trágico de Marguerite Gautier.

Em sua trajetória médica transitou com desenvoltura em múltiplas áreas: magistério, saúde pública, pesquisa e clínica. Exerceu a docência desde a adolescência até a idade de 96 anos, quando faleceu. Foi professor de biologia, história, física e química em escolas municipais de São José dos Campos e do Rio de Janeiro, antes de concluir o curso médico.

Em 1946, escreveu sua primeira tese, “CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO DA ALERGIA INFRATUBERCULÍNICA”, para o concurso de livre docência da Faculdade Fluminense de Medicina.

Em 1948, concluiu sua segunda tese de livre docência, “SOBRE O CONTROLE E A DESCOBERTA DAS LESÕES MÍNIMAS DA TUBERCULOSE PULMONAR DO ADULTO”, que foi apresentada à Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro.

Para o estudo dessas lesões mínimas, Rosemberg ia de madrugada ao Cemitério de Campos do Jordão fazer autópsias clandestinas. À luz de lampião, retirava os pulmões dos indigentes que haviam morrido de tuberculose, os colocava em uma caixa com formol e escrevia material fotográfico. Ele fez ciência em condições precárias.

Como professor de medicina lecionou em várias instituições. Foi Professor titular de pneumologia e tisiologia da Faculdade de Ciências Médicas da PUC-SP, onde exerceu o magistério durante 50 anos, até seu falecimento em 2005. 

Foi professor de tisiologia da Faculdade de Medicina da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

Foi professor participante, por largos anos, do Centro de Referência Prof. Hélio Fraga, no Rio de Janeiro, onde ministrou aulas nos Cursos de Pneumologia Sanitária. 

Foi professor convidado de pneumologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará. 

Isto sem falar nas centenas de aulas e exposições que fez em 161 congressos, cursos e outros eventos por este imenso Brasil, América Latina e Europa, na luta contra a tuberculose e o tabagismo.

Casou-se bem jovem, recém-formado em medicina,  com Benedita Rosemberg e, em 1939, nasceu seu primogênito, ao qual deu o nome de Ivan, em homenagem ao grande amigo médico, de São José dos Campos, Dr. Ivan de Souza Lopes, que teve fundamental importância em sua vida intelectual e profissional.

Em 1940, casou-se com Iracema Azevêdo, viúva e mãe de duas crianças, Julio César e Sonia, que ele criou como filhos. 

Em 1941, Iracema deu-lhe outro filho, Sergio Rosemberg, que seguiu a carreira do pai e é renomado neuropatologista e professor da USP-SP.

Em 1994, casou-se com Ana Margarida, médica pneumologista e, como ele, ativista na luta contra o tabagismo no Brasil. Durante 12 anos, até o final de sua vida, viveram em perfeita união.

Rosemberg abraçou a tisiologia por causa da tuberculose de seu pai. Dizia que sua infância fora povoada por hemoptises. 

Seus primeiros estudos e práticas no campo desta especialidade, ainda como estudante de medicina, foram no Hospital São Sebastião, ao lado do médico bacteriologista Arlindo de Assis, a quem descrevia como: O pai da BCG no Brasil.

Como tisiólogo, Rosemberg trabalhou no Sanatório Vicentina Aranha e foi diretor clínico dos Sanatórios Vila Samaritana e Ezra, em São José dos Campos. 

Participou da criação da Liga de Assistência Social e Combate à tuberculose de São José dos Campos, tão em voga na época, e chegou a presidi-la.

Rosemberg morou em Campos do Jordão-SP, de 1940 até 1942, atuando no Sanatório Ebenezer como diretor clínico. 

A partir de 1943, fixou-se, definitivamente, na capital de São Paulo, onde iniciou suas atividades médicas como clínico especialista em tuberculose e doenças pulmonares. 

Por largos anos manteve consultório particular.

Em 1945, vinculou-se à Divisão do Serviço de Tuberculose da Secretaria de Saúde Pública e Assistência Social do Estado de São Paulo. 

Estudou em Paris, no Hospital Laennec, como bolsista do governo francês. 

Em 1946, foi nomeado chefe do Dispensário Modelo do Instituto de Pesquisas Clemente Ferreira, ficando neste cargo até 1955.

De 1955 a 1967, foi diretor do Instituto de Pesquisas Clemente Ferreira onde desenvolveu importantes pesquisas para o controle da tuberculose. 

De 1955 a 1963, esteve à frente da Divisão do Serviço de Tuberculose do Estado de São Paulo. Foi representante regional da Campanha Nacional Contra a Tuberculose no Estado de São Paulo (1952-1963), tendo sido membro do Comitê Científico de Assessoramento em Tuberculose do Ministério da Saúde.

Foi, ainda, Governador do Capítulo de São Paulo do American College of Chest Physicians, Conselheiro da Union Internationale Contre La Tuberculose e Membro do Comitê de BCG do American College of Chest Physician.

De 1951 a 1976, assumiu a função de perito da Organização Mundial de Saúde (OMS). 

Em 1966, aposentou-se do Instituto de Pesquisas Clemente Ferreira e passou a dedicar-se com mais afinco ao ensino e pesquisa na Faculdade de Ciências Médicas da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), onde foi admitido, em 1955, como um dos fundadores.

Em sua trajetória nesta instituição, participou da criação da disciplina de tisiologia e pneumologia.

Foi professor de mais de quatro mil alunos de medicina. Foi, também, diretor da referida faculdade, de 1967 a 1972. Organizou e promoveu 28 cursos de especialização em tuberculose.

Foi membro do Conselho Universitário de PUC-SP e Presidente da Comissão de Pesquisa da PUC-SP.

Orientou 32 teses de doutoramento, sendo 22 de tuberculose e 10 de tabagismo. 

Sua produção científica fruto de pesquisas na área de tuberculose e tabagismo foi bastante profícua.

Na década de 1940, apresentou vários trabalhos sobre BCG em inúmeros congressos de Tuberculose no Brasil, Cuba, Equador e Argentina.

Em 1948, apresentou no Congresso de BCG, em Paris, trabalho intitulado: “La Vaccination par le B.C.G. Chez les Sujets Allergiques”. 

Publicou suas pesquisas sobre BCG em revista alemã com o título: DIE BCG SCHUTZIMPFUNG – Die orale BCG- Impfung beim Menschen Von J. Rosemberg

Em 1954, publicou Die Orale BCG-Impung bein Menschen. 

Em 1951, apresentou no IX Congresso Panamericano de Tuberculose, no Equador, trabalho intitulado “EVOLUÇÃO DA ALERGIA SEGUNDO OS ESQUEMAS DA OROVACINAÇÃO BCG”.

Em 1952, apresentou na XII Conferência Internacional Contra a Tuberculose, no Rio de Janeiro, trabalho intitulado “IMUNIDADE NA TUBERCULOSE”. 

Em 1952, apresentou no X Congresso Brasileira de Higiene, em Belo Horizonte, trabalho intitulado “Estado atual do conhecimento da inversão da reação de mitsuda por efeito do bcg oral”.

Em 1954, publicou na revista alemã DER TUBERKULOSEARZT artigo intitulado “Die orale BCG – Vakzination

Em 1955, publicou o livro “O MODERNO DISPENSÁRIO ANTI TUBERCULOSO” com Manoel Caetano da Rocha Passos Filho e Jamil N. Aun.

Ao lado de Nelson Souza Campos e Jamil Aun e, através de pesquisas desenvolvidas no Instituto Clemente Ferreira, Rosemberg demonstrou que a vacina BCG provoca a positivação da reação lepromínica e exerce poder protetor contra a hanseníase.

Em 1970, publicou com Manoel Caetano da Rocha Passos Filho um livro em língua inglesa intitulado: BCG VACCINATION BY THE ORAL ROUTE – Referring to the “Critical Review of Research on Oral BCG-Vaccination” by the tuberculosis Unit, Division of Communicable Diseases World Health Organization.

Publicou muitos dos seus artigos nos seguintes periódicos: Revista Brasileira de Tuberculose, Revista Paulista de Tisiologia, Revista Brasileira de Leprologia, Revista Brasileira de Medicina e Revista “O Hospital”.

Abraçou a luta para o controle do tabagismo no Brasil, em 1975, mas sua paixão e luta para o controle da tuberculose continuou até o final de sua vida. 

Expressou esta luta, após a década de 1970, na Faculdade de Medicina da PUC- SP, na Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, no Ministério da Saúde (como assessor) e na Secretaria de Saúde do Estado do Ceará, como assessor do Programa de Controle da Tuberculose. Como tal, publicou o livro: Tuberculose: Panorama Global – Óbices para o Controle - SES-Ceará, 1999, e vários Manuais para as Equipes Saúde da Família como: Vacina BCG, Tuberculina, Tuberculose na Infância, em 2001. 

Publicou o capítulo sobre tuberculose do livro “Doenças Pulmonares” de Affonso Berardinelli Tarantino, em várias de suas edições, sendo a última em 2002. 

Publicou, ainda, Controle da Tuberculose: Uma proposta de integração Ensino /Serviço, em 2002, pelo Ministério da Saúde e Tuberculose: Guia de Vigilância Epidemiológica – 2002.

Graças à sua formação humanística aliada aos valores morais que sempre preservou, dedicou-se com afinco à saúde pública em outra vertente: o tabagismo.

Em sua luta contra o fumo, Rosemberg foi uma das primeiras vozes que colocou este tema no Brasil. 

Já tinha um reconhecimento nacional e internacional no controle da tuberculose quando, na década de 1970, com mais de 60 anos de idade entrou de forma corajosa em um tema novo que não tinha ainda nenhuma base nacional.

Ele veio a público, falou com a imprensa, ensinou seus alunos, escreveu livros, cruzou este país desfraldando a bandeira de luta contra o tabaco sendo, portanto, iniciador de uma massa crítica brasileira no combate ao fumo.

Foi Presidente do I Congresso Brasileiro sobre Tabagismo, realizado no Rio de Janeiro, em maio de 1994, e Presidente de Honra dos quatro congressos seguintes, ocorridos, respectivamente, em Fortaleza (1996), Porto Alegre (2000), Brasília (2002) e Belo Horizonte (2004).

Foi membro do Grupo Assessor do Ministério da Saúde para o Controle do Tabagismo no Brasil, de 1985 à 1993; 

Presidente do Comitê Coordenador do Controle do Tabagismo no Brasil, de 1987 à 2005; 

Membro da Câmara Técnica de Tabagismo do Programa Nacional de Controle do Tabagismo do INCA-MS, de 1993 à 2005; 

Assessor Técnico em Tabagismo da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará, de 1999 à 2001 e da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.

Rosemberg publicou mais de vinte livros sobre tabagismo e tuberculose, e mais de trezentos artigos científicos em revistas médicas nacionais e estrangeiras. 

Dentre os principais livros relacionados ao tabagismo estão: “Tabagismo: Fisiopatologia e Epidemiologia”, PUC-SP, 1977; 

“Tabagismo: Sério Problema de Saúde Pública’, publicado pela editora Almed-Edusp - São Paulo, 1981, (laureado pela Academia Nacional de Medicina); 

“Métodos para deixar de fumar”, com a colaboração de Vera Luíza da Costa e Silva, INCA, Rio de Janeiro, 1986; 

“Tabagismo e Câncer”, publicado pelo CEBRAF, Senado Federal, Brasília, 1991; 

“Tabagismo e enfisema”, publicado pelo CEBRAF, Senado Federal, Brasília, 1992; 

“Informações Básicas sobre o Tabagismo”, Secretaria de Estado da Saúde-SP, 1996; 

“Alguns Aspectos Marcantes e Pitorescos da Fabulosa Trajetória do Tabagismo”, SESA, 1996;

“Cartilha sobre Tabagismo”, SESA, 1997; 

“Temas sobre o Tabagismo”, Secretaria de Estado da Saúde-SP, 1998; 

“Tabagismo – ações de Controle do Tabagismo e outros fatores de risco de Câncer”, Secretaria de Estado da Saúde- SP, sem data; 

“Nicotina – Efeitos Maléficos e benéficos”, Secretaria de Estado da Saúde-SP, 1998; 

“Nicotina”, Colegio Medico del Peru, Colcit, Lima, 1999; 

“Pandemia do Tabagismo. Enfoques Históricos e Atuais”, Secretaria de Estado da Saúde SP, 2002;

 “Nicotina: Droga Universal”, com a colaboração de Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg e Marco Antonio de Moraes, INCA-MS e SES/CVE, São Paulo, 2003.

Rosemberg foi um dos autores pioneiros da divulgação dos danos à saúde causados pelo fumo, sendo que sua produção científica sobre tabagismo abrangeu o total de 72 produções entre artigos e livros, representando 22% do total das publicações constantes do Índice Bibliográfico Brasileiro sobre Tabagismo (2003).

Foram muitas as condecorações e os títulos honoríficos que lhe foram outorgados por instituições governamentais e ONGs.

Em 11 de fevereiro de 1970, foi condecorado pelo governo francês como: Commandeur dans l’Ordre des Palmes Académiques, por suas pesquisas com a vacina BCG e difusão da ciência francesa no Brasil.

Graças às referidas pesquisas, a BCG passou a ser usada indiscriminadamente, sem necessidade do teste tuberculínico, no mundo inteiro. 

Ingressou como membro titular da Academia de Medicina de São Paulo, em 7 de março de 1977, tornando-se membro honorário daquele sodalício.

Em 21 de novembro de 1996, recebeu o título de cidadão Paulistano e, em 18 de setembro de 2003, o título de cidadão Sorocabano. 

A OMS conferiu-lhe a Medalha “Tabaco e Saúde” pelas pesquisas e luta contra o tabaco no Brasil, em 10 de novembro de 1991.

O Comitê Latino-Americano Coordenador do Controle de Tabagismo o proclamou Presidente Honorário, em 25 de janeiro de 1995, na Cidade do México.

A Secretaria Nacional Antidrogas da Presidência da República, em 19 de junho de 2002, conferiu-lhe o Diploma “Mérito pela Valorização da Vida”.

A Secretaria de Justiça e Defesa do Cidadão do Estado de São Paulo, em 26 de junho de 2002, conferiu-lhe um Diploma por sua luta antidrogas.

Rosemberg está citado na Grande Enciclopédia Larousse Cultural Francesa, com o seguinte verbete:

ROSEMBERG (José), médico brasileiro de origem inglesa (Londres 1910). Formado em Farmácia e Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, especializou-se em tuberculose e doenças Pulmonares. Foi diretor da Divisão de Tuberculose do Estado de São Paulo (1956-1962). Participou ativamente da introdução da vacina BCG no Brasil, sobretudo no combate à hanseníase, tendo sido laureado pelo governo francês, com a Palma Acadêmica no grau de Comendador. Publicou 168 trabalhos, dentre os quais: Lesões mínimas da tuberculose pulmonar; descoberta e tratamento (1948); O dispensário antituberculoso (1950) e Tabagismo, Sério Problema de Saúde Pública (prêmio da Academia Nacional de Medicina, 1980).

Vale ressaltar que esta enciclopédia é de 1995 e que Rosemberg viveu até 2005. Portanto, sua produção científica foi bem maior.

Ele dizia que sua fase de maior produção foi depois que se casou comigo, em 1994. 

Nos últimos anos de sua vida recebeu inúmeras homenagens e condecorações do Ministério da Saúde, Secretarias de Saúdes, Sociedades Médicas e outras instituições. 

Rosemberg era detentor de uma capacidade de trabalho extraordinária. Gostava de dizer que ia morrer em pé. Dizia: “Os imperadores romanos quando iam morrer pediam para ficar em pé. Como não sou imperador romano, e sim o que dizem em minha terra: ‘burro bom, morre arreado’. Vou morrer assim”.

E assim faleceu. Ministrou sua última aula na Faculdade de Medicina da PUC-SP, no final de junho de 2005, acamou-se em julho e faleceu, em 24 de novembro, em sua residência, como devem morrer os grandes homens.

As repercussões científicas de suas pesquisas sobre a vacinação BCG indiscriminada (direct vaccination), a proteção anti-leprótica pelo BCG e o tabagismo e seus malefícios à saúde, guindaram-no ao panteão das grandes personalidades médicas do século XX. 

ana margarida 

Fortaleza, setembro de 2014. 


O texto acima foi publicado  no Livro  "Confissões de Amor"