Texto publicado na Revista Digital do Jornal do Médico
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Monumento ao Dr. Pinel, no Hospital Salpétrière, com os dizeres abaixo:
Au Docteur Philippe Pinel, Bienfaiteur des Alienes 1745-1825. La Societé Medico-Psychologique de Paris
Quadro
Dr. Philippe Pinel no Salpêtrière, 1795, por Tony Robert-Fleury. Pinel ordenando a remoção das correntes dos pacientes do Asilo para mulheres loucas de Paris.
PHILIPPE PINEL - O Pai da Moderna Psiquiatria
Philippe Pinel, filho de Philippe François Pinel,
cirurgião, e de Elisabeth Dupuy, nasceu, em 20 de abril de 1745, em Jonquières,
uma pequena aldeia no sul da França, e faleceu, em 25 de outubro de 1826,
em Paris.
Pinel fez seus estudos clássicos no colégio
de Lavaur (Tarn), no sul da França. Em seguida, estudou no College
de l’Esquile de Toulouse, de onde saiu, em 1767, para ingressar em uma
faculdade de teologia.
Em 1770, impregnado de latim e de religião, deixou
a batina sem ter pronunciado os votos. Em 1773, ao escrever sua tese médica, na
conclusão de seus estudos na Faculdade de Medicina de Toulouse,
pôde observar os loucos acorrentados.
Em 1778, quando chegou a Paris, teve um período de
aulas particulares de matemática e traduções de textos médicos, como: The
Institutions of Practical Medicine, de William Cullen, e Medical
Works, de Georgio Baglivi. Depois, envolveu-se no movimento revolucionário
de 1789, mas, com a chegada do “Terror”, distanciou-se.
Em
1793, foi nomeado “médico dos loucos” de Bicêtre, uma comuna
ao sul de Paris. Lá, ele observou atentamente as práticas do dr. Jean-Baptiste
Pussin e sua esposa Marguerite Pussin.
As referidas práticas consistiam no “tratamento
moral” dos loucos, levando em consideração a parte ainda intacta da razão.
Pussin era um homem de grande benevolência para com os doentes, e pôs em
prática a abolição do uso de correntes, tão corriqueiro no tratamento dos
doentes mentais.
Em 1795, em Paris, Pinel foi nomeado médico-chefe
do Pitié-Salpêtrière, o maior hospício do mundo com capacidade
para 10.000 pacientes. No Salpêtrière, Pinel aplicou
as mesmas reformas do Hospital Bicêtre, que aprendera com
Jean-Baptiste e Marguerite.
Em sua obra, “Tratado de Insanidade”, de 1801,
Pinel reconhece sua dívida para com o casal Pussin (Jean-Baptiste e Marguerite)
e suas contribuições pioneiras à psiquiatria. Ele afirma que Jean-Baptiste
definiu a abordagem psicológica a ser utilizada, pois vivera dia e noite entre
os insanos e estudara seus modos e seus gostos.
Em 1798, Pinel publicou sua obra “Nosografia
Filosófica”, uma classificação das doenças mentais. Em 1801, escreveu “Tratado
Médico-filosófico” sobre alienação mental, onde classifica: melancolia simples
(delírio parcial); mania (delírio generalizado); demência (deficiência
intelectual generalizada); idioma (total abolição das funções do entendimento).
Para Pinel, os transtornos mentais são decorrentes
de danos fisiológicos causados pelas emoções; o “louco” é um sujeito e é
preciso levar em consideração seu passado e suas dificuldades para o
estabelecimento da terapia. Pinel baniu tratamentos, como: sangrias, vômitos
induzidos, purgações e ventosas; preconizou tratamento digno e respeitoso,
incluindo terapias ocupacionais.
Pinel foi um dos primeiros a libertar os pacientes
dos manicômios e das correntes. Suas teorias, por serem avançadas para a época,
encontraram resistência. Era comum, mesmo depois de seus estudos publicados,
ver instituições que tratavam os doentes mentais como criminosos ou
endemoniados.
Na frente da entrada principal do hospital Salpétrière, há
um grande monumento de bronze com uma estátua de Pinel no topo e os seguintes
dizeres:
Au Docteur Philippe Pinel, Bienfaiteur des Alienes
1745-1825. La Societé Medico-Psychologique de Paris
ana margarida furtado arruda rosemberg
Fortaleza, 13 de janeiro de 2023




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