terça-feira, 24 de janeiro de 2023

PHILIPPE PINEL - O Pai da Moderna Psiquiatria

Texto publicado na Revista Digital  do Jornal do Médico

 https://jornaldomedico.com.br/wp-content/uploads/RD-Janeiro-2023-app.pdf


Monumento ao Dr. Pinel, no Hospital Salpétrière, com os dizeres abaixo:

Au Docteur Philippe Pinel, Bienfaiteur des Alienes 1745-1825. La Societé Medico-Psychologique de Paris


Quadro 

Dr. Philippe Pinel no Salpêtrière, 1795,  por Tony Robert-Fleury.                                        Pinel ordenando a remoção das correntes dos pacientes do Asilo para mulheres loucas de Paris.


PHILIPPE PINEL - O Pai da Moderna Psiquiatria

Philippe Pinel, filho de Philippe François Pinel, cirurgião, e de Elisabeth Dupuy, nasceu, em 20 de abril de 1745, em Jonquières, uma pequena aldeia no sul da França, e faleceu, em 25 de outubro de 1826, em Paris.    

Pinel fez seus estudos clássicos no colégio de Lavaur (Tarn), no sul da França. Em seguida, estudou no College de l’Esquile de Toulouse, de onde saiu, em 1767, para ingressar em uma faculdade de teologia.

Em 1770, impregnado de latim e de religião, deixou a batina sem ter pronunciado os votos. Em 1773, ao escrever sua tese médica, na conclusão de seus estudos na Faculdade de Medicina de Toulouse, pôde observar os loucos acorrentados. 

Em 1778, quando chegou a Paris, teve um período de aulas particulares de matemática e traduções de textos médicos, como: The Institutions of Practical Medicine, de William Cullen, e Medical Works, de Georgio Baglivi. Depois, envolveu-se no movimento revolucionário de 1789, mas, com a chegada do “Terror”, distanciou-se.

            Em 1793, foi nomeado “médico dos loucos” de Bicêtre, uma comuna ao sul de Paris. Lá, ele observou atentamente as práticas do dr. Jean-Baptiste Pussin e sua esposa Marguerite Pussin.

As referidas práticas consistiam no “tratamento moral” dos loucos, levando em consideração a parte ainda intacta da razão. Pussin era um homem de grande benevolência para com os doentes, e pôs em prática a abolição do uso de correntes, tão corriqueiro no tratamento dos doentes mentais.

Em 1795, em Paris, Pinel foi nomeado médico-chefe do Pitié-Salpêtrière, o maior hospício do mundo com capacidade para 10.000 pacientes. No Salpêtrière, Pinel aplicou as mesmas reformas do Hospital Bicêtre, que aprendera com Jean-Baptiste e Marguerite.

Em sua obra, “Tratado de Insanidade”, de 1801, Pinel reconhece sua dívida para com o casal Pussin (Jean-Baptiste e Marguerite) e suas contribuições pioneiras à psiquiatria. Ele afirma que Jean-Baptiste definiu a abordagem psicológica a ser utilizada, pois vivera dia e noite entre os insanos e estudara seus modos e seus gostos.

Em 1798, Pinel publicou sua obra “Nosografia Filosófica”, uma classificação das doenças mentais. Em 1801, escreveu “Tratado Médico-filosófico” sobre alienação mental, onde classifica: melancolia simples (delírio parcial); mania (delírio generalizado); demência (deficiência intelectual generalizada); idioma (total abolição das funções do entendimento).

Para Pinel, os transtornos mentais são decorrentes de danos fisiológicos causados ​​pelas emoções; o “louco” é um sujeito e é preciso levar em consideração seu passado e suas dificuldades para o estabelecimento da terapia. Pinel baniu tratamentos, como: sangrias, vômitos induzidos, purgações e ventosas; preconizou tratamento digno e respeitoso, incluindo terapias ocupacionais.  

Pinel foi um dos primeiros a libertar os pacientes dos manicômios e das correntes. Suas teorias, por serem avançadas para a época, encontraram resistência. Era comum, mesmo depois de seus estudos publicados, ver instituições que tratavam os doentes mentais como criminosos ou endemoniados.  

Na frente da entrada principal do hospital Salpétrière, há um grande monumento de bronze com uma estátua de Pinel no topo e os seguintes dizeres:

Au Docteur Philippe Pinel, Bienfaiteur des Alienes 1745-1825. La Societé Medico-Psychologique de Paris

ana margarida furtado arruda rosemberg

Fortaleza, 13 de janeiro de 2023

 

domingo, 22 de janeiro de 2023

UMA TARDE NO CINEMA 3 – “The Fabelmans”


Ontem, 18/01/2023, depois de ver nas mídias digitais a propaganda do filme “The Fabelmans” de Steven Spielberg e receber um convite da minha amiga, Beth das Artes, para ver o referido filme, resolvi ir assisti-lo naquele mesmo dia.

Aprendi com o Rose, que devemos escolher o filme pelo diretor. Não tive dúvidas. Spielberg, um dos maiores cineastas de todos os tempos, é um dos meus favoritos. Eclético, ele dirigiu, entre outros: “Tubarão”, “Jurassic Park”, “E.T. – O extraterrestre”, “A Lista de Schindler”, “O Resgate do Soldado Ryan”, “Amistad” e “A Cor Púrpura”, que consta, em segundo lugar, na minha lista dos 10 melhores filmes.

Por incompatibilidade de horário, não foi possível ir com a Beth, mas tive a amorosa companhia da Janinha, minha filha. Na telona da Sala Vip do Shopping Rio Mar, às 13h30min, o filme explodiu em nossos olhos e, durante 2h30min nos deleitou.

Em “The Fabelmans”, Spielberg, aclamado cineasta judeu de 76 anos, viaja ao passado, revisita sua infância e adolescência nos anos 50 e 60 do século XX, desnuda sua alma sensível e homenageia seus pais e a sétima arte. Em sua história semiautobiográfica, ele utiliza o sobrenome “Fabelman” como pseudônimo de “Spielberg”.

No filme acompanhamos a história de Sammy, (representado criança por Mateo Zoryon Francis-DeFord e adolescente por Gabriel LaBelle) que, aos seis anos de idade, após ser levado por seus pais, pela primeira vez ao cinema, para assistir “O Maior Espetáculo da Terra”,1952, de Cecil B. DeMille, se apaixona pela sétima arte.

Sem dúvida, Spielberg deve seus dotes artísticos aos pais (Leah e Arnold Spielberg), especialmente, à sua mãe Leah (no filme, Mitzi, interpretada magistralmente por Michelle Williams), que, pianista prodígio, mostrou sua arte ao filho.  

Seu pai Arnold (no filme Burt, interpretado por Paul Dano) um expert em tecnologia, também, teve papel importante, no desenvolvimento do cineasta. Juntando o lado artístico e tecnológico, o garoto deu asas à imaginação usando uma “Super 8”.

Produzindo filmes caseiros com as três irmãs, os pais e, na escola, com seus colegas, Spielberg desenvolve sua genialidade. Ao mesmo tempo, descobre que seus pais vivem uma crise insuperável que leva ao divórcio e ao sofrimento da família.

Além disso, vive um drama colegial recheado de preconceitos e violência física por colegas valentões antissemitas. Não podia faltar seu primeiro envolvimento amoroso que termina melancolicamente.

Apesar de tantos percalços, o jovem finalmente encontra a porta de entrada para desenvolver sua brilhante carreira, retratada no filme no breve e nervoso encontro com John Ford (interpretado por David Lynch). A fita termina, enfim, com o gosto de quero mais.

Por ser um filme de memórias, “The Fabelmans” me remeteu à infância, nos idos da década de 1950, em Baturité-CE. Meu pai, Miguel Edgy Távora Arruda, amante da sétima arte, projetava filmes caseiros feitos por ele com uma super 8, de seus filhos e familiares no famoso “Cine Beco”.

 Assistindo “The Fabelmans” revisitei, com doçura, amor e algumas lágrimas, meu passado em Baturité.

ana margarida furtado arruda rosemberg

Fortaleza, 19 de janeiro de 2023

quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

POSSE NO INSTITUTO DO CEARÁ - LUIS ERNESTO ARRUDA BEZERRA - 11.01.2023

Ontem, 11.01.2023, o Instituto Histórico, Geográfico e Antropológico do Ceará (Instituto do Ceará) realizou a Solenidade de Posse de três novos membros: a Profa. Ana Paula Cavalcante Alencar da Silva (sócia efetiva) e os doutores: Luis Ernesto Arruda Bezerra e  José Henrique de Almeida Braga (sócios colaboradores). 

A solenidade, presidida pelo atual presidente do Instituto, o General Júlio Lima Verde Campos de Oliveira, ocorreu no belo e histórico Palacete Jeremias Arruda, em Fortaleza-CE e contou com a participação de familiares, amigos e sócios do Instituto. 

A saudação à sócia efetiva foi proferida pelo Professor Luciano Pinheiro Klein e aos sócios colaboradores pelo Dr. Augusto César Bastos Barbosa.

Após a solenidade,  foi servido um coquetel aos presentes.

Parabéns aos novos sócios do Instituto do Ceará.

Registros:

fotografias - Jana Arruda 

vídeos - ana margarida furtado arruda rosemberg

















 


sábado, 7 de janeiro de 2023

RESENHA DO LIVRO - “SAPIENS - Uma breve história da humanidade” - Yuval Noah Harari

 RESENHA DO LIVRO


                Yuval Noah Harari
 “SAPIENS - Uma breve história da humanidade” - Yuval Noah Harari

Por: ana margarida furtado arruda rosemberg 

O autor deste best-seller internacional, Yuval Noah Harari, é um jovem Prof. de História da Universidade Hebraica de Jerusalém, com doutorado em Oxford.

Em Sapiens, Harari faz uma interface entre história e biologia, bastante instigante e pouco explorada pelos historiadores. Harari interpreta a história humana de uma maneira original, abordando, principalmente, 70 mil anos de história do Homo sapiens.

Harari tem insights geniais. O mais interessante, do ponto de vista científico e historiográfico, são os três grandes cortes que ele propõe. São três revoluções: Cognitiva, Agrícola e Científica.

Na Revolução Cognitiva, ocorrida há cerca de 50 mil anos, houve mudanças nos padrões de processamento mental, fazendo com que os sapiens deixassem as savanas africanas, abandonando a determinação biológica, e começassem a criar ficções. 

Essa revolução causou um êxodo, levando os sapiens a se espalharem por diversas partes da terra.

Para Harari, essa revolução está ligada a capacidade dos sapiens de criarem ficção e modo de cooperação flexível, mantendo os agregados humanos unidos, diferentemente dos outros primatas, como chimpanzés e bonobos. 

Tal cooperação flexível possibilitou aos sapiens subjugarem as demais espécies de hominídeos, causando o desaparecimento das mesmas. 

De dois milhões de anos até 10 mil anos atrás, o mundo foi habitado por várias espécies humanas ao mesmo tempo.  Há 100 mil anos conviviam pelo menos seis espécies. 

A revolução cognitiva nos fez criar uma teia mítica ficcional que nos deu um suplemento civilizacional de arte, de política e de cultura.

Na segunda revolução, a da agricultura, há cerca de 10 mil anos, que sempre foi vista como um avanço na história humana, Harari nos mostra um paradoxo, uma contra face da mesma. 

Houve grande aumento de disputas por poder, militarização, guerras, criação dos estados, cidades e manipulação da vida de algumas espécies de plantas e animais, levando a disseminação de doenças e pandemias.

Na terceira revolução, a científica, no século XVIII, Harari mostra a nossa insignificância, pois a mesma descortinou bilhões de galáxias e trilhões de planetas em um universo teoricamente infinito.

Essa revolução vasculhou e mapeou o campo dos microrganismos (bactérias e vírus), das células e regiões abissais do mar. 

O Homo sapiens, de animal insignificante, há 70 mil anos, transformou-se no senhor do planeta e no terror do ecossistema. Construiu cidades, fundou impérios, criou grandes redes de comércios, avançou no estudo da ciência e está prestes a adquirir a capacidade de criação e destruição. 

Fizemos progresso com a redução da fome, das pragas e das guerras, mas a situação dos outros animais se deteriorou. 

Harari questiona e afirma: será que diminuímos a quantidade de sofrimento no mundo? Parecemos deuses sem saber o que queremos. 

Existe algo mais perigoso do que deuses insatisfeitos e irresponsáveis que não sabem o que querem?

ana margarida furtado arruda rosemberg 
Fortaleza, 28/6/2020

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

POSSE LULA 2023

Foi emocionante a posse do Lula.

Um presidente que olha para os que mais necessitam de atenção e compaixão. Um presidente empenhado  em combater a discriminação racial, de gênero e, principalmente, a social, que reina impunemente neste Brasil escravocrata.

Sim, o Brasil, infelizmente,  continua sendo escravocrata. O imaginário profundo é escravocrata. A expressão, “meu senhor”, "minha senhora", entre outras, nos indica que continuamos  num mundo de senhores. 

O Brasil  é um país conservador. 

A escravidão  ficou entranhada entre os brasileiros. Mas sou otimista ao ver se descortinando o governo  Lula.

Acho que  aos poucos o Brasil  vai se libertando do ethos, do imaginário profundo da escravidão.  😘

ana margarida furtado arruda rosemberg