quarta-feira, 21 de setembro de 2022

AS QUATRO DEUSAS FAMAS DA PONTE ALEXANDRE III

Postado no Jornal do Médico. Link, abaixo.

https://jornaldomedico.com.br/2022/09/as-quatro-deusas-famas-da-ponte-alexandre-iii-paris/ 

 AS QUATRO “DEUSAS FAMAS” DA PONTE ALEXANDRE III – PARIS

Em Paris, a “Ponte Alexandre III” é a mais bela das 37 pontes e passarelas que atravessam o rio Sena em seu percurso de 13 km pela cidade-luz.

A referida ponte ostenta, além de esculturas de ninfas, cupidos e leões, quatro imponentes esculturas de mulheres aladas, em bronze dourado. São estátuas alegóricas que trazem o mesmo tema: o cavalo alado Pégaso (da mitologia grega) sendo retido pela deusa Fama (Renommée em francês).

As esculturas estão localizadas nas extremidades da ponte em pilares monumentais de 17 metros de altura. Elas retratam a “Fama” das:  Guerra (França sobre Louis XIV), Combate (França Renascentista), Artes (França de Carlos Magno) e Ciências (França Moderna).  

“Fama” (mitologia romana) ou “Pheme” (mitologia grega) é uma deusa filha de Gaia (terra) e irmã de Saturno. Ela tem duas trombetas: a curta (dedicada à fofoca) e a longa (dedicada à fama).

Foi espalhando boatos que a deusa Fama garantiu que Dido soubesse da partida de Enéias. Ela, também, foi usada pela deusa Vênus, que queria se vingar dos habitantes de Ilha Lemnos, por terem abandonado o seu culto, quando ela traiu Vulcano com Marte. Através da deusa Fama, Vênus espalhou falsos rumores às mulheres de Lemnos e conseguiu desencadear uma batalha entre homens e mulheres da Ilha.

Por outro lado, a deusa Fama torna os heróis imortais reverenciando sempre suas memórias.

Fama deu lugar à figura dos anjos, da tradição judaico-cristã, que são seres alados, protetores e portadores das mensagens de Deus.

ana margarida furtado arruda rosemberg

Paris, 8 de outubro de 2022


HOSPITAL PITIÉ-SALPÊTRIÈRE DE PARIS

Postado no Jornal do Médico. Link, abaixo.

https://jornaldomedico.com.br/2022/09/hospital-pitie-salpetriere-de-paris/ 


HOSPITAL PITIÉ-SALPÊTRIÈRE DE PARIS

O “Pitié-Salpêtrière” é um hospital parisiense de assistência pública, localizado no 13º arrondissement da cidade. É o maior hospital de Paris, com seus 90 prédios distribuídos em 33 hectares. São 77 serviços agrupados em 10 áreas, incluindo emergências. Quase todas as patologias são tratadas lá.

A origem do “Salpètrière” remonta ao século XVII, quando, em 1656, o rei Louis XIV mandou construir um hospital para confinar mendigos e mulheres loucas. O local escolhido foi uma fábrica de pólvora para munição, salitre (salpêtre).  Daí vem o nome “Salpêtrière”. Como fez nos “Invalides”, Louis XIV mandou, também, construir uma capela dedicada a São Luiz, uma das joias do “Salpêtrière”.

Em 1612, rainha Marie de Médicis construiu o hospício “Notre-Dame de la Pitiè”, no local de uma quadra de tênis em desuso. Neste local, hoje, fica a “Grande Mesquita de Paris”. O hospício foi erguido para prender mendigos, filhos de mendigos e órfãos. Em 1657, passou a ser dependente do “Salpêtrière”. Em 1911, novos edifícios do “Pitié” foram instalados ao lado do “Salpêtrière”. Em 1964, houve a fusão dos dois.

Curiosidades: Entre 1663 e 1673, Louis XIV enviou mais de 770 jovens francesas para o Quebec, a fim de contribuírem com a colonização da “Nova França”. Elas foram chamadas de "As Filhas do Rei". 240 delas estavam confinadas no “Salpêtrière”. Isso fez do “Salpêtrière” um local de concentração, repressão e detenção de mulheres.

Em 1789, quando eclodiu a Revolução Francesa, o hospital Salpêtrière,  o maior hospício do mundo, abrigava dez mil pessoas, e não tinha propriamente função médica: seus pacientes eram enviados para o “Hôtel-Dieu”.

 Durante a Revolução, nos dias 3 e 4 de setembro de 1792, cenas sangrentas aconteceram no Salpêtrière, onde os indigentes loucos estavam amontoados.

Em 1795, o dr. Philippe Pinel (1745-1826) revolucionou o hospital defendendo o fim do espancamento e do acorrentamento das prisioneiras.

De 1882 a 1892, a “Escola de Salpêtrière”, liderada por Jean-Martin Charcot (1825-1893), foi, com a Escola de Nancy, uma das duas grandes escolas da "idade de ouro" da hipnose na França. Charcot, o pai da neurologia, foi também imortalizado em uma obra de Arte de André Brouillet (1857-1914), “Une leçon clinique à la Salpêtrière”.

Seu trabalho sobre hipnose e histeria, na “École de la Salpêtrière”, inspirou tanto Pierre Janet em seus estudos de psicopatologia quanto Sigmund Freud, no que diz respeito à invenção da psicanálise.

No final do século XIX, organizava-se anualmente um famoso baile no hospício Salpêtrière: o baile para as loucas, assim como um baile para as crianças epilépticas.

O maior hospital de Paris é repleto de história.

 Em 1976, vários edifícios do Salpêtrière foram classificados monumentos históricos, como:  a capela, o pavilhão de entrada, a antiga força, a rouparia, a farmácia, entre outros. Esses edifícios, construídos pelo Rei-Sol para esconder a pobreza de Paris, hoje tratamas mazelas dos parisienses.

ana margarida furtado arruda rosemberg

Paris, 15 de setembro de 2022


terça-feira, 6 de setembro de 2022

PRIMÓRDIOS DA CARDIOLOGIA CEARENSE


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PARIS CIDADE VERDE

 Publicado no Jornal do Médico. Link, abaixo.

https://jornaldomedico.com.br/2022/09/paris-cidade-verde/



PARIS CIDADE VERDE

Paris é conhecida como a cidade-luz. 

Outros adjetivos cabem bem nesta cidade, como: cidade-verde, cidade-jardim, cidade-museu, cidade-monumento e cidade-história, entre outros.

Os espaços verdes parisienses atraem milhões de visitantes, contribuem para a qualidade de vida dos citadinos, contam a história da cidade e ilustram a evolução dos usos e da estética paisagística ao longo dos séculos. 

Os referidos espaços são locais de passeio, relaxamento, encontro, tranquilidade, liberdade e descoberta de que a biodiversidade, a qualidade do ambiente e a paisagem devem ser preservadas.

Além dos famosos bosques: “Bois de Boulogne” e “Bois de Vincennes”, há incontáveis jardins, squares e parques, de todos os tamanhos e gostos, espalhados pela cidade.

São 530 mantidos pela Prefeitura e mais de 3.000 espaços abertos. 

Os mais famosos são: “Jardin du Tuileries”, “Jardin du Luxembourg”, “Jardin des Plantes” e “Jardin du Palais Royal”, “Parc de Bagatelle”, “Parc de Belleville”, “Parc de Bercy”, “Parc de la Villette”, “Parc des Buttes Chaumont”, “Parc du Champ de Mars”, “Parc Floral de Paris”, “Parc Montsouris”, “Parc Monceau”,  “Square de la place Dauphine”, “Square de la Tour Saint-Jacques”, “Square des arènes de Lutèce”, “Square du docteur Calmette”, “Square du docteur Grancher”, “Square du quai de la Seine”, “Square du Vert Galant” (meu cantinho preferido em Paris).

Como bem definiu Rosemberg: “Paris é a sinfonia, as outras são variações do tema.”

ana margarida furtado arruda rosemberg

Paris, 30 de agosto de 2022

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

CAVERNA DE LASCAUX – ÚTERO DA ARTE PICTÓRICA (Texto 1)

Publicago no JM

https://jornaldomedico.com.br/2022/08/caverna-de-lascaux-utero-da-arte-pictorica/ 

Foto - Daniel Cojocaru - 20.08.2022

A “Caverna de Lascaux”, apelidada de "Capela Sistina da arte parietal, está localizada na comuna francesa de Montignac-Lascaux, região da Dordonha, Sudoeste da França. É uma das cavernas mais importantes do Paleolítico Superior pelo número e pela qualidade estética das suas pinturas. Sua idade é estimada em, aproximadamente, 20.000 anos.

A descoberta da caverna ocorreu em 8/09/1940, pelo jovem, Marcel Ravidat, durante uma caminhada em Montignac, com o seu cão Robô. Ao perseguir um coelho que se refugiou num buraco, o cão de Marcel o levou até a entrada da gruta. Marcel jogou uma pedra e percebeu a profundidade do buraco. Quatro dias depois, ele voltou com três amigos, abriram a entrada e desceram na gruta. Depois da fantástica descoberta a gruta começou a atrair turistas.

Em 1963, como o CO2 da respiração dos turistas estava estragando as pinturas, o governo francês resolveu fechar a gruta. As pinturas foram restauradas com êxito e, uma réplica parcial, Lascaux II, foi construída para os turistas. Iniciada em 1972, Lascaux II foi inaugurada em 1983.

Em 2012, foi construída a “Lascaux III”, uma reprodução parcial da caverna original, projetada para ser móvel, itinerante. A exposição foi projetada para viajar ao redor do mundo.

Em 2016, foi inaugurada outra réplica, Lascaux IV (Centro Internacional de Arte Parietal). Apresentando alta tecnologia, Lascaux IV é, entre outras coisas, um fac-símile completo de todas as partes decoradas da caverna (salão dos touros, divertículo axial, passagem, poço, abside e nave).

O que nos diz essas pinturas? São várias as teorias para explicar o que os nossos ancestrais queriam transmitir com as representações dos mais diversos tipos de animais da região. Só existe uma pintura retratando um homem que parece estar ferido.

Picasso, ao visitar Lascaux, em 1940, disse: "Nós não criamos nada, eles criaram tudo".

ana margarida furtado arruda rosemberg

Paris, 25 de agosto de 2022