quarta-feira, 20 de dezembro de 2023

Dr. Guillotin- O inventor da Guilhotina?

Publicado no Jornal do Médico

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Joseph-Ignace Guillotin – Retrato do Museu Carnavalet- Paris

DR. GUILLOTIN – o pai da guilhotina?

Na França, até a Revolução Francesa (1789-1799), os principais métodos utilizados para a pena capital eram: a decapitação, feita por machado ou espada; a forca; o esquartejamento e o suplício da roda - na qual o condenado era amarrado e queimado com brasas.  A decapitação era privilégio da nobreza. Aos plebeus, de acordo com os crimes, eram reservados os outros métodos descritos acima.

No início da referida revolução, o médico e político, Joseph-Ignace Guillotin, então presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Nacional Constituinte, propôs, em 01.12.1789, um projeto de reforma do direito penal.  O foco principal era o uso de uma máquina que substituísse a mão do carrasco e causasse uma morte rápida e sem dor, nas pessoas condenadas.

Embora Guillotin fosse contra a pena de morte e não ser o inventor do dispositivo que, depois, ficou conhecido como “guilhotina”, sua intenção era, além de garantir uma igualdade em todas as execuções, abrir as portas para um futuro em que a pena de morte fosse abolida. Somente, em 09.10.1981, passados 192 anos, a pena de morte foi declarada ilegal na França, pelo Presidente François Miterrand (1916-1996).

Joseph-Ignace Guillotin, o nono dos treze filhos do casal Joseph-Alexandre Guillotin e Catherine-Agathe Martin, nasceu no dia 28.05.1738, em Saintes-França.

Guillotin estudou teologia durante sete anos no Colégio Jesuíta de Bordeaux, e, depois, medicina, em Reims e Paris. Em 26.10.1770, obteve o doutorado e lecionou anatomia, fisiologia e patologia na Faculdade de Medicina de Paris.

Guillotin, um dos primeiros médicos franceses a apoiar a descoberta da vacina contra a varíola, de Edward Jenner (1749-1823), foi Presidente do Comitê de Vacinação de Paris. Em 1805, atendendo às ordens de Napoleão Bonaparte (1769-1821), atuou na vacinação de todos os soldados franceses.  Ele foi, também,  um dos fundadores da atual  Académie Nationale de Médecine de Paris.

Reza a lenda que o Dr. Guillotin foi executado pela “guilhotina”. Na verdade, ele faleceu em casa, na rue Saint-Honoré, em Paris, de causas naturais, em 26.03.1814. O decapitado pela famosa máquina foi um médico de Lyon, cujo nome era semelhante: J. M. V. Guillotin.  

Guillotin foi sepultado no Cemitério Père-Lachaise, na cidade-luz, após um elogio fúnebre do Dr. Edme-Claude Bourru (1741-1823), ex-reitor da antiga Faculdade de Medicina de Paris.

Guillotin foi casado com Marie Louise Saugrain (1755-1852). O casal não teve filhos. A família mudou o próprio sobrenome, após uma solicitação, sem êxito, ao governo francês, para renomear a famosa máquina de cortar cabeças, “guilhotina”. 

ana margarida furtado arruda rosemberg

Fortaleza, 13 de dezembro de 2023

terça-feira, 12 de dezembro de 2023

NATIVIDADE DE GIOTTO

Por que a Natividade de Giotto no Convite de Natal do Museu CAA?


Um dos gênios da PINTURA, o italiano pré-renascentista  Giotto  di Bondone  (1267-1337),  nos legou a preciosa  “Capela Scrovegni”,  encravada em Pádua, na Itália. 

Para encher os olhos, por poucos minutos, com essa deslumbrante obra-prima da arte cristã, é  preciso reservar com antecedência o dia e a hora. Caso contrário, a gente dá com os burros  n’água.

A capela foi encomendada a Giotto, em 1303, por Enrico Scrovegni, rico banqueiro que  Dante precipitou no Inferno, no canto 17 da primeira parte da “Divina Comédia”.

Para pagar seus pecados e ser poupado  de tão grande castigo, Scrovegni resolveu decorar a capela com afrescos que contam a vida de Maria e de Jesus. 

No quadro que retrata a Natividade, Maria olha com carinho  para Jesus, demonstrando a capacidade de Giotto  de expressar a emoção  humana em suas pinturas.

O presépio é  pintado com detalhes, como: animais, símbolos da humildade, os pastores, a palha na manjedoura, as expressões faciais de: Jesus, Maria, José,  Sant’Anna e os anjos.

Os tons quentes e vibrantes,  amarelo e vermelho, enchem de vida a cena. 

A luz que o Menino Jesus  irradia cria uma atmosfera  celestial com o azul do manto de Maria e os anjos acima da manjedoura. 

 A Natividade de Giotto, da Capela Scrovegni, é um dos primeiros exemplos do uso da perspectiva na arte. 

A história  singular  desta joia da arte medieval  causa  fascínio nos amantes  da  arte no mundo  inteiro. 

Por tudo isso, ela foi escolhida para ilustrar o convite de Natal/2023, do Museu Comendador Ananias Arruda.

ana margarida furtado arruda rosemberg 

Fortaleza,  12 de dezembro de 2023

sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

UMA TARDE NO CINEMA IV – NAPOLEÃO - Por: ana margarida rosemberg

 

ana margarida furtado arruda rosemberg - Iguatemi - Fortaleza, 24.11.2023

Como historiadora, amante da França e de bons filmes, fui, com a minha filha Jana, no dia 24/11/2023, ao UCI Kinoplex Iguatemi Fortaleza, assistir ao filme “Napoleão” (Napoléon, 2023) do diretor britânico Ridley Scott, roteiro de David Scarpa e, nos papeis  principais, Joaquim Phoenix e Vanessa Kirby.

A data era simbólica, pois naquele dia, 18 anos antes, o Rosemberg partia deixando um vazio sideral. Assistir ao longa-metragem citado, seria uma maneira de homenageá-lo, já que ele nutria grande admiração por Napoleão Bonaparte (1769-1821).   

Para mim foi um deleite ver a explosão na telona da superprodução de 200 milhões de dólares, com 2h38min, apesar de muitas inconsistências históricas e de truncagens na biografia retratada. 

O filme aborda a vida de Napoleão - de oficial da artilharia a imperador da França – a partir, principalmente, de sua relação amorosa com sua mulher Joséphine e das principais batalhas travadas com sua “Grande Armée”.

Qualquer filme sobre Napoleão Bonaparte, um dos maiores comandantes da história, considerado um gênio da estratégia de guerra, estudado em escolas militares de todo mundo, apontado como um dos líderes mais célebres e controversos da humanidade, amado e odiado, causa polêmica. 

Segundo o jornalista, escritor e historiador francês, David Chanteranne, foram feitos 700 filmes sobre Napoleão desde a criação do cinema pelos irmãos “Auguste e Louis Lumière”, em 1895. Ele frisou:

 "Nos Estados Unidos, na Itália, na Rússia e até mesmo na Ásia, isso mostra que todos estão tentando se apossar de Napoleão porque ele é, eu diria com uma palavra inglesa, um 'self-made man', em referência à expressão que define pessoas que se tornaram bem-sucedidas e ricas por meio de seus próprios esforços.… Bem, ainda se fala dele na América do Sul, na Ásia e na África também, porque ele é um personagem que já foi contado em todos os seus aspectos. De fato, um livro (sobre ele) foi escrito todos os dias desde sua morte. Portanto, está claro que as pessoas em todo o mundo estão tentando decifrar o mistério de Napoleão".

O jornalista Peter Bradshaw, no jornal “The Guardien”, deu cinco estrelas ao filme chamando-o de "filme biográfico emocionante" e disse:

“Scott não nega os prazeres antiquados do espetáculo e da emoção. Phoenix é a chave para tudo: uma performance tão robusta quanto o vidro de Borgonha ele bate de volta: envaidecido, taciturno, fervilhante e triunfante".

Nicholas Barber, da BBC, chamou de espetaculares as sequencias das batalhas.

Por outro lado, jornalistas dos jornais franceses: “Le Point”, “Le Monde” e “Le Figaro” publicaram críticas negativas. O historiador francês Patrice Gueniffey, autor de uma biografia monumental de Napoleão, comentou:

"Nada é plausível, nem o personagem, nem a história que é contada". 

Scott retrucou as críticas, em uma entrevista à BBC, dizendo:

“Os franceses não gostam nem deles mesmos”. “O público para quem mostrei em Paris adorou".

Ao falar da grandiosidade da figura histórica de Napoleão, Scott frisou:

“Dois mil e quinhentos livros foram escritos sobre ele, eu não consigo pensar em nenhum líder, político, rei, quem seja, que tenha sido tão abordado. O que há nele de tão fascinante?”.

Se a intenção de Scott era causar polêmica, ele conseguiu. O filme está sendo um sucesso de bilheteria na França, ficando em terceiro lugar das maiores bilheterias no final de semana da estreia, 23/11/2023, atrás apenas dos EEUU e Reino Unido.

A meu ver, o filme está sendo criticado na comunidade acadêmica, porque Scott faz revisionismo, rejeitando as orientações de sua equipe de historiadores, com relação a abordagem factual. 

A “liberdade poética” é aceita em filmes históricos, mas, nesse filme, as críticas são pertinentes em passagens que nunca aconteceram, como: Napoleão e seu exército bombardeando as pirâmides do Egito.

Scott perdeu a oportunidade de mostrar que, em 1799, o exército de Napoleão descobriu a “Pedra de Roseta”, um fragmento de uma estela erigida no “Egito Ptolomaico”, que levou a decifração dos hieróglifos pelo francês Jean-François Champollion (1790-1832), criando a fascinante egiptologia e inspirando uma explosão de egitomania na Europa.

Polêmicas à parte, vou escrever as minhas impressões sobre o filme:

As cenas, que viajam entre as batalhas, a conturbada vida amorosa do casal e a atuação política de Napoleão, esmiúçam com maestria a reconstituição de grandes batalhas, como: Toulon, 1793; Austerlitz, 1805; e Waterloo, 1815; a tomada do poder no “18 de Brumário”, golpe de Estado em novembro de 1799; e a coroação de Napoleão como Imperador da França, em 02/12/1804, na Catedral de Notre-Dame de Paris.

A referida coroação é mostrada através da reconstituição impecável do quadro de Jacques-Louis David, “Le Sacre de Napoléon, 1807” (Coroação de Napoleão).

A tela, com dez metros de largura e seis de altura, do acervo do Louvre, mostra o momento em que Napoleão tira a coroa das mãos do Papa Pio VII, se coroa e coroa Joséphine, na presença de familiares, políticos e elite francesa. Há uma cópia dessa tela no Château de Versailles.

As cenas que retratam a conturbada vida amorosa do casal e o fascínio que Joséphine exercia sobre Napoleão, são inspiradas nas mais de 250 cartas que ele escreveu para sua amada.

Joséphine de Beauharnais (1763-1814), uma experiente mulher de 32 anos, viúva, que por um triz não perdeu a cabeça na Revolução Francesa (RF), como o seu primeiro marido, o aristocrata Alexandre de Beauharnais (1760-1794), tinha dois filhos, Eugène de Beauharnais (1781-1824) e Hortense de Beauharnais (1783-1837), quando, em 1795, conheceu Napoleão.

Foi em um jantar da alta sociedade que Bonaparte se encantou pela sofisticada e bela Joséphine, natural da Ilha de Martinica. Pragmática, ela passou a ver nele segurança e estabilidade, após os horrores passados na prisão.

Em março de 1796, selaram os destinos e dois dias depois de casados, Napoleão partiu para liderar o exército francês na Itália. As infidelidades de ambos os lados foram superadas e Napoleão criou os filhos de Joséphine dedicando-lhes amor legítimo.

Durante 14 anos, desde a ascensão de Bonaparte nas fileiras do exército, passando por sua nomeação como Primeiro Cônsul e sua autoproclamação como Imperador, Joséphine esteve ao seu lado. Ela personificava o poder de Napoleão a tal ponto que ele dizia:

 “Eu ganho batalhas, mas Joséphine ganha corações”.

A falta de um herdeiro fez com que Napoleão pedisse o divórcio e contraísse núpcias com Marie-Louise d'Autriche (1791-1847) que lhe deu um filho, Napoleão II (1811-1832). Mesmo separados, Napoleão e Joséphine continuaram amigos e as últimas palavras de Napoleão, ao morrer exilado na Ilha de Santa Helena, como retratado no longa-metragem, foram: "França, exército e Joséphine".

CONCLUINDO:

As expectativas dos franceses foram frustradas no filme de Scott, como na maioria dos filmes e livros dedicados a figura de Napoleão, por tratar-se de um mito grande demais para caber em um filme.

Os franceses construíram para Napoleão na Église du Dôme, no imponente Musée des Invalides (Museu dos Inválidos), o mais suntuoso túmulo de Paris, com uma cúpula barroca folheada a ouro, que pode ser vista de vários pontos da capital francesa.

O túmulo em forma de esquife, ricamente decorado, tem um tampo representando o acento de um trono. Os restos mortais de Napoleão, vestido de uniforme com o chapéu sobre as pernas, estão dentro de seis caixões, a saber: ferro, mogno, chumbo (2), ébano e carvalho. 

A data da “Queda da Bastilha”, “14 juillet”, início da Revolução Francesa, é o “Dia Nacional da França”.  Os revolucionários Jacobinos (Robespierre, Danton, Marat, Camille Desmoulins, entre outros) estão espalhados pela capital francesa nas placas de ruas, estátuas, praças etc. A Marselhesa, hino dos revolucionários, é o hino da França. Os ideais revolucionários Liberté, Égalité, Fraternité estão escritos nas entradas das escolas, hospitais e demais instituições públicas. “Vive la Republique” é o grito dos franceses.

A “República Francesa”, conquistada pelos revolucionários, foi defendida pelo militar Napoleão Bonaparte no "Cerco de Toulon", em  1793, e no "13 Vendémiaire", batalha travada entre as forças republicanas e manifestantes pró-monarquistas, nas ruas de Paris, em 5.10.1795. 

Após a queda de Napoleão, em 1815, houve  a restauração da monarquia na França, mas por pouco tempo, pois os revolucionários haviam conquistado os corações e as mentes dos franceses. 

Napoleão, por ter vindo das escolas militares reais, ser filho do iluminismo de Voltaire e Rousseau e ter feito parte da Revolução Francesa, tem um lado universal. Ele implementou políticas liberais fundamentais na França e em toda a Europa Ocidental; criou as escolas de ensino secundário, conhecidas como lycées; promoveu a ciência; reintroduziu os laços com a religião, desfeitos pelos revolucionários, colocando o judaísmo, o protestantismo e o catolicismo em pé de igualdade; organizou as finanças criando o Banco da França; criou o “Código Napoleônico”, copiado em mais de 70 nações em todo o mundo.

Andrew Roberts, historiador britânico, frisou:

"As ideias que sustentam nosso mundo moderno — meritocracia, igualdade perante a lei, direitos de propriedade, tolerância religiosa, educação secular moderna, finanças sólidas etc. — foram defendidas, consolidadas, codificadas e estendidas geograficamente por Napoleão. Além disso, ele também acrescentou uma administração local racional e eficiente, o fim do banditismo rural, o incentivo à ciência e às artes, a abolição do feudalismo e a maior codificação de leis desde a queda do Império Romano"

Os alemães Friedrich Hegel (1770-1830) e Friedrich Nietzsche (1844-1900) o admiravam. Hegel comparou Napoleão a “Prometeu”, por ter transformado a Europa Feudal, difundindo os ideais iluministas da Revolução Francesa; Nietzsche o viu como o exemplo mais extremado da "vontade de poder”.

Por outro lado, os escritores russos Liev Tolstói (1828-1910) e Fiódor Dostoiévzki (1821-1881) o criticaram. Tolstói, autor de “Guerra e Paz”, o culpava pelas mortes e pela destruição causadas pelo conflito, de 1812, entre seu país e o Império francês. Dostoiévski viu Napoleão como o protagonista de sua obra-prima, “Crime e Castigo”.

Beethoven que admirava Napoleão, dedicou-lhe a 3ª Sinfonia (Heroica).  Quando Bonaparte se autoproclamou imperador, Beethoven, em um acesso de raiva, rasgou a dedicatória e escreveu: “À memória de um grande homem”. Na visão de muitos historiadores, Napoleão tinha que se coroar imperador para enfrentar os países monarquistas. 

Na França, Bonaparte sempre foi admirado pela maioria dos franceses que o viam como: l'empereur, sinônimo de gloire, quando a França desfilava vitoriosa de Lisboa a Moscou,  levando os ideais da Revolução Francesa.

No Bicentenário do Nascimento de Napoleão, em 1969, o então presidente francês Georges Pompidou (1911-1974) declarou:

"Não há nome mais glorioso do que o de Napoleão. Partindo do nada, desprovido de tudo, ele conseguiu tudo".

Em maio de 2021, no bicentenário da morte de Napoleão, esta visão passou a ser questionada. Ele foi chamado de “Misógino” pela ministra da Igualdade de Gênero da França, Élisabeth Moreno, por ter, em seu “Código Civil”, consagrado o poder de pai de família sobre a mulher.

Em defesa de Napoleão, o historiador Patrice Gueniffey disse que o código reflete a sociedade camponesa e patriarcal da época. Napoleão foi, também, criticado pelo deputado Alexis Corbière, da “França Insubimissa”, que bradou:

 "A República não pode prestar homenagem oficial àquele que foi seu coveiro, pondo fim à primeira experiência republicana de nossa história para criar um regime autoritário".

Napoleão foi chamado de “Ancestral dos ditadores do Século XX”. Jean Tulard, historiador francês, especialista em Napoleão, retrucou dizendo:

"O seu autoritarismo (...), o seu sentido de Estado forte, o seu desprezo pelo regime parlamentar, o seu imperialismo e sobretudo o seu gênio para a propaganda; tudo pode fazer-nos pensar que sim". Mas "não há em Napoleão nem a ideologia assassina, nem o delírio racista daqueles que se apresentaram como seus sucessores".

Tulard reconhece que o documento que mais incrimina a memória de Napoleão é a lei de 20 de maio de 1802, sob o Consulado, que restaurou a escravidão nas colônias francesas, abolidas, em 1794, durante a Revolução Francesa. Entretanto, Tulard afirma:  

“Napoleão agiu por cálculo econômico em uma época em que a escravidão fervilhava em todos os lugares, chocando apenas poucos defensores dos direitos humanos que viviam à frente de seu tempo”.

Agora, em novembro de 2023, Napoleão chega aos cinemas mundiais para um duplo julgamento: do filme e da figura histórica.

ana margarida furtado arruda rosemberg

Fortaleza, 30 de novembro de 2023