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segunda-feira, 23 de dezembro de 2019
quinta-feira, 21 de novembro de 2019
sexta-feira, 15 de novembro de 2019
EXPOSIÇÃO DE ARTE - QUATRO ESTAÇÕES - MAUC - 13.11.2019
EXPOSIÇÃO “QUATRO
ESTAÇÕES”
Abertura da Exposição:
Museu da Universidade Federal do Ceará – MAUC
Fortaleza, 13/11/2019
APRESENTADORA: Ana
Margarida Furtado Arruda Rosemberg
Ao
receber o convite de minha amiga Cida Fonseca para apresentar esta exposição
“Quatro Estações”, que ora se instala neste Museu de Arte da UFC (MAUC),
senti-me honrada e, ao mesmo tempo, diante de um desafio, pois não é tarefa
fácil tecer considerações sobre a obra dessas quatro artistas cearenses.
Falar
sobre a obra da Cida, Fátima, Nínive e Suzan requer, antes de tudo, conhecer os
desafios enfrentados por essas mulheres guerreiras no mundo das artes,
historicamente dominado pelos homens. Certamente, foi preciso romper barreiras,
superar preconceitos e enfrentar invernos rigorosos para hoje usufruírem essa
primavera com multicores e perfumes variados.
Este
projeto nasceu como desdobramento de uma pesquisa em Artes Visuais de Cida
Fonseca, ao se questionar sobre a presença feminina na Arte Cearense. A
primeira edição, batizada de “Guerreiras ou artistas?”, ocorreu em 2017,
focalizando as agruras enfrentadas pelas mulheres artistas para serem
reconhecidas. A segunda edição, “Mutiplicidades”, ocorreu em 2018, evidenciando
a capacidade das mulheres de se desdobrarem em várias facetas na sociedade
historicamente patriarcal. Esta terceira edição nos traz o seguinte
questionamento: Qual é o papel da arte nos embates e lutas cotidianas da mulher
artista na contemporaneidade?
Para
compreender o questionamento desta exposição, é necessário conhecer a
trajetória deste quarteto e, também, mergulhar na história da arte. É essencial
retirar a pátina do tempo e visualizar a luta histórica das mulheres a fim de
serem reconhecidas nas artes visuais. Apesar de estigmatizadas como sendo do
lar, responsáveis pelo cuidado dos filhos e da casa, muitas mostraram através
da arte que foram e ainda são importantes para o enriquecimento do mundo
artístico e para a transformação da humanidade na luta por uma sociedade mais
igualitária e justa.
O
discurso sobre o papel das mulheres na sociedade tem questionado as bases
sociais do patriarcado. Fala-se muito sobre o empoderamento das mesmas. Os
museus tradicionais estão abrindo espaço às artistas, evidenciando que o grito
da mulher para o reconhecimento de sua arte começa a ser ouvido. Finalmente,
depois de um longo inverno, a primavera se avizinha.
A
história da arte nos mostra que as mulheres sempre enfrentaram desafios quase
intransponíveis. Artemísia Gentileschi, pintora barroca italiana do século
XVII, considerada uma das mais importantes artistas de seu tempo, ao lado de
Caravaggio, viveu em uma época em que as mulheres não eram aceitas na
comunidade artística. Foi violentada e enfrentou muitos preconceitos. Seus
quadros retratam mulheres fortes e sofredoras. Sua arte é hoje considerada
feminista.
Em
séculos passados, era negada a entrada de mulheres nas escolas de arte. No
Brasil, a academia só aceitou mulheres como membro a partir de 1892. Somente no
início do século XX, com o modernismo, as mulheres passaram a ter uma maior
visibilidade. Artistas como Tarsila do Amaral e Anita Malfati são reconhecidas
como precursoras e por terem quebrado tabus. Será que Tarsila e Anita foram realmente
precursoras? Onde estão as outras mulheres na história da arte brasileira?
Certamente elas estão ainda invisíveis e somente uma pesquisa primorosa é capaz
de encontrá-las.
No
Ceará, tivemos três grandes artistas que abriram as portas para uma nova geração
de mulheres dedicadas à arte. São elas por ordem de idade:
Fideralina Correia de Amora Maciel,
conhecida como Sinhá D'Amora. Ela nasceu em Lavras da Mangabeira, em 1906, e
faleceu, em 2002. Foi pintora e escultora. Em 1933, transferiu-se para o Rio e
estudou na Escola Nacional de Belas Artes. Foi para Europa e ingressou na
Academia de arte em Florença, Itália, e na Académie
de la Grande Chaumière, em Paris. De volta ao Brasil, entre outras
realizações, fundou o Museu do Crato.
Maria de Castro Firmeza,
conhecida por Nice Firmeza, nasceu em Aracati, em 1921, e faleceu em Fortaleza,
em 2013. Nice se dedicava a ensinar pintura e bordados para crianças e
mulheres. Ela foi a primeira mulher a ingressar na Sociedade Cearense de Artes
Plásticas (SCAP), na década de 1950, como aluna do Curso Livre do Desenho e
Pintura e de Iniciação à História da Arte. O artista Estrigas foi seu
companheiro de vida.
Outra
grande pioneira das artes plásticas cearenses foi Heloisa Ferreira Juaçaba. Nasceu em Guaramiranga, em 1926, e
faleceu em Fortaleza, em 2013. Foi pintora, escultora, tapeceira, desenhista e
gravadora. Em 1960, a convite do reitor Antônio Martins Filho, Heloisa integrou
o grupo de artistas que colaborou para tornar realidade o "sonho de
museu" idealizado pelo então reitor. Em conjunto com os pintores Zenon
Barreto e Antônio Bandeira, além de outros amigos que apoiaram a iniciativa,
Heloisa reuniu, gradativamente, material artístico para que, em 1961, pudesse
acontecer a inauguração oficial do MAUC, que ora abriga esta exposição.
A
historiadora da arte americana, Linda Nochlin, em 1971, nos fez o seguinte
questionamento: “Por que não houve grandes artistas mulheres?”. Ao que parece,
a inserção das mulheres na arte dependeu do modo como as sociedades se
organizaram ao longo da história, dando menos espaços a elas. Proibidas de se
formarem nas principais instituições acadêmicas, as artistas mulheres eram
vistas como amadoras pelos críticos de arte.
A
partir da década de 1970, a arte feminista começou a ganhar importância social.
A história feminista da arte nasceu com artistas e historiadoras que
questionaram a falta de mulheres no meio artístico, como Linda Nochlin,
Griselda Pollock, Miriam Schapiro, Laura Mulvey, entre outras. Elas inseriram
novas temáticas e conceitos, como gênero.
Apesar
de um número reduzido, é inegável a importância da mulher e seu espaço nas
artes visuais. Muitas se imortalizaram, como: Sarah Dodson, americana; Alma
Thomas, americana; Marie-Guillemine Benoist, francesa; Phoebe Anna Traquair, irlandesa;
Mary Cassatt, americana; Zinaida Serebriakova, russa; Sophie Anderson,
britânica; Maria van Oosterwijk, holandesa; Louise Abbéma, francesa; Frida
Khalo, mexicana, Camile Claudel, francesa, Djanira Mota, brasileira; Pagu,
brasileira; Lygia Pape, brasileira; Maria Bonomi, brasileira e tantas outras.
As artistas que ora nos
brindam com sua arte são:
CIDA FONSECA - Licenciada
em artes visuais pelo Instituto Federal do Ceará-IFCE. É artista visual,
poetisa e artesã. Seus trabalhos versam sobre temas sociais, empoderamento
feminino e surreais. Entre as técnicas utilizadas, estão a pintura em aquarela
e a pintura acrílica.
FÁTIMA GOMES - Licenciada
em artes visuais pelo Instituto Federal do Ceará-IFCE. É desenhista, pintora,
arte-educadora e pesquisadora do patrimônio histórico cultural da cidade de
Aquiraz. Seus trabalhos versam sobre temáticas de empoderamento e resistência
femininas, temas fantásticos e fluidez das linhas.
NÍNIVE SANTIAGO -
Licenciada em artes visuais pelo Instituto Federal do Ceará em 2017. É
pós-graduada em História da Arte e Cultura Visual pela Universidade Castelo
Branco. Utiliza conhecimentos adquiridos ao longo do curso para aplica-los nos
seus trabalhos em Crochê, técnica que aprendeu com sua avó há mais de quinze
anos, e em outras vertentes da Arte Têxtil, como bordado e tricô. Suas criações
utilizam vários estados da arte, do figurativo ao abstrato; formas
bidimensionais e tridimensionais, como objeto escultórico ou instalação,
desenhos, performance utilitários ou decorativos.
SUZAN PAGANI - Licenciada
em Artes Visuais pelo Instituto Federal do Ceará – IFCE, com formação
continuada em Arte e Educação. É ilustradora, fotógrafa e pesquisadora com
interesse em temas sociais e da natureza, questões ligadas aos direitos dos
animais, direitos humanos, gênero, identidade, empoderamento e resistência
feministas na luta contra a violência. Todas participaram de inúmeras
exposições individuais e/ou coletivas.
A
arte possui um papel significativo no sentido em que mostra, enquanto expressão,
movimentos históricos e mudanças sociais. As artistas que hoje se presentam com
20 obras, contribuem para o crescimento das mulheres como personagens ativas na
sociedade, rompendo paradigmas, favorecendo para que as mesmas conquistem
espaços, antes ocupados pelos homens.
Hipócrates,
o Pai da Medicina, nos ensinou, em seus aforismos, que a arte é longa, a vida é
breve, a ocasião fugidia, a experiência enganosa e o julgamento difícil.
Que a arte de Cida,
Fátima, Nínive e Suzan, ora apresentada, seja longa, seja eterna.
Obrigada pela atenção!








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