terça-feira, 29 de março de 2022

HOMENAGEM A ROBERT KOCH NO DIA MUNDIAL DA TUBERCULOSE (24.03)

 Publicado no Jornal do Médico. Link, abaixo

https://jornaldomedico.com.br/2022/03/homenagem-a-robert-koch-no-dia-mundial-da-tuberculose-24-03/

Robert KOCH (1843-1910)

REUNIÃO MÉDICA HISTÓRICA – 24 DE MARÇO DE 1882

Berlim, 24 de março de 1882. Em uma reunião mensal da Sociedade de Fisiologia, Robert Koch, então, com 38 anos, anunciou a descoberta do bacilo da tuberculose. Estavam presentes naquela tarde histórica: Helmholtz, Löffler, Ehrlich e outros trinta e três médicos.

Löffler descreveu, depois, que Koch iniciou o seu discurso com certa timidez, já que era a sua primeira apresentação diante de uma assembleia tão distinta, mas, logo, retomou a cadência, relatando suas experiências de maneira segura e serena. 

Quando Koch terminou, a plateia perplexa não o aplaudiu, porém seus ouvintes, certamente, sentiram o privilégio de terem participado de uma reunião médica histórica. 

Filho de um engenheiro de minas, nasceu Robert Koch no dia 11 de dezembro de 1843, em Clausthal na Alemanha. Iniciou os seus estudos médicos em 1862, na Universidade de Göttingen. Em 1866, colou grau em medicina, com uma tese sobre o ácido succínico. Trabalhou durante algum tempo como médico no distrito de Rakwitz, porém, em 1871, durante a “Guerra Franco-Prussiana” serviu ao exército alemão. 

Em 1872, trabalhou como médico no distrito de Wollheim. Foi ali que sua mulher lhe deu um microscópio de presente de aniversário. Montou um pequeno laboratório e começou a estudar as enfermidades infecciosas. Descreveu, em 1876, o ciclo vital do Bacillus anthracis demonstrando pela primeira vez que um microrganismo específico era a causa de uma enfermidade determinada. Em 1881, descobriu o bacilo da tuberculose, mas só o apresentou à comunidade científica no dia 24 de março de 1882.

Em homenagem ao grande cientista comemoramos no dia 24 de março o DIA MUNDIAL DE LUTA CONTRA A TUBERCULOSE.

 

ana margarida furtado arruda rosemberg

quarta-feira, 23 de março de 2022

FLORENCE NIGHTINGALE - pioneira da enfermagem

 Publicado no Jornal do Médico. Link, abaixo

https://jornaldomedico.com.br/2022/03/florence-nightingale-pioneira-da-enfermagem/

FLORENCE NIGHTINGALE - pioneira da enfermagem

                                                            Florence Nightingale (1820-1910)

Florence Nightingale nasceu em 12/05/1820, em Florença-Itália, e faleceu em 13/08/1910, em Londres-Inglaterra. Seu pai William Nightingale (1794-1875) e sua mãe Fanny Smith (1789-1880), filha do abolicionista William Smith, eram abastados e pertenciam a alta sociedade britânica.                                               

Seus pais casaram-se em 1818 e partiram para uma viagem à Europa que duraria dois anos. Em 1819, Nightingale nasceu em Florença, daí vem seu nome. Ela teve uma educação requintada. Estudou história, filosofia, matemática e aprendeu vários idiomas, como: grego, latim, francês, alemão e italiano.

Muito religiosa, Nightingale dedicou-se a ajudar os pobres, doentes e desvalidos.  Seu desejo de ser enfermeira a fez frequentar irmandades religiosas que davam assistência a doentes.

Quando esteve em Paris, engajou-se no trabalho das Irmãs de Caridade de São Vicente de Paula, no Hotel-Dieu. Após formar-se em enfermagem, na Alemanha, transferiu-se para Londres

Na Inglaterra, as mulheres enfrentavam barreiras para serem aceitas nos hospitais, onde eram maltratadas e insultadas. Após vários julgamentos, o Parlamento Britânico finalmente concordou em deixá-las praticar a profissão. 

  Em janeiro de 1837, uma epidemia de gripe atingiu o sul da Inglaterra. Nightingale dedicou-se durante um mês aos cuidados intensivos dos doentes ao seu redor, desempenhando o papel de “enfermeira, governanta, amparadora moral e médica” Em 7 de fevereiro de 1837, ela escreveu em seu diário: "Deus falou comigo e me chamou a seu serviço.

Em 1853, a “Guerra da Crimeia” colocou a Rússia contra uma coalizão formada pelo Império Otomano, Reino Unido, França e Reino da Sardenha. No início de 1854, as tropas britânicas se engajaram na guerra. Antes mesmo de chegarem ao front, sofreram perdas consideráveis ​​no campo de Varna, onde estavam reunidos 60.000 soldados franceses e britânicos. Cerca de 20% foram afetados por cólera, disenteria e outras doenças. Mais de 1.000 soldados britânicos morreram neste momento.

Nightingale resolveu ir atender os soldados doentes e feridos nas batalhas. Em agosto de 1856, ao voltar da guerra, Nightingale foi recebida como uma heroína.

 Segundo a BBC, ela era a mulher mais famosa do reino depois da própria rainha Vitória. Em 1859, Nightingale fundou a primeira Escola de Enfermagem, no hospital Saint Thomas, em Londres. Ela trabalhou até 1901, e só parou porque ficou completamente cega. em Londres, aos noventa anos de idade.

A contribuição mais significativa de Florence Nightingale é seu papel no estabelecimento da profissão de enfermagem moderna. Ela foi um exemplo notável de compaixão, dedicação ao atendimento ao paciente e administração hospitalar conscienciosa e atenciosa. 

ana margarida furtado arruda rosemberg

Fortaleza, 18 de março de 2022

sexta-feira, 18 de março de 2022

A EPIDEMIA DA OBESIDADE


Publicado na Jornal do Médico

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A epidemia da obesidade

Há mais de 25.000 anos, no período paleolítico, existiam sapiens obesos, mas a prevalência era muito pequena. A obesidade como epidemia é um fenômeno recente e consequência do progressivo acesso a alimentos em numerosos países do mundo.

A obesidade é uma doença crônica, caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal. ´É um problema de Saúde Pública pelo rápido crescimento de pessoas obesas em quase todos os países do mundo.  

As causas de obesidade são:  alimentação inadequada ou excessiva, sedentarismo, fatores genéticos e fatores psicológicos, quando o estresse ou as frustrações desencadeiam crises de compulsão alimentar.

O diagnóstico é feito por meio do cálculo do Índice de Massa Corpórea (IMC), que avalia a relação entre o peso e a altura. Quando o IMC é maior do que 30, a pessoa é considerada obesa. Quanto maior o índice, mais chance tem a pessoa de desenvolver diabetes, problemas cardiovasculares e nas articulações, hipertensão arterial e depressão, problemas diretamente ligados à pior qualidade de vida e menor longevidade.

  • ​​Abaixo do peso: IMC abaixo de 18,5
  • Peso normal: IMC entre 18,5 e 24,9
  • Sobrepeso: IMC entre 25 e 29,9
  • Obesidade Grau I: IMC entre 30 e 34,9
  • Obesidade Grau II: IMC entre 35 e 39,9
  • Obesidade Grau III: IMC acima de 40.

Segundo Alfredo Halpern, professor de medicina da USP, a obesidade é uma doença resultante do conflito entre genes antigos e vida moderna.

Nos países emergentes, como o Brasil, a prevalência de obesidade vem aumentando assustadoramente. Na terminologia médica já se usa o termo: “Epidemia de obesidade”. O crescimento da obesidade nas populações mais pobres deve-se, em boa parte, aos hábitos alimentares que propiciaram o uso de alimentos ricos em gordura.

No Brasil, são mais de 20 milhões de indivíduos obesos. Na população adulta, 12,5% dos homens e 16,9 % das mulheres apresentam obesidade e cerca de 50% têm excesso de peso (sobrepeso). Pesquisas do IBGE, em dois períodos (1974 e 1989), mostram que a proporção de pessoas com sobrepeso passou de 16,7 para 24,5% e de obesidade de 4,7% para 8,3%.  Nos Estados Unidos a situação é ainda mais grave: 64,5% da população adulta está acima do peso, sendo que quase a metade é considerada obesa.

Devemos desenvolver campanhas dirigidas às populações de todas as classes sociais para reverter este quadro alarmante de aumento da obesidade em nosso país. O profissional de saúde tem papel fundamental nessa luta contra a obesidade.

ana margarida furtado arruda rosemberg

Fortaleza, 14 de março de 2022

Referências

https://www.scielo.br/j/abem/a/3Cbt6t3wrsSdS6LB3XqTTsS/?lang=pt#:~:text=A%20obesidade%20n%C3%A3o%20%C3%A9%20um,que%20h%C3%A1%20acesso%20a%20alimentos.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Obesidade

https://www.einstein.br/doencas-sintomas/obesidade


domingo, 6 de março de 2022

Hildegard de Bingen – abadessa e médica alemã

Publicado no Jornal do Médico. Link, abaixo.

 https://jornaldomedico.com.br/2022/03/hildegard-de-bingen-abadessa-e-medica-alema/

Hildegard de Bingen nasceu em Bermersheim vor der Höhe, na Alemanha,  em 1098, e faleceu no Mosteiro de Rupertsberg, na Alemanha, em 1179.   

Na Europa Ocidental medieval, os princípios de virtude, piedade e propriedade que as pessoas tentavam inculcar nas meninas podem ser encontrados, entre outras coisas, no Livre pour l'enseignement de ses filles, de Geoffroi de La Tour Landry, um tratado didático escrito por um francês nobre para suas filhas, no último terço do século XIV. Este livro gozou de grande popularidade na França, Inglaterra e Alemanha nos séculos XIV e XV.  

Durante este período, os conventos eram um local central para a educação das mulheres e, em algumas comunidades, era possível que elas se dedicassem à investigação científica. É o caso da abadessa alemã Hildegard de Bingen, cujos escritos prolíficos incluem tratamentos de uma variedade de assuntos científicos, incluindo medicina, botânica e história natural.

Bingen foi médica, teóloga, compositora, naturalista e mestra do “Mosteiro de Rupertsberg” em Bingen am Rhein, na Alemanha. Monja beneditina, conhecida como Sibila do Reno, Hildegard é uma santa e doutora da Igreja Católica.

Rompendo os preconceitos que existiam contra as mulheres, Hildegard conseguiu ser respeitada pelos seus contemporâneos.  Hoje, ela é considerada uma das figuras mais importantes do século XII europeu.  

Hildegard foi uma médica renomada. Suas obras antecipam ideias futuras sobre a fisiologia humana. Ela tinha um grande conhecimento da farmacopeia e usava tudo o que a natureza podia oferecer em termos de tratamentos. Seu duplo dom de clarividência e cura fez dela uma das mais renomadas de seu tempo. Sua medicina combinava elementos eruditos de grandes autores e recursos locais da medicina popular.

ana margarida furtado arruda rosemberg

Fortaleza, 4 de abril de 2022

terça-feira, 1 de março de 2022

Breve História das Invasões ou Envolvimentos dos Estados Unidos em outros países


Os EUA agem em ações abertas ou dissimuladas quando o objetivo é substituir ou preservar governos estrangeiros. Na segunda metade do século XIX, os EUA agiram para mudanças de regimes principalmente na América Latina e no sudoeste do Pacífico.


No início do século XX, os EUA desenvolveram ou instalaram governos amigos em muitos países ao redor do mundo, incluindo Panamá, Honduras, Nicarágua, México, Haiti, República Dominicana etc.


Os EUA invadiram a Ilha de Samoa (várias ilhas na Polinésia), em 1887. Em Samoa houve um confronto entre EUA, Alemanha e Grã-Bretanha. Todos de olho no trono das ilhas que terminaram sendo divididas: Samoa americana e Samoa alemã.


De 1893 até 1917 houve grande expansão do Império Americano. Em 1893, o reino do Havaí foi derrubado pelos EUA. No início, o Havaí foi reconstituído como uma república independente, mas o objetivo final da ação era a anexação das ilhas aos EUA, o que finalmente aconteceu, em 1898.


Em 1898, os EUA invadiram e ocuparam Cuba e Porto Rico. Cuba foi ocupada de 1898 a 1902, e, novamente, de 1906 a 1909. Foi ocupada, ainda, em1912, e de 1917 a 1922. Houve a Emenda Platt que fez com que os EUA ocupassem Cuba até 1934.


Durante a Guerra Hispano-Americana, os EUA ocuparam a Ilha de Porto Rico.


Em 1899, houve a Guerra Filipino-Americana. Esta guerra foi parte de uma série de conflitos da luta filipina pela independência contra a ocupação dos EUA. A guerra terminou em 1902. Essa intervenção dos EUA tinha como objetivo impedir uma mudança de regime e manter o controle estadunidense sobre as Filipinas.


Em 1903, os EUA ajudaram na secessão do Panamá e Colômbia. Esta secessão foi apoiada por uma corporação franco-estadunidense cujo objetivo era a construção de uma hidrovia através do istmo do Panamá, para conectar o Oceano Atlântico com o Pacífico. Em 1903, Os EUA assinaram um tratado com a Colômbia concedendo aos EUA o uso do istmo do Panamá em troca de compensação financeira. A soberania do canal ficou com os EUA até o ano 2000.


Entre o fim da Guerra Hispano-Americana, em 1898, e o início da política da “Boa Vizinhança”, em 1934, os EUA organizaram muitas invasões e intervenções militares na América Central e no Caribe.


De 1900 até 1920 foi em Honduras, na Guerra das Bananas. O escritor O. Henry cunhou o termo “República das bananas”, em 1904, para descrever Honduras.


Os EUA invadiram a Nicarágua, em 1912, após intermitentes desembarques militares e bombardeios navais nas décadas anteriores. Os EUA estavam fornecendo apoio político às forças lideradas pelos conservadores que se rebelavam contra o presidente José Santos Zelaya, um liberal, que terminou renunciando. Os EUA ocuparam o país quase continuamente, de 1912 a 1933.


Os EUA ocuparam o Haiti, de 1915 a 1934.


Os EUA invadiram a República Dominicana e ocuparam-na de 1916 a 1924. Isso foi precedido por intervenções militares em 1903, 1904 e 1914.


Em 1918, depois que o governo bolchevique (russo) se retirou da “Primeira Guerra Mundial”, os EUA e as forças aliadas invadiram a Rússia. Aproximadamente 250.000 soldados invasores, incluindo tropas da Europa, dos EUA e do Império do Japão invadiram a Rússia para ajudar o Exército Branco contra o Exército Vermelho do novo governo soviético, na Guerra Civil Russa. Os EUA e aliados não tiveram êxito na tentativa de derrubar o novo governo soviético e restaurar o regime czarista anterior e se retiraram em 1920.  


Em 1941, governo dos EUA usou seus contatos na Guarda Nacional do Panamá, para orquestrar um golpe contra o governo panamenho. Os EUA haviam solicitado que o governo do Panamá lhe permitisse construir mais de 130 novas instalações militares dentro e fora da Zona do Canal do Panamá, mas o governo do Panamá recusou. O líder golpista e amigo do governo dos EUA, tornou-se presidente.


Em 1945, quando o Japão se rendeu, depois das bombas atômicas que os EUA lançaram sobre Hiroshima e Nagazaki, o governo dos EUA desembarcou forças na Coreia e depois estabeleceu o Governo Militar do Exército dos EUA na Coreia para governar a Coreia do Sul.  


De 1946 a 1949, os EUA forneceram ajuda militar, logística e de outros tipos para o exército do Partido Nacionalista Chinês, na Guerra Civil Chinesa contra as forças do Partido Comunista Chinês.  


De 1946 a 1949, os militares britânicos, juntamente com as forças gregas governistas, lutaram pelo controle do país na Guerra Civil Grega contra o Exército Democrático da Grécia que era formado pelos “partisans comunistas”. Os britânicos solicitaram que o governo dos EUA interviesse e repassaram ao país equipamento militar, assessores militares e armas. Com o aumento da ajuda militar dos EUA, em setembro de 1949, o governo grego acabou vencendo.


Em 1947, os EUA apoiaram a Democracia Cristã contra o Partido Comunista da Itália.


Em 1949, os EUA se envolveram no golpe na Síria derrubando um governo democraticamente eleito.


Na década de 1950, os EUA agiram de várias formas para derrubar muitos governos, com sucessos ou não. A saber: Egito, 1952; Irã, 1953; Guatemala,1954; Laos, 1955-1960; Síria, 1956; Indonésia, 1957-1959; Líbano, 1958; Iraque, 1959.


Na década de 1960, os EUA agiram em vários países, a saber:  no Congo, em 1961, quando o primeiro-ministro democraticamente eleito foi morto por um golpe orquestrado pelas atividades da CIA, sob o governo Eisenhower; no Laos, em 1960, quando Kaw Taw, juntamente com a CIA, orquestrou um contragolpe no novo governo; na República Dominicana, em 1961, o governante Rafael Trujillo foi assassinado com armas fornecidas pela Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA).


Depois que Fidel Castro tomou o poder em Cuba, em 1959, os EUA, através da CIA, orquestraram uma força composta de exilados cubanos para invadir a Ilha, numa tentativa de derrubar o governo cubano de Fidel Castro.  A invasão foi lançada em abril de 1961, três meses depois de Kennedy ter assumido a presidência nos EUA. As forças armadas cubanas, treinadas e equipadas pelas nações do bloco oriental, derrotaram os combatentes invasores em três dias. Além disso, a CIA orquestrou uma série de tentativas de assassinato contra Fidel Castro, chefe do governo de Cuba, sem êxito, e lançou embargos para sufocar economicamente o governo cubano.


 No Brasil, Jânio Quadros renunciou, em agosto de 1961 e foi legalmente sucedido por João Goulart, o vice-presidente eleito democraticamente.  Goulart era um defensor dos direitos democráticos, da legalização do Partido Comunista e das reformas econômicas e agrárias, mas o governo dos EUA insistiu que ele impusesse um programa de austeridade econômica.  


O governo dos EUA implementou um esforço de desestabilização do Brasil, cortando a ajuda ao governo brasileiro, fornecendo ajuda aos governadores do Brasil que se opuseram ao novo presidente e encorajando altos oficiais militares brasileiros a tomarem o poder e apoiar o Chefe do Estado-Maior do Exército, general Humberto de Alencar Castelo Branco. 

 

Em 1963, no Iraque, o golpe que resultou na formação de um governo baathista foi planejado pela CIA.


Em 1963, os EUA entraram na Guerra do Vietnã (1959 a 1975), com intensa participação. A guerra foi um conflito entre o Vietnã do Norte e o Vietnã do Sul. Esse conflito foi motivado por questões ideológicas. Estima-se que, nessa guerra, entre 1,5 milhão e 3 milhões de pessoas tenham morrido.


Em 1965, na Guerra Civil Dominicana, os EUA participaram com uma frota de 41 embarcações para bloquear a ilha enquanto a invadia. Em última análise, 42.000 soldados e fuzileiros navais foram para a República Dominicana e os Estados Unidos ocuparam o país.


Houve participação dos EUA na Guerra da Indonésia (1965-1967) e da Grécia (1967). Em 1971, os EUA apoiou o golpe liderado pelo general Hugo Banzer, que depôs o presidente Juan José Torres, da Bolívia.


De 1972 a 1975, na Guerra do Iraque, os EUA, secretamente, forneceram milhões de dólares para a insurgência curda, apoiada pelo Irã, contra o governo iraquiano.


Em 1973, no Chile, o presidente democraticamente eleito Salvador Allende foi deposto e assassinado pelas forças armadas e pela polícia nacional chilena. O Golpe de Estado foi apoiado pelo governo dos EUA.


Na Guerra do Afeganistão (1979-1989) os EUA forneceram armas e financiamento para várias facções de guerrilheiros jihadistas para derrubar o governo afegão e as forças militares soviéticas que o apoiavam.


Os EUA interferiram nas operações de Polônia (1980-1989), com ações secretas da CIA durante a Guerra Fria.


O governo de El Salvador travou uma sangrenta guerra civil, de 1980 a 1992.  O governo dos EEUU forneceu treinamento militar e armas para os militares salvadorenhos.


O governo dos EUA tentou derrubar o governo da Nicarágua (1982-1989) ao armar secretamente, treinar e financiar os Contras, um grupo rebelde baseado em Honduras que foi criado para sabotar a Nicarágua e desestabilizar o governo nicaraguense. 


Como parte do treinamento, a CIA distribuiu um manual que instruiu os Contras, entre outras coisas, sobre como explodir prédios públicos, assassinar juízes, criar mártires e chantagear cidadãos comuns.  Além de orquestrar os Contras, o governo estadunidense também explodiu pontes e minou o porto de Corinto, causando o afundamento de vários navios civis nicaraguenses e estrangeiros e muitas mortes de civis. 


Os EUA, na Operação Fúria Urgente,  invadiram a pequena nação insular de Granada (1983) para remover o governo marxista que a administração Reagan considerou condenável. A ONU chamou a invasão de "uma violação flagrante da lei internacional", mas uma resolução similar amplamente apoiada pelo Conselho de Segurança da ONU  foi vetada pelos Estados Unidos.


Em dezembro de 1989, em uma operação militar chamada Operação Justa Causa, os EUA invadiram o Panamá. O presidente George W. Bush lançou a guerra dez anos depois que os Tratados Torrijos-Carter foram ratificados para transferir o controle do Canal do Panamá dos EUA para o Panamá no ano 2000.


Em 1991, depois que o Iraque invadiu o Kuwait, em agosto de 1990, o governo dos EUA fez lobby aos governos representados no Conselho de Segurança das Nações Unidas para apoiarem uma resolução autorizando os membros da ONU a usar "todos os meios necessários" para retirar as forças iraquianas do Kuwait.


 A Resolução 678, foi aprovada e os EUA reuniram uma força de coalizão de 34 países para intervir. A operação foi lançada em janeiro de 1991 e possuiu o codinome "Operação Tempestade no Deserto". A coalizão liderada pelos EUA repeliu as forças iraquianas do Kuwait.


Iraque (1994-2000). A CIA lançou a Operação DBACHILLES, uma operação golpista contra o governo iraquiano.


Em 1997, o presidente  Clinton viu uma oportunidade para derrubar o presidente da Indonésia, Suharto, quando seu governo sobre a Indonésia tornou-se cada vez mais precário, depois da crise financeira asiática de 1997. Centenas morreriam na crise que se seguiu.


            Iugoslávia, do período de 1998 a 2000, pouco mais de 100.000.000 dólares foram canalizados dos EUA para os partidos da oposição, a fim de provocar uma mudança de regime na Iugoslávia.


Guerra do Iraque (2002-2011). Em 1998, como medida não encoberta, os EUA promulgaram a "Lei de Libertação do Iraque", que declara, em parte, que "deveria ser política dos Estados Unidos apoiar os esforços para retirar o regime liderado por Saddam Hussein no Iraque do poder", e apropriou fundos para a ajuda dos EUA "às organizações da oposição democrática iraquiana".


 Depois de Bush ter sido eleito, começou a ser mais agressivo em relação ao Iraque.  Depois dos ataques de 11 de setembro, a administração Bush começou a dizer que Saddam Hussein estava ligado e apoiava a Al-Qaeda e que possuía armas de destruição maciça, apesar de não haver provas de nenhuma delas. O Iraque era também um dos três países que Bush invocou no seu discurso do "Eixo do mal".


 Em 2002, o Congresso aprovou a "Resolução Iraquiana" que autorizava o presidente a "utilizar todos os meios necessários" contra o Iraque. A Guerra do Iraque começou em março de 2003, quando a coligação militar liderada pelos EUA invadiu o país e derrubou o governo iraquiano. Os EUA capturaram e ajudaram a processar Hussein, que mais tarde foi enforcado. Os EUA e o novo governo iraquiano também combateram uma insurreição após a invasão.


Em 2011, os EUA retiraram os seus soldados do conflito, embora eles tenham regressado militarmente, em 2014, para ajudar a deter a ascensão do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL).


ana margarida furtado arruda rosemberg

Fortaleza, 01 de março de 2022