Victor HUGO
1802 - 1885
Liberté !
De quel droit mettez-vous des oiseaux dans des cages ?
De quel droit ôtez-vous ces chanteurs aux bocages,
Aux sources, à l'aurore, à la nuée, aux vents ?
De quel droit volez-vous la vie à ces vivants ?
Homme, crois-tu que Dieu, ce père, fasse naître
L'aile pour l'accrocher au clou de ta fenêtre ?
Ne peux-tu vivre heureux et content sans cela ?
Qu'est-ce qu'ils ont donc fait tous ces innocents-là
Pour être au bagne avec leur nid et leur femelle ?
Qui sait comment leur sort à notre sort se mêle ?
Qui sait si le verdier qu'on dérobe aux rameaux,
Qui sait si le malheur qu'on fait aux animaux
Et si la servitude inutile des bêtes
Ne se résolvent pas en Nérons sur nos têtes ?
Qui sait si le carcan ne sort pas des licous ?
Oh! de nos actions qui sait les contre-coups,
Et quels noirs croisements ont au fond du mystère
Tant de choses qu'on fait en riant sur la terre ?
Quand vous cadenassez sous un réseau de fer
Tous ces buveurs d'azur faits pour s'enivrer d'air,
Tous ces nageurs charmants de la lumière bleue,
Chardonneret, pinson, moineau franc, hochequeue,
Croyez-vous que le bec sanglant des passereaux
Ne touche pas à l'homme en heurtant ces barreaux ?
Prenez garde à la sombre équité. Prenez garde !
Partout où pleure et crie un captif, Dieu regarde.
Ne comprenez-vous pas que vous êtes méchants ?
À tous ces enfermés donnez la clef des champs !
Aux champs les rossignols, aux champs les hirondelles ;
Les âmes expieront tout ce qu'on fait aux ailes.
La balance invisible a deux plateaux obscurs.
Prenez garde aux cachots dont vous ornez vos murs !
Du treillage aux fils d'or naissent les noires grilles ;
La volière sinistre est mère des bastilles.
Respect aux doux passants des airs, des prés, des eaux !
Toute la liberté qu'on prend à des oiseaux
Le destin juste et dur la reprend à des hommes.
Nous avons des tyrans parce que nous en sommes.
Tu veux être libre, homme ? et de quel droit, ayant
Chez toi le détenu, ce témoin effrayant ?
Ce qu'on croit sans défense est défendu par l'ombre.
Toute l'immensité sur ce pauvre oiseau sombre
Se penche, et te dévoue à l'expiation.
Je t'admire, oppresseur, criant: oppression !
Le sort te tient pendant que ta démence brave
Ce forçat qui sur toi jette une ombre d'esclave
Et la cage qui pend au seuil de ta maison
Vit, chante, et fait sortir de terre la prison.
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Liberdade!
Com que direito vocês prendem pássaros em gaiolas?
Com que direito vocês tiram esses cantores dos bosques,
Das nascentes, da aurora, das nuvens, dos ventos?
Com que direito vocês roubam a vida desses seres vivos?
Homem, você acredita que Deus, esse pai, dá à luz
A asa apenas para pendurá-la no prego da sua janela?
Você não pode viver feliz e contente sem ela?
O que fizeram todas essas criaturas inocentes para merecerem estar na prisão com seu ninho e seu par?
Quem sabe como o destino delas se entrelaça com o nosso?
Quem sabe se o verdilhão roubado dos galhos,
Quem sabe se a desgraça infligida aos animais,
E se a servidão inútil das bestas,
Não nos levará, em última instância, a Neros sobre nossas cabeças?
Quem sabe se o jugo não se libertará de suas rédeas?
Oh! Quem conhece as repercussões de nossas ações,
E que obscuras interseções se escondem nas profundezas do mistério,
Em tudo o que fazemos com risos na Terra?
Quando vocês aprisionam com uma rede de ferro
Todos esses bebedores azuis feitos para se embriagarem com ar,
Todos esses encantadores nadadores de luz azul,
Pintassilgo, tentilhão, pardal-comum, lavandeira,
Vocês acreditam que o bico ensanguentado dos pássaros canoros
Não atinge o homem quando bate nessas grades?
Cuidado com a justiça sombria. Cuidado!
Onde quer que um cativo chore e clama, Deus observa.
Vocês não entendem que são perversos?
Deem a todos esses prisioneiros a chave da liberdade!
Aos campos os rouxinóis, aos campos as andorinhas;
As almas expiarão tudo o que lhes for feito.
A balança invisível tem dois pratos escuros.
Cuidado com as masmorras com que adornam suas paredes!
De treliças com fios dourados brotam grades negras;
O sinistro aviário é a mãe das bastilhas.
Respeito aos gentis transeuntes do ar, dos prados, das águas!
Toda a liberdade tirada dos pássaros
O destino justo e implacável recupera dos homens.
Temos tiranos porque somos tiranos.
Você deseja ser livre, homem? E com que direito, tendo
Em sua casa o prisioneiro, esta testemunha aterradora?
O que se pensa indefeso é defendido pela sombra.
Toda a imensidão se inclina sobre este pobre e sombrio pássaro,
e o entrega à expiação.
Eu o admiro, opressor, clamando: opressão!
O destino o segura enquanto sua loucura desafia
Este condenado que projeta sobre você a sombra de um escravo
E a gaiola que pende à sua porta
Vive, canta e traz à luz a prisão da terra.
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