sábado, 28 de fevereiro de 2026

Poema de Victor Hugo - Liberté -

Victor HUGO

1802 - 1885




Liberté !

De quel droit mettez-vous des oiseaux dans des cages ?


De quel droit ôtez-vous ces chanteurs aux bocages,

Aux sources, à l'aurore, à la nuée, aux vents ?

De quel droit volez-vous la vie à ces vivants ?

Homme, crois-tu que Dieu, ce père, fasse naître

L'aile pour l'accrocher au clou de ta fenêtre ?

Ne peux-tu vivre heureux et content sans cela ?

Qu'est-ce qu'ils ont donc fait tous ces innocents-là

Pour être au bagne avec leur nid et leur femelle ?


Qui sait comment leur sort à notre sort se mêle ?

Qui sait si le verdier qu'on dérobe aux rameaux,

Qui sait si le malheur qu'on fait aux animaux

Et si la servitude inutile des bêtes

Ne se résolvent pas en Nérons sur nos têtes ?

Qui sait si le carcan ne sort pas des licous ?

Oh! de nos actions qui sait les contre-coups,

Et quels noirs croisements ont au fond du mystère

Tant de choses qu'on fait en riant sur la terre ?

Quand vous cadenassez sous un réseau de fer

Tous ces buveurs d'azur faits pour s'enivrer d'air,

Tous ces nageurs charmants de la lumière bleue,

Chardonneret, pinson, moineau franc, hochequeue,

Croyez-vous que le bec sanglant des passereaux

Ne touche pas à l'homme en heurtant ces barreaux ?


Prenez garde à la sombre équité. Prenez garde !

Partout où pleure et crie un captif, Dieu regarde.

Ne comprenez-vous pas que vous êtes méchants ?

À tous ces enfermés donnez la clef des champs !

Aux champs les rossignols, aux champs les hirondelles ;

Les âmes expieront tout ce qu'on fait aux ailes.

La balance invisible a deux plateaux obscurs.

Prenez garde aux cachots dont vous ornez vos murs !

Du treillage aux fils d'or naissent les noires grilles ;

La volière sinistre est mère des bastilles.

Respect aux doux passants des airs, des prés, des eaux !

Toute la liberté qu'on prend à des oiseaux

Le destin juste et dur la reprend à des hommes.

Nous avons des tyrans parce que nous en sommes.

Tu veux être libre, homme ? et de quel droit, ayant

Chez toi le détenu, ce témoin effrayant ?

Ce qu'on croit sans défense est défendu par l'ombre.

Toute l'immensité sur ce pauvre oiseau sombre

Se penche, et te dévoue à l'expiation.

Je t'admire, oppresseur, criant: oppression !

Le sort te tient pendant que ta démence brave

Ce forçat qui sur toi jette une ombre d'esclave

Et la cage qui pend au seuil de ta maison

Vit, chante, et fait sortir de terre la prison.

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 Liberdade!


Com que direito vocês prendem pássaros em gaiolas?


Com que direito vocês tiram esses cantores dos bosques,

Das nascentes, da aurora, das nuvens, dos ventos?


Com que direito vocês roubam a vida desses seres vivos?


Homem, você acredita que Deus, esse pai, dá à luz

A asa apenas para pendurá-la no prego da sua janela?

Você não pode viver feliz e contente sem ela?


O que fizeram todas essas criaturas inocentes para merecerem estar na prisão com seu ninho e seu par?


Quem sabe como o destino delas se entrelaça com o nosso?


Quem sabe se o verdilhão roubado dos galhos,

Quem sabe se a desgraça infligida aos animais,

E se a servidão inútil das bestas,

Não nos levará, em última instância, a Neros sobre nossas cabeças?


Quem sabe se o jugo não se libertará de suas rédeas?


Oh! Quem conhece as repercussões de nossas ações,


E que obscuras interseções se escondem nas profundezas do mistério,

Em tudo o que fazemos com risos na Terra?


Quando vocês aprisionam com uma rede de ferro

Todos esses bebedores azuis feitos para se embriagarem com ar,

Todos esses encantadores nadadores de luz azul,

Pintassilgo, tentilhão, pardal-comum, lavandeira,

Vocês acreditam que o bico ensanguentado dos pássaros canoros

Não atinge o homem quando bate nessas grades?


Cuidado com a justiça sombria. Cuidado!


Onde quer que um cativo chore e clama, Deus observa.


Vocês não entendem que são perversos?


Deem a todos esses prisioneiros a chave da liberdade!


Aos campos os rouxinóis, aos campos as andorinhas;


As almas expiarão tudo o que lhes for feito.


A balança invisível tem dois pratos escuros.


Cuidado com as masmorras com que adornam suas paredes!

De treliças com fios dourados brotam grades negras;


O sinistro aviário é a mãe das bastilhas.


Respeito aos gentis transeuntes do ar, dos prados, das águas!


Toda a liberdade tirada dos pássaros

O destino justo e implacável recupera dos homens.


Temos tiranos porque somos tiranos.

Você deseja ser livre, homem? E com que direito, tendo

Em sua casa o prisioneiro, esta testemunha aterradora?


O que se pensa indefeso é defendido pela sombra.


Toda a imensidão se inclina sobre este pobre e sombrio pássaro,

e o entrega à expiação.


Eu o admiro, opressor, clamando: opressão!


O destino o segura enquanto sua loucura desafia

Este condenado que projeta sobre você a sombra de um escravo

E a gaiola que pende à sua porta

Vive, canta e traz à luz a prisão da terra.


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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

JM - Atendimento ao câncer de mama na Santa Casa

Aspectos Históricos e Curiosidades no atendimento ao câncer de mama  na Santa Casa de Misericórdia de Fortaleza 

Por: ana margarida furtado arruda rosemberg 

Publicado no Jornal do Médico edição  de 24 de fevereiro de 2026





quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Yves Klein - Museu Georges Pompidou - Ana Margarida - 18 de junho 2013

 

Tradução da minha apresentação no Centro Georges Pompidou – Paris -18 de junho de 2012

Bom dia a todos!

Eu escolhi esse quadro porque eu acho que Yves Klein  fez uma coisa muito interessante  e muito importante. Esse quadro  se chama  “Monochrome bleu”. 

Ele fez muitos quadros como este. Eu acho que dez. Este é o três.  Monochrome bleu 3.

Antes, eu vou falar um pouco de sua vida, Yves  Klein,  e depois eu falarei desse quadro.  

Yves Klein nasceu  em  Nice, em 28 de abril de 1928, e morreu em Paris, em 10 junho de 1962. Ele morreu em consequência de uma terceira crise cardíaca com 34 anos. Eu acho que ele morreu por causa do tabaco, é verdade, porque ele fumava muito e o tabaco é perigoso para o coração. 

Apesar de uma carreira curta, ele é considerado um dos mais importantes protagonistas da vanguarda no pós-guerra. Ele é conhecido  pelo seu azul que ele mesmo  criou – o azul  de Yves Klein. 

Yves Klein, com o crítico de arte Pierre Restany, fundou, em 1960, o grupo dos “Novos Realistas”, por ocasião da primeira exposição coletiva de um grupo de artistas franceses e suíços na “Galeria Apolinaire” de Milão. 

Então, eu vou falar deste quadro.  Eu acho que esse quadro é enigmático. Quando o expectador olha esse quadro ele fica totalmente leve, ele pensa no céu, ele pensa no infinito, porque Yves Klein fez esse quadro numa época que havia muito consumismo e o azul para Yves Klein era azul espiritual. 

Naquela época, se a gente comprasse a gente existia, se a gente consumisse a gente existia. Yves Klein escolheu o outro lado, sem consumismo e, sim, espiritualidade. 

Para Yves Klein o azul era a cor da espiritualidade, porque era a cor do céu, do mar, do manto da Virgem Maria, na pintura católica. Ele fez uma coisa assim, como eu disse, porque ele não concordava com o consumismo daquela época. 

Para mim esse azul não é somente estético, ele é filosófico também. Foi por isso que eu escolhi porque eu sou contra o consumismo.

Hoje há muito consumismo. Quando o expectador olha, quando eu olho este quadro ele toca meu coração, porque eu sinto a calma, a paz, o sonho, a tranquilidade. Eu me sinto totalmente leve, eu penso no infinito e eu penso o mundo assim. 

É tudo. 

- Palmas...

Aluna : Obrigada pela atenção

Professor : Questões para tortura

Aluna : Essa cor é sua cor preferida?

Ana Margarida : Para mim, sim.

Aluna : Para mim, também

Aluna : inaudível

Ana Margarida : Ele criou esse azul. É único. 

Aluna : Há vários quadros com essa dimensão como este?

Ana Margarida : Há de diferentes tamanhos. Mas acho que como este são 10.

Professor : Há um teatro na Alemanha, em uma cidade, que todo o hall do teatro é decorado com esponjas com esse azul. Ele tinha muita relação com a Alemanha graça a sua mulher que era também artista... 

Ana Margarida : Ao nosso lado tem um Portrait de Armand com o azul para a eternidade. É diferente. Esse quadro é diferente porque só tem uma cor. Para mim isso é fantástico, é uma inovação, uma revolução.

Professor : não é uma revolução é o primeiro monocromo da história da arte. Em seguida foi utilizado por outros artistas com outras cores e outras razões

Aluna : inaudível

Ana Margarida : Ele nasceu em Nice ao lado do mar, e o mar é azul, o céu também. Eu acho que ele era fascinado pelo mar e pelo céu. Ele tinha uma parte espiritual também e o azul para ele era a cor espiritual. 

Professor : Ele fez uma pesquisa em muitas religiões e filosofia, e o azul, como disse a Ana, é uma coisa que faz viajar o espírito como quando se olha para o céu azul. Você á fez isso, quando criança na  relva no interior você esquece as coisas materiais  e você pensa em coisas espirituais. 

Ana Margarida : Há uma Catedral em Chartres com vitrais azuis. Azul de Chartres.

Professor : Você vê... nesse quadro há muita história, há muitas pessoas e muitas histórias. Olhe, isso faz parte também de uma filosofia oriental que passa pelo corpo quando é relaxado, em repouso, esquece a realidade para libertar o espírito...