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A VÊNUS DE VILLENDORF
O dia era 26 de outubro de 2016 da era cristã.
Naquela quarta-feira, saí de casa logo depois do almoço em busca de mais uma aula do curso de Artes Visuais, promovido pela UNIFOR.
Cheguei 40 minutos antes da hora marcada e fui fotografar algumas obras de arte, expostas no Espaço Cultural da Universidade, pertencentes ao acervo do Chanceler Airton Queiroz. De repente, lembrei-me que a professora Paula havia dito que a aula seria na biblioteca e saí quase correndo para não me atrasar.
Fomos para a sala de projeção da Unifor. Para mim foi uma grata surpresa quando um documentário sobre a história da arte, através do corpo humano, rompeu na telinha.
Mais surpresa fiquei quando o documentarista nos apresentou a Vênus de Villendorf.
Conhecida também como a mulher de Willendorf, a Vênus é uma estatueta de 11,1 cm de altura que foi descoberta no sítio arqueológico do paleolítico, no vale do Danúbio, em Willendorf, na Áustria.
O arqueólogo Josef Szombathy, no dia 8 de agosto de 1908, entrou para história da arte, quando desenterrou a estatueta esculpida em calcário oolítico, há aproximadamente 24.000 anos, quando o ser humano era nômade.
A vênus de Villendorf é uma figura feminina com vulva, mamas e abdome extremamente volumosos. Há uma forte relação da estatueta com a fertilidade. Os braços são quase imperceptíveis, a cabeça é coberta com rolos de trança deixando a face invisível e os pés não são esculpidos.
Provavelmente a vênus era um amuleto.
Sua aparência gerou controvérsias no meio científico. Para alguns a vênus foi identificada como a deusa Mãe-Terra; para outros, a corpulência evidenciava status social em uma sociedade caçadora e coletora; para outros, ainda, a imagem era uma referência a fertilidade e símbolo de sucesso e segurança. Atualmente, a Vênus está no Museu de História Natural de Viena fascinando os visitantes com seus mistérios milenares.
Seguindo a máxima de Sócrates: "ipse se nihil scire id unum sciat", "Sei que nada sei", fui pesquisar na WEB sobre a referida estatueta. Descobri que a primeira representação de uma mulher do Paleolítico Superior foi descoberta, em 1864, pelo Marquês de Vibraye, em Laugerie-Basse, na França. Apelidada de Vênus impudica, não tem cabeça, pés ou braços e apresenta uma grande abertura vaginal. Em 1894, foram encontrados pequenos bustos, de 22.000 anos, em uma caverna dos Pirineus, na França. Nascia a Vênus de Brassempouy.
Depois da Vênus de Willendorf, encontrada em 1908, cerca de 200 figuras semelhantes foram encontradas desde os Pirineus até as planícies da Sibéria.
Algumas merecem destaque: Vênus de Hohle Fels, de 35.000 anos, descoberta na Alemanha, em 2008; Vênus de Dolni Vestonice, de 29.000 a 25.000 anos, descoberta na República Checa, em 1925; Vênus de Kostenki, de 30.000 a 15.000 anos, descoberta na Rússia, em 1967; Vênus de Savignano, sem data precisa, descoberta na Itália, em 1925; Vênus de Tan-Tan, de 200.000 e 300.000 anos, contemporânea do Homo Heidelbergensis, descoberta no Marrocos, em 1999.
Todas foram batizadas de Vênus para homenagear a deusa do amor e da beleza da mitologia.
A Vênus de Milo, do século II a.C., estátua da Grécia Antiga, que atrai multidões ao museu do Louvre-Paris, foi encontrada, em 1820, na ilha de Milo.
O predomínio das imagens femininas, no Período Paleolítico, sobre imagens masculinas nos deixa a pensar que as mulheres desempenhavam papel preponderante naquelas sociedades. Teria havido uma sociedade matriarcal? Ou essas estatuetas nos mostram que a divindade mais importante era feminina e seria a grande mãe, a Mãe-Terra?
Fica a indagação !
Fica a indagação !
ana margarida furtado arruda rosemberg
Fortaleza, 28/10/2016




