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domingo, 30 de junho de 2013
quinta-feira, 27 de junho de 2013
ENTREVISTA - ROBERT KURZ
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| ROBERT KURZ |
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| ROBERT KURZ |
Robert Kurz (Nuremberga, 24 de dezembro de 1943 - 18 de julho de 2012) foi um filósofo e ensaísta alemão. Participou de uma vertente de reinterpretação da obra de Marx, denominada na Alemanha Wertkritik ('crítica do valor'). Sua área de interesse abrangeu a teoria da crise e da modernização, a análise crítica do sistema mundial capitalista, a crítica do iluminismo e a relação entre cultura e economia.
Em 1986, Kurz participou da criação da revista Krisis (e do grupo epônimo), em torno da qual se desenvolveu a Wertkritik. O grupo obteve uma certa notoriedade em 1999, quando da publicação do "Manifesto contra o Trabalho", escrito por Robert Kurz, Ernst Lohoff e Norbert Trenkle. 2 . Em 2003, o filósofo Anselm Jappe, em seu livro As aventuras da mercadoria - para uma nova crítica do valor (Lisboa: Antígona, 2006), apresentou os desenvolvimentos teóricos desse autores.
Em abril de 2004, o grupo Krisis sofre uma cisão, e Robert Kurz, Roswitha Scholz e Claus Peter Ortlieb criam um novo grupo, em torno da revista EXIT! - Kritik und Krise der Warengesellschaft ('EXIT! - Crítica e Crise da Sociedade da Mercadoria')3
Robert Kurz é autor de O Colapso da Modernização (1991)4 (Der Kollaps der Modernisierung), entre outros livros.
Morreu aos 18 de julho de 2012, com 69 anos de idade após uma cirurgia nos rins.5 6
Publicava regularmente ensaios em jornais e revistas da Alemanha, Áustria, Suíça e Brasil.
FONTE: WIKIPEDIA
Uma vida humana?
Só sem mercado,
estado e trabalho
Robert Kurz fala
sobre o seu novo livro
Há meses que a grande imprensa
alemã, e principalmente jornais e revistas alternativos, não
deixam de falar bem e, antes de tudo, mal da mais nova
publicação de Robert Kurz, o "Livro Negro do Capitalismo:
um epodo à economia de mercado", ( http://www.eichborn.de). Em 816 páginas encontramos uma breve
história valente e violenta do capitalismo, as filigranas da
construção das bases ideológicas e fetichistas do sistema
produtor de mercadorias e os percursos críticos do totalitarismo
de mercado no processo mundial da modernização. Kurz não entra
em competição com outros "Livros negros" da
comparação de sistemas e de campeonatos de atrocidades
macabras, mas apresenta os processos sociais modernos e
contextualiza os seus ideólogos desde Mandeville e Bentham para
desenhar a profunda dimensão histórica das desgraças
contemporâneas.
Robert Kurz reside em Nuremberg,
Alemanha, e é um dos editores da revista (Krisis), que publica fundamentos da teoria social
crítica elaborados pelo grupo Krisis. No Brasil ele não é
desconhecido. Em 1993 o seu "livro audacioso", o
"Colapso da modernização" (Ed. Paz e Terra), provocou
fervorosos debates entre intelectuais brasileiros de esquerda.
Uma seleção das suas posteriores palestras no Brasil e de
artigos jornalísticos na imprensa brasileira foi publicada nos
"Últimos combates" (Editora Vozes, Zero à esquerda).
Lançado no ano passado no Dep. de Geografia da USP com a
presença de vários participantes do grupo Krisis o
"Manifesto contra o trabalho" (labur@edu.usp.br), do qual Kurz é co-autor, resultou em
novas polémicas.
Os escritos de Robert Kurz e, em
particular, o seu novo livro, possuem uma saudável energia
negatória que toca mordazmente nos tabus da modernidade: a
economia de mercado, o dinheiro, o Estado e o trabalho. Permite
assim aos leitores encontrar perguntas e respostas a respeito de
uma urgentemente renovada perspectiva de crítica social e
emancipação humana.
Dieter Heidemann
Prof. do Dep. de
Geografia da USP
com colaboração de
Cláudio Duarte
D.H.: O título original do
seu livro novo era "Os moinhos satânicos". Por que a
mudança?
Realmente, entre os vários
títulos pensados, o meu favorito era "Os moinhos
satânicos" lembrando a poesia do romântico inglês William
Blake no final do século XVIII. Era uma expressão proverbial
das primeiras experiências com o sistema fabril capitalista. Mas
juridicamente o título já tinha sido ocupado por um romance.
Além disso, a editora preferiu o título "Livro negro do
capitalismo". Esperava mais efeito e atenção para fazer
contraponto ao "Livro negro do comunismo" de um grupo
de autores franceses e traduzido para diversas línguas. É uma
alistagem cansativa dos crimes do regime do socialismo de Estado,
uma pura obra de propaganda sem substância histórico-crítica e
contra um inimigo que já não existe mais. Agora bem, se eu
quisesse apenas alistar os crimes do capitalismo ocidental, acho
que nem 100 volumes grossos seriam suficientes.
D.H.: O livro é a história
da imposição da modernidade e do liberalismo. Qual é o fio
condutor da sua análise ?
Eu queria escrever uma história
crítico-radical da modernização desde o século XVIII,
através de uma apresentação integrada de aspectos que
normalmente estão sendo apresentados não só apologeticamente,
mas também tratados monograficamente separados.
O livro é: 1) Uma história das
três grandes revoluções industriais (introdução do sistema
fabril através da máquina a vapor no início do séc. XIX,
"automobilização" fordista através da produção em
linha e racionalização da economia empresarial na primeira
metade do sec. XX, revolução microeletrônica no limiar do
séc. XXI); 2) Uma história da ciência da economia nacional com
as suas vacilações permanentes entre os pólos do mercado e do
Estado; 3) Uma história da ideologia legitimadora burguesa
centrada na naturalização e biologização do social (a
economia capitalista e suas conseqüências sociais são tratadas
por ela como "lei natural" acima de qualquer crítica);
4) Uma história do disciplinamento de "material
humano" e da interiorização de normas de
comportamento capitalistas até chegar ao "homem
autoregulativo" contemporâneo; 5) Uma história do
movimento operário socialista e do socialismo do Estado, não
como um contramodelo, mas como um "elemento imanente"
da modernização burguesa; 6) Uma história das grandes crises
que caracterizam, em sua essência, este sistema.
Sempre uso citações originais
dos atores contemporâneos. Através de três séculos, fica
assim transparente que o capitalismo nunca foi outra coisa senão
um sistema de impertinências descaradas em relação à vida e
ao comportamento humano; para a grande maioria dos homens no
passado e no presente nunca trouxe um aumento de bem-estar, mas
sempre apenas novos surtos de pobreza em massa e desespero.
D.H.: Encontramos as
referências teóricas de sua análise social nas discussões
publicadas na revista "KRISIS": Qual é a importância
da critica do valor para a sua crítica radical do processo de
modernização e dos fetiches do sistema produtor de mercadorias
?
O "Livro negro do
capitalismo" é também uma tentativa de concretizar,
através de material histórico e atual, a critica que o
"Grupo Krisis" faz à compreensão usual da teoria
marxiana. O "marxismo do movimento operário" entendeu
equivocadamente as formas elementares da socialização
capitalista (trabalho abstrato, valor / forma-mercadoria,
dinheiro, mercado, Estado, nação, democracia) como condições
existenciais sociais positivas, quase ontológicas. Nesta base,
aparentemente neutra, realizou a sua parte da "luta de
classes". Por isso, a "luta de classes" era apenas
uma forma de concorrência interna das categorias
capitalistas e do seu invólucro férreo. Tratava-se de lutas por
distribuição, melhorias e "direitos", cujo êxito
parcial e sempre passageiro atava, cada vez mais fortemente, os
homens ao sistema dominante, ainda na sua própria forma-sujeito.
Hoje, a "luta de classes" esmorece no mundo inteiro e
se torna, apesar das catástrofes sociais, um modelo em
extinção, pois, na crise da terceira revolução industrial, o sistema
referencial comum, o fundamento aparentemente neutro da
moderna produção de mercadorias, está abalado. "Crítica
do valor" significa levar este fato em consideração e,
pela primeira vez, pôr radicalmente em questão as formas de
relações sociais de mercado e Estado, que se tornaram tão
naturais. Nesta perspectiva, o capitalismo não é nenhum
problema da "mais-valia retida" e da riqueza monetária
subjetiva, mas um problema de um louco fim em si mesmo: a
"valorização do valor", o absurdo reacoplamento
cibernético do dinheiro a si mesmo. Capitalistas e executivos
são apenas funcionários deste "sujeito automático"
(Marx). A relação social em referenciais monetários e
concorrenciais universais nos mercados anônimos é somente
possível através de um sistema de mercados de trabalho
preposto, nos quais os homens precisam vender a si mesmos para se
tornar material da "máquina mundial" capitalista. A
crise fundamental dos mercados de trabalho se revelará,
portanto, mais cedo ou mais tarde como crise do próprio
capitalismo.
D.H.: Como você desenvolve
então a crítica ao trabalho, considerando-o característica do
mundo moderno?
Marx vacilava ainda entre uma
ontologização positiva e uma crítica radical do trabalho. O
movimento dos trabalhadores, como o seu nome já diz (Partido do
Trabalho, ponto de vista do trabalho etc.), entendeu
equivocadamente o trabalho como alavanca da emancipação e como
contramodelo ao capitalismo. Porém, a abstração trabalho não
é o oposto mas o estado de agregado vivo do próprio capital; o
trabalho não é uma condição suprahistórica antropológica da
existência, mas a forma de atividade específica capitalista da
modernidade - dispêndio abstrato de energia humana num espaço
funcional de economia empresarial. Nesta abstração já está
posta a indiferença em relação ao conteúdo, ao sentido e à
finalidade, às necessidades vitais. Trabalho como determinação
abstrata é o lado atuante do fim em si mesmo irracional
capitalista.
O "Livro Negro" deriva o
conceito de trabalho abstrato não de maneira lógico-definidora
da forma-valor (isto Marx já fez em "O Capital"), mas
tem uma outra forma de apresentação: o sistema do trabalho
abstrato é analisado no seu desdobramento concreto-histórico,
incluindo obviamente os últimos 100 anos de capitalismo, que
Marx não vivenciou. No final deste desenvolvimento, mostra-se
que somente na 3ª revolução industrial a aparente naturalidade
da abstração trabalho torna-se prática e teoreticamente
obsoleta. Ou, a tecnologia informacional torna diversas
atividades humanas supérfluas no espaço funcional capitalista
ou a sua execução é realizada por robôs. De outro lado, o
trabalho desaparece mais ainda naquelas empresas, economias
nacionais ou regiões mundiais que, face a fraca força de
capital, não podem utilizar a microeletrônica e, por isso,
afundam na concorrência.
D.H.: Falando de economias
nacionais, quais são as formas de ascensão e decadência do
Estado-nação?
A assim chamada nação, tão
pouco suprahistórica como o trabalho, foi uma invenção do
século XVIII. Ela não é outra coisa senão o invólucro
cultural e imaginativo do Estado capitalista e da forma
irracional de legitimação para uma "continuação
político-militar de concorrência com outros meios". O
"Livro Negro" tematiza tanto a integração histórica
do movimento de trabalhadores e do socialismo na mania nacional,
como também tematiza a crise do contexto nacional na atual
globalização do capital. O conceito de "libertação
nacional" demonstra-se agora como uma contradição em si. O
apelo à nação não é nenhuma alternativa à globalização,
mas é apenas reacionário. A esquerda precisa de formas de
organização e ação transnacionais para estar de novo à
altura do desenvolvimento capitalista. Só podemos pensar um
futuro pós-capitalista através de formas pós-nacionais de
reprodução.
D.H.: Junto com o Estado, a
democracia e a cidadania tiveram o seu papel na imposição do
processo de modernização. Como você relaciona liberalismo,
socialdemocracia e socialismos de Estado ao sistema produtor de
mercadorias ?
Enquanto o capitalismo não estava
plenamente desenvolvido, também o sistema do direito burguês
ainda não estava num estado completo. A universalidade e
igualdade da forma-direito ainda não estava construída;
principalmente na área política (direito de eleição, direito
de reunião, direito de coligação etc.), uma grande parte da
população ficou excluída total ou parcialmente dos direitos
burgueses. Por isso, a atenção para mudanças se dirigia antes
de tudo à esfera política. Sob o nome de democracia, a
reivindicação por "igualdade política e liberdade"
foi declarada objetivo histórico. O "Livro negro"
analisa esta orientação como uma ilusão histórica. Pois a
integração das massas na cidadania moderna era ao mesmo tempo
um disciplinamento que estreitava a consciência e a ação nos
moldes da sociedade capitalista. Por isso, as diversas ditaduras
da modernização não eram nenhum contraponto à democracia, mas
um estágio histórico passageiro da própria democracia. A
esperança de que sistemas democráticos de decisão poderiam
regular o sistema econômico pressuposto há muito tempo foi
cruelmente desacreditada. Pois, antes que os membros da sociedade
do sistema produtor de mercadorias iniciem sua discussão
democrática, já são definidos a priori como
concorrentes econômicos. A valorização do dinheiro, o mercado
e a concorrência criam alternativas irracionais que apenas a
posteriori são trabalhadas pelos procedimentos
democráticos. Hoje, o charme da democracia tornou-se
definitivamente algo insípido. Pela crítica globalização do
capital, o totalitarismo econômico do mercado leva não só a
política democrática, mas a política em si ad absurdum.
D.H.: De que modo o
"Livro negro" trata desta crítica globalização e do
colapso do capitalismo de cassino, quando você fala até em
"dinheiro desempregado"?
Hoje, em muitos países e regiões
do mundo, o sistema produtor de mercadorias, e com isso a
economia monetária, de fato já entrou em colapso. Nos centros
ocidentais e em partes da periferia, a crise do trabalho só não
aparece como crise do capital porque aqui, a "substância de
trabalho", isto é a economia real, foi substituida por um
desacoplamento dos mercados financeiros. A capitalização
através das bolsas do "capitalismo de cassino"
especulativo antecipou esperanças fictícias de ganhos de quase
todo o século XXI. Esperanças que nunca mais serão realizadas.
O "Livro negro" analisa este desenvolvimento através
da comparação com as bolhas especulativas nos níveis da 1ª e
da 2ª Revolução Industrial. Como as anteriores, também esta
há de estourar. Mas também fica muito mais claro que a
dimensão do "capital fictício"(Marx) hoje é muito
maior do que no passado. Isto porque na 3ª Revolução
Industrial o capital torna sua própria "substância de
trabalho", de uma maneira muito mais profunda, algo
supérfluo. Quando esta bolha estourar o estrondo abalará a
sociedade capitalista mundial até ao seu fundamento.
D.H.: Como você pensa um
processo de emancipação social para além do trabalho, da luta
de classes, do movimento operário tradicional e da simples
"cultura da recusa"?
O mecanismo funcional irracional
do capital somente pode converter as gigantescas forças
produtivas da microeletrônica em desemprego em massa, em
estresse de eficiência e, enfim, no colapso do sistema
financeiro. A perspectiva emancipatória, por outro lado, só
pode consistir em transformar essas forças produtivas em ócio
livre e em uma boa vida para todos. Mas, para isso, precisaria
surgir um movimento social que não se definisse mais através da
forma capitalististicamente constituída dos interesses
concorrenciais. Precisaria ser um "movimento de
apropriação" que se apropriasse diretamente dos recursos,
não mais pelo desvio do mercado, do Estado, do dinheiro e da
política. Isto somente é possível através da ruptura de sua
própria forma-sujeito e forma de consciência. Para alcançar
isso, uma "cultura da recusa" poderia ser um passo na
direção correta, assim como o desenvolvimento de "formas
de ajuda mútua" para além do mercado e do Estado, como
também rebeliões contra as impertinências descaradas do
totalitarismo econômico (até em forma eletrônica de um vírus:
"I love you"). O decisivo será se os futuros
movimentos sociais alcançarão a crítica radical das categorias
capitalistas ou se eles se engajarão na auto-administração da
miséria. A teoria não pode esboçar por si só um programa
concreto e oferecer este programa ao mundo como se fosse um novo
sabão em pó. A perspectiva só pode ser concretizada na ação
conjunta da teoria e dos movimentos sociais emancipatórios.
D.H.: A forma literária do
livro corresponde ao cinismo da realidade violenta do processo de
modernização. A sua linguagem de repugnância sensível aos
detalhes, desprezo sarcástico e ironia permite lembrar Adorno,
não ?
Alguns críticos chamaram o
"Livro negro" um "panfleto de insultos contra a
economia de mercado". Essa carapuça aceito com prazer.
Apenas na distância acadêmica burguesa a teoria e a análise
histórica aparecem como uma observação neutra de objetos
neutros. Uma crítica social, porém, pressupõe um engajamento
existencial do homem inteiro, portanto também, a emoção. A
ordem dominante não é apenas um sistema com mecanismos
funcionais mas também uma impertinência detestável e um
acúmulo de infâmias. Todos os verdadeiros críticos, de Marx
até Adorno, ligaram as análises precisas à ironia e rejeição
da "modernização", cuja burrice e violência insultam
toda a razão humana.
D.H.: Como está sendo a
recepção do livro na Alemanha?
O "Livro Negro" chamou
muito mais atenção e levou a maiores tiragens do que o
"Colapso da Modernização" no início da década de
90. Junto com o "Manifesto contra o trabalho", do Grupo
Krisis, apresentou questionamentos para um novo debate da
esquerda e alcançou um número grande de leitores. É óbvio que
as resenhas nos meios de comunicação, com poucas exceções,
estão sendo extremamente negativas, uma vez que se feriu o tabu
de um consenso social aparentemente definitivo: "a economia
de mercado e a democracia". Também os porta-vozes da antiga
esquerda reagiram alergicamente, mais ainda que em relação a
publicações anteriores da Revista Krisis, pois estão vendo seu
barco ir a pique.
Robert Kurz
Schwarzbuch Kapitalismus: ein
Abgesang auf die Marktwirtschaft
Frankfurt am Main, Eichborn
Verlag, 1999
FONTE: http://obeco.planetaclix.pt/rkurz54.htm
FONTE: http://obeco.planetaclix.pt/rkurz54.htm
terça-feira, 25 de junho de 2013
LANÇAMENTO DA REVISTA "DE SAÍDA" HOJE, 25 DE JUNHO DE 2013
JORNAL "O POVO" - VIDA E ARTE - HOJE - 25 DE JUNHO DE 2013.
O grupo Crítica Radical lança hoje, às 18h30min, no Espaço O POVO de Cultura e Arte, o primeiro número da revista De Saída - a vida revista, a revista da vida emancipada. Segundo um dos integrantes do grupo, Jorge Paiva, o título tem dupla leitura: significa a saída da ordem capitalista e o início da discussão sobre o assunto.
A ideia é unir o projeto gráfico e as ilustrações ao conteúdo do material impresso, segundo Jorge Paiva, um dos integrantes do Crítica.
O primeiro artigo desta edição é “De saída - por um manifesto da emancipação humana”, que faz uma crítica a categorias como valor e trabalho e propõe sua superação.
Já os artigos “‘Viagem ao coração das trevas’ do capitalismo”, do filósofo alemão Anselm Jappe, e “A barbárie não é inevitável”, do também alemão Peter Orlieb, analisam aspectos do novo livro de Robert Kurz, Dinheiro sem valor. O livro deverá ser lançado em julho. Além disso, a revista apresenta o “Cordel do fim do trabalho”, analisando essa ideia, e o poema “O absurdo”.
A revista chega a público num momento em que muitas cidades brasileiras registram protestos com milhares de pessoas nas ruas, com reivindicações difusas. Para Paiva, esses movimentos apontariam para o que o Crítica já propunha e analisava - como a ilegitimidade das instituições e partidos políticos.
“Lamentamos que ainda não tenha um projeto. Só isso que ainda não aconteceu. Mas não há, do ponto de vista da revista, a ideia de vanguarda. Estamos querendo contribuir”, afirma. A ilustração da capa, segundo ele, indicaria para o surgimento desse antisujeito que irrompe de forma coletiva.
O mais importante teórico do Crítica, o alemão Robert Kurz, propõe a superação do capitalismo em direção a uma sociedade emancipada. Ele morreu em julho de 2012, aos 68 anos, em consequência de erro médico. No próximo mês, o grupo organiza seminários em homenagem a ele, com a participação de Jappe e outros pensadores.
SERVIÇO
De saída - a vida revista, a revista da vida emancipada
Quando: hoje, às 18h30minOnde: Espaço O POVO de Cultura e Arte (av. Aguanambi, 282 - José Bonifácio).
Preço: R$ 10.
O grupo Crítica Radical lança hoje, às 18h30min, no Espaço O POVO de Cultura e Arte, o primeiro número da revista De Saída - a vida revista, a revista da vida emancipada. Segundo um dos integrantes do grupo, Jorge Paiva, o título tem dupla leitura: significa a saída da ordem capitalista e o início da discussão sobre o assunto.
A ideia é unir o projeto gráfico e as ilustrações ao conteúdo do material impresso, segundo Jorge Paiva, um dos integrantes do Crítica.
O primeiro artigo desta edição é “De saída - por um manifesto da emancipação humana”, que faz uma crítica a categorias como valor e trabalho e propõe sua superação.
Já os artigos “‘Viagem ao coração das trevas’ do capitalismo”, do filósofo alemão Anselm Jappe, e “A barbárie não é inevitável”, do também alemão Peter Orlieb, analisam aspectos do novo livro de Robert Kurz, Dinheiro sem valor. O livro deverá ser lançado em julho. Além disso, a revista apresenta o “Cordel do fim do trabalho”, analisando essa ideia, e o poema “O absurdo”.
A revista chega a público num momento em que muitas cidades brasileiras registram protestos com milhares de pessoas nas ruas, com reivindicações difusas. Para Paiva, esses movimentos apontariam para o que o Crítica já propunha e analisava - como a ilegitimidade das instituições e partidos políticos.
“Lamentamos que ainda não tenha um projeto. Só isso que ainda não aconteceu. Mas não há, do ponto de vista da revista, a ideia de vanguarda. Estamos querendo contribuir”, afirma. A ilustração da capa, segundo ele, indicaria para o surgimento desse antisujeito que irrompe de forma coletiva.
O mais importante teórico do Crítica, o alemão Robert Kurz, propõe a superação do capitalismo em direção a uma sociedade emancipada. Ele morreu em julho de 2012, aos 68 anos, em consequência de erro médico. No próximo mês, o grupo organiza seminários em homenagem a ele, com a participação de Jappe e outros pensadores.
SERVIÇO
De saída - a vida revista, a revista da vida emancipada
Quando: hoje, às 18h30minOnde: Espaço O POVO de Cultura e Arte (av. Aguanambi, 282 - José Bonifácio).
Preço: R$ 10.
quinta-feira, 20 de junho de 2013
POR: DANIEL ARRUDA TEIXEIRA - A MENINA E O SKATE
| Dr. Daniel Arruda - Médico patologista e radiologista |
A Menina e o Skate
Nesta última terça-feira, por volta de 23 horas, eu tinha que fazer o trajeto Liberdade-Vila Madalena para voltar para a casa. Resolvi arriscar cruzar a Paulista perto da Augusta, pois a opção de ir pelo centro de São Paulo parecia pior. Havia confusão na Augusta e fumaça branca em toda a parte (não sei se era do painel da copa do mundo queimado ou gás lacrimogênio). A fumaça não me incomodou pois eu confortavelmente desliguei a circulação de ar do carro. Um obstáculo, entretanto apareceu na minha frente enquanto eu dirigia... UMA MENINA NUM SKATE COM UMA BANDEIRA DO BRASIL. Digo obstáculo não por ela ter impedido minha passagem; mas por ter me olhado nos olhos como quem diz “Babaca, sai desse carro e vem pra rua”
Eu sou babaca?
Não me animei até agora de ir pra rua brigar contra o reajuste de 20 centavos por saber que é resolver um problema para criar outro. Afinal alguém duvida que essa conta não vai sair do nosso próprio bolso? (Aumento do combustível ou outros impostos).
Vinte centavos são apenas a ponta do iceberg. O maior problema do país se chama Corrupção. Temos nas mãos nesse momento a possibilidade de tentar chamar atenção para isto. Devemos mudar o movimento nesse sentido e ir sim para as ruas! A PEC 37 é um exemplo de que podemos ter objetivos concretos nas nossas reivindicações.
Depois que passar tudo isso, se nós continuarmos a assistir novelas e cultuarmos ao extremo jogadores de futebol... infelizmente nada vai mudar. Jogadores não são meus heróis! Meus heróis são brasileiros como Carlos Chagas, Adolfo Lutz, Athanase Billis e todos os pobres pequenos burgueses que carregam o país nas costas.
Daniel Arruda
São Paulo, 19 de junho de 2013.
Nesta última terça-feira, por volta de 23 horas, eu tinha que fazer o trajeto Liberdade-Vila Madalena para voltar para a casa. Resolvi arriscar cruzar a Paulista perto da Augusta, pois a opção de ir pelo centro de São Paulo parecia pior. Havia confusão na Augusta e fumaça branca em toda a parte (não sei se era do painel da copa do mundo queimado ou gás lacrimogênio). A fumaça não me incomodou pois eu confortavelmente desliguei a circulação de ar do carro. Um obstáculo, entretanto apareceu na minha frente enquanto eu dirigia... UMA MENINA NUM SKATE COM UMA BANDEIRA DO BRASIL. Digo obstáculo não por ela ter impedido minha passagem; mas por ter me olhado nos olhos como quem diz “Babaca, sai desse carro e vem pra rua”
Eu sou babaca?
Não me animei até agora de ir pra rua brigar contra o reajuste de 20 centavos por saber que é resolver um problema para criar outro. Afinal alguém duvida que essa conta não vai sair do nosso próprio bolso? (Aumento do combustível ou outros impostos).
Vinte centavos são apenas a ponta do iceberg. O maior problema do país se chama Corrupção. Temos nas mãos nesse momento a possibilidade de tentar chamar atenção para isto. Devemos mudar o movimento nesse sentido e ir sim para as ruas! A PEC 37 é um exemplo de que podemos ter objetivos concretos nas nossas reivindicações.
Depois que passar tudo isso, se nós continuarmos a assistir novelas e cultuarmos ao extremo jogadores de futebol... infelizmente nada vai mudar. Jogadores não são meus heróis! Meus heróis são brasileiros como Carlos Chagas, Adolfo Lutz, Athanase Billis e todos os pobres pequenos burgueses que carregam o país nas costas.
Daniel Arruda
São Paulo, 19 de junho de 2013.
quarta-feira, 19 de junho de 2013
A CASA DE MEUS AVÓS PATERNOS
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| CASA DE MEUS AVÓS NA DÉCADA DE 1960 - PODEMOS VÊ-LOS AO LADO DE ALGUNS NETOS |
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| CASA DE MEUS AVÓS NA DÉCADA DE 1990 |
| CASA DE MEUS AVÓS EM 2012 |
A CASA DE MEUS AVÓS PATERNOS
Texto publicado na Antologia da SOBRAMES-CE - 2010 - RECEITAS LITERÁRIAS
Era um casarão de estilo colonial, construído por um português no século XIX, que acolheu meus bisavós,
Pai Arruda (Miguel Arcanjo de Araújo Costa Lopes de Aguiar Arruda) e Mãe Mento
(Maria do Livramento Bezerra de Araújo Rodrigues de Vasconcelos Arruda), quando
chegaram à Baturité, em julho de 1891.
Vindo de Santo
Antônio de Aracatiaçu, município de Sobral, meu bisavô chegou com sua mulher,
sua sogra Dindinha, duas cunhadas, Antônia Amélia e Maria Elisa, e sete filhos:
João, de 16; Vicente, de 15; José, de 14; Antônio, de 13; Jeremias, de 9; Ananias, de 5; e Maria Adelina (minha
avó materna), de 4 anos.
Em Baturité, nasceram mais três
filhos: Eurico, Raimundo (meu avô paterno) e Mimosa.
A casa da vovó
Noemy e do vovô Raimundo ficava na rua 7 de Setembro, quase em frente à de meus
pais, na esquina que dava para o prédio dos Correios. Era comprida e terminava na rua
detrás.
Tinha um portão de madeira
lateral que dava acesso à porta de entrada e ao jardim com um tanque pequeno,
mas que pra mim e a Goretti parecia imenso, pois lá tomávamos banho como se uma
piscina fosse...
A
casa de meus avós tinha o perfume das rosas que a tia Elisa, minha tia bisavó,
cultivava no jardim, para ornar o Santíssimo do altar da capelinha do tio
Ananias. Eram rosas de todos os matizes:
vermelhas, carmesins, encarnadas, púrpuras, amarelas, salmões, adamascadas,
alaranjadas, róseas, violetas e brancas.
A mistura de seus variados
perfumes nos embriagava.
O
muro lateral dava para o jardim e era cheio de degraus separados por colunas
artísticas, por onde nos aventurávamos, escalando-o. Papai nos colocava sentados nele, para nos fotografar. Fazia a escadinha: Lúcia,
Maninha, Edna, Raimundo Luis, Ana, Goretti. Escadinha que foi crescendo com a
chegada da Clêide, Fátima, Miguel, Teca, Angela, João José, Carminha, Carlinhos
e Isabel.
A
casa de meus avós tinha 12 janelas duplas com ferrolhos compridos (cinco delas
davam pra rua 7 de setembro e sete para o jardim), 2 salas de visitas, 9
quartos, um corredor, uma sala de jantar, uma copa, um pátio interno, uma
cozinha, uma despensa, 2 banheiros e um quintal.
Na sala, um velho relógio de parede anunciava,
com suas badaladas, as horas. Esse relógio marcou o tempo feliz
e infindável da minha infância. Nele, ainda bem pequena, aprendi a ler as horas
e inúmeras vezes, atravessei a rua só pra chegar até a janela e espiá-lo.
O chapeleiro onde
o vovô descansava seu chapéu e sua bengala tinha um espelho e por mais alto que
pulássemos, eu e a Goretti, jamais conseguimos visualizar nossos
rostinhos.
Na sala principal tinham,
além do sofá, a cadeira de balanço da tia Elisa que de tão pequena era cobiçada
por todos os sobrinhos netos, duas cadeiras de balanço que meus avós usavam
para namorar todas as noites, um bureau com um telefone preto de manivela,
livros, papéis, caneta tinteiro, mata borrão, jornais, revistas etc...
Ah!
tinha um rádio antigo de válvulas que transmitia notícias do mundo inteiro,
inclusive a vitória do Brasil na copa de 1958, na Suécia, quando o nome de Pelé
soou pela primeira vez em nossos ouvidos trazendo com seus gols alegria e
vibração que transbordaram para as calçadas da rua sete.
Televisão?
Não. Televisão não tinha.
Também não fazia falta nenhuma na
década de 1950, quando brincávamos livres de: manjôo, macaca, jogar pedras, roda,
pega-pega, esconde-esconde, arrodear o quarteirão e tudo o que nossa imaginação
desse asas, sem nada saber das agruras da vida.
O vovô tinha
uma perna mecânica e por isso usava uma bengala. Sabíamos disso, eu e a
Goretti, e o nosso maior sonho era ver nem que fosse um pedacinho da perna
quando ele se sentava. Nem sempre isso era possível, pois ele usava umas meias
de cano comprido. Uma vez conseguimos visualizar o brilho prateado de sua perna
e para nós foi uma glória.
As paredes da
casa eram cobertas de fotografias antigas de nossos antepassados. Havia uma
foto que nos intrigava. Era a de tio
Zeca, de cachinhos, com a perninha cruzada, que tinha morrido com 2 aninhos.
Como era possível uma criança tão linda morrer tão pequena e a tia Elisa já
velhinha ainda viva e implicando comigo, com a Goretti e com a mamãe, pois só
andávamos de calcinhas?
Na segunda
sala, cadeiras e sofás de palhinhas, cristaleiras, uma mesa e um piano. Provavelmente um Beckstein alemão de cujas teclas
o tio Nelson, Tatá (irmã de minha mãe) Núbia, Lúcia, e Edna extraiam acordes
melódicos que se difundiam pela casa e me encantavam como, hoje, os noturnos de
Chopin, as baladas de Litz e as Sonatas de Beethoven.
Em cima dele havia um
quadro com uma moldura em alto relevo, que retratava uma paisagem européia de
inverno. Lembro-me que era um lugarejo com uma igrejinha e algumas casas
cobertas de neve. A igrejinha estava iluminada. Era noite de Natal! As
mulheres, com aqueles vestidos rodados e compridos, e os homens, com seus
capotes, caminhavam para a missa do galo. Sem dúvida era uma paisagem européia
que meus olhos de menina, nascida em Baturité, jamais haviam visto. Com certeza
meus avós trouxeram aquele quadro da Europa, pois lá moraram alguns anos.
Nem Monet com a orgia das cores de suas
“ninphéias”; Toulouse Lautrec com suas célebres “dançarinas do cancan”, do
Moulin Rouge, em Montmartre; Degás com suas “bailarinas” da Ópera de Paris;
Matisse com suas “naturezas mortas”; Velásquez com suas “meninas”, Picasso com
seu “cubismo”, Modigliani com seus magníficos “Portraits”; Van Gogh com seus
“girassóis”; Renoir com “moulin de la galette”, Manet com “déjeuner sur
l’herbe”; Courbet com seu escandaloso “l’Origine du monde” e muitos outros quadros de impressionistas
e outros gênios da pintura que pude apreciar, ao lado do meu Rose, nos museus
da Europa, me causaram tamanha fascinação quanto aquele quadro. Ele povoou
minha infância, meus sonhos de criança e minhas fantasias de viagem mundo
afora.
A
casa de meus avós tinha um corredor quilométrico que ligava essa segunda sala à
de jantar. Eram 4 quartos só desse lado da casa. Cada quarto tinha pelo menos 3
portas. Havia o quarto do tio Juarez, tio Eurico, meu pai e tio Quelé. Tinha também o da tia Malurdes, tia Juca, tia
Teresa e tia Mazé.
O quarto da
tia Elisa era sombrio, pois sempre estava com as portas fechadas. Era lá que
ela guardava a sete chaves os insondáveis mistérios de sua alma. Lembro-me de
uma vez que o adentramos escondidas, eu e a Goretti, com os corações disparados
descobrimos 2 baús e matamos nossa curiosidade explorando os objetos dentro
deles.
O quarto da
vovó era o mais intrigante, pois sabíamos que quando o vovô ia dormir tirava
sua perna. Imaginávamos a perna dele descansando em cima de uma cadeira enquanto
ele dormia com a vovó na cama.
Durante
o dia podíamos transitar pelo quarto, quando as portas estivessem abertas, e
ficávamos fascinadas com a penteadeira da vovó. Ela era muito vaidosa e tinha
tudo para alimentar sua vaidade: pó de arroz, talco, porta-jóias, perfumes,
escovas de cabelo, laquê, grampos, fivelas e outros objetos.
As portas do
guarda-roupa eram cobertas com espelhos. Os baús enormes guardavam redes,
lençóis, toalhas, colchas de labirinto e renda feitas nos bilros das rendeiras
cearenses. Um oratório com imagens de
vários santos, onde meus avós faziam suas orações, ficava numa saleta.
A sala de
jantar superava todas as expectativas.
Uma enorme mesa patriarcal abrigava quase todos os filhos, genros, noras
e netos. Na cabeceira sentava-se o vovô.
A vovó, à sua direita. Antes das refeições eles rezavam e agradeciam a
Deus o alimento. E que alimento!
A Bem, cozinheira de mão cheia, que dedicou
toda a sua vida aos meus avós, cozinhava em seu fogão à lenha, em panelas de
ferro e barro os melhores doces que já comi. Eram de leite, banana (de
rodinha), caju, goiaba, montanha russa, torta de banana com claras em neve,
ambrosia etc... Todos feitos no tacho! A carne de porco assada e a galinha à
cabidela, com arroz e farofa, eram do quintal dela. Os ovos das fritadas também. A sopa de feijão
e a canja de galinha aqueciam nossas almas! Que saudade do “Café de Baturité”
moído em casa, no pilão, com bolo e o pão quentinho, com nata de leite, às 3h
da tarde! O leite era vendido na porta, transportado, de jumento, da vacaria
até a casa. As verduras sem agrotóxicos
também.
A casa de meus
avós tinha todas as frutas do mundo que a serra de Baturité tão generosamente
produzia: banana, manga, macaúba, laranja, cajá, limão, goiaba,
tangerina, siriguela, graviola, sapoti, ata, cajarana, carambola,
mamão, pitomba, jaca e pasmem até uva.
O quintal nos
fascinava, pois a Bem criava porcos, galinhas, pavão, capotes, galos,
pintinhos, peru etc. Havia um portão de madeira que o separava da cozinha. Os
porcos ficavam em um chiqueiro.
Fazíamos: glu, glu, glu e o peru
respondia, até a exaustão. Tô fraco, tô fraco, tô fraco e o
capote também. O pavão abria seu leque colorido
e era uma festa para os nossos olhos.
Aventura maior era chegar do
outro lado do quintal e sair por um portão de madeira grande que dava para a
rua detrás.
O silêncio da
casa de meus avós era quebrado no mês de dezembro, pela algazarra dos netos,
que vinham de Fortaleza passar as férias em Baturité.
Aí era uma festa só.
Tudo era alegria...
À benção vovó! À benção vovô!
E eles respondiam: Deus te
abençoe!
Nós éramos abençoados!
Aquela casa também, pois
albergava o amor que deles transbordava, a paz e a união de um casal feliz.
Aquela casa alimentou-me com esse amor que se entranhou em meu coração
aquecendo até hoje minhas lembranças indeléveis de uma felicidade pura e terna
de minha inesquecível infância.
ana margarida furtado arruda rosemberg
São Paulo, 2004.
domingo, 16 de junho de 2013
BODAS DE TATIANA E THIAGO
A cerimônia religiosa do casamento de Tatiane e Thiago realizou-se ontem, dia 15 de junho de 2013, no Santuário Nossa Senhora do Líbano, em Fortaleza-CE, na presença de familiares e amigos.
Após a cerimônia, os convidados foram recepcionados no Raquel Buffet.
Parabéns aos noivos, com votos de que as juras de amor trocadas ao pé do altar se perpetuem todos os dias de suas vidas.
quarta-feira, 12 de junho de 2013
REUNIÃO DA ACADEMIA CEARENSE DE MEDICINA - 12 DE JUNHO DE 2013
Hoje, 12 de junho de 2013, às 15:30h, no auditório da Pró-Reitoria de Extensão da UFC, em Fortaleza-CE, aconteceu a palestra do acadêmico Dr. Carlos Augusto Ciarline, "A HISTÓRIA DA ESCLEROSE MÚLTIPLA É A HISTÓRIA DA NEUROLOGIA".
Após a apresentação do Dr. Ciarline, houve uma homenagem ao acadêmico Dr. Djacir Gurgel de Figueiredo, como Membro Honorário da ACM, por ter tomado posse na Academia Nacional de Medicina. A mesa foi conduzida pelo presidente da ACM, Dr. João Pompeu Lopes Randal, e a homenagem ao Dr. Figueiredo foi feita pelo Dr. Flávio Leitão.
Parabéns ao Dr. Ciarline pela brilhante apresentação e ao Dr. Figueiredo pela tocante e merecida homenagem.
segunda-feira, 10 de junho de 2013
REUNIÃO DA FCAA - 8 DE JUNHO DE 2013
No dia 8 de junho de 2013, às
17h, reuniram-se na residência de Teresa Arruda Lima os seguintes membros da
Fundação Comendador Ananias Arruda, para mais uma reunião ordinária: Raimundo Luiz Furtado de Arruda
(Presidente da FCAA),
Julieta Távora Arruda, Teresa Arruda Lima, Beatriz Melo Arruda, Eurico Távora Arruda, Edna Maria Furtado
Arruda, Ana Margarida Furtado
Arruda Rosemberg, Tereza Regina Arruda Zamith, Andrea Arruda Lima e Ana Cristina Arruda Lima. O
presidente da Fundação, Raimundo Luiz, deu inicio a
reunião solicitando que fosse lida a ata da reunião anterior. Foi feito, apenas, um resumo da reunião. Em seguida, entrou na pauta, o Bingo Junino. A data de 29 de junho de 2013, que havia sido escolhida na reunião anterior, foi modificada, por conta da Ana Cristina ter compromisso já agendado nesta data. Ficou acertada outra data no mês de julho, que será definida posteriormente. Como nos bingos anteriores, cada família participará com um prato, refrigerantes e prendas. Sem mais nada a ser tratado foi feita a foto e, posteriormente, o grupo assistiu ao vídeo elaborado pela Ana Cristina e intitulado "A mulher pode". Sem mais nada a ser tratado foi encerrada a reunião ficando a próxima para ser realizada na residência da Regina & Henrique, no dia 22 de junho de 2013.
Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg
quinta-feira, 6 de junho de 2013
domingo, 2 de junho de 2013
A PROPÓSITO DA ILHA DO DJAVAN
Adorada Margô. A propósito da Ilha do poeta
cancioneiro Djavan, vai aqui um preito do meu amor.
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Tenho uma ilha no oceano de minha vida.
Nela reina você excelsa criatura, querida,
onde o sol brilha intenso, permanente,
Com o ceu azul puro adsorvente
Tal sua alma cristalina, transparente,
como o ar do Ceará, límpido e quente.
Sua meiguice reflete sua linda imagem
Como a carnaúba na sua terra enfeita a paisagem.
Em sua ilha, seus beijos são mais doces que o sapoti,
mel generoso de gostosura que nunca senti.
que devo fazer para merecer sua bondade?
Ama-la mil vezes mais com paixão?
Sei que isso é apenas uma gota de felicidade
Que merece sua generosa afeição!
Tenho uma ilha para a minha vida iluminar.
Nela reina você , com seu divino olhar...
Rose
25 março 2003.
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