terça-feira, 18 de abril de 2023

BREVE HISTÓRIA DA ANESTESIA

 

Tela de Roberto Hinckley, 1882, primeiro procedimento cirúrgico com anestesia geral pelo éter em 16 de outubro de 1846.

Publicado no Jornal do Médico .

 Link, abaixo

https://jornaldomedico.com.br/wp-content/uploads/RD-Abril-2023.pdf

BREVE HISTÓRIA DA ANESTESIA

“Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas e fechou a carne em seu lugar; E da costela que o Senhor Deus tomou do homem, formou uma mulher, e levou-a a Adão”.

Gênesis 2:21-22 - Bíblia

Segundo historiadores da medicina, a primeira anestesia foi feita por Deus quando induziu um sono profundo em Adão e retirou-lhe uma costela. Portanto, Deus foi o primeiro anestesista e o primeiro cirurgião.

Sem entrar em considerações religiosas e filosóficas, limito-me a descrever uma breve história da anestesia seguindo documentos escritos.

A prática anestésica surgiu em meados do século XIX, mas o conhecimento é muito mais antigo. Entre 430 e 424 a.C., o historiador grego Heródoto de Halicarnasso relatou em seus escritos como os citas, uma tribo do “Mar Negro”, no sul da Rússia, induziam um estado de estupor ao inalar vapores de cânhamo. As inalações de vapores para entrar em estado de transe também eram praticadas pela Pítia de Delfos, guardiã do templo de Apolo. Pode-se estabelecer que o cânhamo foi o primeiro anestésico inalatório, mas este processo nunca foi usado na antiguidade para cirurgia.

Na Idade Média, os barbeiros ou cirurgiões da Escola Médica de Salerno faziam as vezes dos anestesistas. Eles causavam intensa dor e desmaios nos pacientes colocando o dedo em suas feridas ou faziam uma mistura de duas plantas, meimendro, uma planta da família das solanáceas  e o ópio. O paciente era amarrado para evitar que se movesse ao acordar e um afastador de língua era colocado para evitar que ele mordesse a língua.

No século VIII, a referida Escola de Salerno recebeu importantes textos médicos gregos referentes ao ensino da cirurgia. Os escritos gregos foram traduzidos para o árabe e chegaram ao mundo cristão por meio de uma tradução dupla. Depois de Salerno, esses conhecimentos chegaram à “Escola de Medicina de Montpellier” e daí para o resto da Europa. Os documentos dessa época relatam uma preparação anestésica aplicada através de um lenço ou esponja colocada no nariz, chamadas de “esponjas soporíficas”.

O uso de esponjas soporíferas, havia sido descrito na Antiguidade por Dioscórides, e foi usada pelo Lombardo Hugo de Lucca (Borgognoni, Ugo de Lucca 1220), cirurgião da cidade de Bolonha, e que participou das Cruzadas na Terra Santa. A Lombardia foi o centro de transmissão do conhecimento.

Na Idade Média, o médico francês Guy de Chauillac advertiu contra o uso de “esponjas soporíficas”, devido ao perigo que seu uso acarretava.  A famosa médica alemã, Santa Hildegard de Bingen, no século XII, deu remédios aos enfermos para capacitá-los a resistir as dores.

No século XIX, os derivados do ópio continuaram sendo o principal analgésico eficaz, antes do uso do sono químico geral com éter e depois com clorofórmio.

O inventor da anestesia foi o dentista americano William Thomas Green Morton (1819-1868). O grande feito aconteceu, em 1846, no anfiteatro cirúrgico do “Massachusetts General Hospital”, nos EEUU. Morton tinha idealizado um aparelho inalador de éter que foi usado durante a cirurgia de um jovem de 17 anos, Gilbert Abbot, portador de um tumor no pescoço. A cirurgia foi realizada com êxito pelo cirurgião John Collins Warren (1778-1856).

O termo anestesia foi dado pelo professor americano de anatomia e fisiologia, Oliver Wendell Holmes, em carta dirigida a William Morton. Ele designou por este termo um estado de inconsciência induzido pela inalação de gás para reduzir a dor do ato cirúrgico.

No início do século XX, a cocaína foi utilizada como anestésico local, em particular para cirurgia ocular, até ao desenvolvimento dos seus primeiros derivados sintéticos, Stovaïne de Ernest Fourneau (1904) e Novocaïne de Alfred Einhorn (1906).

Em 1867, foi realizada a primeira anestesia no Brasil, pelo médico Roberto Jorge Haddock Lobo, no Hospital Militar do Rio de Janeiro.

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Braga-Portugal 15.04.2023

 

segunda-feira, 3 de abril de 2023

ROSE E MARGÔ - Por: Ronald Teles












Dr. Ronald Teles - Cardiologista

Rose e Margô

Não há dimensões para nosso amor,

Nem barreiras no tempo,

Pois nossas almas habitam,

Os raios do sol que nos queimam aqui dentro,

Esse amor,fulcro de luz,

Rapidamente um luzeiro,

Já não cabe em nosso peito,

Que saiba o mundo inteiro,

A força de nossa paixão, 

Ela escorre por nossos olhares,

Ela está em nossas mãos e almas,

Órfãs de nossas carícias,

Ainda buscando nosso derradeiro adeus,

Que nunca acontecerá,

Pois meu beijo no beijo teu,

Decretou a imortalidade de nossos sentimentos, 

Eles nunca serão lamentos,

Posto que batem em nosso peito,

Em um coração perfeito, 

Que agora tornou-se um só.

Margô e Rose