terça-feira, 30 de janeiro de 2024

Museu da Língua Portuguesa - DO CILINDRO À NUVEM

 


DO CILINDRO À NUVEM -  Uma breve história  das tecnologias de reprodução  de  músicas. 

Exposição temporária  - Museu da Língua portuguesa - São Paulo -SP


Até  a segunda metade do século  XIX, só  era possível  ouvir música  ao vivo. 


O sonho de capturar os sons para ouvi-los depois foi sendo concretizado com objetos materiais, como: cilindros,  gramofones, aparelhos de rádio  e TV, vinis, hard drives, pen drives, iPods. 


Hoje, o sonho se realiza desmaterializado em serviços de streaming e nas nuvens.  


Tudo começou  em 1877,  quando o norte-americano  Thomas  Edison apresentou  ao mundo uma máquina falante - o  fonógrafo -  um cilindro que  girando permitia que uma agulha riscasse a sua superfície produzindo  sons.


Em 1893, o alemão  Emile Berliner apresentou  ao mundo o Gramofone. A vantagem em relação  ao fonógrafo  era a capacidade  de produzir os sons em discos de cera e não  mais em cilindros.


Em 1922, ocorreu a primeira transmissão  radiofônica  no  Brasil. 


Em poucos anos, o rádio  se espalhou com notícias  e muitas músicas.  Em 1936, Carmem Miranda e sua irmã Aurora Miranda faziam sucesso  com a música “ Cantoras do rádio “.


Em 1948, surgiram os discos  de vinil, os chamados Long Play,  substituindo  os velhos discos de 78 rpm. 


Vitrola  era o nome de um toca-discos produzido  pela Victor Machine Company.   Ficou tão  popular que  passou a designar o nome toca-discos. 


Em 1950, chegou a vez da televisão. As apresentações musicais na TV eram uma espécie de rádios filmados. Depois, na década de 1960, vieram os festivais das canções.  Em 1970, surgiram os clips musicais. 


As fitas magnéticas k7 surgiram nos anos 1960.


A Sony lançou  o modelo  walkman.


Em 1982, foi lançado  o CD superando o vinil, mas logo foi superado com as canções  digitais na Internet.


Em 2001, o IPod fazia  uma promessa  irresistível: mil músicas no seu  bolso.


Atualmente,  as canções  encontram-se nas nuvens  dos aplicativos dos streaming que acessamos pelo celular. 


Como será  no futuro? 


Eis a questão.


ana margarida furtado arruda rosemberg 

Sampa,  24.01.2024

RENOIR NO MASP



Pierre-Auguste Renoir (1841-1019) é um dos mais famosos pintores franceses.


 Membro do grupo impressionista, foi pintor de nus, retratos, paisagens, marinhas, naturezas mortas e cenas de gênero. 


 Num período de cerca de sessenta anos, o pintor estima ter criado cerca de quatro mil pinturas.


O MASP tem em seu acervo cinco telas de Renoir, entres elas a famosa tela "Rosa e Azul - As meninas Cahen d'Anvers, 1881".


ana margarida furtado arruda rosemberg 

São Paulo,  22.01.2024

sábado, 20 de janeiro de 2024

Juliano Moreira - Pai da Psiquiatria Brasileira






JULIANO MOREIRA – Pai da Psiquiatria Brasileira

Juliano Moreira, filho de Galdina Joaquina do Amaral, empregada doméstica de Luís Adriano Alves Gordilho (Barão de Itapuã), e Manuel do Carmo Moreira Junior, inspetor de iluminação pública, nasceu pobre e negro, em Salvador- Bahia, no dia 6 de janeiro de 1872.

Quando tinha 13 anos, sua mãe faleceu. Graças ao apoio de seu padrinho - o Barão de Itapuã - médico e professor da Faculdade de Medicina da Bahia, ele fez os cursos preparatórios nos Colégios: Pedro II e Liceu Provincial ingressando na Faculdade de Medicina da Bahia, em 1886, com apenas 14 anos.

Em 1891, colou grau em Medicina com a tese: Sífilis Maligna Precoce. Em 1896, foi aprovado em primeiro lugar no concurso para a cadeira de moléstias nervosas e mentais da Faculdade de Medicina. Entre 1895 e 1902, visitou vários asilos em países europeus, estudando as doenças mentais.

Em 1903, depois de trabalhar como psiquiatra na Bahia, foi morar no Rio de Janeiro e, até 1930, dirigiu o “Hospício Nacional de Alienados”, primeiro hospital psiquiátrico do Brasil e o segundo da América Latina, que havia sido inaugurado, em 1852, com o nome de “Hospício Pedro II”.

Moreira representou o Brasil em congressos internacionais nas cidades: Paris (1900), Lisboa (1906), Milão e Amsterdã (1907), Londres e Bruxelas (1913); foi Presidente Honorário do IV Congresso Internacional de Assistência a Alienados, em Berlim.

Albergando o bacilo de Koch em seus pulmões, Moreira internou-se em um Sanatório no Cairo em busca de tratamento.  Não encontrou a cura para sua tuberculose, mas, sim, sua esposa, a enfermeira alemã de Hamburgo, Augusta Peick. Em 1910, casaram-se e não tiveram filhos.

Como diretor do “Hospício Nacional dos Alienados”, Moreira humanizou o tratamento dos pacientes acabando com o aprisionamento, torturas e maus-tratos, comuns na época. Fez mudanças importantes no “Hospício Nacional dos Alienados” tanto na estrutura física do hospital como no modelo assistencial, provando que a questão racial não motivava doenças.

Em abril de 1911, na gestão de Moreira, o Hospício recebeu João Cândido, cognominado de “Almirante Negro”, líder da “Revolta da Chibata”, para tratar de uma suposta psicose. Após dois meses de tratamento, João Candido foi levado de volta ao presídio da Ilha das Cobras, onde cumpria pena.

Contra o pensamento racista da época, que pairava no meio acadêmico e atribuía os problemas mentais dos brasileiros a “miscigenação”, Moreira defendeu que as doenças mentais eram advindas de: falta de higiene e de acesso à educação.

Moreira fundou a “Sociedade de Medicina e Cirurgia da Bahia” e a “Sociedade de Medicina Legal da Bahia”, entre outras; foi membro da Academia Brasileira de Ciências e de várias sociedades médicas no Mundo, como: Anthropologische Gesellschaft (Munique), Societé de Medicine (Paris) e Medico-legal Society (NovaYork). 

Recebeu, postumamente, várias homenagens, como: Patrono da cadeira 57 da Academia Nacional de Medicina; Prêmio Juliano Moreira, instituído pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia; Memorial Juliano Moreira, no Hospital Psiquiátrico Juliano Moreira, em Salvador; Patrono da cadeira 27 da Academia Pernambucana de Medicina.

Em 2 de maio de 1933, Moreira faleceu no Sanatório de Correias, em Petrópolis, consumido pelo bacilo da tuberculose, deixando um legado inestimável, pois revolucionou as concepções e métodos da Psiquiatria no Brasil.

ana margarida furtado arruda rosemberg

Fortaleza. 7 de janeiro de 2024

quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

GOSTARIA DE SER NEGRA




 

GOSTARIA DE SER NEGRA 

Ontem, 17.01.2024,  fui à dermatologista aqui em Sampa.

 Ela retirou um basocelular no meu braço esquerdo e outro no rosto.

   havia feito esse procedimento cirúrgico duas vezes ao longo da vida.

A primeira vez, em 1973, quando era  estudante de medicina, e surgiu no meu nariz uma pequena lesão desse tipo; a segunda vez na década de 1990, quando retirei um basocelular no antebraço direito - ainda tenho a cicatriz.

A conta da minha exagerada exposição  ao sol, quando jovem, nas belas praias alencarinas da “Loura Desposada do Sol”, não  para de chegar.

Ontem, retirei, também, três ceratoses seborreicas na coxa direita,  herança  genética de meu pai.

Para completar,  retirei na testa um cisto sebáceo - foi o procedimento  mais complicado – “esmeraldite”, disse a dermatologista.

 Comentamos sobre as desvantagens  da pele branca.

Falei: nós,  os sapiens, surgimos negros, na África, há  aproximadamente 300 mil anos, e, há  70 mil anos, segundo Yuval Harari, nos espalhamos  pelos continentes.

 Primeiramente no Oriente  Próximo e, em seguida, em toda a Eurásia, Austrália  e Oceania.

 Os que chegaram ao norte da Europa  perderam a melanina para se adaptarem a escassa radiação solar da região, tão necessária  para a formação da vitamina D.

Ela falou das vantagens  da pele negra na sua especialidade.

Eu citei os belos  dentes dos negros e, ela, a fortaleza dos músculos.

Concluindo nosso colóquio, disse: se fosse nascer novamente  e pudesse escolher, escolheria nascer negra. Ela sentenciou : eu também.

Segundo estudos científicos, há, aproximadamente, 22 a 28 mil anos, os genes mais associados à cor da pele clara nos europeus modernos se originaram no Oriente Próximo e no Cáucaso.

Alguns estudos genéticos concluíram que a pigmentação da pele mais clara começou a ficar mais comum, em algumas regiões europeias, há  cerca de 25 mil anos.

A descoberta  arqueológica do esqueleto  de um sapiens britânico, que viveu    10 mil anos,  batizado  de “ Homem  de Cheddar “,   mostra, pelo estudo do genoma, que ele tinha a pele de escura a negra.

Essa descoberta de um grupo  de especialistas  da Universitária College de Londres ( UCL) e do Museu  de História  Natural, no início  do século  XX, no Sudoeste  da Inglaterra, evidencia que os primeiros  britânicos eram negros, tinham cabelos  crespos  e olhos azuis.

Conclusão:

Há muito pouco tempo surgiram os sapiens branquelos de cabelos  loiros e olhos  claros.

ana margarida furtado arruda rosemberg

Sampa,  18.01.2024

domingo, 14 de janeiro de 2024

O que aprendi lendo o livro: ASCENSÃO E QUEDA DOS DINOSSAUROS de Steve Brusatte

O que aprendi lendo o livro: ASCENSÃO E QUEDA DOS DINOSSAUROS  de Steve Brusatte

A Terra se formou  há  cerca de 4,5 bilhões de anos. As primeiras bactérias microscópicas  desenvolveram-se algumas centenas de milhões de anos depois. 

Durante,  aproximadamente, 2 bilhões  de anos, o mundo era habitado por bactérias. 

Não  havia plantas nem animais, nada que pudesse  ser visto a olho nu.  

Há, aproximadamente, 1,8 bilhão de anos,  essas células simples desenvolveram a capacidade  de se agruparem em organismos  maiores e mais  complexos.

Houve uma era glacial global - que cobriu quase o planeta inteiro  com geleiras.

Os primeiros animais eram simples sacos moles de gosma, semelhantes à esponjas e águas-vivas.  

Há cerca de 540 milhões de anos, no período  Cambriano, surgiram formas  de animais com esqueleto.

Eles foram se multiplicando e ficando diversos  e abundantes. Começaram  a comer uns aos outros. 

Há 390 milhões  de anos,  alguns  transformaram as nadadeiras em braços e deixaram a água  com destino  à terra.

Há cerca de 240 a 230 milhões de anos, os primeiros  dinossauros,  como o Herrerasaurus e o Eoraptor, desenvolveram-se a partir de seus ancestrais dinossauromorfos do tamanho  de gatos.

Nesse período, não  havia continentes individuais. O que havia era uma grande  massa sólida e ininterrupta de terra - supercontinente (Pangeia) e o oceano  (Pantalassa).

Os  mamíferos só explodiram  em diversidades  na Terra - após  a recuperação  dos ecossistemas -  500 mil anos depois  do dia mais destrutivo da história  da  Terra,  quando um cometa ou asteroide colidiu com a Terra e sentenciou a morte os dinossauros. 

Entre os mamíferos que surgiram, um do tamanho de um filhote  de cachorro  chamado Torrejonia viveu cerca de 3 milhões  de anos depois  da queda do asteroide.  

Ele pulava nas árvores com seus dedinhos magrelos agarrados aos galhos.

60 milhões de anos de evolução transformariam esses humildes  protoprimatas em macacos bipedes,  filósofos , escritores, crentes, não  crentes etc (os sapiens).

Se o asteroide  não  tivesse caído, provavelmente, nós  não  estaríamos  aqui, e, sim, os dinossauros. 

Os dinossauros  viveram 150 milhões  de anos e se extinguiram. 

Se aconteceu com os dinossauros,  pode acontecer  conosco. 

Oh!

ana margarida furtado arruda rosemberg 

Sampa,  12.01.2024

sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

No MASP com Portinari



Os Retirantes  - Candido Portinari 

Criança  Morta  - Candido Portinari 

NO MASP COM CANDINHO

Ontem, 11.01.2024, fui ao Masp.  Sempre vou. Ele muda muito pouco, diferentemente do Louvre, mas gosto de rever as suas obras de arte nos "CAVALETES DE CRISTAIS DE LINA BO BARDI".

 Enfim, saí  de lá  com vontade do Louvre e a sensação de "QUERO MAIS". 

Em compensação, tive o prazer, mais uma vez, de apreciar duas MARAVILHOSAS telas de Portinari: Retirantes e Criança Morta.

Sem dúvida, Candinho  é o maior pintor brasileiro de todos os tempos. O GRANDE CANDIDO PORTINARI  está  na ONU  com  GUERRA E PAZ.   Vi esses painéis  em NY, com o Rose,  mas não  entendia nada de pintura e nem de Portinari. 

Muitos anos depois,  os painéis  atravessaram o Atlântico e foram expostos no "Grand Palais" da minha "Paris  adorada". Eu disse minha?  Sim, ela é minha e de todos e todas nós.  

Em maio, se tudo correr bem, irei revê-la.  Lembrei-me  agora do Museu  Comendador Ananias Arruda, em Baturité-CE, e do poema de Fernando Pessoa - vestido de Alberto  Caeiro.

"O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,

Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,

Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia."

ana margarida furtado arruda rosemberg 

Sampa,  12.01.2024

Poema completo 

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,

Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia

Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia,

 

O Tejo tem grandes navios

E navega nele ainda,

Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,

A memória das naus.

 

O Tejo desce de Espanha

E o Tejo entra no mar em Portugal.

Toda a gente sabe isso.

Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia

E para onde ele vai

E donde ele vem.

E por isso, porque pertence a menos gente,

É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

 

Pelo Tejo vai-se para o Mundo.

Para além do Tejo há a América

E a fortuna daqueles que a encontram.

Ninguém nunca pensou no que há para além

Do rio da minha aldeia.

 

O rio da minha aldeia não faz pensar em nada

Quem está ao pé dele está só ao pé dele.