| Ana Margaria Rosemberg |
O Iraque, país que tem oito mil anos de história, invadido pelas tropas americanas e britânicas, arde em chamas, em meio ao massacre de sua população maltrapilha e faminta.
Berço da nossa civilização, pois foi ali na região que fica entre os rios Tigre e Eufrates, a Mesopotâmia, que surgiram a agricultura, a escrita, as primeiras cidades, o Código de Hamurabi etc.
Sumérios, Babilônicos, Assírios, Persas, Gregos e muitos outros povos se sucederam na região rica em água e petróleo.
Ur, tida como a mais antiga cidade do mundo, terra natal de Abraão, o pai das religiões monoteístas como judaísmo, cristianismo e islamismo, corre sério risco de ser destruída pelas “bombas inteligentes” dos agressores.
Sítios pré-históricos dos períodos Paleolítico e Neolítico que guardam informações valiosas sobre a origem da civilização correm o mesmo risco.
Apesar de tudo isso ser patrimônio da humanidade, o que está em jogo é o massacre de milhares de pessoas inocentes e indefesas que estão tendo suas vidas ceifadas precocemente.
Os EUA apesar de abrigarem somente 6% da população do planeta acham que podem, através da força, dominar outros povos e suas riquezas.
Acreditam ter o regime democrático mais perfeito que qualquer outro e se acham com o direito de exportá-lo.
Porém, que democracia é essa que passa por cima da ONU e das manifestações de protesto no mundo inteiro e invade um país com a desculpa de querer libertar o seu povo?
Será que esse povo quer realmente ser libertado pelos invasores? Será que a democracia ocidental é o regime ideal para os povos do Oriente Médio? Ou será que os americanos estão querendo o “ouro preto” que brota abundante naquela região?
Saddam Hussein, apesar de ditador, conseguiu unificar o Iraque, ainda que por caminhos perversos, e somente seu povo tem o direito de tirá-lo do poder.
Os arrogantes: Bush, Blair, Colin Powell, Dick Cheney, Donald Rumesfeld, Condoleezza Rice, Tommy Franks subestimaram a resistência de Saddam Hussein e seu povo quando resolveram fazer uma guerra cirúrgica de curta duração.
Acharam que o povo iraquiano iria se levantar contra o ditador e que o exército abandonaria a luta.
Apesar da superioridade bélica da maior potência do planeta contra um país debilitado pelos 12 anos de embargo da ONU, a guerra não vai ser curta e muito menos cirúrgica como foi apregoada aos quatro ventos.
O povo resiste e essa resistência é imponderável. Os homens bombas estão entrando no palco da guerra e amedrontando soldados americanos e britânicos que não sabem bem porque matam seus irmãos iraquianos.
O sargento Ali Jaffar Moussa Hamadi, mulçumano e xiita, foi o primeiro combatente iraquiano a lançar um ataque suicida ficando na história da resistência iraquiana contra a invasão de seu país. Homens bomba estão se multiplicando naquela região, principalmente nos territórios ocupados da Palestina.
Se os iraquianos realmente usarem essa arma, o desfecho da guerra será inimaginável.
Os americanos podem destruir com suas bombas e mísseis todo o Iraque e matar Saddam Hussein, mas não ganharão essa guerra, pois não conquistarão as mentes e os corações dos iraquianos.
Que o sacrifício desse povo sirva para a união dos árabes e que as manifestações de protesto contra a guerra, que brotam pelo mundo afora, sirvam para a humanidade encontrar um caminho de PAZ.
Ana Margarida F. Arruda Rosemberg
São Paulo, 31 de março de 2003.