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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

RESISTÊNCIA IMPONDERÁVEL - Por: ana margarida furtado arruda rosemberg

Ana Margaria Rosemberg

O Iraque, país que tem oito mil anos de história, invadido pelas tropas americanas e britânicas, arde em chamas, em meio ao massacre de sua população maltrapilha e faminta. 

Berço da nossa civilização, pois foi ali na região que fica entre os rios Tigre e Eufrates, a Mesopotâmia, que surgiram a agricultura, a escrita, as primeiras cidades, o Código de Hamurabi etc. 

Sumérios, Babilônicos, Assírios, Persas, Gregos e muitos outros povos se sucederam na região  rica em água e petróleo.

Ur, tida como a mais antiga cidade do mundo, terra natal de Abraão, o pai das religiões monoteístas como judaísmo, cristianismo e islamismo, corre sério risco de ser destruída pelas “bombas inteligentes” dos agressores. 

Sítios pré-históricos dos períodos Paleolítico e Neolítico que guardam informações valiosas sobre a origem da civilização correm o mesmo risco.

Apesar de tudo isso ser patrimônio da humanidade, o que está em jogo é o massacre de milhares de pessoas inocentes e indefesas que estão tendo suas vidas ceifadas precocemente.

Os EUA apesar de abrigarem somente 6% da população do planeta acham que podem, através da força, dominar outros povos e suas riquezas. 

Acreditam ter o regime democrático mais perfeito que qualquer outro e se acham com o direito de exportá-lo. 

Porém, que democracia é essa que passa por cima da ONU e das manifestações de protesto no mundo inteiro e invade um país com a desculpa de querer libertar o seu povo? 

Será que esse povo quer realmente ser libertado pelos invasores? Será que a democracia ocidental é o regime ideal para os povos do Oriente Médio? Ou será que os americanos estão querendo o “ouro preto” que brota abundante naquela região? 

Saddam Hussein, apesar de ditador, conseguiu unificar o Iraque, ainda que por caminhos perversos, e somente seu povo tem o direito de tirá-lo do poder. 

Os arrogantes: Bush, Blair, Colin Powell, Dick Cheney, Donald Rumesfeld, Condoleezza Rice, Tommy Franks subestimaram a resistência de Saddam Hussein e seu povo quando resolveram fazer uma guerra cirúrgica de curta duração. 

Acharam que o povo iraquiano iria se levantar contra o ditador e que o exército abandonaria a luta. 

Apesar da superioridade bélica da maior potência do planeta contra um país debilitado pelos 12 anos de embargo da ONU, a guerra não vai ser curta e muito menos cirúrgica como foi apregoada aos quatro ventos. 

O povo resiste e essa resistência é imponderável. Os homens bombas estão entrando no palco da guerra e amedrontando soldados americanos e britânicos que não sabem bem porque matam seus irmãos iraquianos.
 

O sargento Ali Jaffar Moussa Hamadi, mulçumano e xiita, foi o primeiro combatente iraquiano a lançar um ataque suicida ficando na história da resistência iraquiana contra a invasão de seu país. Homens bomba estão se multiplicando naquela região, principalmente nos territórios ocupados da Palestina. 

Se os iraquianos realmente usarem essa arma, o desfecho da guerra será inimaginável. 

Os americanos podem destruir com suas bombas e mísseis todo o Iraque e matar Saddam Hussein, mas não ganharão essa guerra, pois não conquistarão as mentes e os corações dos iraquianos.


Que o sacrifício desse povo sirva para a união dos árabes e que as manifestações de protesto contra a guerra, que brotam pelo mundo afora, sirvam para a humanidade encontrar um caminho de PAZ.                   

Ana Margarida F. Arruda Rosemberg
São Paulo, 31 de março de 2003.