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domingo, 19 de fevereiro de 2012

O MUSEU DA CIDADE - O SOLAR DA MARQUESA DE SANTOS

O Museu da Cidade de São Paulo é composto por doze casas históricas encontradas em várias regiões da cidade. Criado em 1993, o Museu da Cidade de São Paulo é administrado pelo Departamento do Patrimônio  Histórico da Secretaria Municipal de Cultura. O Solar da Marquesa de Santos, o Beco do Pinto, a Casa da Imagem, a Casa do Tatuapé, o Monumento à Independência, a Casa do Grito, o Sítio da Ressaca, a Casa Modernista, a Capela do Morumbi, a Casa do Sertanista, a Casa do Bandeirante e o Sítio Morrinhos constituem o conjunto arquitetônico  de  construções do século XVII ao XX que juntos compõem o Museu da Cidade de São Paulo.
O Solar da Marquesa de Santos é exemplo de residência urbana do século XVIII. Pertenceu a Maria Domitila de Castro e Melo, conhecida como a Marquesa de Santos, entre 1834 e 1867.  Foi construida a partir de duas casas de taipa-de-pilão e recebeu várias intervenções ao longo do tempo como: construção de pau-a-pique, taipa francesa, alvenaria de tijolos etc...

Fonte: http://www.museudacidade.sp.gov.br/




















quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

SÃO PAULO COMEMORA OS 90 ANOS DA SEMANA DE ARTE MODERNA


Mário de Andrade


Da esquerda para a direita: Pagu, Elsie Lessa, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Eugênia Álvaro Moreyra


Os noventa anos da Semana de Arte Moderna estão sendo comemorados, em São Paulo, com  uma série de eventos culturais. Também conhecida como a Semana de 22, pois ocorreu de 11 a 18 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo, teve como objetivo mostrar as novas tendências artísticas que já vigoravam na Europa, marcando o advento do modernismo no Brasil.  Participaram da referida Semana: Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Víctor Brecheret, Plínio Salgado, Anita Malfatti, Menotti Del Pichia, Guilherme de Almeida, Sérgio Milliet, Heitor Villa-Lobos, Tarsila do Amaral, Tácito de Almeida, Di Cavalcanti entre outros.
O aniversário da Semana está sendo comemorado com apresentações de ópera, balé, exposição e música. Ontem, dia 15 de fevereiro de 2012, a Ópera Magdalena, de Heitor Villa-Lobos (1887-1959), estreou no Theatro Municipal de São Paulo. O virtuose apresentou um repertório com duas sonatas, dois trios, dois quartetos, um octeto (nas danças africanas), seis peças para canto e piano e sete peças para piano solo, todas as composições foram criadas entre 1914 e 1921. Magdalena, encomendada por uma companhia de Los Angeles, foi levada à Broadway, em 1948.  Além dessa ópera, que teve a regência do maestro Luís Gustavo Petri e a participação da Orquestra Sinfônica Municipal, a programação conta ainda com outras atividades. Hoje, quinta-feira, dia 16 de fevereiro, é a vez do Balé da Cidade de São Paulo interpretar duas peças de Camargo Guarnieri (1907-1993). Na primeira parte do concerto, a companhia interpreta a obra Suíte Vila Rica, com coreografia de Lara Pinheiro. Já na segunda metade, o grupo, ao lado da Orquestra Sinfônica Municipal, do Coral Lírico e do Coral Paulistano, executa a peça Pedro Malazarte, com libreto de Mário de Andrade.
O Banco do Brasil, também,  realiza uma série de atividades incluindo a exposição Guerra e Paz, de Portinari  que ficará aberta ao público até o dia 21 de abril, de terça a domingo, das 9h às 18h, no Memorial da América Latina, com entrada franca. Parabéns à SAMPA por valorizar a cultura brasileira.


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

HOMENAGEM AO ROSEMBERG NO CENTENÁRIO DE SEU NASCIMENTO


Descerramento da placa e da foto pelos seus filhos Sergio e Ivan

Da esquerda pra direita: Maria Cecilia, Rosa, Ana Margarida, Dirce, Sergio, Fiuza e Ivan

Da esquerda pra direita: Trovador,  Glacilda, Ana Margarida, Marco Antônio, Denise, ? , Silvia.

Ana Margarida, Fiuza, Margarida e trovadores

Da Direita pra Esquerda: Ana Margarida, Margarida, Fiuza e filhos

Mesa de lanche

Ana Margarida sendo homenageada pelo Instituto Clemente Ferreira

Mesa de homenagens ao Rosemberg

Foto e placa comemorativas

Fardão de professor titular

Painel de fotos

Álbum de fotografias do Rosemberg


Introdução à aula ministrada pela Dra. Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg no auditório do Instituto Clemente Ferreira, em São Paulo, no dia 25 de novembro de 2009, como parte das comemorações alusivas ao centenário de nascimento de José Rosemberg


Meu cordial Bom Dia!
            Em primeiro lugar quero agradecer a todos vocês que vieram reverenciar a memória de José Rosemberg, principalmente, seus familiares aqui presentes, seus amigos e convidados especiais.
           Quero agradecer e me congratular com o Instituto Clemente Ferreira, através de seu diretor, Dr. Fernando Fiuza; com a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, através da Dra. Clelia Maria Sarmento de Souza Aranda, coordenadora da CCD e da Dra. Maria Cristina Megid, diretora Técnica do CVS; com a Sociedade Beneficente Clemente Ferreira, através de seu presidente, Dr. Fausto Cestari, que, irmanados,  em um justo preito de gratidão, rendem homenagem a José Rosemberg.
           Agradeço a todos que contribuíram para o brilhantismo deste momento, especialmente, à Dra. Denise Rodrigues pela coordenação do mesmo e por não ter medido esforços para realizá-lo; ao Dr. Marco Antônio de Moraes pelo seu toque dando um colorido especial à exposição. Agradeço e me congratulo com os Drs. Fernado Fiuza, Jorge Afiune e Marco Antônio de Moraes, pelas brilhantes palavras proferidas nesta manhã.
As homenagens póstumas comemorativas que aqui se desenrolam e o calor afetivo que as envolve são a demonstração de quanto foi relevante o ideal deste médico humanitário que, durante sua longa e profícua existência, nunca se afastou do combate à tuberculose e ao tabagismo, dois terríveis flagelos que a humanidade ainda enfrenta.
            Com simplicidade, sabedoria e, sobretudo, paixão, ele lutou contra a morte, escreveu com heroísmo uma das mais belas páginas da medicina brasileira e, assim, transformou-se em um símbolo nacional. Hoje, após 100 anos de seu nascimento, Rosemberg  continua merecedor da gratidão e admiração não só dos que aqui estão, mas de todos os brasileiros.
Gostaria de iniciar minha apresentação, como meu tio Luiz no cinquentenário do Jesuitas, em Baturité, reportando-me ao Padre José de Anchieta que, em 1563, nas areias de Iperuí, ao rabiscar um poema dedicado à Virgem Maria, escreveu em latim: Eloquar an Silean? Devo falar ou manter-me calado?
           Como Anchieta, também, me questiono: Devo ou não falar? Talvez a segunda opção seja a mais aconselhável, pois para mim é tarefa difícil, para não dizer impossível, homenagear Rosemberg, como ele merece..  Evocando o pretérito, narrarei, apenas, alguns fatos de sua vida pessoal que se desenrolaram outrora, nos velhos tempos, e que me pareceram dignos deste relato.
           Esta manhã é para mim de nostalgia, pois sinto uma infinita e devastadora saudade. No entanto, paradoxalmente, sinto uma grata alegria e satisfação de estar aqui com vocês reverenciando a memória de José Rosemberg no seu centenário de nascimento.

                                                                           Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg                                                                                 São Paulo, 25 de novembro de 2009

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

DE VOLTA À PAULICÉIA DESVAIRADA

Teatro Tuca -PUC-SP  -   Rua Monte Alegre

Às 15h o avião da TAM decolou do aeroporto Pinto Martins em direção à SAMPA.

A viagem foi bem tranqüila, mas a expectativa do reencontro me deixava ansiosa.

A chegada ao aeroporto de Guarulhos, se não fosse a imagem do Rose me esperando e a tristeza por não tê-lo mais, foi sem maiores contratempos. 

Ao invés do abraço quente e carinhoso do querido, senti-me envolvida pelo manto gélido da noite de SAMPA. 

Por que um abraço tão frio e inexpressivo? Um calafrio percorreu minha coluna e pensei que talvez SAMPA estivesse sentida com minha ausência durante quase três meses. 

Apanhei um táxi como um autômato e, de repente, estava na Rua Caiubí, 372. Ao adentrar meu apartamento, novamente, o frio me invadiu. 

Liguei para a Bolota e o Pepê já estava dormindo. A saudade bateu fundo e me deu vontade de voltar, mas estava a quase três mil quilômetros de distância. 

Liguei para o Daniel e me certifiquei que tudo ia bem. Pensei na Janinha e em seu trabalho no navio, ao lado do Dani. Fui dormir bem agasalhada e tristonha.

Cedinho, despertei com o cantar dos pássaros que todos os dias pousam de galho em galho nas imensas árvores que ficam em frente ao meu prédio. 

Fiquei feliz com os regorjeios dando-me as boas-vindas. 

Às 6h30 desci e fui à padaria “Elite das Perdizes” comprar o pão quentinho e o indescritível bolo de aipim. 

Tudo estava como antes. Parecia que tudo tinha ficado congelado no tempo e encontrei as mesmas pessoas nos mesmos lugares. 

Na esquina, a banca de frutas me esperava com as rodelas docinhas de abacaxi, as maçãs suculentas, as mexericas e laranjas viçosas etc...  

O porteiro do prédio era o mesmo, com sua simpatia, dando-me as boas-vindas. 

Senti-me acolhida e reconheci, finalmente, a Paulicéia desvairada. 
   
Ouvi no noticiário da TV que o frio não daria trégua e que a máxima não passaria de 18 graus naquela sexta-feira, 26 de setembro de 2008. 

Resolvi me preparar para enfrentá-lo com uma xícara de capuccino fumegante, bolo de aipim, pão e requeijão quentinhos e as frutas deliciosas que acabara de comprar.
            
Acessei a página da PUC e tomei conhecimento de que as inscrições para o doutorado haviam sido prorrogadas até o dia 10 de outubro. 

Que noticia maravilhosa! Assim, iria dispor de mais tempo para concluir meu projeto de doutorado sobre as representações do tabagismo na sociedade brasileira. 

Preenchi o formulário de inscrição e paguei uma taxa de R$ 200,00. Tudo pela internet!

O sol apareceu mais forte no final da manhã e resolvi sair. 

Dobrei a esquina da Caiubí e segui pela Rua Monte Alegre em direção à PUC. 

Entrei no número 1.104 e perguntei pelo meu diploma de Mestre em História, que havia solicitado em junho, antes da longa viagem à Fortaleza e à Europa. 

Estava pronto. Quanta emoção foi apreciá-lo! Lembrei-me do Rose e na alegria que lhe causaria pela conquista deste título. 

Imponente, na cor amarelo ouro, com um rendilhado dourado muito delicado nas bordas, a logomarca da PUC à direita e da República Federativa do Brasil à esquerda, trazia os seguintes dizeres: 

“A Reitoria da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, no uso de suas atribuições, tendo em vista a conclusão do curso de Mestrado no Programa de Estudos Pós-Graduados em História, na área de concentração História Social, em 5 de maio de 2008, confere o título de Mestre a Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg, brasileira, natural do Estado do Ceará, nascida a 07 de julho de 1950, RG 38.944.922-2-SP e outorga-lhe o presente diploma, a fim de que possa gozar de todos os direitos e prerrogativas legais. São Paulo, 23 de junho de 2008”.

Abaixo, as assinaturas: Cardeal Dom Odílo Pedro Scherer - Grão Chanceler, Dra. Maura Pardini Bicudo Véras – Reirora, Dra. Anna Maria Marques Cintra – Presidente Pós-Graduação e a minha, a diplomada.

Com muito cuidado, o coloquei em sua capa azul marinho e o guardei em minha pasta preta.

Atravessei a rua Bartira e passei em frente ao Teatro TUCA. 

Li as propagandas das peças, apreciei sua fachada e sua História e caí na PUC. 

O burburinho de alunos era o mesmo, todos bem agasalhados por causa do frio atípico naquela manhã de primavera. 

Almocei rapidamente um bife com arroz, feijão e salada. Senti-me reconfortada e fui à biblioteca para saber exatamente a localização dos exemplares de minha dissertação. 

Não tive a menor dificuldade de encontrá-los. Estavam lá, juntinhos, na posição: DM 900R812g EX2. Espero que sejam bastante manuseados pelos futuros pesquisadores.

Saí da PUC pela rua Ministro de Godói e desci a rua João Ramalho em direção ao Pastorinho. 

Lá as orquídeas estavam mais lindas do que nunca, entre tantas flores de diversas cores, belezas e perfumes. 

Comprei carne moída e legumes para fazer uma sopa no jantar e assim enfrentar a noite fria.

Subi a rua João Ramalho e dobrei à direita na rua Monte Alegre, lépida e fagueira, apesar do peso das compras. 

Passei em frente à Igreja, ao prédio velho da PUC e lembrei-me das carmelitas descalças que habitaram aquele convento até meados do século XX, quando foram transferidas para outro endereço a fim de a Igreja instalar a Universidade, nele.

À tarde, reli “Paris é uma festa”, de Ernest Hemingway, e uma onda de nostalgia me invadiu.

Como diz o autor: “Se você teve a sorte de viver em Paris, quando jovem, sua presença continuará a acompanhá-lo pelo resto da vida, onde quer que você esteja, porque Paris é uma festa móvel”. 

Eu não tive esta sorte, mas, certamente, no ocaso de minha vida, viverei em Paris. 

Li, também, “Tudo por causa do Sol” de minha amiga escritora, Nilze Costa e Silva, que me deu o prazer de sua companhia durante a viagem à Europa.

Trocamos idéias... 

Estou saboreando seu livro como quem saboreia um bom vinho... doucement...

Até o final do dia, e após o telefonema de minha amiga Silvia, reencontrei-me com a Paulicéia desvairada. 

Depois de apreciar da janela de minha sala a igreja iluminada no alto de um morro (ainda não descobri o nome desta igreja que me lembra a “Sacré Coeur” de Paris) declarei meu amor à SAMPA. 

Cidade dos modernistas como: Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Anita Malfatti, Menotti Del Pichia, Victor Brecheret e tantos outros que fizeram a semana de Arte Moderna, também conhecida por semana de 22, pois ocorreu entre 13 e 17 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal. 

No curto tempo de 4 dias foram apresentadas poesias, músicas e palestras sobre a modernidade, representando uma verdadeira renovação de linguagem, na busca de experimentação, na liberdade criadora na ruptura com o passado. 

O evento marcou época ao apresentar novas idéias e conceitos artísticos, dando inicio ao Modernismo no Brasil. 

A poesia através da declamação, antes, era só escrita. A música por meio de concertos, só havia cantores sem acompanhamento de orquestras sinfônicas. 

A arte plástica exibida em telas, esculturas e maquetes de arquiteturas, com desenhos arrojados e modernos etc, etc. 

São Paulo passou a se impor no Brasil pela cultura.

Com a alma leve e feliz declarei meu amor à cidade que me fez historiadora, que me abriu novos horizontes... 

Cidade, enfim, do querido Rose, onde vivi anos de plena felicidade.

São Paulo, 27 de setembro de 2008.

Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg