segunda-feira, 27 de março de 2023

ENIGMA - Por: Ronald Teles

 Poema do Dr. Ronald Teles dedicado ao casal Margô e Rose


Enigma 

Teu sorriso, pelo canto do lábios, 

Tua face linda plasmada dos anjos,

Tua boca, ao fim de uma frase,

Já iniciando um olhar quase indeciso,

Gestos leves, suaves e certeiros,

Pele alva e linda,

Em comunhão com tua alma etérea,

Que busca teu exterior,

Revelando toda a beleza,

Que tens dentro de ti,

Que salta de teu coração, 

Tornando pleno quem te contempla,

Quem ainda espera,

Um fulcro de mais um sorriso,

Que tornará o sol,

Irradiando todo o paraíso, 

Ele refletirá teus olhos,

Que iluminam a estrada que preciso,

Para chegar cada vez mais perto de ti,

Me perdendo em tua face plena de perdão, revelando,

Toda a perfeição do amor,

Que eu jamais deveria sentir

quarta-feira, 22 de março de 2023

A CONQUISTA HISTÓRICA DAS MULHERES MÉDICAS

 

A CONQUISTA HISTÓRICA DAS MULHERES MÉDICAS

Historicamente a participação da mulher nas profissões ligadas à saúde, em especial à profissão de médica, foi limitada, ainda que tenha sido importante o seu papel como cuidadora. Proibida de estudar medicina, a grega Agnodice (século IV a.C.) disfarçou-se de homem.

Na Idade Média, poucos países permitiam a entrada de mulheres nas faculdades de medicina. A abadessa alemã Hildegard de Bingen (1098-1179) foi exceção e tornou-se uma médica renomada. Na Itália, séc. XI, a médica Trótula de Salerno (1050 -?) se projetou. Na França, a primeira médica foi Madeleine Brès (1842-1921), que se formou, em 1875. Na Suíça e na Rússia, as mulheres só conquistaram o direito de estudar medicina na segunda metade do século XIX. Na Alemanha, Regina von Siebold (1771-1849) foi a primeira médica.

  No Brasil, no século XIX, as mulheres que ousaram sonhar em se formar em medicina enfrentaram discriminação e preconceito. Maria Augusta Generoso Estrela (1860-1946) foi a primeira mulher brasileira a se formar em medicina, em 1881, com o apoio de D. Pedro II, mas nos EEUU. Porém, foi a gaúcha Rita Lobato Velho Lopes (1866-1954) a primeira mulher brasileira a se formar em numa escola brasileira. Ermelinda Lopes (1866-1952) e Antonieta Dias, 1889, foram também pioneiras. Nise da Silveira, alagoana, se formou em medicina na Bahia, em 1926, como única mulher em uma turma de 157 homens.

Essa proporção foi mudando e, hoje, a projeção revela que, em 2024, as mulheres serão maioria entre os médicos no Brasil. Entre os anos de 2009 e 2022, o número de mulheres passou de 133.000 para 260.000, ou seja, quase dobrou na série histórica.

Entre os homens, o crescimento foi mais lento no mesmo período, com acréscimo de cerca de 43%. Entre 2023 e 2035, o crescimento previsto entre as médicas será de cerca de 118%, enquanto, entre os homens, será de 62%. As mulheres conseguiram uma trajetória exitosa na profissão dedicada a arte de curar. 

ana margarida furtado arruda rosemberg

Fortaleza, 15 de março de 2023

quarta-feira, 15 de março de 2023

NISE DA SILVEIRA (1905-1999) – o afeto e a arte como terapia


Psiquiatra e pensadora alagoana Nise da Silveira 

Nise da Silveira, filha única de Faustino Magalhães da Silveira (1872-1927), professor de matemática e jornalista, e de pianista Maria Lydia da Silveira (1885-1970), nasceu em Maceió, Alagoas, no dia 15 de fevereiro de 1905, e cresceu em um ambiente de amor, arte, cultura e harmonia.


Em sua cidade natal, estudou no colégio de freiras para meninas, “Santíssimo Sacramento”, concluindo o curso secundário com 15 anos de idade. De Maceió foi para Salvador fazer o curso médico na Faculdade de Medicina da Bahia.


 Em 1926, com apenas 21 anos e como a única mulher em uma turma de 157 homens, colou grau em medicina ao lado de Mário Magalhães da Silveira (1905-1986), seu primo, que tornou-se, além de um grande médico sanitarista, companheiro de sua vida inteira.


Em 1927, após a morte de seu pai, foi morar no Rio de Janeiro, onde especializou-se em neurologia e psiquiatria. Em 1933, foi trabalhar no Serviço de Assistência a Psicopatas e Profilaxia Mental do Hospital da Praia Vermelha, depois de ser aprovada em concurso público. 


Foi presa em 1936 e solta em 1937, após permanecer 18 meses no presídio Frei Caneca, onde teve convivência com Olga Benário Prestes (1908-1942) e Graciliano Ramos (1892-1953), que a citou 41 vezes em seu livro “Memórias do Cárcere”.


Sobre a causa de sua prisão, ela falou: “Em 1936, início da ditadura Vargas, uma enfermeira do hospital, percebendo na minha mesa, em meio a livros de psiquiatria, literatura, arte, livros sobre marxismo, que eu também estudava, denunciou-me à diretoria. Na mesma noite fui presa (...). Perdi o emprego e fiquei afastada do serviço público, obtido por concurso, durante oito anos, sob a alegação de pertencer a um círculo de ideias incompatíveis com a democracia. Eu tinha contato com o Partido Comunista, mas não era uma militante política ativa”.


Em 1944, após sair da prisão e morar em vários estados do Nordeste, fugindo de novas ameaças de encarceramento, Nise retornou ao serviço público  no “Centro Psiquiátrico Pedro II”, no Engenho de Dentro.


Por discordar da literatura psiquiátrica em voga que preconizava métodos agressivos de tratamentos, como: eletroconvulsoterapia (eletrochoque), insulinoterapia, lobotomia e confinamento, Nise se negou a utilizá-los.


Discordando também da ideia de que o esquizofrênico é destituído de afetividade, ela assumiu os trabalhos de terapia ocupacional do hospital Pedro II, criando, em 1946, a “Sessão de Terapêutica Ocupacional e Recreação (STOR)”, do referido hospital.


Com uma nova abordagem, baseada no afeto, ela conseguiu penetrar no mundo hermético de seus “clientes”, como denominava seus pacientes, ajudando-os a se apropriarem da realidade. Além das oficinas de trabalho artesanal, Nise criou os ateliês de pintura e modelagem, valorizando a autonomia dos pacientes que eram, até então, usados para prestar serviços no hospital.


Incompreendida por seus pares, por buscar um caminho psicológico e não fisiológico, ela foi perseguida, ridicularizada e hostilizada.  Enfrentando muitas barreiras para levar adiante seu trabalho, ao contrário de desistir, ela ampliou seus conhecimentos sobre a linguagem da arte e o significado das fórmulas simbólicas.


Em 1952, Nise fundou o “Museu de Imagens do Inconsciente” para preservar os trabalhos dos pacientes e, alguns anos depois, fundou a “Casa das Palmeiras”, uma clínica de reabilitação para pacientes, em regime ambulatorial, para quebrar os ciclos de reinternação hospitalar. 


Em dezembro de 1954, escreveu uma carta a Carl Gustav Jung (1875-1971), psiquiatra e psicoterapeuta suíço, com fotografias de pinturas (mandalas) de seus pacientes, expondo sua experiência com a arte no tratamento dos esquizofrênicos. Recebeu em seguida uma carta de Yung reconhecendo que as mandalas eram manifestações de forças do inconsciente que tinham por finalidade compensar a dissociação esquizofrênica.


Em 1957, Nise foi estudar no Instituto C. G. Yung, em Zurique, estreitando suas relações com Yung. Em seguida participou do “II Congresso Internacional de Psiquiatria”, quando expôs obras do acervo do “Museu de Imagens do Inconsciente”.


Nise treinou monitores que atuaram com êxito na terapia ocupacional. Um de seus clientes, Emygdio de Barros (1895-1986), tornou-se um artista plástico reconhecido. Ao falecer, ele deixou um legado de 3.300 obras de arte.


Nise soube valorizar as relações dos pacientes com os animais (cães e gatos), e plantas, como parte do tratamento da esquizofrenia. Em seu livro “Imagens do Inconsciente”, ela descreve essa experiência com os animais, chamados de coterapeutas. A presença de cães no hospital provocou a revolta de médicos e culminou com o envenenamento de muitos deles.


Pioneira na zooterapia, para facilitar a reintegração social de pacientes com transtornos psiquiátricos, expôs suas teorias no livro “Gatos, A Emoção de Lidar”, publicado em 1998. Publicou outras obras, como: “Jung: vida e obra”, “Imagens do inconsciente”, “Casa das Palmeiras”, “O Mundo das Imagens”, “Cartas a Spinoza” e “Nise da Silveira”.


A inscrição de seu nome no livro de “Heróis e Heroínas da Pátria” foi vetada, em 2022, pelo então Presidente Bolsonaro. Felizmente o parlamento brasileiro derrubou o veto. Há inúmeros reconhecimentos nacionais e internacionais da obra de Nise da Silveira. O centro psiquiátrico onde ela trabalhou leva seu nome: “Instituto Municipal de Assistência à Saúde Nise da Silveira”. Em Portugal, França, Itália e muitas cidades brasileiras há instituições inspiradas em seu trabalho.


Ferreira Gullar (1930-2016), acompanhou com fascínio a trajetória de Nise e publicou, em 1996, o livro “Nise da Silveira – uma psiquiatra rebelde”. Em 2008, o jornalista e escritor Bernardo Carneiro Horta publicou uma biografia não convencional de Nise, intitulada: “NISE – Arqueóloga dos Mares”.


Em 2016, baseado na biografia de Horta, foi lançado o filme “Nise - O Coração da Loucura”, dirigido por Roberto Berliner, com Glória Pires no papel principal.


Nise faleceu em 30 de outubro de 1999, aos 94 anos, no Rio de Janeiro, deixando como legado uma revolução no tratamento dos doentes mentais através da arte, do afeto e da solidariedade.


ana margarida furtado arruda rosemberg

Fortaleza, 14 de março de 2023








Nise da Silveira | fotos: autores desconhecidos/arquivo Nise da Silveira

Nise da Silveira | fotos: autores desconhecidos/arquivo Nise da Silveira

Foto da turma de formandos de 1926 da Universidade de Medicina da Bahia. Nise era a única mulher em uma sala de 75 alunos | foto: autor desconhecido/arquivo Nise da Silveira

Nise entre professores e alunos durante uma aula de anatomia na Faculdade de Medicina da Bahia. À esquerda de Nise está Arthur Ramos, futuro antropólogo | foto: autor desconhecido/acervo da Fundação Biblioteca Nacional – Brasi

Fonte:

lhttps://ocupacao.icnetworks.org/ocupacao/nise-da-silveira/nise/

https://www.bbc.com/portuguese/brasil-61603637



domingo, 12 de março de 2023

MARCELO GURGEL - 70 ANOS - 11.03.2023

Ontem, 11.03.2023, o Dr. Marcelo Gurgel Carlos da Silva comemorou com os amigos e familiares seu septuagenário. A Programação constou de uma missa na capela do Colégio Santo Inácio, em Fortaleza, seguida do lançamento do Livro organizado pelo aniversariante: UM SEPTUAGENÁRIO SOB DISTINTAS ÓPTICAS. Convite, abaixo.

domingo, 5 de março de 2023

Poemas dedicados ao casal Margô e Rose - Por: Ronald Teles

Dr. Ronald Teles - Cardiologista

O Dr. Ronald Teles, inspirados em três videos "Margô e Rose - Sob medida" , escreveu dois poemas que compartilho. Links dos videos, abaixo.

Lhe dedico essa poesia, dra. Ana Margarida Rosemberg, que fiz agora à tarde por seus olhos de amor

                      OLHOS

Momentos ditos pelos olhos,

Plasmados em finos movimentos,

Imperceptíveis por algum custo,

Aos desavisados de alma,

Logo ela que está calma,

Na sutileza do espirito,

Contrito dentro do peito,

Mas buscando de qualquer jeito,

Um motivo de jamais estar sem ti,

Voltando a cada hora,minuto e dia,

Em que estivemos juntos,

Essa presença me invade,

Instiga minha verdade,

Que sempre será a tua.

                  IMPRESSÃO

Resgataste minha felicidade de viver,

E se hoje vivo, vivo em ti,

Pois me puseste ao lado do teu coração,

Que hoje carece do teu,

Pois já não tenho minha visão, ela se turva em nosso adeus,

Ele é breve como uma brisa,

Já que perscruto tua ausência em minha presença,

Tudo me conforta,mas também lamenta,

Teus lábios colados aos lábios meus,

Um dia esse beijo será dado,

Seremos sem nenhum cuidado,

Toda verdade vertida,

De nossas almas apartadas,

Mas entrelaçadas por um amor que nunca morreu.

                                         



Assisti todos os vídeos, o seu vestido de casamento se assemelha muito ao de minha mulher por época do nosso enlace matrimonial. Sua história de amor é linda, pois é verdadeira, profunda e inesquecível, como são os grandes amores. Na eternidade encontraremos nossos pares, mas o amor será a concepção dele próprio, na mais ampla energia. Espíritos nos céus flutuando emanando energia etérea, que será eterna e perpétua!

             Ronald Teles 


sexta-feira, 3 de março de 2023

A PROPÓSITO DO ORÁCULO DA LIANA – A Sibila de Cumas ( Por: Ana Margarida Arruda Rosemberg)

 Sibila de Cumas
 afresco de Michelangelo (1475–1564) no teto da Capela Sistina

A PROPÓSITO DO ORÁCULO DA LIANA – A Sibila de Cumas

Diante da profecia da Liana de que eu viveria mais três décadas se cumprisse as orientações do meu nutricionista, lembrei-me da triste história da Sibila de Cumas.

Uma das dez grandes profetizas da mitologia grega, filha do humano Teodoro e de uma ninfa, ela nasceu em Éritas, cidade da Jônia (atual Turquia), mas mudou-se, ainda bem jovem, para Cumas, cidade situada na Campânia, perto de Nápoles-Itália, e lá permaneceu.

O dom da profecia que ela ostentava, manifestou-se logo em sua infância e a acompanhou a vida inteira. A Sibila de Cumas, como ficou conhecida, além de competente era original, pois registrava suas profecias em versos. Ficou tão famosa que foi cognominada Deífoba – semelhante à deusa.

Consta em sua biografia que ela conduziu Enéias, príncipe troiano, na visita que ele fez ao seu pai Anquises, no reino de Hades e  que o poeta Virgílio a citou como profetiza da vinda do deus cristão.

Porém, seu grande feito foi a lição dada ao rei etrusco Tarquínio, o Soberbo, no século VI a.C. Ela ofereceu ao rei, por um preço alto e justo, nove livros com suas profecias sobre o destino do reino. O rei Tarquínio barganhou e ela destruiu pelo fogo três livros, oferecendo os seis restantes pelo mesmo preço. Novamente Tarquínio barganhou e novamente ela queimou mais três livros. Finalmente, o rei, com medo de perder tudo, comprou os  três últimos pelo preço dos nove que ele havia recusado.

Os três livros com os destinos do Estado, tornaram-se textos sagrados consultados durante grandes perigos. Os originais dos “Livros Sibilinos” foram destruídos pelo fogo, em 83 a.C. e as últimas cópias desapareceram no século V d.C.

Entre as cinco Sibilas retratadas no teto da “Capela Sistina”, por Michelangelo, em meio aos profetas do Velho Testamento, está a Sibila de Cumas.

Reza um mito grego, que ela pediu ao deus Apolo, inspirador das profecias, que a deixasse viver tantos anos quantos os grãos de areia que ela pudesse segurar em suas mãos. No entanto, ela esqueceu de pedir a juventude.  Apolo concedeu nove vidas de 110 anos, portanto 990 anos.

Com o tempo, ela tornou-se tão consumida pela idade que encolheu, a pele pregueou e esturricou, mas a voz e os olhos permaneceram intocados para ver bem o mundo e anunciar suas profecias. 

Para não ser carregada pelo vento e nem ser devorada por outros animais, ela foi colocada em uma gaiola  e encerrada  no templo de Apolo em Cumas. As crianças ao ouvirem seu lamento perguntavam: O que queres Sibila? Ela respondia: EU QUERO MORRER.

ana margarida furtado arruda rosemberg

Fortaleza, 03.03.2023