domingo, 24 de abril de 2022

A ORIGEM DO NOME DA CORRENTE PICTÓRICA: “IMPRESSIONISMO”

 

Texto publicado no Jornal do Médico. Link, abaixo.

                Claude MonetImpression, soleil levant, 1872, Paris, Musée Marmottan Monet

“Impressionismo” é o termo que designa o movimento pictórico, surgido na França na década de 1860, que inaugurou a arte moderna.

Em oposição à arte acadêmica, um grupo de pintores, formado em torno de Édouard Manet, representava, em suas telas, a natureza efêmera da luz e seus efeitos nas cores e formas.

Depois de serem recusados no “Salon”, a maior exposição anual de artistas aprovada pela “Academia de Belas Artes”, os jovens artistas decidiram organizar exposições independentes.

Em 1874, 30 pintores, incluindo Paul Cézanne, Edgar Degas, Claude Monet, Berthe Morisot, Camille Pissarro, Auguste Renoir e Alfred Sisley, inauguraram o “Salão dos Recusados”.

Foi o satírico jornalista Louis Leroy quem inventou o termo “impressionismo”, a partir da pintura “Impression soleil levant”, de Monet.

No início, os artistas primeiro sofreram violentas críticas da imprensa e do público, mas foram apoiados por colecionadores que permitiram a realização de suas primeiras exposições, notadamente Gustave Caillebotte.

O reconhecimento dos impressionistas veio bem depois, em 1886, quando começou o sucesso internacional. Mary Cassatt, que participava de exposições impressionistas desde 1877, teve um papel importante no desenvolvimento do movimento nos Estados Unidos (EUA).

Transcrevo, abaixo, um trecho da famosa “Carta de Paris”, feita pelo Professor Rosemberg ao Dr. Tarantino, em 18 de junho de 1988, em que ele fala da origem do termo “Impressionismo”.

 

“Monet, Renoir, Manet, Matisse, Degas e outros não tendo sido admitidos no Salão Oficial, fizeram em 1874 o Salão dos Recusados. Leroy, em sua coluna crítica do jornal Charivary, espinafrou esses pintores em célebre artigo “A exposição dos Impressionistas”. Disse que ali não havia pintura, mas só impressão delas e que o próprio Monet o confessava com o título do seu quadro. “Afinal, os coitados não passavam de uns impressionistas”. Mal sabia Leroy que com o seu termo sarcástico criava um nome artístico que reinaria perenemente. As telas dos impressionistas não têm preço, só ao alcance dos magnatas do petróleo. Sabendo disso, saímos melancólicos. Acabamos de ler em uma vitrine as dezenas de cartas desse gênio paupérrimo mendigando, aos marchands abastados, a esmola de lhe comprarem uma tela por 50 francos (!) para adquirir remédios e pagar parte do aluguel atrasado. É isso aí, vender ralos de privadas e cartões pornográficos sempre deram mais dinheiro que arte e medicina.”

 

ana margarida furtado arruda rosemberg

Fortaleza, 22 de abril de 2022

 

quarta-feira, 20 de abril de 2022

Sofia IONESCU-OGREZEANU– A Primeira Neurocirurgiã do Mundo

 Publicado no Jornal do Médico. Link, abaixo.

https://jornaldomedico.com.br/wp-content/uploads/RD-Abril-2022-app.pdf

Sofia IONESCU-OGREZEANU– A Primeira Neurocirurgiã do Mundo

Sofia Ionescu, romena, filha de Constantim Ogrezeanu e Maria Ogrezeanu, nasceu em 25/04/1920, em Fâlticeni, e faleceu em 21/03/2008, em Bucareste.

A morte de um colega após uma cirurgia cerebral, levou Sofia, com o apoio de sua mãe, a fazer o vestibular para a faculdade de Medicina, com apenas 16 anos de idade.

Depois de vários estágios, ela ingressou no setor cirúrgico do Hospital Stamate, em Fălticeni, realizando suas primeiras operações cirúrgicas, principalmente amputações.

Em 1944, durante o bombardeio de Bucareste, por falta de médicos, ela foi forçada a realizar uma operação cerebral de emergência em um menino ferido. Finalmente, em 1945, recebeu o título de médica cirurgiã.  

Durante 47 anos, Sofia Ionescu foi neurocirurgiã no Hospital Nr. 9, formando uma equipe com Ionel Ionescu e Constantin Arseni, sob a direção de Dumitru Bagdasar. Juntos, eles formaram a primeira equipe neurológica da Romênia, apelidada de “equipe de ouro”, que contribuiu para o desenvolvimento da neurocirurgia em seu país.

Em 1970, a esposa favorita do Sheikh de Abu Dhabi adoeceu. Como um médico homem não podia entrar no harém, Sofia foi solicitada e ficou uma semana ao lado da mulher que se curou. Como recompensa, o xeque lhe deu 2.000 dólares e uma joia cara.

Sofia salvou centenas de vidas até sua aposentadoria forçada em 1990, devido à uma catarata que a incapacitou para o trabalho cirúrgico. Ela continuou, entretanto, o trabalho científico, escrevendo artigos e dando contribuições para a neurociência, especialmente para a cirurgia medular e cerebral, escrevendo artigos científicos em várias revistas especializadas.

Em 1957, Sofia foi outorgada com a insígnia da Cruz Vermelha; em 1964, com a medalha do “20º Aniversário da Libertação da Pátria”; em 1972, com a medalha do “25º Aniversário da Proclamação da República”.

Em 1996, tornou-se membro da Sociedade Romena de História da Medicina e, em 29/03/1997, membro emérito da Academia de Ciências Médicas, além de Cidadã Honorário de Fălticeni.  Em 2008, recebeu a maior distinção na Romênia, a “Estrela da República”, no posto de cavaleiro.

A nomeação como primeira neurocirurgiã feminina ocorreu em Marrakech, Marrocos, durante o Congresso WFNS de 2005, embora alguns afirmem que Diana Beck merecesse o título. Porém, a primeira intervenção cirúrgica documentada realizada por Diana Beck foi em 1952 e Sofia Ionescu realizou sua primeira cirurgia em um cérebro humano, em 1944.

Sofia Ionescu faleceu em Bucareste, em 21/03/2008, com 87 anos de idade, entrando para a História da Neurocirurgia.

ana margarida furtado arruda rosemberg

São Paulo, 11 de abril de 2922

 

segunda-feira, 18 de abril de 2022

As Nanás da Pinacoteca de São Paulo

  Yexto publicado no Jornal do Médico. Link, abaixo.

https://jornaldomedico.com.br/2022/04/as-nanas-de-saint-phalle-da-pinacoteca-de-sampa/



           As Nanás da Pinacoteca de São Paulo - Foto ana margarida rosemberg

A Pinacoteca de SAMPA tem uma escultura, "Fonte das quatro Nanás", 1974, da escultora franco-americana, Niki de Saint Phalle. Essa obra, uma das mais queridas pelo público, permanece em exposição de longa duração, no pátio interno do edifício luz, encantando os visitantes, apesar das quatro Nanás terem dimensões reduzidas em comparação com as outras Nanás da escultora.

Catherine Marie-Agnès de Saint-Phalle (Niki de Saint Phalle) nasceu em Neuilly-sur-Seine, França, em 29/10/1930 e faleceu na Califórnia, Estados Unidos, em 21/05/2002. Saint Phalle foi primeiro modelo, depois mãe, antes de ser artista. Em 1952, começou a pintar inspirada em várias correntes, como: arte crua e arte outsider.

Em 1961, integrou o grupo “Novos Realistas”, juntamente com Gérard Deschamps, César, Mimmo Rotella, Christo e Yves Klein. Casou-se com Harry Mathews, com quem teve dois filhos. Seu segundo marido foi o artista suíço Jean Tinguely.  Juntos, eles realizaram, em Paris, a “Fonte Stravinsky”.

Saint Phalle explorou representações artísticas de mulheres, fazendo bonecas de tamanho impressionante, as Nanás. Uma das versões mais conhecidas, inspirada na gravidez de uma de suas amigas, a atriz Clarice Riversnote, pode ser encontrada no “Museu Tinguely da Basileia”; outra versão é mantida no “Museu de Arte Moderna e Contemporânea de Estrasburgo”. Uma série de Nanás está em exposição permanente no “Mercado de Pulgas de Hanover”, na Alemanha.

Foi a partir dos anos de 1960 que Saint Phalle começou a esculpir essas figuras de mulheres – uma verdadeira celebração da essência feminina - nas quais estão acentuadas: as mamas e as ancas. O tamanho dessas Nanás tem um significado para Niki de Saint Phalle. A intenção era se desvincular do mundo do mercado de arte e de seus ditames impostos pelos galeristas.

As Nanás representam mulheres virgens, prostitutas, grávidas, com corpos generosos, festejando a vida. São mulheres volumosas que dançam e desdenham dos padrões de magreza do século XX. Saint Phalle reforça o conceito de que todas as mulheres são deusas.

            Viva as Nanás! Viva Saint Phalle! Viva Sampa!

ana margarida furtado arruda rosemberg

São Paulo, 16 de abril de 2022

 

domingo, 10 de abril de 2022

AS CATACUMBAS DE PARIS

  Publicado no Jornal do Médico . Link, abaixo.

https://jornaldomedico.com.br/2022/04/as-catacumbas-de-paris/


                                       Foto das Catacumbas - Fonte: internet

As “Catacumbas de Paris”, termo usado para denominar o “ossuário municipal”, são parte das antigas pedreiras subterrâneas, localizadas no “14º arrondissement de Paris”. Quando as pedreiras estavam ativas, delas eram extraídas pedras de construção, o que possibilitou durante vários séculos construir os edifícios de Paris.

O nome "catacumbas", é uma analogia com as necrópoles subterrâneas da Roma Antiga, embora nunca tenham sido locais de sepultamento. São quase trezentos quilômetros de galerias subterrâneas, interligadas, e a profundidade média é de cerca de vinte metros abaixo do nível do solo.

No final do século XVIII, devido à saturação dos cemitérios parisienses e aos crescentes problemas de insalubridade, decidiu-se deslocar os ossos para uma parte das pedreiras. Os ossos do cemitério “Santos-Inocentes” foram gradualmente retirados das valas comuns e do solo, depois limpos e empilhados.

Um escrupuloso rito religioso com carros fúnebres cobertos de preto, precedidos por coros de monges, carregando a lanterna dos mortos, acompanhados por portadores de tochas e seguidos por padres cantando o ofício dos mortos, dirigiam-se, ao entardecer, ao poço de serviço das pedreiras e lá despejavam a sua carga.

A exemplo do “Santos-Inocentes”, os outros cemitérios parisienses, em particular os adjacentes às igrejas, foram gradualmente esvaziados até janeiro de 1788. Desta maneira, no final do século XVIII, as antigas pedreiras foram transformadas em “ossuário municipal” com a transferência dos restos mortais de cerca de seis milhões de indivíduos.

Desde a sua criação, as catacumbas despertam a curiosidade. Em 1787, o primeiro visitante, o Conde de Artois, o futuro Carlos X, desceu ali na companhia de senhoras da Corte. No ano seguinte, menciona-se a visita de Madame de Polignac e Madame de Guiche.  

Posteriormente, as visitas foram organizadas. Em 1810 e 1811, os ossos foram alinhados e decorados com motivos macabros ou artísticos, e colocadas placas com citações gravadas em pedra, retiradas de célebres textos sagrados, literários, filosóficos ou poéticos.

Sem dúvida, a visita às catacumbas de Paris nos faz refletir sobre nossa finitude e é um dos pontos turísticos da cidade mais visitados. Só em 2015, foram cerca de 500.000 pessoas que fizeram esse percurso macabro e filosófico.

São Paulo, 8 de abril de 2022

ana margarida furtado arruda rosemberg

 

terça-feira, 5 de abril de 2022

A Fundação Edson Queiroz homenageia os 100 anos da Semana de Arte Moderna no Brasil

 


Foi inaugurada em Fortaleza, no dia 22/03/2022, no Espaço Cultural Unifor, a exposição “100 anos da Semana de Arte Moderna em acervos do Ceará”, para celebrar o movimento que teve início em São Paulo e consolidou o modernismo no Brasil.

A Mostra, que tem a curadoria de Regina Teixeira de Barros e consultoria de Aracy Amaral, ficará em cartaz até dezembro de 2022, com acesso grátis.

Três espaços, três núcleos, dividem a Mostra. O primeiro expõe obras de artistas antes da “Semana de 22”. Nele, podemos apreciar Eliseu Visconti, Belmiro de Almeida e Arthur Timótheo da Costa dialogando com a “Padaria Espiritual”, uma agremiação de escritores e intelectuais cearenses que pregavam a renovação das artes, no final do ´século XIX.  

Uma bela maquete do Theatro José de Alencar, 1910, projeções fotográficas da arquitetura de Fortaleza da época e instrumentos musicais, do final do século XIX, contam a história da música feita no Ceará e nos embalam com sons nostálgicos, da época.

No segundo espaço podemos apreciar as obras dos artistas que participaram diretamente da “Semana de 22”, como Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Victor Brecheret, Vicente do Rego Monteiro entre outros.

O terceiro espaço, dedicado aos anos 1930 e 1940, é, principalmente, representado por Cândido Portinari, com quase dez telas. Além dele, temos: José Pancetti, Alfredo Volpi, Burle-Marx.

Pintores cearenses, como: Vicente Leite, Raimundo Cela e Antônio Bandeira, embelezam a Mostra.  

Vitrines expõem os livros de Rachel de Queiroz e trechos do filme de Orson Welles, com fotografias dele e do cangaço, podem ser apreciadas.

Fechando a exposição, três cartazes que Jean Pierre Chabloz fez para a Campanha da Borracha, em 1943.

Parabéns à Fundação Edson Queiroz por levar arte e cultura à população do Ceará.  

 

Ana margarida furtado arruda Rosemberg

Fortaleza, 1/4/2022