Homenagem ao Sidarta Furtado Arruda (1978-2023) por seu primo Henrique Sávio - Velório Funerária Ethernus. Fortaleza-CE, 24.10.2023
Querida Família e Amigos,
Hoje, fui devastado por uma notícia
profundamente dolorosa, uma das mais angustiantes que já enfrentei. Meu
primo/irmão nos deixou, e estou desolado por não estar ao lado dos meus entes
queridos e amigos nesse momento de tamanha tristeza. No entanto, hoje quero
compartilhar estas palavras e relembrar algumas lembranças que guardo de meu
querido primo.
Sidarta me deixou um legado de
inesquecíveis momentos. Quando éramos crianças, recordo-me dos incontáveis fins
de semana e férias que compartilhamos em sua casa, na casa dos nossos avós e
com nossos primos. Lá, brincávamos na piscina, jogávamos bola, fazíamos
campeonatos de futebol de botão, embarcávamos em aventuras no mundo do RPG,
colecionávamos álbuns de figurinhas e víamos juntos jogos entre Ceará e
Fortaleza, mesmo torcendo por times diferentes. Até mesmo formamos uma banda,
eu, Sidarta e Gustavo.
Vivemos uma infinidade de momentos
especiais, reunidos na casa do vovô e da vovó, andando de bicicleta na casa do
Luizinho e Gustavo, jogando RPG e futebol na casa da Jana, Daniel e Liana ou
aproveitando férias na casa do Miguel Hernando, Claudinha e Luiz Gustavo, em
João Pessoa. As memórias são tantas!
Como primo mais velho, Sidarta sempre
foi meu exemplo. Para mim, ele era uma inspiração, alguém incrivelmente
inteligente e criativo. Era dedicado e sempre realizava tudo com maestria.
Lembro-me das vezes em que o acompanhava na Praia do Futuro para vê-lo surfar,
e eu pensava “Um dia vou pegar onda como ele”.
Na adolescência, Sidarta sempre
esteve ao meu lado, cuidando do primo mais novo nas inúmeras festas e shows.
Com o passar do tempo, nossos caminhos nos levaram a destinos diferentes,
comigo saindo de Fortaleza para estudar e trabalhar longe. No entanto, o
sentimento de carinho e amor continuava presente quando nos reencontrávamos.
Era sempre um prazer revê-lo, relembrar nossas aventuras de infância e ver
nossos filhos brincando juntos. Eu pensava: 'Agora é a vez deles se divertirem,
como nós fizemos.'
Descanse em paz meu amado primo. Você
sempre fará parte da nossa história e viverá eternamente em nossos corações.
Sua luz continuará a brilhar dentro de cada um de nós, e lembraremos de você
com amor e gratidão, todos os dias.
Homenagem ao Sidarta por sua tia Angela Arruda, por ocasião do Velório na Funerária Ethernus - Fortaleza, 24.10.2023
Sidarta,
Meu
querido sobrinho filho. É assim que eu o considero, daí, porque a dor de sua
partida amplia-se no meu coração.
Sobrinho,
por que filho da minha querida e saudosa “Maninha”, com quem eu morei por um
período da minha vida e tive a feliz oportunidade de cuidar de você como a um
filho: colocando para dormir, levando para escola, para nadar na piscina e para
passear na praia, etc...
Lembro-me
que nossa ligação era tão forte que você se sentiu bastante enciumado quando
engravidei do meu filho Henrique Sávio.
Momentos
esses que comentamos há poucos meses passados quando fui lhe visitar em seu
apartamento, ocasião em que você parecia exalar o perfume da serenidade, apesar
da grave enfermidade que lhe acometia.
Tanto
é que você me presenteou com uma camisa oficial do Fortaleza, clube do nosso
coração, e eu assumi o compromisso de que a vestiria em Paris e lhe enviaria
uma fotografia com ela.
O
que, infelizmente, eu não pude cumprir, tendo em vista que durante a viagem
fiquei impossibilitada de fazer, pois tive o braço imobilizado em função de uma
fratura que sofri no ombro.
Todavia,
em sua homenagem, eu visto o manto nesta oportunidade, na certeza que, feliz,
você me ver lá do Céu.
Não
quero dizer que lhe perdemos. Eu sei que as pessoas que amamos nunca morrem de
verdade, pois, mesmo fisicamente ausentes, sempre habitarão nossas lembranças e
nossos corações.
Homenagem prestada ao Sidarta Furtado Arruda (1978-2023), na "Missa de 7º Dia", por sua esposa Jeanne Farias - Leitura feita por Edgy Eduardo
Igreja das Irmãs Missionárias - Fortaleza-CE - 28.10.2023
Ouvindo músicas, trancando cadeados do amor em cidades que sonhamos em visitar, acordando de madrugada para cuidar das crianças, equilibrando as contas e a nossa vontade de construir um lar.
Conseguimos realizar tantos sonhos e ainda tínhamos tantos outros, sou tão grata por ele ter entrado na minha vida. Hoje a saudade é gigante, mas olhando para trás vejo que a gratidão pelo que vivemos e por ter experimentado um tipo de amor tão raro e puro é o que me dá forças.
Sou grata pelo pai incrível que ele foi para nossos filhos, o mais novo, Yves, me disse enquanto escrevo: "Meu pai me ensinou a ser uma pessoa".
E foi assim que durante muitos anos tive o privilégio de estar ao lado desse ser humano íntegro, inteligente, humilde, honesto, que foi meu Porto Seguro e que irei amar por toda a minha vida.
Ficar ao seu lado foi um presente de Deus. Você foi meu Porto Seguro, a pessoa que me trouxe paz e sempre teve algo de bom para me ensinar e tinha o coração mais lindo que já conheci.
O Sidarta falava todos os dias em lutar pela saúde, em tentar até o final por nós. Ele foi guerreiro, forte e nós vamos continuar lutando sempre para espalhar todo amor, cuidado e generosidade que nos foi ensinado por ele.
Homenagem prestada ao Sidarta Furtado Arruda (1978-2023), na "Missa de 7º Dia", por sua filha Letícia Farias
Igreja das Irmãs Missionárias - Fortaleza-CE - 28.10.2023
O AMOR É CONSTRUÇÃO.
Quem conhecia Sidarta entendia disso. A gentileza característica de sua personalidade, o riso fácil, a facilidade para conviver, conversar e fazer a diferença na vida de cada pessoa que passava por ele.
Foi uma vida inteira construída com bons momentos e muito, muito amor.
E foram muitas fases, do menino bochechudo que na infância não queria sair do mar ao adolescente que só queria uma prancha para surfar e bons amigos para confraternizar.
Do baixista que escrevia tantas melodias que encantavam a plateia ao profissional dedicado que escreveu com o mesmo entusiasmo tantos jingles inesquecíveis.
Do torcedor que comprava ingressos e vibrava na série C ou no PV, para o torcedor, funcionário e amigo de uma turma incrível que vê diariamente as glórias de um time tão amado.
Do namorado que virou marido e que tantas e tantas vezes demonstrou seu amor e viveu muitos anos de felicidade, companheirismo e dedicação.
Do jovem que antes era só um menino, se transformou em um pai incrível para três crianças. Que as cuidou, ensinou e virou referência quando o assunto era ser o melhor pai do mundo.
A construção de uma vida repleta de momentos felizes e de uma certeza: o amor constrói memórias inesquecíveis. Ele para sempre será lembrado.
Homenagem prestada ao Sidarta Furtado Arruda (1978-2023), na "Missa de 7º Dia", por sua tia ana margarida arruda rosemberg
Igreja das Irmãs Missionárias - Fortaleza-CE - 28.10.2023
SIDARTA
Em 1978, minha irmã Maninha (Noemi) estava gestando uma nova vida e lendo o livro “Sidarta”, do escritor alemão Hermann Hesse (1877-1962).
Fascinada pela história, ela me emprestou o livro, que narrava a busca de Sidarta pela iluminação.
Sidarta, que não era o “Sidarta Gautama”, conhecido como “Buda” - apesar das vidas se confundirem -, era um jovem belo, inteligente, educado e filho da aristocracia religiosa dos brâmanes da Índia, do século VI a.C.
Depois de passar a infância e a juventude longe das misérias do mundo, Sidarta resolveu abdicar da vida luxuosa e partir pelo país, onde a pobreza e o sofrimento reinavam. Saiu em busca da iluminação, da paz interior e da perfeita harmonia com o Universo.
Livro de cabeceira de muitas gerações, “Sidarta”, de Hermann Hesse, foi para os hippies um libelo contra o “American way of life”, que se alastrava pelo Ocidente.
Quando a Maninha me falou que seu filho seria Sidarta, pensei: será iluminado.
Muitas facetas da vida do Sidarta são conhecidas e admiradas pelas pessoas que tiveram o privilégio de conviver com ele; seria desnecessário descrevê-las.
Belas e justas homenagens lhe foram prestadas, em sua partida. Por isso, compartilho somente alguns momentos indeléveis que vivi com esse meu querido sobrinho.
O primeiro foi a sua estreia no palco da vida terrena, no dia 20.06.1978, quando o dr. Aguiar Ramos, na Casa de Saúde e Maternidade São Raimundo, em Fortaleza-CE, descortinou o mundo para ele brilhar.
O último foi no dia 25.10.2023, no Jardim do Éden, em Pacatuba-CE, quando a cortina se fechou, literalmente, e ele foi brilhar em outras dimensões, deixando os amigos e familiares com uma saudade infinita.
Entre o primeiro e o último, guardarei na memória inúmeros momentos; muitos alegres, alguns tristes e outros emocionantes, como: o encontro com o pai Japa, em meu apartamento em Sampa, ao lado do meu filho Daniel e da minha filha Jana, na noite de 25.11.2006; o explosivo show do Chico Buarque, no Centro de Eventos, em Fortaleza-CE, em 23.10.2022, ao lado da minha filha Liana e do meu filho Daniel, que vieram de Sampa para comigo e o Sidarta, viverem a magia do grande ídolo de todos nós.
No início da década de 1980, quando, nos finais de semana, na Praia da Futuro, o Sidarta bem pequeno entrava no mar até sumir entre as ondas, eu dizia para sua mãe: “Maninha, cuidado, ele pode se afogar”. Ela me respondia: se afoga não, ele sabe nadar.
Talvez ela soubesse que seu filho Sidarta buscava no mar a iluminação, a paz interior, a perfeita harmonia com o Universo, enfim, o Nirvana.
Em um sentido mais geral, o Nirvana é usado para designar alguém que está num estado de plenitude e paz interior, sem se deixar afetar por influências externas. É, enfim, um estado de libertação do sofrimento, de superação do apego material.
O Sidarta, surfando a maior parte de sua vida nas ondas do mar da “Praia do Futuro”, certamente atingia o Nirvana.
Plagiando-o, digo: Sidarta, hoje, o mar e o Nirvana são seus e a saudade é nossa.
Homenagem prestada ao Sidarta Furtado Arruda (1978-2023), na Missa de 7º Dia, por seu irmão Edgy Eduardo Arruda Paiva
Igreja das Irmãs Missionárias - Fortaleza-CE - 28.10.2023
HOMENAGEM AO SIDARTA
Primeiro, queria
agradecer a todos pela presença. Agradecer ao sacerdote pela cerimônia, aos
médicos, enfermeiros, profissionais de saúde, a acupunturista, nutricionista, psicólogos,
e todos que acompanharam o Sidarta em sua luta.
Mas queria fazer um
agradecimento especial à Jeanne que mesmo se recuperando de um AVC, a primeira
pergunta que fez era se o Sidarta tinha ido para a consulta que precisava
fazer, que ele deveria ir e que logo ela estaria em casa. Isso o emocionou
muito e deu forças para ele continuar a batalha que estava enfrentando.
Agradecer também pelo
carinho dos filhos Letícia, Yuri e Yves que estavam sempre ao lado dele em
todos os momentos.
Agradecer à organização
dessa cerimônia, à Tia Fátima, Luciana, Letícia e Jeanne por estar tudo
perfeito.
E agradecer também todas
as mensagens de carinho e amor que todos os amigos e amigas do body boarding,
da área de publicidade, do time do Fortaleza e da família.
Sidarta nasceu em 1978
quando eu tinha 8 anos, e a diferença de idade, fez com que eu fosse um irmão
que, além de brincar, ensinei muitas coisas a ele.
Passamos por vários
momentos juntos, e agora recente, ele disse que eu o ensinei a nadar (claro que
ele nada melhor que eu), e que também quase se afogava na piscina nas minhas
aulas, ele pulou na piscina quando eu estava fora e eu pulei para resgatá-lo.
Foram muitos momentos
juntos, viagens, diversão e apesar de eu estar faculdade e ele ainda na escola,
sempre falávamos muito sobre tudo.
O momento mais triste que
passamos foi quando mamãe faleceu, e lembro bem, naquele dia que cheguei para
ele e comentei que, estaríamos sempre juntos e que, apesar da mamãe ter
partido, a gente ia sempre ficar junto.
Ele mudou sua vida, focou
nos estudos, na área de publicidade, começou a trabalhar, e conheceu o grande
amor de sua vida, a Jeanne.
Com a Jeanne teve dois
filhos, o Yuri e o Yves, que vieram complementar a família dele, da Jeanne e
Letícia.
Falar de um cara, que, é
surfista, rockeiro (com banda e tudo), publicitário, amante de futebol e
apaixonado pelo Fortaleza, não é fácil, porém o que mais me impressionou nesses
dias, foram pessoas que chegaram ao lado dele do velório, em lágrimas sem
acreditar naquilo mas lembrando dos momentos que passaram juntos com ele.
Sentimos o carinho de todos.
Bom, ao invés de falar do
Sidarta na terceira pessoa, achei melhor pegar uns posts no twitter, onde, no
dia 1 de novembro de 2021, Sidarta escreveu um pouco de sua vida:
Sidarta Arruda - @sidartaarruda
- Twitter para falar sobre publicidade, música, futebol (principalmente o
Fortaleza EC), bodyboard, família e outras coisas da vida.
A honra.
A honra de trabalhar no
meu clube do coração, com liberdade criativa pra propor e fazer coisas malucas,
do jeito que eu gosto.
O sonho.
Fui pra muito show no Hey
Ho Rock Bar, por isso, tocar no seu palco, com um reportório basicamente
autoral, foi uma realização inesquecível.
A matutez.
Sempre quis conhecer a
neve, com direito a deitar, botar na boca, jogar pra cima e tudo mais que um
caboré tem direito. Tive duas oportunidades de fazer isso e na próxima levarei
meus filhos (que me pedem sempre), pois filhos de matuto, matutinhos são.
A aventura.
Surfar é mais do que
entrar no mar e pegar onda. Tem as viagens, os perrengues, a natureza, os
bichos marinhos. E tem os dias que o mar tá gigante. Os maiores mares que
peguei não foram registrados, então essa foto é só ilustrativa, mas pode botar
fé que dava medo.
A experiência apaixonante
de ser pai. Duas vezes.
O orgulho.
Quanto orgulho eu sinto
da família da qual faço parte. E quanta sorte eu tenho de ser preenchido de
cuidado e amor, mesmo quando não mereço.
A firmeza.
Há pouco mais de um ano
descobrique tinha um câncer. Meu mundo
poderia ter caído, mas não caiu. Porque na hora do maior abalo na minha vida,
foi quando os pilares ao meu redor se mostraram mais firmes. Uma firmeza que eu
desconhecia, vinda da família e dos amigos.
A resignação.
O que restava era fazer o
que os médicos mandassem. Exames, cirurgia, colocação de catéter, quimio, bolsa
infusora, exames, sustos, alívios. Deu certo, a quimio terminou, não há mais
sinal de câncer no meu corpo e hoje retirei o catéter. Um ciclo foi encerrado.
A gratidão.
A cura protocolar do
câncer só é dada após 5 anos sem recidiva, mas por ora estou limpo. Agora é
cuidado, prevenção e gratidão aos amigos e profissionais que me deram, me dão e
me darão força. Foram tantos que me surpreendi. Nunca imaginei que fosse tão
querido.
O exemplo.
Relatos de quem enfrentou
a doença foram fundamentais pra mim. Então me senti obrigado a fazer o mesmo.
Irei escrever sobre tudo com detalhes, para inspirar quem for passar pelo
mesmo. Se der 1% da força que senti com a experiência dos outros, já valerá a
pena.
Vamos sempre lembrar de
você, Sidarta, e nunca me esquecerei, como lição, da frase que você me disse
quando estava num dos momentos baixos do tratamento, que sua acupunturista,
disse a você que "devia seguir o processo", e naquele dia, você disse
que ia seguir o processo, que ia fazer de tudo, e que se não desse certo, não
foi por que não tentou, mas por que não era para ser.
Sidarta é um cara incrível,
de uma fé inabalável, de uma leveza, de uma amizade, e acima de tudo, um cara
do BEM mesmo.
Hoje a gente ia realizar
um sonho de ver o Fortaleza jogar em Punta Del Este, mas Deus preferiu dar um
camarote especial para ele assistir numa visão privilegiada do seu time do
coração.
Aqui, vamos continuar
realizando seus sonhos. Vamos, algum dia, juntos com seus filhos matutinhos,
conhecer a neve. Vamos também, juntos, realizar os seus últimos desejos.
Vou concluir com a frase que
foi citada no início dessa cerimônia, do Santo Agostinho que tenho certeza de
que o Sidarta iria gostar muito: “Você que aí ficou, siga em frente, a vida
continua, linda e bela como sempre foi”.
Sidarta e Liana - Show do Chico - Fortaleza, 23.10.2022
Quantas vezes eu vou receber a notícia da sua morte?
Desde a primeira vez, ontem à tarde, já foram dezenas.
Eu estava almoçando quando abri o WhatsApp e li a frase “O Sidarta faleceu”. Paralisada, não conseguia mais mastigar.
Nem engolir. Nem cuspir.
A comida que estava na boca, segundos antes extremamente saborosa, ficou lá parada, ganhando um gosto acre que é o de saber que o mundo agora não tem mais o Sidarta.
E continuo recebendo a terrível notícia da morte, essa verdade disfarçada de absurdo, constantemente. É como se a cada quarto de hora eu esquecesse, por ser incapaz de processar. Mas aí a frase lida ontem invade a mente novamente: “O Sidarta faleceu!”
Como entender?
Quando eu nasci, você já estava lá. A despeito de ter outras nove irmãs, era na casa da sua mãe que a minha passava quase todos os finais de semana.
Praia, Chico Buarque, tia Maninha, minha madrinha, sorvete, piscina, Sidarta… assim foi a minha infância.
Lembra de quando participamos (e tiramos o segundo lugar!) de um concurso de lambada, no fatídico oásis - era esse o nome? -, em Fortaleza? Éramos bons nisso! Eu tinha 8 anos. Você, 10.
Eu gostaria muito de conseguir descrever você, mas sinto que é uma tarefa infrutífera. Só entende quem conviveu.
Até o meu psicólogo, que nos últimos meses passou a ser o seu, compartilhou comigo, logo depois que os apresentei; “o Sidarta começou as sessões, claro que não posso te falar sobre o processo, mas só queria dizer: que cara incrível, o seu primo!”.
Sim, você era incrível demais. Quase tão incrível - tão difícil de acreditar - quanto essa sua morte prematura. Já havíamos perdido sua mãe e seu irmão tão cedo… Por que você também? Por que???Não consigo entender ou aceitar!
Nessas últimas semanas, com o avanço da doença, quando eu tentava te dar apoio, era sempre você que acabava me consolando. Você percebia a minha inconformidade, advinda de toda a impotência, e dizia: “querida, fique bem! Eu estou bem. Você já tem me ajudado bastante. Cada palavra de carinho me faz me sentir extremamente amado. Não importa quanto tempo eu tenha, vou viver da melhor forma possível. Amo você!”.
Obrigada por me dizer tantas vezes o que eu precisava ouvir - e precisarei me repetir muito daqui pra frente. Obrigada por ter compartilhado comigo tanta coisa, especialmente nas últimas semanas. Obrigada por ter levado, sábado, o livro que eu te dei pro hospital (e por ter fotografado e me mostrado), afinal, como te disse quando você me agradeceu pela surpresa, ele era a minha maneira de me fazer presente, mesmo de longe.
A última palavra que te disse, sábado à noite, quando você comentou do receio por talvez não conseguir mais viajar para ver a final do seu time no Uruguai, foi “descanse”! E que bom que, pelo menos das dores e do sofrimento, você descansou!
Seus filhos, sua mulher, seu irmão, seus cunhados, seus sogros, seus sobrinhos, seus tios, seus primos, seus amigos… todos sentiremos muito a sua falta, meu querido!
Como canta o nosso amado Chico (foi no show dele que nos vimos pela última vez, lembra?),
“A saudade dói, latejada,
É assim como uma fisgada Num membro que já perdi!”
A propósito da postagem do instagram de ana margarida rosemberg (vídeo acima)
O TRIGO DE GIVERNY/NORMANDIA
Por Ronald Teles
Paisagem magnífica e inspiradora.O trigo do pão nosso de cada dia,presente na oração dada a nós por Cristo Jesus.O pão, o " corpo",o vinho " o sangue" Dele,lembrado no mundo todo em sua última ceia ,em todos os altares católicos que celebram o Cordeiro de Deus; eternizada na arte imorredoura de Da Vinci em seu famoso afresco.Os campos de trigo florescem na Normandia,derramando o pão que comove os corações agradecidos de sua beleza e esplendor que lembra o ouro da nova Jerusalém apocalíptica.Nesta mesma região o sangue de milhares de bravos guerreiros foi derramado sobre praias,na maior operação conjunta naval,aérea e terrestre aliada,que feriu de morte o horror nazista do anti- Cristo mais legítimo da história humana.O vento acaricia o dourado do trigo, simbolizando o santo Espírito que beija seu próprio corpo.
Que Ele comova o animal humano à conversão e a parar de aniquilar o semelhante, martirizando inocentes,que são imolados mais uma vez,esquecendo seus algozes,que o Altíssimo morreu e reviveu por todos
quinta-feira, 19 de outubro de 2023
No caminho para a "Maison de Monet", em Giverny-Normandia-França, um campo de trigo nos faz pensar na PAZ.
O dourado da plantação nos toca a retina e uma paz inexplicável nos fala ao coração.
Admirar extensões de trigo, balançando na brisa até o horizonte, nos leva a refletir o quanto o cultura do trigo foi importante para a nossa sobrevivência.
Uma profunda emoção, vinda do passado, do fundo dos tempos, nos invade e nos remete a alegria dos antigos povos, diante da abundância do trigo e do pão.
Segundo o “Dicionário Michaelis”, copista é
aquele que copia ou transcreve um texto por escrito; pessoa que, antes do
advento da imprensa, transcrevia manuscritos.
A palavra “amanuense”, do latim amanuensis,
“ab manu” (à mão), se refere aquele que faz cópia de textos ou
documentos à mão. O amanuense é, vulgarmente, usado para o escriturário de uma
repartição pública que registra manualmente documentos.
No Antigo Egito, os copistas, conhecidos como “escribas”,
usavam “papiro” para seus escritos. O pergaminho, peles
tratadas de carneiros ou cabras, foi a base utilizada pelos monges medievais que
desenvolveram a arte de copiar livros com penas de ganso. As cópias de livros
decoradas com pinturas, pelos referidos monges, pertencentes ao seleto grupo de
pessoas que sabiam ler e escrever, eram obras de arte raras e caras.
Os escritos da
Antiguidade nos foram legados pelo árduo trabalho de transcrever manuscritos, no
interior dos mosteiros, em um quarto chamado scriptorium, daí a
terminologia com significado da palavra escritório.
No
final da Idade Média e começo do Renascimento, com a introdução do papel,
invenção chinesa barata e abundante, e a invenção da imprensa pelo alemão Johannes Gutenberg (1400- 1468), os
copistas tradicionais perderam espaço, mas não desapareceram.
Há,
também, copistas de obras de arte, como: pinturas, gravuras e esculturas. Muitos
gênios da pintura, como Caravaggio, aprenderam o ofício copiando seus mestres.
Os museus do Louvre e d’Orsay, em Paris, são famosos pelos seus copistas.
Na
família Arruda do Ceará, três descendentes de Amaro José de Arruda (c.1770 -
1832), o “Patriarca de Oiticará”, fizeram o papel de copistas quando transcreveram
textos escritos por João José de Arruda (1812-1878), filho de Amaro José, e Miguel
Arcanjo (1849-1923), neto da Amaro José; a saber: Ananias Arruda (1886-1980),
Miguel Edgy Távora Arruda (1919-2010) e Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg
(1950).
Transcrevi Ipsis litteris, textos publicados
pelo historiador Miguel Edgy Távora Arruda, nos anexos de sua genealogia “Os
Arrudas de Baturité”, 1976.
São
dois textos que foram transcritos por Ananias Arruda (primeiro copista), em 1918 e 1919. O texto
nº1, transcrito, Ipsis litteris, com caneta tinteiro, do livro de notas escrito
pelo próprio punho de seu pai, Miguel de Arruda, a bico de pena. O texto nº2,
transcrito, também, Ipsis litteris, com caneta tinteiro, de anotações
deixada pelo seu avô, João José, a bico de pena.
Esses
textos foram transcritos por Miguel Edgy Távora Arruda (segundo copista), Ipsis
litteris, em 1976, datilografados, e publicados em seu livro de genealogia,
referido acima.
Eu,
ana margarida furtado arruda rosemberg (terceira copista), transcrevi os textos,
Ipsis litteris, usando o editor de textos Word, hoje, 05.10.2023, e postarei
amanhã no blog do Museu Comendador Ananias Arruda.