segunda-feira, 30 de outubro de 2023

Homenagem ao Sidarta - Por Henrique Sávio Arruda Brasileiro

 


Homenagem ao Sidarta Furtado Arruda (1978-2023) por seu primo Henrique Sávio -   Velório  Funerária Ethernus. Fortaleza-CE,  24.10.2023

Querida Família e Amigos,

Hoje, fui devastado por uma notícia profundamente dolorosa, uma das mais angustiantes que já enfrentei. Meu primo/irmão nos deixou, e estou desolado por não estar ao lado dos meus entes queridos e amigos nesse momento de tamanha tristeza. No entanto, hoje quero compartilhar estas palavras e relembrar algumas lembranças que guardo de meu querido primo.

Sidarta me deixou um legado de inesquecíveis momentos. Quando éramos crianças, recordo-me dos incontáveis fins de semana e férias que compartilhamos em sua casa, na casa dos nossos avós e com nossos primos. Lá, brincávamos na piscina, jogávamos bola, fazíamos campeonatos de futebol de botão, embarcávamos em aventuras no mundo do RPG, colecionávamos álbuns de figurinhas e víamos juntos jogos entre Ceará e Fortaleza, mesmo torcendo por times diferentes. Até mesmo formamos uma banda, eu, Sidarta e Gustavo.

Vivemos uma infinidade de momentos especiais, reunidos na casa do vovô e da vovó, andando de bicicleta na casa do Luizinho e Gustavo, jogando RPG e futebol na casa da Jana, Daniel e Liana ou aproveitando férias na casa do Miguel Hernando, Claudinha e Luiz Gustavo, em João Pessoa. As memórias são tantas!

Como primo mais velho, Sidarta sempre foi meu exemplo. Para mim, ele era uma inspiração, alguém incrivelmente inteligente e criativo. Era dedicado e sempre realizava tudo com maestria. Lembro-me das vezes em que o acompanhava na Praia do Futuro para vê-lo surfar, e eu pensava “Um dia vou pegar onda como ele”.

Na adolescência, Sidarta sempre esteve ao meu lado, cuidando do primo mais novo nas inúmeras festas e shows. Com o passar do tempo, nossos caminhos nos levaram a destinos diferentes, comigo saindo de Fortaleza para estudar e trabalhar longe. No entanto, o sentimento de carinho e amor continuava presente quando nos reencontrávamos. Era sempre um prazer revê-lo, relembrar nossas aventuras de infância e ver nossos filhos brincando juntos. Eu pensava: 'Agora é a vez deles se divertirem, como nós fizemos.'

Descanse em paz meu amado primo. Você sempre fará parte da nossa história e viverá eternamente em nossos corações. Sua luz continuará a brilhar dentro de cada um de nós, e lembraremos de você com amor e gratidão, todos os dias.

Com carinho,

Henrique Savio

Homenagem ao Sidarta - Por: Angela Arruda Teles

 


Homenagem ao Sidarta por sua tia Angela Arruda, por ocasião do Velório na Funerária Ethernus - Fortaleza, 24.10.2023


Sidarta,

 

Meu querido sobrinho filho. É assim que eu o considero, daí, porque a dor de sua partida amplia-se no meu coração.

Sobrinho, por que filho da minha querida e saudosa “Maninha”, com quem eu morei por um período da minha vida e tive a feliz oportunidade de cuidar de você como a um filho: colocando para dormir, levando para escola, para nadar na piscina e para passear na praia, etc...

Lembro-me que nossa ligação era tão forte que você se sentiu bastante enciumado quando engravidei do meu filho Henrique Sávio.

Momentos esses que comentamos há poucos meses passados quando fui lhe visitar em seu apartamento, ocasião em que você parecia exalar o perfume da serenidade, apesar da grave enfermidade que lhe acometia.

Tanto é que você me presenteou com uma camisa oficial do Fortaleza, clube do nosso coração, e eu assumi o compromisso de que a vestiria em Paris e lhe enviaria uma fotografia com ela.

O que, infelizmente, eu não pude cumprir, tendo em vista que durante a viagem fiquei impossibilitada de fazer, pois tive o braço imobilizado em função de uma fratura que sofri no ombro.

Todavia, em sua homenagem, eu visto o manto nesta oportunidade, na certeza que, feliz, você me ver lá do Céu.

Não quero dizer que lhe perdemos. Eu sei que as pessoas que amamos nunca morrem de verdade, pois, mesmo fisicamente ausentes, sempre habitarão nossas lembranças e nossos corações.

Vá em paz! Te amo eternamente!

Angela Maria Arruda teles

Fortaleza, 24 de outubro de 2023

Homenagem ao Sidarta - Por: Jeanne Farias

 

Homenagem prestada ao Sidarta Furtado Arruda (1978-2023), na "Missa de 7º Dia", por sua esposa Jeanne Farias - Leitura feita por Edgy Eduardo

Igreja das Irmãs Missionárias - Fortaleza-CE - 28.10.2023


Ouvindo músicas, trancando cadeados do amor em cidades que sonhamos em visitar, acordando de madrugada para cuidar das crianças, equilibrando as contas e a nossa vontade de construir um lar.


Conseguimos realizar tantos sonhos e ainda tínhamos tantos outros, sou tão grata por ele ter entrado na minha vida. Hoje a saudade é gigante, mas olhando para trás vejo que a gratidão pelo que vivemos e por ter experimentado um tipo de amor tão raro e puro é o que me dá forças.


Sou grata pelo pai incrível que ele foi para nossos filhos, o mais novo, Yves, me disse enquanto escrevo: "Meu pai me ensinou a ser uma pessoa".


E foi assim que durante muitos anos tive o privilégio de estar ao lado desse ser humano íntegro, inteligente, humilde, honesto, que foi meu Porto Seguro e que irei amar por toda a minha vida.


Ficar ao seu lado foi um presente de Deus. Você foi meu Porto Seguro, a pessoa que me trouxe paz e sempre teve algo de bom para me ensinar e tinha o coração mais lindo que já conheci.


O Sidarta falava todos os dias em lutar pela saúde, em tentar até o final por nós. Ele foi guerreiro, forte e nós vamos continuar lutando sempre para espalhar todo amor, cuidado e generosidade que nos foi ensinado por ele.


- Sua esposa e filhos

Homenagem ao Sidarta - Por: Letícia Farias

 


Homenagem prestada ao Sidarta Furtado Arruda (1978-2023), na "Missa de 7º Dia", por sua filha Letícia Farias

Igreja das Irmãs Missionárias - Fortaleza-CE - 28.10.2023

O AMOR É CONSTRUÇÃO.

Quem conhecia Sidarta entendia disso. A gentileza característica de sua personalidade, o riso fácil, a facilidade para conviver, conversar e fazer a diferença na vida de cada pessoa que passava por ele.

Foi uma vida inteira construída com bons momentos e muito, muito amor.

E foram muitas fases, do menino bochechudo que na infância não queria sair do mar ao adolescente que só queria uma prancha para surfar e bons amigos para confraternizar.

Do baixista que escrevia tantas melodias que encantavam a plateia ao profissional dedicado que escreveu com o mesmo entusiasmo tantos jingles inesquecíveis.

Do torcedor que comprava ingressos e vibrava na série C ou no PV, para o torcedor, funcionário e amigo de uma turma incrível que vê diariamente as glórias de um time tão amado.

Do namorado que virou marido e que tantas e tantas vezes demonstrou seu amor e viveu muitos anos de felicidade, companheirismo e dedicação.

Do jovem que antes era só um menino, se transformou em um pai incrível para três crianças. Que as cuidou, ensinou e virou referência quando o assunto era ser o melhor pai do mundo.

A construção de uma vida repleta de momentos felizes e de uma certeza: o amor constrói memórias inesquecíveis. Ele para sempre será lembrado.


-  Letícia

domingo, 29 de outubro de 2023

Postagem do Sidarta no Instagram em 01.07.2016

 01.07.2016

Ela que me ensinou a ser ético e honesto;

Ela que me

incentivou a ser sempre otimista

Ela que me

influenciou a torcer @fortalezaec;

Ela que me mostrou

que o mundo é lindo;

Ela que me provou

que a saudade repousa, mas nunca dorme... 

Hoje minha mãe faria 70 anos e tudo o

que sinto é saudade e gratidão.

Sidarta




Homenagem ao Sidarta - Por: ana margarida


Homenagem prestada ao Sidarta Furtado Arruda (1978-2023), na "Missa de 7º Dia", por sua tia ana margarida arruda rosemberg

Igreja das Irmãs Missionárias - Fortaleza-CE - 28.10.2023


SIDARTA 

Em 1978, minha irmã Maninha (Noemi) estava gestando uma nova vida e lendo o livro “Sidarta”, do escritor alemão Hermann Hesse (1877-1962).


Fascinada pela história, ela me emprestou o livro, que narrava a busca de Sidarta pela iluminação.


Sidarta, que não era o “Sidarta Gautama”, conhecido como “Buda” - apesar das vidas se confundirem -, era um jovem belo, inteligente, educado e filho da aristocracia religiosa dos brâmanes da Índia, do século VI a.C. 


Depois de passar a infância e a juventude longe das misérias do mundo, Sidarta resolveu abdicar da vida luxuosa e partir pelo país, onde a pobreza e o sofrimento reinavam. Saiu em busca da iluminação, da paz interior e da perfeita harmonia com o Universo. 


Livro de cabeceira de muitas gerações, “Sidarta”, de Hermann Hesse, foi para os hippies um libelo contra o “American way of life”, que se alastrava pelo Ocidente.


Quando a Maninha me falou que seu filho seria Sidarta, pensei: será iluminado. 


Muitas facetas da vida do Sidarta são conhecidas e admiradas pelas pessoas que tiveram o privilégio de conviver com ele; seria desnecessário descrevê-las. 


Belas e justas homenagens lhe foram prestadas, em sua partida. Por isso, compartilho somente alguns momentos indeléveis que vivi com esse meu querido sobrinho. 


O primeiro foi a sua estreia no palco da vida terrena, no dia 20.06.1978, quando o dr. Aguiar Ramos, na Casa de Saúde e Maternidade São Raimundo, em Fortaleza-CE, descortinou o mundo para ele brilhar.


O último foi no dia 25.10.2023, no Jardim do Éden, em Pacatuba-CE, quando a cortina se fechou, literalmente, e ele foi brilhar em outras dimensões, deixando os amigos e familiares com uma saudade infinita. 


Entre o primeiro e o último, guardarei na memória inúmeros momentos; muitos alegres, alguns tristes e outros emocionantes, como: o encontro com o pai Japa, em meu apartamento em Sampa, ao lado do meu filho Daniel e da minha filha Jana, na noite de 25.11.2006; o explosivo show do Chico Buarque, no Centro de Eventos, em Fortaleza-CE, em 23.10.2022, ao lado da minha filha Liana e do meu filho Daniel, que vieram de Sampa para comigo e o Sidarta, viverem a magia do grande ídolo de todos nós. 


No início da década de 1980, quando, nos finais de semana, na Praia da Futuro, o Sidarta bem pequeno entrava no mar até sumir entre as ondas, eu dizia para sua mãe: “Maninha, cuidado, ele pode se afogar”. Ela me respondia: se afoga não, ele sabe nadar.


Talvez ela soubesse que seu filho Sidarta buscava no mar a iluminação, a paz interior, a perfeita harmonia com o Universo, enfim, o Nirvana.

 

Em um sentido mais geral, o Nirvana é usado para designar alguém que está num estado de plenitude e paz interior, sem se deixar afetar por influências externas. É, enfim, um estado de libertação do sofrimento, de superação do apego material.


O Sidarta, surfando a maior parte de sua vida nas ondas do mar da “Praia do Futuro”, certamente atingia o Nirvana. 


Plagiando-o, digo:  Sidarta, hoje, o mar e o Nirvana são seus e a saudade é nossa.


Fique em PAZ!


ana margarida furtado arruda rosemberg


Fortaleza, 28 de outubro de 2023

Homenagem ao Sidarta - Por: Edgy Eduardo Arruda Paiva

Homenagem prestada ao Sidarta Furtado Arruda (1978-2023), na Missa de 7º Dia, por seu irmão Edgy Eduardo Arruda Paiva

Igreja das Irmãs Missionárias - Fortaleza-CE  - 28.10.2023

HOMENAGEM AO SIDARTA

Primeiro, queria agradecer a todos pela presença. Agradecer ao sacerdote pela cerimônia, aos médicos, enfermeiros, profissionais de saúde, a acupunturista, nutricionista, psicólogos, e todos que acompanharam o Sidarta em sua luta.


Mas queria fazer um agradecimento especial à Jeanne que mesmo se recuperando de um AVC, a primeira pergunta que fez era se o Sidarta tinha ido para a consulta que precisava fazer, que ele deveria ir e que logo ela estaria em casa. Isso o emocionou muito e deu forças para ele continuar a batalha que estava enfrentando.


Agradecer também pelo carinho dos filhos Letícia, Yuri e Yves que estavam sempre ao lado dele em todos os momentos.


Agradecer à organização dessa cerimônia, à Tia Fátima, Luciana, Letícia e Jeanne por estar tudo perfeito.


E agradecer também todas as mensagens de carinho e amor que todos os amigos e amigas do body boarding, da área de publicidade, do time do Fortaleza e da família.


Sidarta nasceu em 1978 quando eu tinha 8 anos, e a diferença de idade, fez com que eu fosse um irmão que, além de brincar, ensinei muitas coisas a ele.


Passamos por vários momentos juntos, e agora recente, ele disse que eu o ensinei a nadar (claro que ele nada melhor que eu), e que também quase se afogava na piscina nas minhas aulas, ele pulou na piscina quando eu estava fora e eu pulei para resgatá-lo.


Foram muitos momentos juntos, viagens, diversão e apesar de eu estar faculdade e ele ainda na escola, sempre falávamos muito sobre tudo.


O momento mais triste que passamos foi quando mamãe faleceu, e lembro bem, naquele dia que cheguei para ele e comentei que, estaríamos sempre juntos e que, apesar da mamãe ter partido, a gente ia sempre ficar junto.


Ele mudou sua vida, focou nos estudos, na área de publicidade, começou a trabalhar, e conheceu o grande amor de sua vida, a Jeanne.


Com a Jeanne teve dois filhos, o Yuri e o Yves, que vieram complementar a família dele, da Jeanne e Letícia.


Falar de um cara, que, é surfista, rockeiro (com banda e tudo), publicitário, amante de futebol e apaixonado pelo Fortaleza, não é fácil, porém o que mais me impressionou nesses dias, foram pessoas que chegaram ao lado dele do velório, em lágrimas sem acreditar naquilo mas lembrando dos momentos que passaram juntos com ele. Sentimos o carinho de todos.


Bom, ao invés de falar do Sidarta na terceira pessoa, achei melhor pegar uns posts no twitter, onde, no dia 1 de novembro de 2021, Sidarta escreveu um pouco de sua vida:


Sidarta Arruda - @sidartaarruda - Twitter para falar sobre publicidade, música, futebol (principalmente o Fortaleza EC), bodyboard, família e outras coisas da vida.


A honra.


A honra de trabalhar no meu clube do coração, com liberdade criativa pra propor e fazer coisas malucas, do jeito que eu gosto.


O sonho.


Fui pra muito show no Hey Ho Rock Bar, por isso, tocar no seu palco, com um reportório basicamente autoral, foi uma realização inesquecível.


A matutez.


Sempre quis conhecer a neve, com direito a deitar, botar na boca, jogar pra cima e tudo mais que um caboré tem direito. Tive duas oportunidades de fazer isso e na próxima levarei meus filhos (que me pedem sempre), pois filhos de matuto, matutinhos são.


A aventura.


Surfar é mais do que entrar no mar e pegar onda. Tem as viagens, os perrengues, a natureza, os bichos marinhos. E tem os dias que o mar tá gigante. Os maiores mares que peguei não foram registrados, então essa foto é só ilustrativa, mas pode botar fé que dava medo.


A experiência apaixonante de ser pai. Duas vezes.


O orgulho.


Quanto orgulho eu sinto da família da qual faço parte. E quanta sorte eu tenho de ser preenchido de cuidado e amor, mesmo quando não mereço.


A firmeza.


Há pouco mais de um ano descobri  que tinha um câncer. Meu mundo poderia ter caído, mas não caiu. Porque na hora do maior abalo na minha vida, foi quando os pilares ao meu redor se mostraram mais firmes. Uma firmeza que eu desconhecia, vinda da família e dos amigos.


A resignação.


O que restava era fazer o que os médicos mandassem. Exames, cirurgia, colocação de catéter, quimio, bolsa infusora, exames, sustos, alívios. Deu certo, a quimio terminou, não há mais sinal de câncer no meu corpo e hoje retirei o catéter. Um ciclo foi encerrado.


A gratidão.


A cura protocolar do câncer só é dada após 5 anos sem recidiva, mas por ora estou limpo. Agora é cuidado, prevenção e gratidão aos amigos e profissionais que me deram, me dão e me darão força. Foram tantos que me surpreendi. Nunca imaginei que fosse tão querido.


O exemplo.


Relatos de quem enfrentou a doença foram fundamentais pra mim. Então me senti obrigado a fazer o mesmo. Irei escrever sobre tudo com detalhes, para inspirar quem for passar pelo mesmo. Se der 1% da força que senti com a experiência dos outros, já valerá a pena.


Vamos sempre lembrar de você, Sidarta, e nunca me esquecerei, como lição, da frase que você me disse quando estava num dos momentos baixos do tratamento, que sua acupunturista, disse a você que "devia seguir o processo", e naquele dia, você disse que ia seguir o processo, que ia fazer de tudo, e que se não desse certo, não foi por que não tentou, mas por que não era para ser.


Sidarta é um cara incrível, de uma fé inabalável, de uma leveza, de uma amizade, e acima de tudo, um cara do BEM mesmo.


Hoje a gente ia realizar um sonho de ver o Fortaleza jogar em Punta Del Este, mas Deus preferiu dar um camarote especial para ele assistir numa visão privilegiada do seu time do coração.


Aqui, vamos continuar realizando seus sonhos. Vamos, algum dia, juntos com seus filhos matutinhos, conhecer a neve. Vamos também, juntos, realizar os seus últimos desejos.


Vou concluir com a frase que foi citada no início dessa cerimônia, do Santo Agostinho que tenho certeza de que o Sidarta iria gostar muito: “Você que aí ficou, siga em frente, a vida continua, linda e bela como sempre foi”.


Todos nós amamos você. Obrigado.

quarta-feira, 25 de outubro de 2023

Homenagem ao Sidarta - Por: Liana Arruda Teixeira - Braga-Portugal, 24.10.2023


Sidarta e Liana - Show do Chico - Fortaleza, 23.10.2022


Quantas vezes eu vou receber a notícia da sua morte?

Desde a primeira vez, ontem à tarde, já foram dezenas. 

Eu estava almoçando quando abri o WhatsApp e li a frase “O Sidarta faleceu”.  Paralisada, não conseguia mais mastigar. 

Nem engolir. Nem cuspir. 

A comida que estava na boca, segundos antes extremamente saborosa, ficou lá parada, ganhando um gosto acre que é o de saber que o mundo agora não tem mais o Sidarta.

E continuo recebendo a terrível notícia da morte, essa verdade disfarçada de absurdo, constantemente. É como se a cada quarto de hora eu esquecesse, por ser incapaz de processar. Mas aí a frase lida ontem invade a mente novamente: “O Sidarta faleceu!”

Como entender?

Quando eu nasci, você já estava lá. A despeito de ter outras nove irmãs, era na casa da sua mãe que a minha passava quase todos os finais de semana. 

Praia, Chico Buarque, tia Maninha, minha madrinha, sorvete, piscina, Sidarta… assim foi a minha infância.

Lembra de quando participamos (e tiramos o segundo lugar!) de um concurso de lambada, no fatídico oásis - era esse o nome? -, em Fortaleza? Éramos bons nisso! Eu tinha 8 anos. Você, 10.

Eu gostaria muito de conseguir descrever você, mas sinto que é uma tarefa infrutífera. Só entende quem conviveu.

Até o meu psicólogo, que nos últimos meses passou a ser o seu, compartilhou comigo, logo depois que os apresentei; “o Sidarta começou as sessões, claro que não posso te falar sobre o processo, mas só queria dizer: que cara incrível, o seu primo!”.

Sim, você era incrível demais. Quase tão incrível - tão difícil de acreditar - quanto essa sua morte prematura. Já havíamos perdido sua mãe e seu irmão tão cedo… Por que você também? Por que???Não consigo entender ou aceitar!

Nessas últimas semanas, com o avanço da doença, quando eu tentava te dar apoio, era sempre você que acabava me consolando. Você percebia a minha inconformidade, advinda de toda a impotência, e dizia: “querida, fique bem! Eu estou bem. Você já tem me ajudado bastante. Cada palavra de carinho me faz me sentir extremamente amado. Não importa quanto tempo eu tenha, vou viver da melhor forma possível. Amo você!”.

Obrigada por me dizer tantas vezes o que eu precisava ouvir - e precisarei me repetir muito daqui pra frente. Obrigada por ter compartilhado comigo tanta coisa, especialmente nas últimas semanas. Obrigada por ter levado, sábado, o livro que eu te dei pro hospital (e por ter fotografado e me mostrado), afinal, como te disse quando você me agradeceu pela surpresa, ele era a minha maneira de me fazer presente, mesmo de longe.

A última palavra que te disse, sábado à noite, quando você comentou do receio por talvez não conseguir mais viajar para ver a final do seu time no Uruguai, foi “descanse”! E que bom que, pelo menos das dores e do sofrimento, você descansou!

Seus filhos, sua mulher, seu irmão, seus cunhados, seus sogros, seus sobrinhos, seus tios, seus primos, seus amigos… todos sentiremos muito a sua falta, meu querido!

Como canta o nosso amado Chico (foi no show dele que nos vimos pela última vez, lembra?),

“A saudade dói, latejada, 

É assim como uma fisgada Num membro que já perdi!”


Você é para sempre!

sexta-feira, 20 de outubro de 2023

O trigo de Giverny/Normandia - Por: Ronald Teles

A propósito da postagem  do instagram de ana margarida rosemberg (vídeo acima)

O TRIGO DE GIVERNY/NORMANDIA 

Por Ronald Teles

Paisagem magnífica e inspiradora.O trigo do pão nosso de cada dia,presente na oração dada a nós por Cristo  Jesus.O pão, o " corpo",o vinho " o sangue" Dele,lembrado no mundo todo em sua última ceia ,em todos os altares católicos que celebram o Cordeiro de Deus; eternizada na arte imorredoura de Da Vinci em seu famoso afresco.Os campos de trigo florescem na Normandia,derramando o pão  que comove os corações agradecidos de sua beleza e esplendor que lembra o ouro da nova Jerusalém apocalíptica.Nesta mesma região o sangue de milhares de bravos guerreiros foi derramado sobre praias,na maior operação conjunta naval,aérea e terrestre aliada,que feriu de morte o horror nazista do anti- Cristo mais legítimo da história humana.O vento acaricia o dourado do trigo, simbolizando o santo Espírito que beija seu próprio corpo.

Que Ele comova o animal humano à conversão e a parar de aniquilar o semelhante, martirizando inocentes,que são imolados mais uma vez,esquecendo seus algozes,que o Altíssimo morreu e reviveu por todos

quinta-feira, 19 de outubro de 2023


No caminho para a "Maison de Monet", em Giverny-Normandia-França, um campo  de trigo nos faz pensar na PAZ. 

O dourado da plantação nos  toca a retina e uma paz inexplicável nos fala ao coração.

Admirar extensões de trigo, balançando na brisa até o horizonte, nos leva a refletir o quanto o cultura do trigo foi importante  para a nossa sobrevivência. 

Uma  profunda emoção, vinda do passado, do fundo dos tempos, nos invade e nos remete a alegria  dos antigos povos, diante da abundância do trigo e do pão. 

Nós, os sapiens,  somos uma civilização do trigo!

ana margarida furtado arruda rosemberg 

Fortaleza-CE,  19/10/2023
















quinta-feira, 5 de outubro de 2023

TRÊS COPISTAS DA FAMILIA ARRUDA

Miguel de Arruda (Pai Arruda)

 TRÊS COPISTAS DA FAMILIA ARRUDA


Por: ana margarida furtado arruda rosemberg


Segundo o “Dicionário Michaelis”, copista é aquele que copia ou transcreve um texto por escrito; pessoa que, antes do advento da imprensa, transcrevia manuscritos.

A palavra “amanuense”, do latim amanuensis,ab manu” (à mão), se refere aquele que faz cópia de textos ou documentos à mão. O amanuense é, vulgarmente, usado para o escriturário de uma repartição pública que registra manualmente documentos.

No Antigo Egito, os copistas, conhecidos como “escribas”, usavam “papiro” para seus escritos. O pergaminho, peles tratadas de carneiros ou cabras, foi a base utilizada pelos monges medievais que desenvolveram a arte de copiar livros com penas de ganso. As cópias de livros decoradas com pinturas, pelos referidos monges, pertencentes ao seleto grupo de pessoas que sabiam ler e escrever, eram obras de arte raras e caras.

Os escritos da Antiguidade nos foram legados pelo árduo trabalho de transcrever manuscritos, no interior dos mosteiros, em um quarto chamado scriptorium, daí a terminologia com significado da palavra escritório.

No final da Idade Média e começo do Renascimento, com a introdução do papel, invenção chinesa barata e abundante, e a invenção da imprensa pelo alemão Johannes Gutenberg (1400- 1468), os copistas tradicionais perderam espaço, mas não desapareceram.

Há, também, copistas de obras de arte, como: pinturas, gravuras e esculturas. Muitos gênios da pintura, como Caravaggio, aprenderam o ofício copiando seus mestres. Os museus do Louvre e d’Orsay, em Paris, são famosos pelos seus copistas.

Na família Arruda do Ceará, três descendentes de Amaro José de Arruda (c.1770 - 1832), o “Patriarca de Oiticará”, fizeram o papel de copistas quando transcreveram textos escritos por João José de Arruda (1812-1878), filho de Amaro José, e Miguel Arcanjo (1849-1923), neto da Amaro José; a saber: Ananias Arruda (1886-1980), Miguel Edgy Távora Arruda (1919-2010) e Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg (1950).

Transcrevi Ipsis litteris, textos publicados pelo historiador Miguel Edgy Távora Arruda, nos anexos de sua genealogia “Os Arrudas de Baturité”, 1976.

São dois textos que foram transcritos por Ananias Arruda (primeiro copista), em 1918 e 1919. O texto nº1, transcrito, Ipsis litteris, com caneta tinteiro, do livro de notas escrito pelo próprio punho de seu pai, Miguel de Arruda, a bico de pena. O texto nº2, transcrito, também, Ipsis litteris, com caneta tinteiro, de anotações deixada pelo seu avô, João José, a bico de pena.

Esses textos foram transcritos por Miguel Edgy Távora Arruda (segundo copista), Ipsis litteris, em 1976, datilografados, e publicados em seu livro de genealogia, referido acima.

Eu, ana margarida furtado arruda rosemberg (terceira copista), transcrevi os textos, Ipsis litteris, usando o editor de textos Word, hoje, 05.10.2023, e postarei amanhã no blog do Museu Comendador Ananias Arruda.

ana margarida furtado arruda rosemberg

Fortaleza, 5 de outubro de 2023

Ananias Arruda 

Miguel Edgy Távora Arruda

ana margarida furtado arruda rosemberg