Publicado no Jornal do Médico
https://jornaldomedico.com.br/2022/01/02/a-igreja-de-sao-juliao-o-pobre/
Em Paris, a Igreja medieval Saint-Julien-le-Pauvre (na língua
francesa) está localizada na rua do mesmo nome, na praça René-Viviani,
no Quartier Latin, na margem esquerda do Sena, perto da Catedral de Notre-Dame.
Tradicionalmente um local de culto católico romano,
Saint-Julien-le-Pauvre passou a ser uma Igreja Greco-Melquita-Católica,
com o rito bizantino, no final do século XIX, sob a Terceira República Francesa.
Seu nome se refere a Saint Julien l'Hospitalier,
porque na Idade Média um hospício que recebia peregrinos e viajantes pobres
estava associado à Igreja. Entretanto, por ser uma das mais antigas Igrejas de
Paris, cuja origem remonta ao início do século VI, não se sabe que santo foi o
primeiro padroeiro da Igreja. Saint-Julien du Mans e Saint-Julien de Brioude
também são considerados patronos da Igreja.
Em 886, os vikings destruíram a Igreja
original. Por volta de 1125, uma segunda
Igreja foi construída e dada ao priorado Cluniac da comuna francesa de Longpont-sur-Orge.
A Igreja que vemos hoje foi restaurada pelos monges de Longpont, por volta
de 1160.
Naquela época, a rue du Fouarre, que passava
perto do leito da Igreja, era um dos principais locais de ensino da
Universidade de Paris. As aulas eram ministradas no meio da rua, e os alunos
sentavam-se na palha, daí o nome da rua. Na Igreja realizavam-se as assembleias
gerais da Universidade de Paris, durante as quais líderes eram eleitos.
A Igreja também estava localizada em uma das rotas
de peregrinação de Saint-Jacques-de-Compostelle.
Em 1651, o priorado deixou de existir e a Igreja
tornou-se uma capela do Hôtel-Dieu (hospital). Durante a Revolução
Francesa, a Igreja foi transformada em armazém. Em 1826, voltou a ser
uma capela de hospital, com uma vida espiritual muito limitada.
Em 1873, a
Igreja fechou suas portas.
Em 1889, o Padre Alexis Katoub desenvolveu o
projeto de uma paróquia greco-melquita-católica, e conseguiu que a Igreja fosse
colocada à disposição desta nova paróquia. Dessa forma, os católicos orientais
têm seu próprio local de culto em Paris, e as missas são celebradas de acordo
com o rito de São João Crisóstomo.
Em 14/04/1921, a Igreja serviu de palco para um
grupo dadaísta. O polêmico evento envolveu escritores, como: Tristan Tzara,
André Breton, Philippe Soupault e o artista Francis Picabia. Atualmente, a
Igreja é também um local de show de músicas clássicas.
Na Praça René Viviani, ao norte da Igreja,
encontra-se a árvore mais antiga de Paris, plantada, em 1602, por Jean Robin,
jardineiro-chefe dos reis Henrique III, Henrique IV e Luis XIII. Acredita-se
que traga sorte para aqueles que a tocam suavemente. É conhecida como a árvore
de bengala e árvore da sorte.
Transcrevo,
abaixo, um trecho da famosa “Carta de Paris”, feita pelo Professor Rosemberg ao
Dr. Tarantino, em 18 de junho de 1988, referente à Igreja.
“Ainda
temos tempo de ver Saint-Julian-le-Pauvre, Igreja gótica de interesse
histórico. Edificada em 1160, destaca-se pelos seus magníficos capitéis,
verdadeiros rendilhados de pedra. O interesse histórico é que aí se realizavam
as assembleias da Universidade de Paris; admiremos a bela e imensa poltrona,
creio de bronze, onde se sentava o Reitor. Esse ritual acabou no início de
1500, quando os estudantes enfurecidos com a eleição fraudulenta de um novo Reitor,
quebraram a cara do Magnífico, destruíram os móveis e o coro da Igreja. As
bandalheiras e safadezas universitárias têm tradição e os estudantes de hoje,
quando malham o reitor, não estão inovando nada”.
ana margarida furtado
arruda rosemberg
Fortaleza, 28/12/2021
REFERÊNCIAS
https://diretodeparis.com/saint-julien-le-pauvre/
https://fr.wikipedia.org/wiki/%C3%89glise_Saint-Julien-le-Pauvre_de_Paris
http://anamargarida-memorias.blogspot.com/2016/05/por-jose-rosemberg-carta-de-paris.html
https://en.m.wikipedia.org/wiki/Saint-Julien-le-Pauvre
https://en.m.wikipedia.org/wiki/Cluny_Abbey
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