Texto publicado no Jornal do Médico
https://jornaldomedico.com.br/2022/01/09/le-caveau-des-oubliettes-paris/
Le Caveau des Oubliettes, um pequeno bar situado ao lado
da Igreja Saint-Julien-le-Pauvre, no bairro de Saint-Michel, a poucos passos da
Catedral de Notre-Dame, em Paris, desafia o tempo.
Seu nome se refere à antiga prisão
medieval do século XII. Aqui, sob o reinado de Philippe Auguste, os ímpios eram
lançados e esquecidos. Ainda são preservados no local, bancos, correntes e
poços.
Esse pequeno bar, também conhecido
como “o bar da guilhotina”, durante a Revolução Francesa era um porão repleto
de prisioneiros que aguardavam a execução.
Transformado em cabaré no
alvorecer dos anos 1920, o Caveau des Oubliettes tornou-se um clube de
jazz, nos anos 1960, com grande parte de sua arquitetura medieval preservada.
Foi no passado lugar de sofrimento
e dor. Hoje, lugar de diversão, é um dos mais populares clubes de música ao
vivo (jazz, blues, funk, soul, world music) de Paris.
Transcrevo, abaixo, um trecho da famosa “Carta de Paris”, feita pelo Professor Rosemberg ao Dr. Tarantino, em 18 de junho de 1988, em que ele fala do Caveau des Obliettes.
“À noite,
atrás da Igreja de St. Julien, entremos num café cantante sui-gêneris, que fica
num subterrâneo uns 20 metros de profundidade. É o Caveau des Oubliettes
que foi prisão tétrica dos séculos 12 a 18. Luis XI, Carlos, o Belo, e até as
rainhas Ana d’Austria e Catarina de Medicis, tão sensível protetora das artes,
trancafiavam seus inimigos políticos e simples desafetos, nas masmorras
profundas desse Caveau, onde eram esquecidos e apodreciam. (daí o nome des
Oubliettes). Desçamos os desgastados degraus de pedra, tendo em cada lance
porta de ferro fechando lúgubres celas, até chegarmos num salão regurgitante de
espectadores. Mal sentamos e nos oferecem um cognac de 50 anos! O maître
jura pela sua autenticidade e fingimos que cremos. Enquanto degustamos essa
“raridade”, artistas de primeira plana executam danças populares medievais,
cantam, ao som de instrumentos, autênticos antigos madrigais renascentistas
nostálgicos. Por fim vem as “chansons pigalles” apimentadas, maliciosas,
eróticas e muito engraçadas. È impressionante pensar que o povo parisiense já
cantava essas canções licenciosas quando Estácio de Sá fundava a cidade de S.
Sebastião do Rio de Janeiro. Enfim, uma noitada mil furos superior a que
passaríamos no Moulin Rouge”.
ana margarida furtado
arruda rosemberg
Fortaleza, 7 de janeiro
de 2022
REFERÊNCIAS
http://expressoparis.com/le-caveau-des-oubliettes-o-bar-da-guilhotina/
http://anamargarida-memorias.blogspot.com/2016/05/por-jose-rosemberg-carta-de-paris.html
https://www.parisinfo.com/musee-monument-paris/239393/Le-Caveau-des-Oubliettes
https://www.caveau-des-oubliettes.com/histoire/
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