quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Yves Klein - Museu Georges Pompidou - Ana Margarida - 18 de junho 2013

 

Tradução da minha apresentação no Centro Georges Pompidou – Paris -18 de junho de 2012

Bom dia a todos!

Eu escolhi esse quadro porque eu acho que Yves Klein  fez uma coisa muito interessante  e muito importante. Esse quadro  se chama  “Monochrome bleu”. 

Ele fez muitos quadros como este. Eu acho que dez. Este é o três.  Monochrome bleu 3.

Antes, eu vou falar um pouco de sua vida, Yves  Klein,  e depois eu falarei desse quadro.  

Yves Klein nasceu  em  Nice, em 28 de abril de 1928, e morreu em Paris, em 10 junho de 1962. Ele morreu em consequência de uma terceira crise cardíaca com 34 anos. Eu acho que ele morreu por causa do tabaco, é verdade, porque ele fumava muito e o tabaco é perigoso para o coração. 

Apesar de uma carreira curta, ele é considerado um dos mais importantes protagonistas da vanguarda no pós-guerra. Ele é conhecido  pelo seu azul que ele mesmo  criou – o azul  de Yves Klein. 

Yves Klein, com o crítico de arte Pierre Restany, fundou, em 1960, o grupo dos “Novos Realistas”, por ocasião da primeira exposição coletiva de um grupo de artistas franceses e suíços na “Galeria Apolinaire” de Milão. 

Então, eu vou falar deste quadro.  Eu acho que esse quadro é enigmático. Quando o expectador olha esse quadro ele fica totalmente leve, ele pensa no céu, ele pensa no infinito, porque Yves Klein fez esse quadro numa época que havia muito consumismo e o azul para Yves Klein era azul espiritual. 

Naquela época, se a gente comprasse a gente existia, se a gente consumisse a gente existia. Yves Klein escolheu o outro lado, sem consumismo e, sim, espiritualidade. 

Para Yves Klein o azul era a cor da espiritualidade, porque era a cor do céu, do mar, do manto da Virgem Maria, na pintura católica. Ele fez uma coisa assim, como eu disse, porque ele não concordava com o consumismo daquela época. 

Para mim esse azul não é somente estético, ele é filosófico também. Foi por isso que eu escolhi porque eu sou contra o consumismo.

Hoje há muito consumismo. Quando o expectador olha, quando eu olho este quadro ele toca meu coração, porque eu sinto a calma, a paz, o sonho, a tranquilidade. Eu me sinto totalmente leve, eu penso no infinito e eu penso o mundo assim. 

É tudo. 

- Palmas...

Aluna : Obrigada pela atenção

Professor : Questões para tortura

Aluna : Essa cor é sua cor preferida?

Ana Margarida : Para mim, sim.

Aluna : Para mim, também

Aluna : inaudível

Ana Margarida : Ele criou esse azul. É único. 

Aluna : Há vários quadros com essa dimensão como este?

Ana Margarida : Há de diferentes tamanhos. Mas acho que como este são 10.

Professor : Há um teatro na Alemanha, em uma cidade, que todo o hall do teatro é decorado com esponjas com esse azul. Ele tinha muita relação com a Alemanha graça a sua mulher que era também artista... 

Ana Margarida : Ao nosso lado tem um Portrait de Armand com o azul para a eternidade. É diferente. Esse quadro é diferente porque só tem uma cor. Para mim isso é fantástico, é uma inovação, uma revolução.

Professor : não é uma revolução é o primeiro monocromo da história da arte. Em seguida foi utilizado por outros artistas com outras cores e outras razões

Aluna : inaudível

Ana Margarida : Ele nasceu em Nice ao lado do mar, e o mar é azul, o céu também. Eu acho que ele era fascinado pelo mar e pelo céu. Ele tinha uma parte espiritual também e o azul para ele era a cor espiritual. 

Professor : Ele fez uma pesquisa em muitas religiões e filosofia, e o azul, como disse a Ana, é uma coisa que faz viajar o espírito como quando se olha para o céu azul. Você á fez isso, quando criança na  relva no interior você esquece as coisas materiais  e você pensa em coisas espirituais. 

Ana Margarida : Há uma Catedral em Chartres com vitrais azuis. Azul de Chartres.

Professor : Você vê... nesse quadro há muita história, há muitas pessoas e muitas histórias. Olhe, isso faz parte também de uma filosofia oriental que passa pelo corpo quando é relaxado, em repouso, esquece a realidade para libertar o espírito...

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