Tradução da minha apresentação no Centro Georges Pompidou – Paris -18 de junho de 2012
Bom dia a todos!
Eu escolhi esse quadro porque eu acho que Yves Klein fez uma coisa muito interessante e muito importante. Esse quadro se chama “Monochrome bleu”.
Ele fez muitos quadros como este. Eu acho que dez. Este é o três. Monochrome bleu 3.
Antes, eu vou falar um pouco de sua vida, Yves Klein, e depois eu falarei desse quadro.
Yves Klein nasceu em Nice, em 28 de abril de 1928, e morreu em Paris, em 10 junho de 1962. Ele morreu em consequência de uma terceira crise cardíaca com 34 anos. Eu acho que ele morreu por causa do tabaco, é verdade, porque ele fumava muito e o tabaco é perigoso para o coração.
Apesar de uma carreira curta, ele é considerado um dos mais importantes protagonistas da vanguarda no pós-guerra. Ele é conhecido pelo seu azul que ele mesmo criou – o azul de Yves Klein.
Yves Klein, com o crítico de arte Pierre Restany, fundou, em 1960, o grupo dos “Novos Realistas”, por ocasião da primeira exposição coletiva de um grupo de artistas franceses e suíços na “Galeria Apolinaire” de Milão.
Então, eu vou falar deste quadro. Eu acho que esse quadro é enigmático. Quando o expectador olha esse quadro ele fica totalmente leve, ele pensa no céu, ele pensa no infinito, porque Yves Klein fez esse quadro numa época que havia muito consumismo e o azul para Yves Klein era azul espiritual.
Naquela época, se a gente comprasse a gente existia, se a gente consumisse a gente existia. Yves Klein escolheu o outro lado, sem consumismo e, sim, espiritualidade.
Para Yves Klein o azul era a cor da espiritualidade, porque era a cor do céu, do mar, do manto da Virgem Maria, na pintura católica. Ele fez uma coisa assim, como eu disse, porque ele não concordava com o consumismo daquela época.
Para mim esse azul não é somente estético, ele é filosófico também. Foi por isso que eu escolhi porque eu sou contra o consumismo.
Hoje há muito consumismo. Quando o expectador olha, quando eu olho este quadro ele toca meu coração, porque eu sinto a calma, a paz, o sonho, a tranquilidade. Eu me sinto totalmente leve, eu penso no infinito e eu penso o mundo assim.
É tudo.
- Palmas...
Aluna : Obrigada pela atenção
Professor : Questões para tortura
Aluna : Essa cor é sua cor preferida?
Ana Margarida : Para mim, sim.
Aluna : Para mim, também
Aluna : inaudível
Ana Margarida : Ele criou esse azul. É único.
Aluna : Há vários quadros com essa dimensão como este?
Ana Margarida : Há de diferentes tamanhos. Mas acho que como este são 10.
Professor : Há um teatro na Alemanha, em uma cidade, que todo o hall do teatro é decorado com esponjas com esse azul. Ele tinha muita relação com a Alemanha graça a sua mulher que era também artista...
Ana Margarida : Ao nosso lado tem um Portrait de Armand com o azul para a eternidade. É diferente. Esse quadro é diferente porque só tem uma cor. Para mim isso é fantástico, é uma inovação, uma revolução.
Professor : não é uma revolução é o primeiro monocromo da história da arte. Em seguida foi utilizado por outros artistas com outras cores e outras razões
Aluna : inaudível
Ana Margarida : Ele nasceu em Nice ao lado do mar, e o mar é azul, o céu também. Eu acho que ele era fascinado pelo mar e pelo céu. Ele tinha uma parte espiritual também e o azul para ele era a cor espiritual.
Professor : Ele fez uma pesquisa em muitas religiões e filosofia, e o azul, como disse a Ana, é uma coisa que faz viajar o espírito como quando se olha para o céu azul. Você á fez isso, quando criança na relva no interior você esquece as coisas materiais e você pensa em coisas espirituais.
Ana Margarida : Há uma Catedral em Chartres com vitrais azuis. Azul de Chartres.
Professor : Você vê... nesse quadro há muita história, há muitas pessoas e muitas histórias. Olhe, isso faz parte também de uma filosofia oriental que passa pelo corpo quando é relaxado, em repouso, esquece a realidade para libertar o espírito...
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