GOSTARIA DE SER NEGRA
Ontem, 17.01.2024,
fui à dermatologista aqui em Sampa.
Ela retirou um
basocelular no meu braço esquerdo e outro no rosto.
Já havia feito esse procedimento cirúrgico duas
vezes ao longo da vida.
A primeira vez, em 1973, quando era estudante de medicina, e surgiu no meu nariz
uma pequena lesão desse tipo; a segunda vez na década de 1990, quando retirei
um basocelular no antebraço direito - ainda tenho a cicatriz.
A conta da minha exagerada exposição ao sol, quando jovem, nas belas praias
alencarinas da “Loura Desposada do Sol”, não
para de chegar.
Ontem, retirei, também, três ceratoses seborreicas na coxa
direita, herança genética de meu pai.
Para completar,
retirei na testa um cisto sebáceo - foi o procedimento mais complicado – “esmeraldite”, disse a
dermatologista.
Comentamos sobre as
desvantagens da pele branca.
Falei: nós, os
sapiens, surgimos negros, na África, há
aproximadamente 300 mil anos, e, há
70 mil anos, segundo Yuval Harari, nos espalhamos pelos continentes.
Primeiramente no
Oriente Próximo e, em seguida, em toda a
Eurásia, Austrália e Oceania.
Os que chegaram ao
norte da Europa perderam a melanina para
se adaptarem a escassa radiação solar da região, tão necessária para a formação da vitamina D.
Ela falou das vantagens
da pele negra na sua especialidade.
Eu citei os belos
dentes dos negros e, ela, a fortaleza dos músculos.
Concluindo nosso colóquio, disse: se fosse nascer
novamente e pudesse escolher, escolheria
nascer negra. Ela sentenciou : eu também.
Segundo estudos científicos, há, aproximadamente, 22 a 28
mil anos, os genes mais associados à cor da pele clara nos europeus modernos se
originaram no Oriente Próximo e no Cáucaso.
Alguns estudos genéticos concluíram que a pigmentação da
pele mais clara começou a ficar mais comum, em algumas regiões europeias,
há cerca de 25 mil anos.
A descoberta
arqueológica do esqueleto de um
sapiens britânico, que viveu há 10 mil anos,
batizado de “ Homem de Cheddar “, mostra, pelo estudo do genoma, que ele tinha
a pele de escura a negra.
Essa descoberta de um grupo
de especialistas da Universitária
College de Londres ( UCL) e do Museu de
História Natural, no início do século
XX, no Sudoeste da Inglaterra,
evidencia que os primeiros britânicos
eram negros, tinham cabelos crespos e olhos azuis.
Conclusão:
Há muito pouco tempo surgiram os sapiens branquelos de
cabelos loiros e olhos claros.
ana margarida furtado arruda rosemberg
Sampa, 18.01.2024
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