domingo, 6 de fevereiro de 2022

POMPEIA RESSUSCITA SEUS ESCRAVIZADOS


Publicado no Jornal do Médico - novembro de 2021

 https://jornaldomedico.com.br/wp-content/uploads/RD-Novembro-2021-app.pdf


POMPEIA RESSUSCITA SEUS ESCRAVIZADOS


Quarto para escravos descoberto no dia 6 de novembro de 2021 em Pompeia. PARQUE ARQUEOLÓGICO DE POMPEYA / EFE

Fonte: https://brasil.elpais.com/cultura/2021-11-10/o-massacre-de-400-escravizados-que-define-o-mundo-romano.htm

 

Em seu livro Invisible Romans (2011), Robert C. Knapp, professor emérito de clássicos da Universidade da Califórnia, Berkeley, nos mostra que nós só conhecemos do Império Romano a vida dos imperadores, filósofos, senadores, enfim, dos poderosos.

 Knapp, em Invisible Romans, finalmente, ilumina os habitantes invisíveis de Roma, como: trabalhadores, donas de casa, prostitutas, libertos, escravizados, soldados, gladiadores, bandidos, ao mostrar que os privilégios da elite romana se devem a labuta desses cidadãos.   

Moses Finley (1912-1986), historiador americano radicado na Inglaterra, especialista na economia do mundo greco-romano, definiu a Antiguidade como uma sociedade de escravizados, em que milhões de pessoas eram obrigadas a trabalhar exaustivamente, sem nenhum poder sobre seus destinos, correndo riscos de serem vendidas, maltratadas e assassinadas.

O estudo da vida dos escravizados na Roma Antiga é limitado, pois quase não há restos materiais dessas pessoas. Porém, a descoberta de um quarto que, certamente, era ocupado por escravos, na Vila de Civita Giuliana, em Pompeia, feita por uma equipe de arqueólogos e anunciada no dia 6 de novembro de 2021, iluminou essa questão.

O jornal “El País”, de 10 de novembro de 2021, divulgou a descoberta com uma matéria cujo título é: “O massacre de 400 escravizados que define o mundo romano - A descoberta de um quarto em uma vila de Pompeia revela as condições de vida de seres humanos que eram tratados como gado”.

Ainda em escavação, o quarto descoberto é um espaço de 16 metros quadrados com três camas e alguns objetos, com apenas uma pequena janela na parte superior. O estudo dos objetos permitirá desvendar melhor a vida cotidiana desses escravizados que tanto contribuíram para a economia daquela sociedade.

Segundo Finley, houve apenas cinco genuínas sociedades escravistas, duas delas na Antiguidade: Grécia e Roma. As outras três nos: Estados Unidos, Caribe e Brasil.  Finley, com suas pesquisas nos idos de 1950, lançou luz sobre a profunda injustiça do mundo romano.  

Jerry Toner, bolsista de Clássicos no Churchill College, Cambridge, especialista em história social e cultural romana escreveu em “Popular Culture in Ancient Rome” que a vida de um escravo não era muito diferente da de um animal doméstico. Era uma vida de trabalho duro, surras e comida escassa, além de abusos sexuais.  

Pompeia, ao ser sepultada pela erupção do Vesúvio, no dia 24 de gosto do ano 79 da era cristã, caiu no esquecimento, mas não morreu. O Vesúvio, morada preferida de Baco, sepultando-a, preservou-a para a posteridade. Pompeia ficou adormecida quase dois mil anos, quando, em 1748, começou a ser ressuscitada com as escavações arqueológicas e reconstituições que ainda prosseguem até os dias atuais.

No início do século XX, houve escavações parciais na Vila Civita Giuliana, que fica a cerca de 700 m a noroeste das paredes da Antiga Pompeia. Atualmente, as escavações foram retomadas e trazem à luz o setor produtivo-servil de uma grande Villa. Certamente, as escavações irão ressuscitar os escravizados de Pompeia.  

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Fortaleza, 15 de novembro de 2021.

REFERÊNCIAS                                                                        

https://brasil.elpais.com/cultura/2021-11-10/o-massacre-de-400-escravizados-que-define-o-mundo-romano.html

http://anamargarida-memorias.blogspot.com/2012/01/pompeia.html

https://pt.wikipedia.org/wiki/Pompeia

https://pt.wikipedia.org/wiki/Moses_Finley

https://en.wikipedia.org/wiki/Robert_Knapp_(classicist)

http://pompeiisites.org/en/press-kit-en/the-excavations-of-civita-giuliana/

 

 

 

 


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