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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

POMPÉIA





Era o dia 24, do mês de Agosto, do ano 79 da era cristã.
O sol banhava a bela, rica e pacata cidadezinha da Itália, situada na Campânia, província de Nápoles, edificada sobre um alto platô de origem vulcânica.
As plantações de hortaliça e os vinhedos perdiam-se de vista ao norte do platô, graças ao Vesúvio que tornava aquelas terras férteis.
O rio Sarno, ao sul do Platô, cuja nascente brotava do monte Torremonte, seguia seu curso tranqüilo, naquela manhã, para desaguar no golfo de Nápoles.
Pompéia era uma cidade próspera e rica!
Rica por sua cultura, por seu clima ameno, seu ar perfumado, seu céu de profundo e intenso azul e por sua posição geográfica privilegiada aos pés do Vesúvio, que dominando a região erguia-se imponente e soberbo.
Pompéia era uma cidade majestosa!
Seu templo de Júpiter, de Apolo, dos deuses Lares, a Cúria, o Auditório e seu Anfiteatro distribuíam-se em grandes espaços. Seu Teatro, seus Ginásios e suas Termas demonstravam ser habitada por uma sociedade culta e ciosa do cuidado corporal. Seu Fórum era imenso e causava impacto a todos que o adentravam. Os edifícios Judiciários, a Basílica, o Eumáquia, todos ao sul, contrastavam em beleza com os Templos e os Arcos de Triunfo ao norte. Uma praça resplandecente em seu calçamento branco e suas estátuas que ornamentavam seu pórtico em dupla colunata fascinava.  O Fórum era também um recanto de lazer com uma colina ensombrada por belos arvoredos donde se descortinava uma visão espetacular da cidade e da paisagem bucólica de seus campos floridos e dourados pelo sol da Campânia. 
Pompéia era uma cidade bela!
Lá, a sociedade romana construiu vivendas luxuosas para desfrutar suas férias de verão.
Nas casas combinavam-se elementos romanos, como o átrio, e helenísticos como o peristilo (galeria de colunas), em torno do jardim.  As residências continham numerosas pinturas datadas desde o século II a.C. A casa de Jasão com sua pintura grega e a casa dos vícios com sua pintura ilusionista eram exemplos dos estilos usados na época. As fachadas de Pompéia reproduziam cenas do cotidiano, ao lado dos seus mosaicos, dos móveis, dos objetos de arte.
Aquedutos levavam-lhe água e a cidade era abastecida através de encanamentos subterrâneos de chumbo. Próximo à porta do Vesúvio, seu trecho mais elevado, erguia-se o Castellum Aquae que supria as fontes das ruas e das residências.
 Pompéia era uma cidade pacifica!
 Para os moradores de Pompéia, o Vesúvio parecia ser a morada de Baco (deus do vinho), das festas e da prosperidade. Por isso, foram pegos de surpresa naquele 24 de Agosto.
Enquanto os deuses dormiam, o Vesúvio acordou naquela manhã, de seu sono milenar, por volta das 10 horas, revelando-se assustador e mortal. Produziu uma terrível erupção que destruiu e soterrou todas as cidades construídas na região. Dentre elas: Oplonte, Herculano e Pompéia.
Tomando por base os relatos de Plínio, o jovem, podemos imaginar o inferno que se abateu sobre Pompéia com a erupção do vulcão.
 Naquela manhã fatídica, as pessoas acordaram, como em todos os outros dias, sem se darem conta de que aquele seria o último de suas vidas e de Pompéia. Muitas crianças brincavam com seus cachorros, os velhos conversavam no fórum, homens trabalhavam, negociantes vendiam seus produtos, mulheres preparavam a refeição, outras pariam, pessoas oravam nos templos e outras se divertiam nas termas, durante o banho.
A cidade estava viva, feliz e palpitava!
 De repente uma violenta explosão inicial lançou aos ares o tampão de lava solidificada que obstruía a cratera do Vesúvio, seguida de outra, formando uma coluna eruptiva em forma de cogumelo, de 20 Km de altura, composta de cinzas, gases e pedras-pomes. Os dejetos lançados pela cratera fizeram com que a nuvem de fumaça caísse levada por um forte vento em direção de Pompéia que foi mortalmente golpeada por uma intensa chuva de lapilli (pequenas pedras vulcânicas), cinzas e pedras-pomes que durou ininterruptamente até a manhã do dia seguinte.
Diante do estrondo violento e dos tremores de terra os pompeianos deixaram suas casas aturdidos e perceberam a nuvem negra, medonha e assustadora, elevando-se do Vesúvio e crescendo com rapidez espantosa; a montanha rugindo e sibilando e uma violenta e torrencial chuva de lapilli que se abateu sobre a cidade.
O pavor se apoderou da população!
Alguns voltaram para o interior de suas casas em busca de abrigo. Outros abandonaram a cidade em uma fuga desesperada. As crianças choravam, os cachorros latiam, as pessoas gritavam completamente aterrorizadas. A nuvem colossal se expandiu rapidamente e vencida pelo próprio peso começou a baixar sobre Pompéia.
O dia se fez noite!
 A chuva de lapilli era constante, clarões assustadores emergiam da montanha. Uma chuva de cinzas incandescentes caiu sobre a cidade. A despeito da escuridão, da chuva de pedras-pomes e cinzas que caia muitos permaneceram em suas casas. Outros apavorados com a intensa chuva, o calor insuportável, os abalos sísmicos e o barulho de casas desabando reuniram seus pertences e fugiram espremidos pelas ruas apertadas e golpeadas pelas pedras. Edifícios desabaram com os violentos tremores. Devido à escuridão as pessoas fugiram às cegas, atropelavam-se, caiam e eram pisoteadas no leito de cinzas escaldantes. As cinzas queimavam os olhos, a pele, as roupas e a fumaça as sufocava. Muitos tombaram mortos, nas ruas. Os que se trancaram em suas casas quando tentaram fugir estavam presos, pois as cinzas bloquearam as portas. Morreram aprisionados, sufocados pelos gases letais e soterrados pelas cinzas, pois os telhados das casas não resistiram e desabaram.
 A cidade mergulhou totalmente numa escuridão terrível provocada pela poeira atmosférica lançada do vulcão, obstruindo a luz do sol.  Os efeitos da violenta chuva de gás e cinzas em alta temperatura (nuvem piroclásticapiroclásticas precedentes e soterrou a cidade completamente. A nuvem avançou pelo mar, envolveu a ilha de Capri e roubou a visão do Promontório de Misena. Nesse momento, Plínio, o velho, morreu na praia de Stábia sufocado com os gases tóxicos. Ele havia ido, em socorro da população, comandando a frota que zarpou de Misena, mas não conseguiu chegar até Pompéia por causa dos maremotos.
Plínio, o jovem, seu sobrinho que tinha ficado em Misena com sua mãe, tudo testemunhou da vizinha cidade que graças aos ventos e aos deuses, foi poupada.
É difícil imaginar que alguém tenha sobrevivido à tamanha catástrofe em Pompéia. Dois mil corpos foram encontrados intramuros, mas certamente milhares de pessoas morreram nos campos, em fugas, seja pelos gases letais, a chuva de cinzas ardentes e as pedras lançadas da cratera.
Alguns dias após a erupção, Pompéia e o vale do Sarno apareceram transformados. Uma paisagem desoladora era o que restava dos campos floridos e ensombrados por árvores frondosas, dos vinhedos, das plantações e da majestosa cidade. Uma enorme camada branca cobria tudo. O mar havia recuado, o rio Sarno, obliterado pelos detritos vulcânicos, lutava para reencontrar seu curso em direção ao mar. A cidade estava coberta por uma camada vulcânica de 6 metros de espessura.
Pompéia caiu no esquecimento, porém não morreu!
O Vesúvio, morada preferida de Baco,  sepultando-a, preservou-a para a posteridade.
Pompéia ficou adormecida quase dois mil anos, quando em 1748 começou a ser ressuscitada com as escavações arqueológicas e reconstituições que ainda prosseguem.        
Tal como está, Pompéia é a mais empolgante evocação da antiguidade constituindo um retrato fiel do que foi a vida naquela época.
Depois de ressuscitada, compreendemos porque era Pompéia a “Pérola da Campânia”.
     
                                                      Ana Margarida Arruda Rosemberg                                  
                                                        São Paulo, 24 de agosto de 2003.

                                                                        

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