Publicado no Jornal do médico.
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https://jornaldomedico.com.br/2022/02/madeleine-bres-a-primeira-medica-francesa/
MADELEINE BRÈS (1842-1921)
Madeleine Brès nasceu em 26 de
novembro de 1842, em Bouillargues-França, e faleceu em 30 de novembro de 1921,
em Montrouge-França. Aos doze anos, foi com sua família para Paris. Com quinze
casou-se com Adrien-Stéphane Brès.
Em 1861, os diplomas franceses foram abertos às
mulheres. Sonhando em ser médica, Madeleine precisou obter o consentimento do
marido, para cursar a faculdade.
Em 1866, ao apresentar-se ao Decano da Faculdade
de Medicina de Paris, Charles Adolphe Wurtz, pedindo permissão para estudar
medicina, teve a aceitação de Wurtz com a condição de obter primeiro uma
licenciatura em Artes e Ciências.
Conquistando
a licenciatura, após três anos de estudo, Madeleine conseguiu o direito de
cursar o curso de medicina. Mesmo assim, a decisão do reitor foi mal recebida
na comunidade médica.
O
Dr. Henri Montanier escreveu, em 1868, na Gazeta do Hospital, que:
“para fazer uma mulher médica, é preciso fazê-la perder sua sensibilidade, sua
timidez, sua modéstia, endurecendo-a diante das coisas mais horríveis e
aterrorizantes. Quando a mulher chegar a isso, eu me pergunto, o que ela
terá como mulher?”
Em
1869, Madeleine tinha 27 anos, era mãe de três filhos, quando, finalmente,
iniciou seus estudos de medicina.
Com a Guerra Franco-Prussiana (19 de julho de 1870 - 10 de maio de 1871), houve a saída de um
bom número de médicos para o front. Madeleine foi nomeada como estagiária
provisória, até julho de 1871, obtendo grande experiência.
Viúva e mãe solteira de três filhos, decidiu ser
pediatra. Ela preparou sua tese sobre o tema da mama e lactação,
apresentando-a em 3 de junho de 1875. Recebeu honras em sua tese e tornou-se a
primeira mulher francesa doutora em medicina.
Tecnicamente, Madeleine não foi a primeira mulher a obter
um doutorado em medicina na França: a inglesa Elizabeth Garrett Anderson o
fizera cinco anos antes. Mas foi a primeira francesa a conquistá-lo.
Durante sua carreira, trabalhou como professora de
higiene e lecionou para diretores de creches em Paris. Madeleine liderou a
revista Higiene de la Mujer y el Niño e foi autora de vários
livros sobre cuidados infantis. Na Suíça, estudou organização e operação
de creches.
Madeleine faleceu pobre, aos 79 anos, deixando um grande
legado para a pediatria e as portas da Faculdade de Medicina de Paris abertas
para as futuras médicas francesas.
ana margarida furtado arruda rosemberg
Fortaleza,18 de fevereiro de 2022
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