Publicado no JM
https://jornaldomedico.com.br/2022/12/hermafrodito/
Reza
a mitologia grega que Hermafrodito, fruto do romance adúltero entre Hermes,
deus mensageiro, e Afrodite, deusa do amor, herdou, além da beleza de sua mãe,
a fusão dos nomes de seus pais.
Criado
no monte Ida (Troade) pelas ninfas das florestas de Frígia, tornou-se um jovem
de uma beleza exuberante. Com 15 anos, partiu para descobrir o mundo e seus
passos levaram-no à Ásia Menor.
Um
dia, quando estava em Caria, descobriu uma bela fonte perto de Halicarnasso e
resolveu banha-se. A ninfa Salmacis, a náiade da fonte, apaixonou-se por ele. Sem
conter sua louca paixão, ela o abraçou, mas foi rejeitada. Inconsolada, Salmacis implorou a Zeus que
unisse seus corpos para sempre. Seu desejo foi atendido e os dois se tornam um
único ser, bissexual, masculino e feminino, dotado de ambos os sexos.
O
mito de hermafrodito retrata a experiência de sermos, ao mesmo tempo, masculino
e feminino, inteiros e completos; representa as polaridades dos opostos dentro
de uma personalidade. A partir do nascimento, todos esses opostos lutam dentro
de nós e moldam a nossa personalidade.
Em “Metamorfoses”, Ovidio
(43 a.C. 18 d.C.), poeta latino, descreve:
“Linda criança, ela disse
a ele, eu acredito que você é um mortal? você é deus Se fores, sem dúvida vejo
o Amor, ou, se é a um mortal que deves o dia, ah! como sua mãe está feliz! que
feliz seu irmão e sua irmã, se você tem uma irmã! feliz de novo a enfermeira
que te deu o peito! mas feliz acima de tudo, e mil vezes feliz aquele a quem o
casamento tornou seu companheiro, ou aquele que você achará digno desta
felicidade! Se a sua escolha já está feita, ao menos permita que um pequeno
furto seja o preço da minha chama; e se sua mão ainda puder se entregar, oh!
deixe-me ser sua esposa e realizar todos os meus desejos!” (Metamorfoses IV,
310)
No Louvre-Paris há uma bela escultura do século II
d.C., “Hermaphrodite endormi” – “Hermafrodito dormindo”. Em 1619, Bernini esculpiu
o colchão sobre o qual o mármore antigo é colocado. Há outra versão, em Roma,
“Hermafrodito Borghese” cópia romana de uma estátua helenística restaurada, em
1619, por Bernini a pedido do Cardeal Borghese.
ana margarida furtado
arruda rosemberg
Fortaleza, 9 de dezembro de 2022

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