sábado, 1 de outubro de 2022

ACADEMIA NACIONAL DE MEDICINA - PARIS

 https://jornaldomedico.com.br/2022/09/jm-academia-nacional-de-medicina-paris/


A Academia Nacional de Medicina (ANM), erudita sociedade médica francesa fundada em 1820, está localizada no número 16 da rue Bonaparte, no 6º arrondissement de Paris.
A ANM, criada para responder às solicitações governamentais em relação à saúde pública, é herdeira da Real Academia de Cirurgia, fundada, em 1731, por Luís XV e da Real Sociedade de Medicina, fundada, em 1778, sob Luís XVI.

De acordo com seus estatutos, a missão da ANM é responder às solicitações governamentais sobre as questões relativas à saúde pública e contribuir para o progresso da arte de curar.

A Academia é composta por: membros titulares, membros correspondentes, membros associados e membros honorários. Eles são divididos em quatro divisões: 1ª divisão: medicina e especialidades médicas; 2ª divisão: cirurgia e especialidades cirúrgicas; 3ª divisão: ciências biológicas e farmacêuticas; 4ª divisão: saúde pública. Os membros são eleitos pelo colégio de membros titulares e membros titulares eméritos. A eleição dos membros titulares é aprovada por decreto do Presidente da República.

Atualmente, a ANM é composta por 135 membros titulares; 160 membros correspondentes; 180 membros estrangeiros (associados e correspondentes) e membros honorários. Desde a sua criação, a Academia teve onze membros nacionais ganhadores do Prêmio Nobel.

Ao longo de sua história, a ANM publicou vários títulos de periódicos.

1)    Memórias da Academia de Medicina

Em 1828, a jovem Academia de Medicina publicou “Memórias da Academia de Medicina”, acolhendo memórias escritas por membros da Academia, bem como por acadêmicos estrangeiros ou mesmo por vencedores de prêmios oferecidos pela Academia. As Memórias foram extintas, em 1911, com seu 42º volume.

2)    Boletim da Academia de Medicina

Em 1836, a Academia criou o “Boletim da Academia de Medicina”, com a finalidade de registrar as sessões acadêmicas e oferecer obras ou extratos de obras, relatórios de debates, correspondências, obituários etc. O referido Boletim ainda existe sob o título de “Bulletin de l'Académie Nationale de Médecine” e oferece uma média de nove edições por ano. É o principal ponto de acesso a qualquer pesquisa sobre a história da Academia, seus debates e suas orientações.

 

3)    Relatórios sobre as vacinas realizadas na França

A instituição “Comitê Central de Vacinas”, absorvida pela Academia, registra relatórios sobre vacinação, relatórios sobre revacinações praticadas na França e nas colônias francesas. Além do relatório geral e sintético, eles incluem numerosos quadros estatísticos, bem como relatórios e observações dedicados a assuntos ou regiões.

 

4)    Catálogo de gravuras, obras de arte e objetos

O catálogo é um extrato do banco de imagens e retratos da Biblioteca. Em forma de banco iconográfico, este catálogo lista todo o patrimônio artístico e iconográfico mantido pela Biblioteca da Academia. Há uma coleção de cerca de 8.000 retratos de médicos e acadêmicos de todos os países e de todos os tempos, composta por cerca de 4.500 gravuras e 3.500 fotografias. A Biblioteca da Academia deve a maior parte desta coleção única na França à paixão de um médico de Lyon, Jean-Marie-Placide Munaret (1805-1877).

 

Nas “Jornadas do Patrimônio Europeu”, a Academia Nacional de Medicina abre as suas portas para os parisienses e turistas.

 

ana margarida furtado arruda rosemberg
Paris 17.09.2022

Referências

https://gallica.bnf.fr/edit/und/bibliotheque-de-lacademie-nationale-de-medecine

https://bibliotheque.academie-medecine.fr/publications/

https://fam.fr/l-academie-de-medecine/

http://www.academie-medecine.fr/


quarta-feira, 21 de setembro de 2022

AS QUATRO DEUSAS FAMAS DA PONTE ALEXANDRE III

Postado no Jornal do Médico. Link, abaixo.

https://jornaldomedico.com.br/2022/09/as-quatro-deusas-famas-da-ponte-alexandre-iii-paris/ 

 AS QUATRO “DEUSAS FAMAS” DA PONTE ALEXANDRE III – PARIS

Em Paris, a “Ponte Alexandre III” é a mais bela das 37 pontes e passarelas que atravessam o rio Sena em seu percurso de 13 km pela cidade-luz.

A referida ponte ostenta, além de esculturas de ninfas, cupidos e leões, quatro imponentes esculturas de mulheres aladas, em bronze dourado. São estátuas alegóricas que trazem o mesmo tema: o cavalo alado Pégaso (da mitologia grega) sendo retido pela deusa Fama (Renommée em francês).

As esculturas estão localizadas nas extremidades da ponte em pilares monumentais de 17 metros de altura. Elas retratam a “Fama” das:  Guerra (França sobre Louis XIV), Combate (França Renascentista), Artes (França de Carlos Magno) e Ciências (França Moderna).  

“Fama” (mitologia romana) ou “Pheme” (mitologia grega) é uma deusa filha de Gaia (terra) e irmã de Saturno. Ela tem duas trombetas: a curta (dedicada à fofoca) e a longa (dedicada à fama).

Foi espalhando boatos que a deusa Fama garantiu que Dido soubesse da partida de Enéias. Ela, também, foi usada pela deusa Vênus, que queria se vingar dos habitantes de Ilha Lemnos, por terem abandonado o seu culto, quando ela traiu Vulcano com Marte. Através da deusa Fama, Vênus espalhou falsos rumores às mulheres de Lemnos e conseguiu desencadear uma batalha entre homens e mulheres da Ilha.

Por outro lado, a deusa Fama torna os heróis imortais reverenciando sempre suas memórias.

Fama deu lugar à figura dos anjos, da tradição judaico-cristã, que são seres alados, protetores e portadores das mensagens de Deus.

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Paris, 8 de outubro de 2022


HOSPITAL PITIÉ-SALPÊTRIÈRE DE PARIS

Postado no Jornal do Médico. Link, abaixo.

https://jornaldomedico.com.br/2022/09/hospital-pitie-salpetriere-de-paris/ 


HOSPITAL PITIÉ-SALPÊTRIÈRE DE PARIS

O “Pitié-Salpêtrière” é um hospital parisiense de assistência pública, localizado no 13º arrondissement da cidade. É o maior hospital de Paris, com seus 90 prédios distribuídos em 33 hectares. São 77 serviços agrupados em 10 áreas, incluindo emergências. Quase todas as patologias são tratadas lá.

A origem do “Salpètrière” remonta ao século XVII, quando, em 1656, o rei Louis XIV mandou construir um hospital para confinar mendigos e mulheres loucas. O local escolhido foi uma fábrica de pólvora para munição, salitre (salpêtre).  Daí vem o nome “Salpêtrière”. Como fez nos “Invalides”, Louis XIV mandou, também, construir uma capela dedicada a São Luiz, uma das joias do “Salpêtrière”.

Em 1612, rainha Marie de Médicis construiu o hospício “Notre-Dame de la Pitiè”, no local de uma quadra de tênis em desuso. Neste local, hoje, fica a “Grande Mesquita de Paris”. O hospício foi erguido para prender mendigos, filhos de mendigos e órfãos. Em 1657, passou a ser dependente do “Salpêtrière”. Em 1911, novos edifícios do “Pitié” foram instalados ao lado do “Salpêtrière”. Em 1964, houve a fusão dos dois.

Curiosidades: Entre 1663 e 1673, Louis XIV enviou mais de 770 jovens francesas para o Quebec, a fim de contribuírem com a colonização da “Nova França”. Elas foram chamadas de "As Filhas do Rei". 240 delas estavam confinadas no “Salpêtrière”. Isso fez do “Salpêtrière” um local de concentração, repressão e detenção de mulheres.

Em 1789, quando eclodiu a Revolução Francesa, o hospital Salpêtrière,  o maior hospício do mundo, abrigava dez mil pessoas, e não tinha propriamente função médica: seus pacientes eram enviados para o “Hôtel-Dieu”.

 Durante a Revolução, nos dias 3 e 4 de setembro de 1792, cenas sangrentas aconteceram no Salpêtrière, onde os indigentes loucos estavam amontoados.

Em 1795, o dr. Philippe Pinel (1745-1826) revolucionou o hospital defendendo o fim do espancamento e do acorrentamento das prisioneiras.

De 1882 a 1892, a “Escola de Salpêtrière”, liderada por Jean-Martin Charcot (1825-1893), foi, com a Escola de Nancy, uma das duas grandes escolas da "idade de ouro" da hipnose na França. Charcot, o pai da neurologia, foi também imortalizado em uma obra de Arte de André Brouillet (1857-1914), “Une leçon clinique à la Salpêtrière”.

Seu trabalho sobre hipnose e histeria, na “École de la Salpêtrière”, inspirou tanto Pierre Janet em seus estudos de psicopatologia quanto Sigmund Freud, no que diz respeito à invenção da psicanálise.

No final do século XIX, organizava-se anualmente um famoso baile no hospício Salpêtrière: o baile para as loucas, assim como um baile para as crianças epilépticas.

O maior hospital de Paris é repleto de história.

 Em 1976, vários edifícios do Salpêtrière foram classificados monumentos históricos, como:  a capela, o pavilhão de entrada, a antiga força, a rouparia, a farmácia, entre outros. Esses edifícios, construídos pelo Rei-Sol para esconder a pobreza de Paris, hoje tratamas mazelas dos parisienses.

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Paris, 15 de setembro de 2022


terça-feira, 6 de setembro de 2022

PRIMÓRDIOS DA CARDIOLOGIA CEARENSE


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PARIS CIDADE VERDE

 Publicado no Jornal do Médico. Link, abaixo.

https://jornaldomedico.com.br/2022/09/paris-cidade-verde/



PARIS CIDADE VERDE

Paris é conhecida como a cidade-luz. 

Outros adjetivos cabem bem nesta cidade, como: cidade-verde, cidade-jardim, cidade-museu, cidade-monumento e cidade-história, entre outros.

Os espaços verdes parisienses atraem milhões de visitantes, contribuem para a qualidade de vida dos citadinos, contam a história da cidade e ilustram a evolução dos usos e da estética paisagística ao longo dos séculos. 

Os referidos espaços são locais de passeio, relaxamento, encontro, tranquilidade, liberdade e descoberta de que a biodiversidade, a qualidade do ambiente e a paisagem devem ser preservadas.

Além dos famosos bosques: “Bois de Boulogne” e “Bois de Vincennes”, há incontáveis jardins, squares e parques, de todos os tamanhos e gostos, espalhados pela cidade.

São 530 mantidos pela Prefeitura e mais de 3.000 espaços abertos. 

Os mais famosos são: “Jardin du Tuileries”, “Jardin du Luxembourg”, “Jardin des Plantes” e “Jardin du Palais Royal”, “Parc de Bagatelle”, “Parc de Belleville”, “Parc de Bercy”, “Parc de la Villette”, “Parc des Buttes Chaumont”, “Parc du Champ de Mars”, “Parc Floral de Paris”, “Parc Montsouris”, “Parc Monceau”,  “Square de la place Dauphine”, “Square de la Tour Saint-Jacques”, “Square des arènes de Lutèce”, “Square du docteur Calmette”, “Square du docteur Grancher”, “Square du quai de la Seine”, “Square du Vert Galant” (meu cantinho preferido em Paris).

Como bem definiu Rosemberg: “Paris é a sinfonia, as outras são variações do tema.”

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Paris, 30 de agosto de 2022

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

CAVERNA DE LASCAUX – ÚTERO DA ARTE PICTÓRICA (Texto 1)

Publicago no JM

https://jornaldomedico.com.br/2022/08/caverna-de-lascaux-utero-da-arte-pictorica/ 

Foto - Daniel Cojocaru - 20.08.2022

A “Caverna de Lascaux”, apelidada de "Capela Sistina da arte parietal, está localizada na comuna francesa de Montignac-Lascaux, região da Dordonha, Sudoeste da França. É uma das cavernas mais importantes do Paleolítico Superior pelo número e pela qualidade estética das suas pinturas. Sua idade é estimada em, aproximadamente, 20.000 anos.

A descoberta da caverna ocorreu em 8/09/1940, pelo jovem, Marcel Ravidat, durante uma caminhada em Montignac, com o seu cão Robô. Ao perseguir um coelho que se refugiou num buraco, o cão de Marcel o levou até a entrada da gruta. Marcel jogou uma pedra e percebeu a profundidade do buraco. Quatro dias depois, ele voltou com três amigos, abriram a entrada e desceram na gruta. Depois da fantástica descoberta a gruta começou a atrair turistas.

Em 1963, como o CO2 da respiração dos turistas estava estragando as pinturas, o governo francês resolveu fechar a gruta. As pinturas foram restauradas com êxito e, uma réplica parcial, Lascaux II, foi construída para os turistas. Iniciada em 1972, Lascaux II foi inaugurada em 1983.

Em 2012, foi construída a “Lascaux III”, uma reprodução parcial da caverna original, projetada para ser móvel, itinerante. A exposição foi projetada para viajar ao redor do mundo.

Em 2016, foi inaugurada outra réplica, Lascaux IV (Centro Internacional de Arte Parietal). Apresentando alta tecnologia, Lascaux IV é, entre outras coisas, um fac-símile completo de todas as partes decoradas da caverna (salão dos touros, divertículo axial, passagem, poço, abside e nave).

O que nos diz essas pinturas? São várias as teorias para explicar o que os nossos ancestrais queriam transmitir com as representações dos mais diversos tipos de animais da região. Só existe uma pintura retratando um homem que parece estar ferido.

Picasso, ao visitar Lascaux, em 1940, disse: "Nós não criamos nada, eles criaram tudo".

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Paris, 25 de agosto de 2022

 

sexta-feira, 26 de agosto de 2022

O JARDIM DAS TULHERIAS

Publicado no Jornal do Médico, link abaixo.

https://jornaldomedico.com.br/2022/08/o-jardim-das-tulherias-paris/ 


O Jardim das Tulherias (Jardin des Tuileries) é um jardim parisiense que fica no 1º arrondissement, entre o Museu do Louvre e a "Place de la Concorde". Seu nome vem das fábricas de telhas que ficavam no local, onde a rainha Catarina de Médici mandou construir, em 1564, o Palácio das Tulherias.

A partir de 1664, o jardineiro do rei Louis XIV, André Le Nôtre, que estava famoso por ter projetado o jardim do "Château de Vaux-le-Vicomte", reformou o Jardim das Tulherias dando-lhe a aparência atual.

Durante a Revolução Francesa, o referido jardim foi palco de grandes acontecimentos. A “bacia redonda” foi usada para a cerimônia do “Ser Supremo” em 8/06/1794, com Maximilien de Robespierre, numa apoteose de gritos e aplausos. Em 10 de outubro, nesta mesma bacia (piscina) foi colocado o caixão de Jean-Jacques Rousseau (Exumado de Ermenonville para ser levado ao Panteão), coberto com um lençol salpicado de estrelas.

Atualmente, as estátuas de Maillol, de artistas famoso, além de esculturas modernas, propiciam aos visitantes um passeio repleto de arte, cultura, história e beleza. As duas “bacias” (piscinas) com cadeiras são propícias ao relaxamento dos turistas e parisienses.

O "Musée de l'Orangerie", com as pinturas (Nymphéas de Monet), está localizado a sudoeste das Tulherias e a oeste a "Galerie du Jeu de Paume", que abriga exposições de arte contemporânea.

Há quase 20 anos, todos os anos, durante os meses de julho e agosto, com exceção dos últimos dois anos por causa da Pandemia da Covid-19, acontece no Jardim das Tulherias o famoso “Festival das Tulherias”, um parque de diversões para adultos e crianças com 60 atrações.

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Paris, 17/08/202

quarta-feira, 17 de agosto de 2022

MONTMARTRE - PARIS

Publicado no Jornal do Médico. Link, abaixo.

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Montmartre, localizado em uma colina, no 18º arrondissement, dominado pela “Basílica de Sacré-Coeur”, é um dos bairros turísticos mais visitados de Paris. Conhecido por suas ladeiras íngremes, ruas estreitas e longas escadarias, Montmartre se encrava no ponto mais alto de Paris (Butte Montmartre). Além da “Basílica do Sagrado Coração” (Sacré-Coeur), há a histórica “Igreja de Saint-Pierre de Montmartre”, fundada no século VI.

A etimologia da palavra “Montmartre” gera controvérsias. Há duas versões: uma ligada ao “Monte de Marte”, um templo dedicado a Marte (deus da guerra) contíguo a um templo dedicado a Mercúrio (deus do comércio), que existiu no local da atual igreja de Saint-Pierre. A outra versão, "Monte dos Mártires", pois Saint Denis foi decapitado lá com outros dois correligionários. A substituição toponímica da denominação pagã pela denominação cristã permanece, no entanto, hipotética e a dupla etimologia (“Monte de Marte” e “Monte dos Mártires”) ainda é proposta atualmente.

Em 1133, os monges beneditinos, que administravam a região, passaram a cultivar uvas para produção de vinho. Até hoje, existe um magnífico vinhedo nas suas encostas. Foi em Montmartre que, em 15/07/1534, Inácio de Loyola e amigos fundaram a Companhia de Jesus.

 Em 1860, Montmartre, que até então era uma comuna, foi em grande parte ligada à Paris e transformou-se num local de encontro de artistas e intelectuais, como: Picasso, Degas, Cézanne, Monet, Van Gogh, Toulouse-Lautrec e Modigliani, entre outros. A partir de então, Montmartre tornou-se símbolo de uma vida boêmia. Hoje, a famosa "Place du Tertre" e as ruas laterais são repletas de artistas, turistas, lojas, vendedores ambulantes, restaurantes, galerias de arte e museus. 

Em 18/03/1871, a “Comuna de Paris” foi desencadeada em Montmartre quando Adolphe Thiers e seu governo quiseram retomar os 227 canhões de Montmartre. Paris se levantou e proclamou a Comuna, a última grande insurreição da tradição revolucionária francesa.

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Paris, 11 de agosto de 2022

 


quarta-feira, 10 de agosto de 2022

O JARDIM DO PALAIS ROYAL

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                                         O Jardim do Palais-Royal


O jardim do Palais-Royal, no 1º arrondissement de Paris, a poucos passos do Museu do Louvre, é um refúgio de paz que une lugares de poder e prazer, há mais de quatro séculos. O jardim é visitado por poucos turistas por estar escondido no meio de vários edifícios governamentais e culturais, como: Ministério da Cultura e Comunicação, Comédie Française e Théâtre du Palais-Royal.

Obra do Cardeal Richelieu (1585-1642) para adornar o seu palácio, o jardim foi criado, por Pierre Desgotz, o jardineiro do rei. O “Palais-cardinal”, residência de Richelieu, primeiro-ministro de Louis XIII (1601-1643), por sua suntuosidade despertou ciúmes do monarca, que habitava no Louvre. Richelieu legou sua residência a Luís XIII para contornar os ciúmes do rei. Após sua morte, o Palais Royal foi moradia da família real, por breve tempo.

Palco de um momento histórico da “Revolução Francesa”, foi no “Café de Foy”, 57 a 60, galerie Montpensier, uma das galerias desse jardim, que, em 12 de julho de 1789, Camille Desmoulins, um jovem advogado de 29 anos, ativista do clube Cordeliers, proferiu um discurso conclamando o povo a pegar em armas para derrubar a monarquia.

Este jovem advogado gago de repente se viu tomado por uma explosão de coragem e subiu em um banco com uma arma em cada mão no terraço do referido café e bradou: “Nos resta apenas um recurso, que é correr para as armas e tomar os cocares para nos reconhecer”. O verde da esperança foi escolhido primeiro e depois na noite de 13 para 14 de julho, são escolhidas as três cores azul-branco-vermelho, o branco da nação, no meio das duas cores reais.

Nos séculos XIX e XX, o jardim tornou-se repleto de cafés, restaurantes, antiquários e designers de arte e moda. Entretanto, as gigantescas obras de 1780 permanecem incólumes.

Em 1985, foi instalada a “fonte-escultura”, 14 esferas de aço, que refletem as colunas do palácio, uma obra do artista belga Pol Bury. Em 1986, foram instaladas Les Deux Plateaux (Colunas de Buren), uma polêmica obra de arte que atrai turistas.

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Paris, 27 de junho de 2022

terça-feira, 26 de julho de 2022

A IGREJA DE SAINT-MÉDART EM PARIS

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https://jornaldomedico.com.br/2022/07/a-igreja-de-saint-medard-em-paris/


A Igreja de Saint-Médard (Église de Saint-Médard), localizada no número 141 da rue Mouffetard, na margem esquerda do Sena, é a igreja paroquial dos fiéis de parte do 5º arrondissement.

No século IX, após as invasões normandas, uma capela dedicada a São Médard (Saint-Médard) foi construída ao longo de uma estrada romana que ia de Lutèce a Lyon.

A atual igreja foi construída a partir de meados do século XV ao século XVIII.

Em 27.12.1561, houve o primeiro tumulto da história de Saint-Médard: o clero da igreja tocou seus sinos velozmente e perturbou o culto de huguenotes, que estava sendo realizado em um prédio próximo.  Como consequência, houve uma batalha campal na igreja; o segundo tumulto foi na década de 1720, no cemitério da igreja, hoje uma praça ao lado da mesma. Os convulsionários revigoraram a querela jansenista e apavoraram o clero e o poder régio.

Até a Revolução Francesa, o bairro da Igreja de Saint-Médard tinha o nome de Faubourg Saint-Marceau.  Várias igrejas neste bairro desapareceram completamente durante a turbulência revolucionária e com as transformações de Paris sob o Segundo Império.

Durante a Revolução, o clero da igreja prestou juramento à “Constituição Civil do Clero”. Em novembro de 1793, o culto foi abolido e a igreja fechada sendo devolvida ao clero em 1795.

No século XIX, participaram da vida da paróquia, entre outros, a Irmã Rosalie Rendu (1786-1856), chefe da casa das Filhas da Caridade São Vicente de Paulo, na rue de l'Épée-de-Bois. A Irmã Rosalie, beatificada pelo Papa João Paulo II em 2003, foi reconhecida pela sua devoção aos doentes, aos pobres e aos revolucionários de julho de 1830 e fevereiro de 1848.

Monumento histórico em 1906, a Igreja de Saint-Médard tem alguns vestígios de vitrais renascentistas, incluindo um belo telhado de vidro axial. Há também uma boa quantidade de obras de arte, incluindo pinturas do século XVI ao XIX. A complexa abóbada do seu ambulatório fará as delícias de quem aprecia a arquitetura religiosa.

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Paris, 21 de julho de 2022

 

 

domingo, 17 de julho de 2022

A LIVRARIA PARISIENSE SHAKESPEARE AND COMPANY

 


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https://jornaldomedico.com.br/2022/07/a-livraria-parisiense-shakespeare-and-company/

A livraria “Shakespeare and Company” está localizada no 37, rue de la Bûcherie, no 5º arrondissement de Paris, pertinho da Catedral de Notre-Dame.

Especializada em literatura inglesa, funciona também como biblioteca e serve de refúgio para viajantes (“tumbleweeds”), que são acomodados em troca de algumas horas de trabalho diário.

O nome “Shakespeare and Company” foi o de uma livraria anterior, fundada e dirigida pela americana Sylvia Beach e que funcionou em dois endereços diferentes: no 8, rue Dupuytren (de 1919 a 1921); no 12, rue de l'Odéon (de maio de 1921 a 1941).

Durante o período entre guerras, a livraria era o centro da cultura anglo-americana, em Paris. Foi visitada por autores pertencentes à "Geração Perdida", como Ernest Hemingway, Ezra Pound, F. Scott Fitzgerald, Gertrude Stein e James Joyce.

Hemingway cita a livraria em seu livro autobiográfico “Paris é uma festa”, publicado em 1965, que nos faz mergulhar na vida do escritor na década de 1920, quando ele morou em Paris.

O livro “Ulysses” de James Joyce foi publicado integralmente, em 1922,  pela livraria “Sheakespeare and Company”,  com estrondoso sucesso. “Ulysses” foi lançado pela primeira vez como um seriado na revista americana “The Little Review”, entre março de 1918 e dezembro de 1920, antes de ser publicado em Paris pela referida livraria. Logo que foi publicado nos Estados Unidos, “Ulysses” suscitou polêmica, principalmente com a denúncia apresentada pela “New York Society for the Suppression of Vice”, considerando o livro obsceno. Por esta razão, o livro ficou proibido nos Estados Unidos até 1934.

A primeira “Shakespeare and Company” foi fechada em dezembro de 1941, devido à ocupação alemã durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1951, outra livraria de língua inglesa foi aberta, em Paris, pelo americano George Whitman, sob o nome de “Le Mistral”, no 37, rue de la Bûcherie. A loja rapidamente se tornou um centro de cultura literária. Em 1964, o nome desta segunda livraria foi alterado para “Shakespeare and Company”, no 400º aniversário do nascimento de William Shakespeare e em homenagem à livraria Sylvia Beach, que ele admirava.

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Paris, 15 de julho de 2022

terça-feira, 12 de julho de 2022

Vincent Van Gogh no Museu d’Orsay – Paris

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https://jornaldomedico.com.br/2022/07/vincent-van-gogh-no-museu-dorsay-paris/ 

No Museu d’Orsay, em Paris, Vincent Van Gogh (1853-1890) se moveu do térreo para uma sala do 5º andar, quase o sótão da antiga estação, com as seguintes telas:  dois autorretratos; o quarto em Arles; dois buquês de flores de diferentes épocas que combinam perfeitamente; o retrato do dr. Gachet, um médico psiquiatra que cuidou de Van Gogh na fase mais aguda da sua doença e, também, a mais criativa; o jardim do dr. Gachet, a estonteante “Noite Estrelada”, que atrai os visitantes do museu e inspira emoções e canções; a “Igreja de Auvers-sur-Oise”, cidadezinha onde Van Gogh viveu seu último ano de vida.  A visita é uma imperdível viagem na arte desse gênio da pintura.  

La Nuit étoilée (Noite Estrelada), também conhecida como “Noite Estrelada sobre o rio Ródono”, um óleo sobre tela, de 73,0 x 92,0 cm, pintada em 1888, é estonteante. Quando Van Gogh chegou a Arles, em fevereiro de 1888, ele já pensava em representar na tela os efeitos noturnos. Em abril de 1888, escreveu a seu irmão Theo: "Preciso de uma noite estrelada com ciprestes ou, talvez, sobre um campo de trigo maduro".

Em junho, ele confidenciou ao pintor Emile Bernard: "Mas quando farei o Céu Estrelado, esta pintura que sempre me preocupa" e, em setembro, em carta à irmã, evoca o mesmo assunto: "Muitas vezes me parece que a noite é ainda mais ricamente colorida do que o dia". Neste mesmo mês de setembro, ele finalmente realiza seu projeto assombroso.

Van Gogh pintou pela primeira vez um canto do céu noturno, quando estava em Arles, em: “O Terraço de um Café na Place du Forum”. Depois, ele pintou a “Noite Estrelada sobre o rio Ródano” com as cores magníficas que ele percebeu no escuro. Há o predomínio dos tons azuis; os tons laranjas vemos nas luzes de gás da cidade refletidas na água e nas estrelas brilhando como pedras preciosas.

Poucos meses depois, quando acabava de ser internado, Van Gogh pintou outra versão do mesmo tema: o Starry Sky (Nova York, MoMA), no qual se expressa toda a violência de sua mente perturbada, com as árvores em forma de chamas e estrelas girando, dando uma visão cósmica.

Na tela, La Nuit étoilée, do Museu d’Orsay, a presença de um casal apaixonado evidencia uma atmosfera de paz, bem diferente da tela pintada quando esteve hospitalizado em Saint-Rémy. Em uma carta para o irmão Théo, Van Gogh descreveu a tela “Noite Estrelada sobre o rio Ródano”:

“Incluí um pequeno esboço de uma tela quadrada de 30, o céu estrelado finalmente é pintado à noite, mesmo sob um lampião de gaz. O céu é azul verde, a água é azul real e o chão é malva. A cidade é azul e violeta e a luz do lampião é amarela com reflexos dourados, descendo até o bronze esverdeado. Sobre o campo azul esverdeado do céu a ursa maior tem uma cintilação verde rosa, cuja palidez discreta contrasta com o dourado do brutal lampião. Duas figuras de namorados estão no primeiro plano... eu não ficaria surpreso se você gostasse da Noite Estrelada, é mais calma do que outras telas... se o trabalho andasse sempre assim eu teria menos inquietações com dinheiro, pois as pessoas veriam mais facilmente que a técnica continua a ser cada vez mais harmoniosa. Mas este maldito mistral é bem incômodo para eu dar pinceladas que se portem bem e se entrelacem com sentimento... me faz bem fazer qualquer coisa difícil, mas isso não muda de forma alguma a minha imensa necessidade de religião, então saio para o ar livre da noite e pinto as estrelas, sonhando sempre com a imagem de um grupo de figuras simpáticas e animadas.”

ana margarida furtado arruda rosemberg

Paris, 7 de julho de 2022


segunda-feira, 4 de julho de 2022

O JARDIM DE LUXEMBURGO - PARIS

Publicado no Jornal do Médico

 https://jornaldomedico.com.br/2022/07/o-jardim-de-luxemburgo-paris/

foto:  ana margarida furtado arruda rosemberg  - junho de 2022

O Jardim de Luxemburgo, um jardim parisiense localizado no 6º arrondissement, na margem esquerda do rio Sena, foi criado, em 1612, por Marie de Médicis (1575-1642), viúva de Henrique IV (1563-1610).

O jardim foi criado para o palácio, “Palais Médicis”, cujo nome não vingou e deu lugar ao nome atual, “Palais du Luxembourg” e “Jardin du Luxembourg”, herdados do nome, François de Piney-Luxembourg, dono da antiga mansão particular que lá havia.

Abrangendo uma área de 25 hectares, o jardim é dividido em uma parte de estilo francês e uma parte de estilo inglês. Entre os dois estende-se uma floresta geométrica e um grande lago. Há também um pomar, um apiário para aprender sobre apicultura, estufas com uma coleção de orquídeas de tirar o fôlego e um jardim de rosas. O jardim tem 106 estátuas espalhadas pelo parque, a monumental “Fontaine Médicis”, “l’Orangerie” e “Le Pavillon Davioud”. Há muitas atividades para as crianças, como: fantoches, carrosséis, escorregas etc.

Parisienses ou turistas jogam xadrez, tênis, bridge ou o barco com controle remoto. A programação cultural é marcada por exposições gratuitas de fotografias nos portões do jardim e por concertos no coreto.

A história do Jardim e do Palácio começa no início do século XVII. O bairro que se estendia no sopé da montanha de “Sainte-Geneviève” era pouco povoado e composto principalmente por seminários, conventos, colégios e mansões, incluindo a do Duque de Piney-Luxembourg.

Quando Marie de Médicis decidiu deixar o Palácio do Louvre, ela pensou nesta propriedade onde o jovem Luís XIII, seu filho, aprendeu a caçar.  Os oito hectares de terra que cercavam a residência permitiriam que ela construísse um vasto jardim florentino com o qual sonhava.

O palácio, inspirado no Palácio Pitti, em Florença, foi decorado por artistas italianos, franceses e flamengos. Em 1622, Pierre Paul Rubens (1577-1640) foi contratado pela Marie de Médicis para pintar vinte e quatro gravuras, retratando os principais episódios de sua vida. Apenas treze foram feitas e, atualmente, estão no Museu do Louvre-Paris, no segundo piso da Ala Richelieu.

Durante a Revolução Francesa, o jardim foi abandonado e o palácio foi transformado em prisão. Danton, Desmoulins, Fabre d'Églantine, David, entre oitocentos outros, lá estiveram detidos. Hoje, o antigo palácio é sede do senado da França. O Jardim de Luxemburgo, um verdadeiro oásis no centro de Paris, já foi frequentado por Sartre, Simone de Beauvoir, Ernest Hemingway, entre outros escritores e filósofos franceses.

ana margarida furtado arruda rosemberg

Paris, 29 de junho de 2022