Publicado no Jornal do Médico. Link, abaixo
https://jornaldomedico.com.br/2022/08/o-jardim-do-palais-royal/
O Jardim do Palais-Royal
O
jardim do Palais-Royal, no 1º arrondissement de Paris, a poucos passos
do Museu do Louvre, é um refúgio de paz que une lugares de poder e prazer, há
mais de quatro séculos. O jardim é visitado por poucos turistas por estar
escondido no meio de vários edifícios governamentais e culturais, como: Ministério
da Cultura e Comunicação, Comédie Française e Théâtre du
Palais-Royal.
Obra
do Cardeal Richelieu (1585-1642) para adornar o seu palácio, o jardim foi
criado, por Pierre Desgotz, o jardineiro do rei. O “Palais-cardinal”,
residência de Richelieu, primeiro-ministro de Louis XIII (1601-1643), por sua
suntuosidade despertou ciúmes do monarca, que habitava no Louvre. Richelieu
legou sua residência a Luís XIII para contornar os ciúmes do rei. Após sua
morte, o Palais Royal foi moradia da família real, por breve tempo.
Palco
de um momento histórico da “Revolução Francesa”, foi no “Café de Foy”, 57 a
60, galerie Montpensier, uma das galerias desse jardim, que, em 12 de julho
de 1789, Camille Desmoulins, um jovem advogado de 29 anos, ativista do clube Cordeliers,
proferiu um discurso conclamando o povo a pegar em armas para derrubar a
monarquia.
Este
jovem advogado gago de repente se viu tomado por uma explosão de coragem e
subiu em um banco com uma arma em cada mão no terraço do referido café e
bradou: “Nos resta apenas um recurso, que é correr para as armas e tomar os
cocares para nos reconhecer”. O verde da esperança foi escolhido primeiro e
depois na noite de 13 para 14 de julho, são escolhidas as três cores
azul-branco-vermelho, o branco da nação, no meio das duas cores reais.
Nos
séculos XIX e XX, o jardim tornou-se repleto de cafés, restaurantes,
antiquários e designers de arte e moda. Entretanto, as gigantescas obras de
1780 permanecem incólumes.
Em
1985, foi instalada a “fonte-escultura”,
14 esferas de aço, que refletem as colunas do palácio, uma obra do artista
belga Pol Bury. Em 1986, foram instaladas Les Deux Plateaux
(Colunas de Buren), uma polêmica obra de arte que atrai turistas.
ana margarida furtado
arruda rosemberg
Paris, 27 de junho de 2022

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