OS BANGALÔS DO SANATÓRIO DE
MESSEJANA NO CEARÁ
No ano de 1933, foi inaugurado o
“Sanatório de Messejana”, que mais tarde passou a ser chamado Hospital de
Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes.
Naquela época, ainda não existiam
antibióticos eficazes contra a tuberculose, e os pacientes eram tratados com
repouso, ar puro e exposição ao sol. Por isso, o hospital foi construído em uma
área afastada de Fortaleza, cercada por jardins e bosques, seguindo modelos
europeus de sanatórios, com bangalôs isolados para abrigar os pacientes
tuberculosos.
Distribuídos em meio a áreas
arborizadas e bem ventiladas, esses pequenos pavilhões permitiam que os doentes
permanecessem em contato constante com o ar livre e a luz solar, considerados
essenciais para o tratamento. Além de proporcionar um ambiente mais tranquilo e
saudável, a separação entre os bangalôs ajudava a reduzir o risco de
transmissão da tuberculose entre os pacientes.
A concepção desses espaços foi
inspirada nos modelos de sanatórios europeus, especialmente os da Suíça,
Alemanha e França, que, desde o final do século XIX, defendiam a chamada “cura
sanatorial”. Esses estabelecimentos eram geralmente construídos em locais
elevados, cercados pela natureza e dotados de amplas varandas para a exposição
dos pacientes ao sol e ao ar puro.
O “Sanatório de Messejana” incorporou
esses princípios arquitetônicos e terapêuticos, adaptando-os às condições
climáticas do Ceará. Assim, seus bangalôs tornaram-se um símbolo da luta contra
a tuberculose e um marco importante na história da pneumologia cearense,
refletindo a influência da medicina europeia na organização dos serviços de
saúde brasileiros da época.
Uma figura importante nessa história
foi o médico Lineu de Queiroz Jucá, um dos fundadores da instituição e pioneiro
no combate às doenças respiratórias no Ceará. A pneumologia cearense surgiu da
batalha contra a tuberculose e ajudou a transformar o Ceará em um dos polos
mais importantes do Brasil no tratamento de doenças pulmonares.
Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg
Paris, 30 de maio de 2026


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