domingo, 12 de julho de 2020

8 - APRECIAÇÃO CRÍTICA DE UMA OBRA DE ARTE - A MULHER BARBUDA - JOSÉ DE RIBERA

Texto publicado no Blog do Jornal do Médico - 12.7.2020
Link para o Jornal do Médico
apreciação de uma obra de arte - a mulher barbuda - José de Ribera



8 – APRECIAÇÃO CRÍTICA DE UMA OBRA DE ARTE –  A Mulher Barbuda (1631) – José de Ribera (1591-1652)

Por ana margarida furtado arruda rosemberg            

Fortaleza, 9 de julho de 2020

A pintura “Magdalena Ventura com seu marido e seu filho”, também conhecida como “A Mulher Barbuda”, 1631, de José de Ribera, é um óleo sobre tela, 196 x 127 cm. Pertence ao Museu da Fundação Lerma, Hospital de Tavera (Toledo- Espanha).
José de Ribera, conhecido como Giusepe de Ribera e apelidado de Lo Spagnoletto, nasceu em Xátiva-Espanha, em 1591, e faleceu em Nápoles-Itália, em 1652. Foi um gravurista e pintor tenebrista espanhol do século XVII. Muito jovem, Ribera mudou-se para a Itália. Em Roma, ele pintou uma primeira série dos “Cinco Sentidos”. Em 1616, com 25 anos, foi para Nápoles. Ribera, visto como um pintor brilhante, era protegido do vice-rei espanhol, o duque de Osuna, para quem pintou vários quadros, mantidos na Igreja Colegiada de Osuna, perto de Sevilha; Conviveu  com muitos artista, inclusive Diego Vélasquez; Sofreu influencia de Caravaggio, expressada em suas pinturas através do tenebrismo. Ribera casou-se com Catalina de Azzolini, filha do pintor Giovanni Azzilini, com quem teve cinco filhos.
A tela “A Mulher Barbuda” retrata Magdalena Ventura, 52 anos, uma napolitana portadora de hirsutismo (aumento de andrógenos pelas supra-renais e ovários). Trata-se de um registro magistral em obra de arte, encomendado a Ribera pelo Duque de Alcalá, vice-rei de Nápoles. No primeiro plano, vemos Magdalena com um espesso bigode e densa barba negra, amamentando seu filho, com sua volumosa mama. Há relatos que os pêlos surgiram quando Magdalena tinha 37 anos. Ela teve três filhos antes da doença e quatro depois. Ao seu lado, em segundo plano, vemos seu segundo marido, Felici de Amici, com um olhar triste e conformado. O quadro, de rara beleza espantosa, prende o olhar pela pincelada forte e pela visão insólita. O claro escuro da pintura denuncia a influência de Caravaggio na obra de Ribera. As personagens surgem da escuridão, com a luz incidindo sobre as mesmas. A pincelada é rigorosa e não há pormenor que seja ignorado, como a pedra onde se lê: “Eis aqui um grande milagre da natureza”.




segunda-feira, 6 de julho de 2020

POR GILMÁRIO MOURÃO TEIXEIRA - Trilogia do Jaguaribe


Gilmário Mourão Teixeira - foto de dezembro de 2018
A "Trilogia do Jaguaribe" é composta por três textos referentes as falas pronunciadas por Dr. Gilmário Mourão Teixeira em três datas históricas.

O primeiro texto se refere ao pronunciamento feito na noite de 4 de janeiro de 2000, em reunião realizada no Clube Caiçaras, Rio de Janeiro, por ocasião das festividades de seu aniversário de 80 anos.


O segundo texto se refere ao pronunciamento feito no dia 26 de dezembro de 2009, em Fortaleza, por ocasião das festividades de seu aniversário de 90 anos.
 

O terceiro texto, inacabado, subdividido em dois, é referente aos 100 anos de vida.


Dr. Gilmário Mourão Teixeira - trilogia do Jaguaribe - texto 1


Dr. Gilmário Mourão Teixeira - trilogia do Jaguaribe - texto 2

Dr. Gilmário Mourão Teixeira - Trilogia do Jaguaribe - texto 3 - parte 1


Dr. Gilmario Mourão Teixeira - trilogia do Jaguaribe - texto 3 - parte 2







sexta-feira, 26 de junho de 2020

A ORIGEM DAS EPIDEMIAS





Fotos: Homo rudolfensis (África Oriental); Homo erectus (Ásia Oriental); e Homo neanderthalensis (Europa e Ásia Ocidental).    Nossos irmãos, de acordo com reconstruções especulativas.    Fonte: Livro Sapiens de Yuval Noah Hariri
Demais fotos: Fonte – Internet

 Publicado no Jornal do Médico 25 de junho de 2020

 


A ORIGEM DAS EPIDEMIAS                                                                                                           
            Os humanos surgiram há cerca de 2,5 milhões de anos, na África Oriental, a partir dos Australopithecus, um gênero anterior de primatas. 

Por volta de 2 milhões de anos atrás, alguns desses seres se aventuraram em vastas áreas do Norte da África, da Europa e da Ásia.  Os humanos da Europa e da Ásia Ocidental deram origem ao Homo neanderthalensis (neandertais). 

Os humanos das outras regiões da Ásia originaram o Homo erectus, que sobreviveu por quase 1,5 milhão de anos, sendo a espécie humana de maior duração. 

Segundo o historiador Yuval Noah Harari, em seu livro Sapiens, dificilmente a nossa espécie quebrará esse recorde. 

Na Ilha de Java, na Indonésia, viveu o Homo SoloensisEm Denisova, na Sibéria, viveu o Homo denisova. Muitas outras espécies viveram em cavernas e ilhas.

Enquanto esses humanos evoluíam na Europa e na Ásia, a evolução na África Oriental continuou nutrindo novas espécies, como: Homo rudolfensis, Homo ergaster, e, finalmente, nossa espécie: Homo sapiens. Foi, portanto, na África que surgimos há cerca de 200 mil anos.


Segundo Harari, é uma falácia conceber essas espécies em uma linha reta de descendência. A verdade é que de 2 milhões de anos a 10 mil anos trás, o mundo foi habitado por várias espécies humanas ao mesmo tempo. 

Há 100 mil anos existiam pelo menos seis espécies humanas diferentes. Apenas a nossa espécie, Homo sapiens, sobreviveu. Como já dito, surgimos há 200 mil anos, na África Oriental. 

Há cerca de 70 mil anos, nos espalhamos na Península Arábica e território da Eurásia, começamos a dominar o resto do planeta terra e extinguimos as demais espécies humanas. 


Inicialmente, éramos nômades e nos alimentávamos de caça, pesca, raízes e frutos. Por estarmos expostos aos traumas, morríamos facilmente. 

Quando nos espalhamos pelo norte da África e Eurásia nos concentramos em algumas regiões como: a Mesopotâmia, entre os rios Tigres e Eufrates; o Egito, ao longo do rio Nilo; a China, no Vale do rio Amarelo e no Vale do rio Indo.

  Os microrganismos causam doenças em nossa espécie, desde que surgimos na África. Segundo Stefan Cunha Ujvari, em seu livro “A História da Humanidade Contada pelos Vírus”, a tuberculose humana, que até pouco tempo acreditava-se ter surgido com a domesticação do gado, surgiu há milhares de anos. 

Os cientistas diziam que a tuberculose do gado, causada pelo Mycobacterium bovis, dera origem a tuberculose humana, causada pelo Mycobacterium tuberculosis

Apesar dessa hipótese ter sido plausível durante muito tempo, caiu por terra com os estudos de materiais genéticos do bacilo da tuberculose de pessoas mortas há milênios. 

Segundo os referidos estudos, um ancestral bacteriano deu, primeiro, origem ao M. tuberculosis.  O M. bovis foi o último a surgir na escala evolucionária. Assim, já havia humanos com tuberculose antes da domesticação do gado. 

Cientistas encontraram em múmias egípcias o DNA do bacilo da tuberculose. 

A peste branca (tuberculose) já atingia os egípcios desde a unificação do Alto e Baixo Egito e esteve presente em todo o período da história do Egito, em surtos epidêmicos.

Os piolhos nos acompanham desde os primórdios de nossa história. Através do estudo do genoma dos mesmos, verificou-se que existem piolhos específicos aos macacos e aos humanos. Ambos evoluíram de um ancestral comum que viveu há cerca de cinco milhões e meio de anos. 

O tifo, doença transmitida pelo piolho, foi devastador para os seres humanos e responsável por várias epidemias ao longo da história. 

Durante o segundo ano da Guerra do Peloponeso, em 430 a.C., a cidade-estado de Atenas, na Grécia Antiga, foi atingida por uma epidemia dizimadora, conhecida como a “Peste de Atenas”, ou “Peste do Egito”, que matou, entre outros, Péricles e seus dois filhos. 

Muitos historiadores acreditavam que o tifo teria sido a causa dessa epidemia. Atualmente, estudos genéticos da bactéria encontrada em dentes das ossadas dos soldados atenienses mostram que foi a febre tifóide. 

Entre as causas responsáveis pela derrota de Napoleão e sua Grande Armée na invasão da Rússia, em 1812, está o tifo, ao lado do frio e da fome.

Quando, há 10 mil anos, nossa espécie se fixou para iniciar a agricultura e domesticar os animais, as doenças proliferaram com mais intensidade e surgiram grandes epidemias. 

Ao mesmo tempo que existiam os agricultores, existiam os pastores, que domesticaram animais como: aves, porcos, gado, cavalos, cachorros e gatos.  

O contato com esses animais, principalmente aves e porcos, nos legou muitas doenças. 

A gripe é uma das doenças que as aves nos transmitiram. Já o resfriado, vem do cavalo.  

As epidemias de gripe e varíola surgiram há milênios. Existem relatos de epidemias na era romana. 

A varíola já foi identificada em múmias egípcias.  Epidemias de malária surgiram há dez mil anos. 

O desenvolvimento da agricultura propiciou as condições para que o mosquito Anopheles, que transmite o parasita plasmódio, causador da malária, se propagasse.

No momento em que começamos a estocar grãos, como o trigo, o rato proliferou, disseminando suas doenças. 

A peste bubônica, conhecida como peste negra, transmitida pela pulga do rato, dizimou 1/3 da população da Europa, em meados do século XIV.

Os europeus introduziram várias doenças em toda América, dizimando milhares de nativos. 

No Brasil, os portugueses trouxeram a gripe, a varíola e a tuberculose, entre outras enfermidades.

Segundo Ujvari, o HIV, vírus causador da epidemia da AIDS, estava presente nos chimpanzés que habitavam os países: Camarões e Gabão, na África. 

Esses macacos contaminaram os sapiens através de escoriações e ferimentos quando, após serem vítimas de caçadores e terem seus corpos destrinchados e suas carnes ensacadas para serem vendidas nos mercados, o vírus penetrou em seus organismos.

O HIV, presente em mais de trinta espécies de primatas, na África, começou a contaminar os Sapiens por volta de 1930.  

No organismo humano, o vírus conseguiu alcançar as secreções genitais e, assim, atingir outros humanos por relações sexuais. 

A doença foi se espalhando lentamente até ser desmascarada em 1980. 

Entretanto, o agente causal, batizado de HIV (vírus da imunodeficiência humana,) só foi identificado, em 1983, por dois grupos de pesquisas independentes liderados por Robert Gallo e Luc Montagnier.

Na atual pandemia da Covid-19, graças ao avanço da ciência, o genoma do vírus SARS-CoV-2 (coronavírus) foi decifrado poucos dias após os primeiros casos terem surgido na China, na cidade de Wuhan, em dezembro de 2019. 

Os Sapiens sempre conviveram com as doenças. Só a cooperação e a solidariedade entre os povos serão capazes de fazer a humanidade enfrentar e vencer as epidemias.
                                   
ana margarida furtado arruda rosemberg
                                                  Fortaleza, 19.06.2020


ATO FORA BOLSONARO - pela vida, pela saúde, pelo SUS e pela Democracia



quarta-feira, 17 de junho de 2020

MÉDICOS E MÉDICAS PELA DEMOCRACIA NO CEARÁ INDIGNADOS COM O GOVERNO BOLSONARO


Aos Médicos e Médicas cearenses
      *"Navegar é preciso"
                F. Pessoa*
O Dr. Flávio Leitão, médico Neurologista, membro do Coletivo Médicos pela Democracia e da Academia Cearense de Letras, faz uma exortação ao Coletivo Rebento, em Carta enviada a Sérgio Pessoa, um dos seus idealizadores. A Associação Brasileira de Médicas e Médicos pela Democracia do Ceará, ao reconhecer a justeza e profundidade politica desta Carta, resolveu compartilhá-la com todos os médicos e médicas cearenses, por seu conteúdo democrático e forte apelo contra as atitudes neofascistas do atual Presidente da República, Jair Bolsonaro.
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FLAVIO LEITÃO OK!
1- Meu caríssimo Sérgio Pessoa, você deu ao seu velho colega de 81 anos de vida, dos quais 56 dedicados à profissão que tão dignamente você exerce e defende com bravura, uma grande alegria.
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MANOEL FONSECA OK
2 - Tenho visto, constrangido e com profunda tristeza, desde a ascensão do aspirante a ditador fascista à Presidência do nosso inestimável País, o estranho fato de colegas de grandes qualidades morais, de invejável ciência, muitos dos quais com espírito de clara religiosidade, porque cidadãos de assistência às missas aos domingos e participantes da comunhão dos fiéis, defenderem com um pensamento religioso, como dizem os psicanalistas, o desgoverno do Sr. Jair Messias Bolsonaro.
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Fatima Dourado
3 - Realmente, como cristão, não encontro subsídios para defender um Presidente que, em comício no Norte do País, em campanha eleitoral, usando uma muleta como se fora uma metralhadora, dizer em alto e bom som: mataremos mais de 10 mil petralhas!
**********ANGELA UCHOA OK!
4 - Fere meu instinto religioso defender um Presidente que dirigindo-se à sua colega deputada diz: você não merece ser estuprada, porque você é feia!
**********ANA MARGARIDA OK
5 - Enoja-se minh’alma quando, horrorizado, vejo esse mesmo Presidente, em entrevista pública, afirmar: sou sim, a favor da tortura!
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ACINET ROCHA
6 - Só um ser abjeto como seu ídolo - o Coronel Ustra, tem estômago para, tendo uma mulher manietada e despida sob seu controle, ser capaz de beliscar-lhe os mamilos, na frente de seu filho menor. Desconheço hediondez maior.
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Helena Serra Azul
7 - Entristece-me o desprezo e a indiferença de Sua Exa ao sentimento dos milhares de brasileiros que perderam seus entes queridos nessa terrível pandemia que, inexplicavelmente tenta desconhecer.
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José Maria Pontes
8 - Envergonha-me ver como seu primeiro ato na Presidência, a liberação do uso de arma de fogo.
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Tais
9 - Surpreende-me sua ojeriza, pela excelsitude e fascínio do gênero feminino.
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POLICARPO Ok
10 - Estranha-me profundamente um ser humano dizer-se cristão e ter, em todas suas atitudes, até o presente momento, demonstrado ser portador de um ódio ingente contra seus opositores, a ponto de a Imprensa ter denunciado um “escritório do ódio”, junto ao seu Gabinete.
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João Ananias OK!
11 -  Lamento sua postura calhorda, bem como a de seus Ministros, demonstrada numa reunião ministerial, supostamente com a finalidade defender os interesses maiores da Pátria, esbanjar-se em terminologia chula, esquecendo o sofrimento das famílias de milhares de brasileiros mortos pelo Covid 19, limitando-se à defesa de seus familiares que estariam acossados pela Polícia Federal.
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AlEX OK!
12 - Temos, como cidadãos e cristãos, a obrigação de descobrimos uma maneira de combatermos a instigação ao ódio emanada do Planalto, discutindo sem maniqueísmo político doentio, sob a égide do amor, do desprendimento, do interesse coletivo, uma fórmula de fazer a Pátria retornar à alegria de sermos todos irmãos, com pensamentos diferentes, com manifestações legítimas contrárias, mas com uma aspiração única: a volta do País à sua supremacia e tranquilidade social.
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FLAVIO LEITÃO OK!
13 - Seu desabafo contra as diatribes do Sr. Presidente desse sofrido País, foi legítima e fruto da revolta, por ver a nossa Medicina tão mal dirigida do ponto de vista Federal. Receba o meu abraço, o meu conforto à sua justa indignação e creia-me seu amigo e admirador: Flávio Leitão.
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terça-feira, 2 de junho de 2020

O QUE FAZER NA QUARENTENA DA COVID - 19 - JORNAL DO MÉDICO












O QUE FAZER NA QUARENTENA DA COVID-19

Quarentena.  S. f. 1. Período de 40 dias. 2. Espaço de tempo (originariamente 40 dias) durante o qual os passageiros procedentes de países onde há doenças contagiosas graves são obrigados à incomunicabilidade a bordo dos navios ou em um lazareto. 3. Porção, ou número, de quarenta coisas. 4. Bras. Abstinência sexual.
                                                                                       Dicionário Aurélio Buarque de Holanda

          Em tempos de pandemia, quarentena, isolamento, distanciamento social e lockdown estão no nosso dia a dia como armas para conter a rápida propagação do agente causal da Covid-19, o vírus Sars-Cov-2 (coronavírus).
         Entretanto, o termo quarentena, por ser o mais conhecido, é usado também como sinônimo de distanciamento social.
Segundo o médico infectologista Stefan Cunha Ujvari, autor do livro “A História e suas epidemias”, a quarentena surgiu na Idade Média, durante uma das epidemias da peste bubônica (peste negra).
          A Sereníssima República de Veneza, histórica cidade do comércio e das artes, situada na Península Itálica, rota de portos comerciais, foi atingida pela peste negra em inúmeras epidemias, entre 1361 e 1528. Diante da enorme mortalidade e do grande dano à economia causados pela peste, os governantes determinaram que todas as embarcações que chegassem à cidade teriam que ficar afastadas, para que as pessoas que tivessem doentes não desembarcassem.
          Os órgãos da República se reuniram e um membro do clero decidiu quantos dias seriam. Como eles achavam que a peste era um castigo divino, o clérigo usou várias passagens bíblicas que tinham 40 dias, 40 anos e estipulou que seriam 40 dias. Daí surgiu a “quarentena”.  Portanto, a quarentena é um isolamento profilático, preventivo.
           Em princípio, quando uma pessoa é colocada em quarentena, ela está sadia e sem sintomas da doença, apesar de ter tido contato com um doente ou permanecido em local de surto da doença. A pessoa é colocada em reclusão, afastada do restante da população, como medida de cautela até que seja certificada a integridade de sua saúde.
          A quarentena pode ser individual (para uma pessoa que volta de viagem internacional ou para contatos domiciliares de caso suspeito ou confirmado de coronavírus) ou coletiva (um navio, um bairro ou uma cidade).
         O isolamento é diferente da quarentena pois é uma medida aplicada à pessoa doente, para tratamento e restabelecimento de sua saúde, evitando a contaminação de outras pessoas saudáveis de seu convívio. Pode ser em domicílio ou em ambiente hospitalar.
        O distanciamento social é a diminuição do relacionamento entre os moradores de uma localidade, e tem como finalidade frear a velocidade de transmissão do vírus. É fundamental para que as pessoas infectadas, assintomáticas ou oligossintomáticas não espalhem o vírus, contaminando pessoas sadias.
          No caso da Covid-19, o distanciamento social pode ser ampliado ou seletivo. No distanciamento social ampliado, há o fechamento de escolas, lojas, mercados públicos etc.  O trabalho em casa é estimulado, mas os serviços essenciais são mantidos. No distanciamento social seletivo, somente os grupos de maior risco como: idosos, diabéticos, hipertensos, imunodeprimidos e portadores de outras comorbidades ficam isolados.
          Quando as medidas de distanciamento social, isolamento e quarentena são insuficientes, pode ser necessário o bloqueio total (lockdown).
          No Brasil está sendo aplicado, em muitas cidades, o distanciamento social ampliado, comumente chamado de quarentena. Vemos em algumas cidades e até em estados o lockdown.
         Ao menos 1,5 bilhão de pessoas no mundo estão sendo afetadas pelas ações de combate ao coronavírus. Nesta pandemia, está ocorrendo uma quarentena global em centenas de países, ao mesmo tempo. Isso é inédito.
         No início desta “quarentena”, as pessoas foram aos poucos se adaptando a uma nova rotina. Muitas encontraram um ritmo, mas outras sentiram tédio e até depressão.
        A pergunta que todos fazemos é: o que fazer nessa quarentena?
          O mais importante é pensar que tudo vai passar e que o melhor a fazer é aproveitar esse momento para repensar valores e modo de vida. Aqui vão algumas sugestões:
         Colocar a casa em ordem preenche o tempo e dá satisfação.
         Arrumar armários, gavetas e separar roupas e objetos para doar, estimula a solidariedade. Limpar tudo com esmero, mudar o local dos móveis, do sofá, da cama, da escrivaninha, deixa o ambiente mais saudável e bonito.     
         Rever fotos antigas, trocar as fotos dos porta-retratos, organizar arquivos de fotos no computador nos faz recordar e reviver.
        Arrumar estantes de livros.  Separar um horário para ler aqueles que comprou e nunca leu, além de reler outros com novo olhar, nos fará mais sábios.
        Assistir aos filmes e seriados que ficaram na lista e que, por falta de tempo, não foram vistos, nos dará alegria e prazer.
        Curtir os familiares presencialmente, ou por chamada de vídeos, é sempre divertido e estreita laços afetivos.
        Nessa pandemia, tem pessoas em piores situações que a nossa. Procurar ajudá-las torna-se uma obrigação. Por isso, é preciso ser generoso com os mais vulneráveis.
       Ter compaixão com aqueles que perderam seus entes queridos faz bem a psique humana.  
       Ore, exercite sua fé.  A oração fortalece e é um bálsamo para a dor.
       Cozinhar é um desafio divertido e prazeroso. Para quem nunca se aventurou na cozinha, há vídeos na internet com o passo a passo de como preparar um bom prato.
       Lembre-se: cozinhar é uma arte.
       Segundo Friedrich Nietzsche: “sem música, a vida seria um erro”.  Aproveitemos para ouvi-la enquanto realizamos tarefas domésticas.     
        Estudar; não há melhor investimento do que o conhecimento. A internet oferece muitos cursos gratuitos nesse período de quarentena.
        Aprender uma nova língua nos liberta.
        Reciclar objetos, que os franceses chamam de bricolagem, é divertido.  A natureza agradece. 
       Montar um escritório em casa, home office, é prático e lucrativo para algumas atividades. 
       Visitar os sites dos museus, deliciando-nos com obras de arte, nos torna mais cultos. 
        Cultivar plantas, mesmo que sejam em uma varanda. Voltaire termina seu livro “Cândido ou o Otimista”, com a seguinte frase: “é preciso cultivar nosso jardim”.
       Meditar faz bem à mente. 
       Exercitar-se faz bem ao corpo e à mente.
       Pensar e filosofar para sair dessa quarentena com a certeza de que é preciso transformar a sociedade em que estamos mergulhados em outra mais solidária, igualitária, criativa e bela. A sociedade da emancipação humana e do meio ambiente.

ana margarida furtado arruda rosemberg
Fortaleza, 20.5.2020