Fotos: Homo rudolfensis (África Oriental); Homo
erectus (Ásia Oriental); e Homo neanderthalensis (Europa e Ásia
Ocidental). Nossos irmãos, de acordo com reconstruções
especulativas. Fonte: Livro Sapiens de Yuval Noah Hariri
Demais fotos: Fonte – Internet
Os humanos surgiram há cerca de 2,5
milhões de anos, na África Oriental, a partir dos Australopithecus, um gênero anterior de primatas.
Por volta de 2
milhões de anos atrás, alguns desses seres se aventuraram em vastas áreas do
Norte da África, da Europa e da Ásia. Os
humanos da Europa e da Ásia Ocidental deram origem ao Homo neanderthalensis (neandertais).
Os humanos das outras regiões
da Ásia originaram o Homo erectus, que
sobreviveu por quase 1,5 milhão de anos, sendo a espécie humana de maior
duração.
Segundo o historiador Yuval Noah
Harari, em seu livro Sapiens, dificilmente
a nossa espécie quebrará esse recorde.
Na Ilha de Java, na Indonésia, viveu o Homo Soloensis. Em Denisova, na Sibéria,
viveu o Homo denisova. Muitas outras
espécies viveram em cavernas e ilhas.
Enquanto esses humanos
evoluíam na Europa e na Ásia, a evolução na África Oriental continuou nutrindo
novas espécies, como: Homo rudolfensis,
Homo ergaster, e, finalmente, nossa
espécie: Homo sapiens. Foi, portanto,
na África que surgimos há cerca de 200 mil anos.
Segundo Harari, é uma falácia conceber essas
espécies em uma linha reta de descendência. A verdade é que de 2 milhões de
anos a 10 mil anos trás, o mundo foi habitado por várias espécies humanas ao
mesmo tempo.
Há 100 mil anos existiam pelo menos seis espécies humanas
diferentes. Apenas a nossa espécie, Homo
sapiens, sobreviveu. Como já dito, surgimos
há 200 mil anos, na África Oriental.
Há cerca de 70 mil anos, nos espalhamos na
Península Arábica e território da Eurásia, começamos a dominar o resto do
planeta terra e extinguimos as demais espécies humanas.
Inicialmente, éramos
nômades e nos alimentávamos de caça, pesca, raízes e frutos. Por estarmos
expostos aos traumas, morríamos facilmente.
Quando nos espalhamos pelo norte da
África e Eurásia nos concentramos em algumas regiões como: a Mesopotâmia, entre
os rios Tigres e Eufrates; o Egito, ao longo do rio Nilo; a China, no Vale do
rio Amarelo e
no Vale do rio Indo.
Os microrganismos causam doenças em nossa
espécie, desde que surgimos na África. Segundo Stefan Cunha Ujvari, em seu
livro “A História da Humanidade Contada pelos Vírus”, a tuberculose humana, que
até pouco tempo acreditava-se ter surgido com a domesticação do gado, surgiu há
milhares de anos.
Os cientistas diziam que a tuberculose do gado, causada pelo Mycobacterium bovis, dera origem a
tuberculose humana, causada pelo Mycobacterium
tuberculosis.
Apesar dessa hipótese ter sido plausível durante muito tempo,
caiu por terra com os estudos de materiais genéticos do bacilo da tuberculose
de pessoas mortas há milênios.
Segundo os referidos estudos, um ancestral
bacteriano deu, primeiro, origem ao M.
tuberculosis. O M. bovis foi o último a surgir na escala evolucionária. Assim, já
havia humanos com tuberculose antes da domesticação do gado.
Cientistas encontraram
em múmias egípcias o DNA do bacilo da tuberculose.
A peste branca (tuberculose)
já atingia os egípcios desde a unificação do Alto e Baixo Egito e esteve
presente em todo o período da história do Egito, em surtos epidêmicos.
Os piolhos nos acompanham
desde os primórdios de nossa história. Através do estudo do genoma dos mesmos,
verificou-se que existem piolhos específicos aos macacos e aos humanos. Ambos
evoluíram de um ancestral comum que viveu há cerca de cinco milhões e meio de
anos.
O tifo, doença transmitida pelo piolho, foi devastador para os seres
humanos e responsável por várias epidemias ao longo da história.
Durante o segundo
ano da Guerra do Peloponeso, em 430 a.C., a cidade-estado de Atenas, na Grécia
Antiga, foi atingida por uma epidemia dizimadora, conhecida como a “Peste de
Atenas”, ou “Peste do Egito”, que matou, entre outros, Péricles e seus dois
filhos.
Muitos historiadores acreditavam que o tifo teria sido a causa dessa
epidemia. Atualmente, estudos genéticos da bactéria encontrada em dentes das
ossadas dos soldados atenienses mostram que foi a febre tifóide.
Entre as
causas responsáveis pela derrota de Napoleão e sua Grande Armée na invasão da Rússia, em 1812, está o tifo, ao lado do
frio e da fome.
Quando, há 10 mil anos,
nossa espécie se fixou para iniciar a agricultura e domesticar os animais, as
doenças proliferaram com mais intensidade e surgiram grandes epidemias.
Ao
mesmo tempo que existiam os agricultores, existiam os pastores, que
domesticaram animais como: aves, porcos, gado, cavalos, cachorros e gatos.
O contato com esses animais, principalmente
aves e porcos, nos legou muitas doenças.
A gripe é uma das doenças que as aves
nos transmitiram. Já o resfriado, vem do cavalo.
As epidemias de gripe e varíola surgiram há
milênios. Existem relatos de epidemias na era romana.
A varíola já foi
identificada em múmias egípcias. Epidemias
de malária surgiram há dez mil anos.
O desenvolvimento da agricultura propiciou
as condições para que o mosquito Anopheles,
que transmite o parasita plasmódio, causador da malária, se propagasse.
No momento em que
começamos a estocar grãos, como o trigo, o rato proliferou, disseminando suas
doenças.
A peste bubônica, conhecida como peste negra, transmitida pela pulga do
rato, dizimou 1/3 da população da Europa, em meados do século XIV.
Os europeus introduziram
várias doenças em toda América, dizimando milhares de nativos.
No Brasil, os
portugueses trouxeram a gripe, a varíola e a tuberculose, entre outras
enfermidades.
Segundo Ujvari, o HIV,
vírus causador da epidemia da AIDS, estava presente nos chimpanzés que
habitavam os países: Camarões e Gabão, na África.
Esses macacos contaminaram os
sapiens através de escoriações e
ferimentos quando, após serem vítimas de caçadores e terem seus corpos
destrinchados e suas carnes ensacadas para serem vendidas nos mercados, o vírus
penetrou em seus organismos.
O HIV, presente em mais
de trinta espécies de primatas, na África, começou a contaminar os Sapiens por volta de 1930.
No organismo humano, o vírus conseguiu
alcançar as secreções genitais e, assim, atingir outros humanos por relações
sexuais.
A doença foi se espalhando lentamente até ser desmascarada em 1980.
Entretanto,
o agente causal, batizado de HIV (vírus da imunodeficiência humana,) só foi
identificado, em 1983, por dois grupos de pesquisas independentes liderados por
Robert Gallo e Luc Montagnier.
Na atual pandemia da
Covid-19, graças ao avanço da ciência, o genoma do vírus SARS-CoV-2 (coronavírus)
foi decifrado poucos dias após os primeiros casos terem surgido na China, na
cidade de Wuhan, em dezembro de 2019.
Os Sapiens sempre conviveram com as
doenças. Só a cooperação e a
solidariedade entre os povos serão capazes de fazer a humanidade enfrentar e
vencer as epidemias.
ana
margarida furtado arruda rosemberg
Fortaleza, 19.06.2020




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