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| Dr. Mario Rigatto |
SAUDAÇÃO A MARIO RIGATTO
Por: ana margarida furtado arruda rosemberg
Em maio último, por
ocasião de um seminário sobre tabagismo em Porto Alegre, tive a felicidade de
dedicar algumas palavras ao nosso querido Dr. Mario Rigatto.
Hoje, a felicidade é
maior, pois vou fazê-lo em nossa terra, em nosso Ceará sofrido, que teve o
privilégio de ter sua colaboração durante três décadas.
Não vou falar do Mario Rigatto discípulo brilhante do curso de medicina de Porto Alegre e de pós-graduação que concluiu no Canadá e na Inglaterra;
do renomado médico pneumologista e livre docente de Medicina Interna da UFRS;
do chefe do Serviço de Pneumologia do Hospital das Clínicas de Porto Alegre;
do pesquisador original e criativo do Conselho Nacional de Pesquisa;
do Presidente da Sociedade de Cardiologia do Rio Grande do Sul;
do fundador e primeiro presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia;
do Presidente do Departamento de Fisiologia Cardiovascular e Respiratória da Sociedade Brasileira de Cardiologia;
do organizador do primeiro curso de pós-graduação em área médica do Brasil,
do membro atuante, por muitos anos, da Associação Brasileira de Escolas Médicas;
do vice-reitor da UFRS;
do membro das academias Sul-Rio-Grandense e Nacional de Medicina e de inúmeras sociedades médicas no exterior;
do cientista com suas pesquisas, trabalhos e livros publicados;
do remador premiado.
Não, eu não vou falar
desse Mario Rigatto, pois muitos já o fizeram.
O que hoje me proponho a
homenagear é o conferencista sedutor, mestre da palavra que convencia,
deleitava e persuadia qualquer auditório e que atravessou a vida vestido de
gala, pronto para a festa, encantando a todos com sua alegria contagiante.
O Mario Rigatto que ouso homenagear
é o artífice, pioneiro, ao lado do Prof. Rosembeg da luta antitabágica no
Brasil e que teve o mérito de ser membro, como o Prof. Rosemberg do primeiro
Grupo Assessor para o Controle do Tabagismo, do Ministério da Saúde.
É aquele que em reunião
histórica internacional, realizada em São Paulo, propôs a criação do Comité Latino-Americano
Coordenador do Controle do Tabagismo, tornando-se seu primeiro presidente.
Conheci o Dr. Mario
Rigatto nos idos de 1973, quando eu era estudante de medicina, pois a convite
da UFC ele esteve em várias ocasiões ministrando cursos e palestras aos
estudantes e professores daquela época.
A minha turma teve o
prazer e o deleite de ouvi-lo durante três anos e tão impressionada ficou que o
convidou para ministrar a Aula da Saudade, criada por nós, em 1974, e que até
hoje faz parte das comemorações de todos os formandos em nosso Estado.
O Dr. Mario Rigatto, já
naquela época, fazia campanha contra o tabagismo e isso foi decisivo para que
eu enveredasse na luta que abracei com garra e amor.
Das aulas ministradas no início
da década de 70, guardo com muito carinho e de cor, alguns trechos. Em certa
ocasião, por encerramento de uma delas, ele falou:
“De volta agora ao meu
Rincão longínquo, vou por à prova o velho adágio popular que diz: Como o vento
é para o fogo é a distância para o amor, se é pequeno apaga-o logo e se é
grande torna-o maior”.
E o amor de Mario Rigato
tornou-se cada vez maior. Não só pelo Ceará que adotou como seu segundo estado,
mas, também, e principalmente, pela Dra. Helena Pitombeira, essa mulher
encantadora que teve a ventura de tornar-se sua esposa.
Em outra ocasião falou:
“Dizem que a sede do amor está no coração. Mas, o que pode o amor fazer com o
coração? A sede do Amor está nos pulmões, pois é com os pulmões que a gente
respira, é com os pulmões que a gente suspira e com os pulmões a gente emite todos
os sussurros, todos os gemidos e todos os Ais de Amor”.
Falando da intimidade
entre o alvéolo e o capilar, comparou como um namoro à antiga, bastante íntimo
pra prosseguir e bastante recatado para que se antecipassem as consequências.
Como disse Affonso Berardinelli Tarantino, em pronunciamento feito por ocasião da entrega do prêmio Excelência em Pneumologia, ao Dr. Mario Rigatto, em agosto de 1999, no Rio de Janeiro:
“certamente o genoma de Rigatto estava impregnado de um saber e de uma
sabedoria provindos de seus ancestrais da bela Toscana. Quem sabe se essa capacidade
ímpar de encantar do mais simples ao mais seleto auditório, mantendo-os
hipnotizados como num transe de prazer intelectual, não resulte da clonagem de
algum nobre daquela região, considerado como o cérebro da península?”.
Empregando agora as palavras pronunciadas pelo Prof. Rosemberg,
“Rigatto amava a vida no que ela
proporciona na ciência, na literatura, na arte, no amor ao próximo, na ternura
do afeto de quem se ama, nas múltiplas manifestações humanas, na exuberância da
natureza. Orador nato, postura elegante, terno de alvura gritante e sua indefectível
gravata borboleta, simbolizando a agilidade do voo de seus pensamentos e
conceitos, difundia seu saber na atmosfera dos anfiteatros, eletrizando a
assistência.
Das aulas da saudade e de
suas inúmeras conferências, estão impregnadas na comunidade médica cearense as
lembranças profundas do professor, do poeta, do humanista.
Devemos agora cultivar
sua memória, mantê-lo em nossos corações e imitar seu invulgar comportamento,
sua rica vida profícua e produtiva servindo de paradigma não só para nós, seus
amigos, como para as gerações futuras de médicos. Assim, Mario Rigatto não
morrerá nunca. Estará sempre presente. Sempre!”.
Ana Margarida
Fortaleza, 30 de junho de
2001
Reunião da Sociedade Cearense de Pneumologia e Tisiologia (SCPT)
Hotel Olimpo - Fortaleza-CE


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