segunda-feira, 15 de novembro de 2021

OA ÍNDIOS DA AMÉRICA UTÓPICA


A primeira missa no Brasil, Victor Meirelles, óleo sobre tela, século XIX, Museu Nacional de Belas Artes.

 

 Publicado no Jornal do Médico

https://jornaldomedico.com.br/2021/11/14/os-indios-da-america-utopica/ 

                            OS ÍNDIOS DA AMÉRICA UTÓPICA

No século XVI, os colonizadores europeus chegaram à América mal alimentados, vindos em navios fétidos, imundos, desconfortáveis, abarrotados de pessoas, que suportavam todo tipo de infortúnio em busca do paraíso perdido.  

Em busca do Eldorado, eles massacraram, escravizaram e dizimaram os índios (habitantes da América), vistos como canibais, sodomitas, inimigos da verdadeira religião, preguiçosos, ladrões, mentirosos e traidores.     

Várias questões sobre os referidos índios foram levantadas: eram humanos? tinham alma?  Em Salamanca, houve uma discussão acirrada para saber se os índios eram ou não bichos. Finalmente, chegaram à conclusão de que eram gente e que deveriam ser catequizados.  

A Europa cristã se viu obrigada a salvar os índios pagãos. Os padres jesuítas resolveram, com a máxima boa intenção, acredito eu, salvar esses pagãos, catequizando-os. Acreditavam que os índios estavam mergulhados no pecado da nudez, da luxúria, da antropofagia, do incesto, da feitiçaria, da sodomia e do lesbianismo.  

Os jesuítas embarcaram para o “Novo Mundo” com uma “sagrada missão”. Por mais que tenham se esforçado, as conversões dos índios foram superficiais e a adoção do cristianismo foi, também, superficial. Apesar de letrados, os europeus não compreenderam que a cultura dos índios não era inferior a deles e que, por isso, não deveria ser mudada.

Foi uma verdadeira tragédia a catequização dos índios, além de um terrível equívoco que levou a um grande genocídio e quase dizimação dos habitantes da América.   

Os europeus trouxeram com eles várias doenças como: tuberculose, gripe, varíola, sarampo, malária, sífilis, gonorreia etc. Somadas às guerras, essas moléstias contribuíram, enormemente, para o extermínio de tribos indígenas. A conjugação catequese e contaminação, guerras de extermínio e escravidão reduziram drasticamente as populações indígenas.

Penso que os índios deram o troco aos europeus por tal extermínio, pois legaram ao homem branco o mortífero tabaco, que penetrou na Europa, em 1560, através de Jean Nicot, e espalhou-se rapidamente.

Mais de quinhentos anos se passaram e ainda lutamos para erradicar essa verdadeira pandemia, que ceifa milhares de vidas no mundo inteiro.

 

 

ana margarida furtado arruda rosemberg

Fortaleza, 12 de novembro de 2021.

 

 

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